Vida Longa aos Bravermans – Parte II.

Enfim chegamos ao fim. O fim que quase sempre ameaçava acontecer nos finais de temporadas, mas sempre por algum motivo, talvez por uma força de todos os envolvidos na série quererem que Parenthood continuasse, fez a família Braverman sobreviver por longos cinco anos, seis temporadas e cento e três episódios, chegando a um final. E um final planejado! Estamos órfãos, todavia não ficou o gosto de mágoa e nem de revolta. Apenas o sentimento de saudades e o gostinho de quero mais. Parenthood nos contou uma história sossegada, sem alardes e barulho. Quase como se estivéssemos morando em um bairro do subúrbio, vendo pais, crianças, cachorro, avôs e o priminho brincando em volta do carro enquanto partem em direção a um dia no parque. É sem dúvida uma série familiar que fará falta para aqueles que acompanhavam e acredito que demorará até encontrar uma substituta a altura. De cabeça, não consigo mencionar nenhuma outra produção com a sua temática e atmosfera combinadas.

Já iniciando a discussão sobre o episódio, uma bonita conclusão a de Zeek, que por sinal nunca cruzou a minha mente, a de Sarah nunca ter ligado para as coisas materiais, apenas se importando com as pessoas que gostava. Realmente verdade se pararmos para pensar, ela nunca ligou para carro, roupas, casa ou qualquer outra coisa do tipo que a sociedade julga ser necessária, mas que podemos classificar como não essencial em muitas ocasiões.

Uma outra bela conclusão foi a vida de Zeek. De parar o coração a sua morte, com Camille se deparando com um Zeek adormecido, todo sem jeito e imóvel na poltrona. O suspense em saber se era aquilo que realmente imaginávamos a partir do olhar surpreso e triste de Camille foi o ápice do episódio, de encher os olhos. Algo sutil, mas de precisão incrível o seu falecimento ter sido desta forma, sem muito drama e de forma natural. Na verdade, me lembrou muito a morte de meu próprio avô, que também ocorreu da mesma forma, silenciosa e inesperada, por mais que já estávamos cientes de sua situação. Camille o ter encontrado, e Zeek ter se desligado da vida ouvindo a voz de sua esposa também combinou um toque de realismo com o de dramaticidade. Não poderiam ter pensando em uma despedida melhor para o patriarca.

Enquanto “May God Bless You and Keep You Always” avançava episódio adentro, senti uma ponta de dúvida se o pior iria realmente acontecer com Zeek. Confesso que até me atrevi a pensar que nada aconteceria com ele e por mais ciente que estava de seu estado delicado de saúde, fui surpreendido com o final. Já era um final esperado qual seria o desfecho desta storyline, entretanto, os roteiristas foram muito espertos em tentar fazer parecer que tudo estava bem, mesmo quando não estava. E como já ouvi dizer, muitos enfermos possuem alguns dias mais saudáveis e felizes antes da morte. Talvez fosse isso que ocorreu com Zeek, mas que conseguiu assistir o casamento de Sarah e pegar no colo o seu primeiro bisneto.

Não sou muito de casamentos em seriados no episódio final. Na verdade me pareceu algo bem à brasileira Parenthood exibir um, porém foi provavelmente a última vez que todos estiveram reunidos (tanto dos Bravermans como dos atores e atrizes da série). Drew, todo desengonçado, fez um discurso muito bonito e sincero; as fotos em família, com cada um ora com a sua família nuclear, ora com os membros mais próximos, namoradas, irmãos e depois todos juntos também merecem ser mencionado nesta review. Uma bela cena das fotos que não deveria faltar de maneira alguma, jamais. Outro toque especial foi Hank pedir a benção de Zeek e a resposta implícita do porque tamanha pressa em realizar o casamento. Esta cena e a de Camille encontrando o Zeek na poltrona foram de apertar o coração.

O reabrimento do Lunchenette apenas por Crosby e Amber irá trazer um gosto de quero mais. Estou curioso para saber quais perrengues os dois iriam se meter para manter a gravadora funcionando, assim como qual seria a postura de Adam sendo o diretor de uma escola. Muito bem pensada a proposta da ONG para Kristina e essa troca de cadeiras entre o casal assim como a da meia-irmã de Victor. O quesito suspense também surgiu e por alguns minutos pensei que a mãe ou pai dele poderiam pedir a sua guarda novamente, entretanto, uma agradável surpresa a razão do telefonema da assistente social ter sido outro. Ah, e é claro, digo mais uma vez que Parenthood não poderia ter esse nome caso muitos, muitos e muitos bebês não viessem ao mundo. E segurem a contagem: Amber está com o Zeek bisneto, Jasmine apareceu acariciando a barriga, então Jaber e Aida ganharam mais um irmão, Julia e Joel pelo visto deram boas-vindas a outro filho além da irmã de Victor… bom, estou esquecendo de alguém? Iria ficar muito preocupado e feliz ao mesmo tempo caso Sarah estivesse grávida. Proposta para uma possível sétima temporada: alguma mulher da família Braverman ter problemas férteis. Na verdade não sei dizer qual possibilidade é a mais remota.

Camille ir para a Europa curtir a vida (se lembram de uma Camille depressiva e que só queria curtir a vida? Ela retornou!) e agora dividir a casa com Amber e o seu bisneto fecharam a possibilidade dela ter que morar sozinha. Confesso que gostaria que ela retornar-se à sua antiga casa, junto de Amber e o bisneto, e ver mais uma criança crescer ali, no mesmo lar onde todos os outros Bravermans um dia já passaram a infância e/ou adolescência, todavia, sabia que essa possibilidade era bem remota e como bem frisado no episódio anterior, Camille e Zeek passaram o bastão para a próxima família. Haddie retornar lacrou a series finale de maneira já esperada, mas sempre agradável. O talento de Max para a fotografia aliada com o tutor Hank deu uma esperança para os seus pais aflitos; Amber ter seguido em frente e estar namorando outra pessoa além do boring Ryan (que, aliás, parece estar saudável e nos trilhos) fez surgir um sorriso em meu rosto. Todas estas cenas intercambiando com uma partida do esporte oficial dos Bravermans logo após colocarem Zeek em campo, dividindo esse momento com ele em família, finalizaram Parenthood da maneira que esperávamos e que tanto nos agrada. Em uma última observação, belíssimo toque terminar a série com a música tema, em uma versão quase que a capella e como retratado nos minutos finais, a vida segue, quer queira quer não.

O episódio final de Parenthood marcou 5.46 milhões de telespectadores e 1.7 na demo. No mesmo horário, How To Get Away With a Murder liderou com 3.1 e Elementary registrou o terceiro lugar, com 1.3.

P.S.: No site TV.com e no Eonline estão disponíveis quatro cenas deletadas da series finale e algumas curiosidades. Um presente final de toda a de Parenthood para os fãs.

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