The Flock (O Rebanho, em tradução livre) iniciou com passos firmes a segunda metade da temporada final de The 100. O episódio ocupou-se do treinamento de Echo e companhia, no Bardo, e os desdobramentos da tentativa de golpe dado por Nikki e Nelson, em Sanctum. Por um lado, fiquei extremamente feliz em ver alguns dos questionamentos que fiz na review passada serem respondidos, mas por outro, fiquei incomodada com a condução de certas tramas. Sem mais delongas, vamos ao episódio.
Comecemos por Sanctum. Recapitulando, Indra saiu em busca de Gaia e dos outros, deixando o lugar sob os cuidados de Murphy e Emori. Durante a festa de reunificação, Nikki e Nelson acabam tomando o controle do palácio, pois Sheidheda manipulou toda situação. Então, carxs amigxs leitores, semana após semana, tenho escrito que a trama de Sanctum ainda tem alguma lenha para queimar, mas pela primeira vez, senti que estamos girando em círculos. Construíram toda uma resistência por parte dos prisioneiros da Eligius e dos Filhos de Gabriel, mas tudo acabou tão rápido que não fez sentido nenhum. Indra invadiu o palácio com apenas cinco soldados e resolveu a situação. Como assim, senhores roteiristas? Difícil crer que seria assim tão fácil. E esse foi apenas um dos pontos que me incomodaram nesse plot.

Nikki e Nelson seguem com o plano de dominar Sanctum. Fazendo reféns, eles exigem que Russell/Sheidheda, Murphy/Daniel e Raven se apresentem. De cara, já sabíamos que isso não daria certo. Raven está em Nakara, ou no Bardo, e Russel não é Russell. Claramente, essa foi a saída encontrada para que Sheidheda se revelasse, mas tudo que envolveu isso me incomodou. Primeiramente, Indra não teria sido tão ingênua a ponto de deixar ele sozinho com os seguidores dos Primes. A mulher que foi capaz de reconhecê-lo, por uma frase, saberia que ele teria uma carta na manga. Outra coisa, os soldados de Wonkru que ficaram vigiando as portas do palácio eram justamente os membros do antigo clã do Sheidheda, Sangedakru. Quanta conveniência! Isso nos leva a uma única conclusão: a trama de Sanctum precisa de um ponto final, urgentemente. Já era hora de eliminar alguns componentes dessa equação. A trama se tornou repetitiva e sem proposito. Gostei do destaque dado a Indra e a outros coadjuvantes? Sim, mas chegou a hora de centrar fogo na guerra final. Precisamos saber do que se trata para que ela tenha a relevância necessária.

No Bardo, acompanhamos o treinamento de Diyoza, Echo, Hope e Octavia para se tornarem Discípulos, e posso dizer, se quase tudo me incomodou em Sanctum, aqui quase tudo me agradou. Algumas das nossas dúvidas foram respondidas e de quebra, tivemos o desenvolvimento do nosso quarteto fantástico. A sociedade dos Discípulos foi construída sob os resquícios de uma raça alienígena que vivia no planeta antes da chegada do Pastor e sua trupe. Aparentemente, os bardanos foram destruídos por algo que eles não sabem ao certo o que é, mas que pode voltar a qualquer momento. Tudo o que eles acreditam foi construído para esse confronto final. Confesso que tudo ainda está muito vago, gostaria de ter mais detalhes sobre isso, mas já é um começo. Usando essa informação, Anders coloca nosso quarteto para treinar e se integrar. Essa foi a parte mais empolgante do episódio. Echo, Octavia e Diyoza entenderam rapidamente que precisariam aceitar toda a “lavagem cerebral” promovida por Anders para sobreviver. Experientes e sagazes, elas conseguem se infiltrar com certa facilidade, porém Hope deixou os ímpetos da juventude falarem mais alto. Impulsiva e temperamental, ela não consegue aceitar aquela situação. Ela lembrou muito a Octavia das temporadas iniciais do show. Hope quer fazer o que considera o certo, sem medir as consequências. É totalmente compreensível seu rancor e ódio por aquelas pessoas, ela perdeu muito: sua infância, a possibilidade de crescer com sua mãe, perdeu seu pai adotivo, mas o que está em jogo, vai além dela e isso ela ainda não consegue compreender. Sem conseguir passar por seu teste final, Hope é sentenciada, por Echo, a passar 5 anos em Skyring. Meu coração partiu com essa sentença, mas sei que essa era a única maneira de Echo convencer realmente os Discípulos. Agora sabemos onde Hope estava quando Clarke chegou ao Bardo.

Antes de concluir essa review, preciso dedicar algumas linhas para personagem que foi o destaque desse episódio: Echo. Sei que ela não é uma unanimidade entre os fãs, mas seu crescimento é inegável. O afastamento de Bellamy permitiu que a personagem crescesse muito. Como espiã, que se infiltrou inúmeras vezes, lembrem-se de Mounth Weather, Echo sabe como agir diante dos Discípulos. Rapidamente, ela conquista a confiança de Anders, mas não se deixem enganar, tenho certeza que ela agirá no momento certo. O flashback de The Queen’s Gambit (7×07), apesar de tardio, não foi gratuito. Ele serviu para nos lembrar que ela é leal à família que a acolheu. Provavelmente, Hope não entenderá sua atitude e isso criará conflitos entre elas, mas Echo fez o que era preciso para manter o disfarce de todas naquele momento. Vamos aguardar cenas dos próximos capítulos.
The Flock não foi recheado de ação, como seu antecessor, mas nos deu algumas respostas sobre o Bardo. Já a trama de Sanctum precisa de uma conclusão, o mais rápido possível. The 100 entra em hiato e retornar com seus episódios inéditos daqui a duas semanas. Espero que depois dessa pausa, as tramas engrenem de vez. Não deixem de comentar e até o próximo episódio.
Admirando o novo mundo e outras curiosidades:
– Enquanto no Bardo, tivemos a passagem de três meses, em Sanctum, passaram-se uns 30 minutos.
– Se teve uma coisa positiva no plot de Sanctum, foi ver o crescimento de Murphy. Quem diria que veríamos ele se tornar uma pessoa tão altruísta, capaz de arriscar a própria vida para salvar alguém.
– A produção de bebês e a ideia de “cortar laços egoístas”, em Sanctum, me lembrou muito Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Foi impossível não relacionar. Aliás, esse episódio foi recheado de referências a esse clássico da literatura mundial.
– Octavia e Levitt finalmente tiveram um “momento”. Só espero que o rapaz não morra… (risos)
– Falando em Levitt, aquela informação sobre a substância, Gem9 (substância que causou a morte dos bardanos), não foi gratuita. Em algum momento, ela será utilizada.
– Onde está Gaia e Bellamy? Com Hope voltando para o planeta Beta, minhas apostas se voltam para lá.














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