Blood Giant (Gigante de sangue, em tradução livre), marcou o retorno de The 100 depois de mais um longo hiato (três semanas). Após uma pausa tão longa era de se esperar uma volta movimentada, cheia de reviravoltas e acontecimentos. Olhando o episódio, superficialmente, realmente tivemos isso, mas ao analisarmos como um todo, percebemos como esse episódio foi problemático. Muita coisa aconteceu, mas a forma escolhida pelos produtores de mostrar isso foi estranha e desajeitada. Sem mais enrolação, vamos ao episódio.

O episódio começa exatamente onde The Stranger parou. Clarke, Raven, Cadogan e Bellamy chegando a Sanctum. E aqui temos a primeira decisão estranha dos produtores. Em um diálogo rápido, Cadogan e Sheidheda se enfrentam, um mais lunático do que o outro. Os seguidores do Comandante das Trevas são abatidos e Sheidheda é apunhalado. A minha pergunta é o seguinte: passamos 13 episódios acompanhando a trama em Sanctum para que? Eles não apresentaram nenhum tipo de resistência aos Discípulos e em poucos segundos desapareceram. Qual foi o propósito de manter o Sheidheda vivo até agora? Gosto muito do trabalho do JR Bourne, mas não fez sentido nenhum ter arrastado a trama até aqui, não houve propósito. Seguindo essa linha narrativa, milagrosamente, os únicos que não foram atingidos pelos tiros foram Indra e Murphy. Sei que estamos falando de uma produção televisiva e que a licença poética é necessária, mas The 100 já cometeu tantos erros grotescos nessa temporada que está ficando impossível perdoar. Não quero com isso dizer que a série sempre foi perfeita e que agora perdeu o rumo.

Quero dizer que os erros sempre estiveram ali, mas perdoávamos, pois, a narrativa era estruturada e empolgante (desculpe o desabafo). Voltando a esse núcleo, outra questão é latente: por que Indra deixaria Sheidheda vivo? Como falei na review anterior, ela vinha sendo humilhada, seu comando foi usurpado por alguém que ela despreza e que provocou a morte da sua família. Ela é uma guerreira prática e inteligente, por que ela arriscaria, novamente, uma sobrevida dele? Sinceramente, isso não condiz com a personagem que tanto ganhou destaque nessa temporada.

Outro ponto importante aqui é a escolha de mostrar o eclipse do sol vermelho, algo que só tinha acontecido na quinta temporada. Sabemos que sob sua influência, as plantas da lua Alpha liberam substâncias que tornam as pessoas violentas. Esse evento tinha tudo para ser empolgante, mas ficou jogado. Nenhum núcleo importante foi realmente atingido por ele, exceto, pelo grupo que estava no reator com Emori. Os homens de Sheidheda tentaram a todo custo invadir o local, mas ela desligou a energia, provocando a entrada dos insetos, inibindo a invasão. Isso também serviu para levar o grupo de Cadogan e Clarke para o local. Tivemos, enfim, o reencontro de Clarke e Madi. Outro ponto que quero destacar aqui é o tratamento dando a Raven. Depois de tudo que a personagem viveu é doloroso ver no que ela se tornou. Alguém consumido pela culpa e sem o espaço devido nessa temporada. Não sei vocês, mas sinto que o espaço de tela, nessa temporada, foi extremamente mal dividido. Como um dos leitores das minhas reviews comentou, nós queríamos ver os nossos personagens originais em sua jornada final, mas não é isso que está acontecendo. Gabriel, por exemplo, ganhou o espaço que seria dela. Durante suas alucinações, ele descobriu um meio de reconstruir a Chama. Ou seja, se ele não tivesse ganhando tanta relevância aqui, seria Raven a fazer essa descoberta. Não quero com isso dizer que detesto o personagem e que somente Raven é inteligente o bastante, apenas estou exemplificando como as escolhas narrativas pesaram aqui. Só acompanhamos o drama vivido por ela, depois das suas decisões do início da temporada, e a personagem é muito mais que isso. Alguém que lá atrás, tomou um tiro e mesmo assim conseguiu se superar e sobreviver, merecia muito mais do que tem sido mostrado.

E para o final, deixei aquela que é uma das piores decisões tomadas pelo criador da série, Jason Rothenberg. Sabemos que a terceira temporada é listada pela maioria dos fãs de The 100 (já falo que não concordo com isso) como uma das piores do show, justamente por causa das escolhas feitas, mas digo de antemão que aqui a coisa foi muito pior. The 100 é um show de sobrevivência, portanto, pessoas morrerem faz parte da trama e isso não é um problema. O problema reside na construção dessas mortes. Como fã, ninguém quer ver seu personagem favorito morrendo, mas quando as coisas são bem construídas, entendemos e nos consolamos nisso. A morte do Bellamy entra no hall das piores mortes feitas em The 100. Quem me acompanha aqui a algum tempo sabe que não sou a maior fã do personagem, mas nunca deixei de enxergar sua importância para a série. O que foi feito com ele nesta temporada maculou tudo o que foi construído nas temporadas anteriores. Como disse na review de Etherea, ele se tornar um discípulo não foi o problema, mas a forma como essa “conversão” se deu foi estranha e sem nexo. E para piorar tudo, o personagem conheceu seu fim pelas mãos da Clarke. WTF?? Vimos em uma cena anterior, Madi contando para Clarke sobre suas memórias da Chama e citando o fatídico livro, tornando-a um alvo em potencial. Clarke mataria alguém, quem quer que seja, para proteger Madi? Sim, mas qual foi o sentido de atirar no Bellamy por causa de um livro que ela não pegou? Outra coisa, Cadogan estava com ela, então como esse livro chegaria até ele? Tudo que aconteceu aqui foi mal construído e apressado. Existiam inúmeras formas de mata-lo, mas os roteiristas escolheram a mais ilógica possível. E caros amigxs, não se enganem: ao fazerem Clarke apertar o gatilho, os produtores também decretaram seu fim. Como ela vai viver com isso? Ele era seu melhor amigo e por tudo que conhecemos, isso irá destruí-la, independentemente do resultado final. E não gente, nunca shippei os dois, nunca os enxerguei como um casal.

Faltam três episódios para o final e agora parece mais do que claro que não teremos um bom encerramento. Continuamos sem saber o que é a “guerra final” e ainda seremos deslocados para um “novo” planeta. Pouco tempo e muitas arestas para aparar. Sempre tive fé nos roteiristas da série, mas sinto que o trem descarrilou e nos resta torcer que pelo menos alguns se salvem. Não deixem de comentar e até a próxima semana.

Admirando o novo mundo e outras curiosidades

– A promo do novo episódio nos dá um vislumbre de Gaia e supostamente teremos todos reunidos. Até que enfim!

– Não sei vocês, mas acho que não veremos mais Sanctum, já que todos os personagens relevantes atravessaram a anomalia para o novo planeta.

– Aliás, onde será este novo planeta? Será a Terra? Se for, como isso é possível? Quero explicações, senhores produtores.

– A Chama foi definitivamente destruída por Gabriel, ou seja, só restam as memórias de Madi e Sheidheda…

– Sheidheda morreu? Acho que não. Sem corpo, sem morte.

– Como Echo e Octavia receberão a notícia da morte de Bellamy? Façam as suas apostas.

– Uma teoria: Gaia foi parar no planeta que estava off-line, ou seja, só alguém do mais alto nível do Bardo saberia dessa informação. Lembrando que Orlando, supostamente morreu, mas não vimos seu corpo. Minha hipótese: ele levou Gaia para esse novo lugar.

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anterior‘Doom Patrol’ é renovada pra 3ª temporada pela HBO Max
Próximo artigoNetflix divulga trailer de ‘Os 7 de Chicago’, novo filme escrito e dirigido por Aaron Sorkin
the-100-7x13-blood-giantFaltam três episódios para o final e agora parece mais do que claro que não teremos um bom encerramento.