Descobrindo vida e sensibilidade em um mundo considerado morto.
O apelo visual de The 100 é muito importante. Em Many Happy Returns fomos apresentados a uma nova locação e nova representação do mundo distópico no qual a serie se passa. É importante perceber que Jaha, o homem que sempre se viu deslocado do resto das pessoas da Arca por sua personalidade guiada pela moral, se encontra novamente deslocado, mas agora, em um ambiente físico. A região da “zona morta” ainda entrega o que eu e algumas pessoas que comentaram nas reviews anteriores julgam importante para The 100: a ideia de desbravar o mundo desconhecido. Depois de vários episódios onde vimos personagens rodeados por florestas verdes, o deserto da zona morta se torna ainda mais impactante. Além disso, a estética meio Mad Max, que é resultado do aproveitamento de tudo que sobrou do mundo, misturado com areia e sujeira, não só surpreende, mas ainda auxilia o espectador a se relacionar com a trama, fazendo-o imaginar como lidaria com uma situação pós-apocalíptica.
A inserção de uma nova locação me fez questionar uma coisa: por que as pessoas vivem nas florestas, e não nos centros urbanos (provavelmente) abandonados? Não estamos falando de The Walking Dead, onde as cidades representam ameaças iminentes. Será que dentro de prédios inteiros não existe um pouco mais de conforto do que esta que a mãe natureza oferece? A família da zona morta cita durante o episódio a “City of Light”. Mais um destino. Mais uma expectativa. Talvez, mais uma resposta para o motivo dos sobreviventes abandonarem as cidades e irem viver na natureza selvagem. The 100 é uma série dinâmica, não passa episódios remoendo mistérios, pode ser que logo logo teremos respostas.
Tratando de personagens, vimos uma inversão de papéis na dinâmica de Bellamy e Finn. Se na primeira temporada tínhamos um Bellamy cético e egoísta, agora o personagem se vê mais altruísta e humano, enquanto Finn mostra-se descrente. O sumiço de Clarke deve ser o motivo de Finn estar nessa espiral de caos interior, porque preocupação com Raven, sabemos que não é.
E isso me leva a pensar na personagem incrível que Raven foi na primeira temporada: forte, determinada, ideológica e independente. A decisão de inserir um empecilho físico na personagem também destruiu sua personalidade. Pessoalmente, Raven foi minha personagem favorita na primeira temporada, e é meio decepcionante ver que ela se tornou uma fonte de lágrimas e reclamações. Em uma temporada com muitos personagens, The 100 parece estar deixando Raven no banco de reservas.
Lembrando as boas temporadas de The Vampire Diaries, que apresentavam inúmeros twists por episódio, The 100 resolve matar Anya. Quem será a sucessora da líder dos grounders? Octavia! Nah, muito cedo. A morte de Anya não quebra a ideia de juntar Arca, os Cem e grounders na luta contra Mount Weather. Mas seria essa luta justificada? Em Clarke, por exemplo, vemos um compasso moral muito forte, e isso impossibilita a personagem de perceber que em um mundo sem regras, drenar grounders “pelo bem da humanidade” pode parecer algo mundano e justificável para os moradores de Mount Weather, parece que estes lidam com a situação como hoje vivemos com o assassinato de animais para produção de alimentos, ou desmatamento de florestas para produção de remédios ou moradia. As regras claramente mudaram, mas isso não significa que os antigos moradores do espaço simplesmente aceitação toda a nova configuração social criada organicamente pelos desesperados sobreviventes do acidente nuclear.
Com a carga dramática mais pesada do episódio, acompanhamos a jornada de Jaha em busca de seu povo. A dignidade do personagem é louvável. A capacidade de se solidarizar, de compreender que o mundo onde se encontra não é “normal”, mas que deve ser compreendido. O que não fica claro é a “troca” feita pela família da zona morta e o “homem mau”, que apenas bateu na cabeça do personagem e aparentemente não o levou consigo. Não será o fim do personagem, mas diferente de Clarke, que em apenas alguns dias encontrou seu povo, a jornada de Jaha será maior, mais completa, contempladora e inspiradora. Confio em Jaha o futuro da humanidade, porque se depender de Abby, Kane ou qualquer outra pessoa da arca, fica difícil imaginar um triunfo e a ressureição da humanidade de forma pacífica. Fica a dúvida se a paz seria interessante para a série, ou se o espectador espera conflitos cada vez mais intensos no decorrer da história.
Outras observações:
Por que todos os sobreviventes da terra apresentam estética de figurino meio gutter punk? Não sei, mas acho lindo. Continua assim, The 100.
“- Vamos inflar um balão para chamar os amigos!
– E os inimigos não vão ver também?
– Eles já nos viram caindo, então não tem problema.”
Bela ideia.












![The 100 7×16: The Last War [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2020/10/The-100-7x16-1-218x150.jpg)

