Quem brilhou foi…
Por mais que eu tenha resistido, chegou a hora. Não tem como evitar. A relevância deste participante é grande desde o começo da temporada e sua edição pode apontar um favorito na briga pelo título de Sole Survivor. Está na hora de falaramos sobre Mark, The Chicken. Não é de hoje que vemos a luta dos ativistas dos animais em Survivor e Kimmi Kappenberg, com certeza, foi a percursora desta bonita batalha pela vida das galinhas. Além de armar os blindsides daqueles que queriam devorá-lo, Peter, Nick, Debbie e Julia, Mark traz um grande apelo carismático, que ajuda a audiência a se apaixonar ainda mais por Tai. A relação de carinho entre Tai e a galinha comprova a minha tese de que Tai é o Rupert da nova geração e lembra bastante o caso do pirata com a sua cobra de estimação, Balboa. Neste momento, eu não considero a vitória de Tai impossível e sim improvável, mas uma coisa já está certa, teremos muito Tai em Survivor nos próximos anos.
Comecei a review fazendo uma brincadeira, justamente, porque Michele ainda não me convenceu e um episódio muito focado nela é mais um indício de que ela pode vencer a porra toda mesmo com um jogo tão sem graça, sem vida, sem criatividade, sem vontade de viver. O estilo de jogo, ou a falta dele, de Michele tinha tudo para fazer dela uma das participantes mais invisíveis da história do reality e sua edição vai na direção contrário do seu perfil. Survivor costuma dar menos destaque para as mulheres e menos ainda se elas são jovens, bonitas, com pouco diferencial e pouca expressão. Assim, ficar com medo dela vencer uma temporada tão boa, que merecia um vencedor mais expressivo, já é rotina aqui em casa faz tempo.
Existe o argumento que Michele erra muito pouco, mas quantos participantes já tiveram trajetórias parecidas e não receberam crédito nenhum da produção ou dos fãs? Até a merge, eu considerava completamente normal a sua falta de destaque efetivo, uma vez que ela não havia nem pisado no Tribal Council e não precisou fazer muita coisa. Entretanto, isto mudou quando na merge ela só foi massa de manobra de outros jogadores e não fez nada por si mesma. Ouvir Michele dizendo que é uma mulher forte e independente é o novo “estou fazendo conexões interpessoais” de Spencer, algo martelado na cabeça do público durante toda a temporada sem nenhuma aplicação prática. Cydney, Aubry e Julia deram muito mais motivos para a gente acreditar que elas são mulheres fortes e independentes. A moça esteve do lado certo dos números em quase todos os votos até aqui e foi uma peça importante nos blindsides de Nick e Debbie, porém a estratégia parte sempre de outras pessoas e Michele segue firme e forte sendo mais beneficiada pelo seu jogo ruim do que por mérito próprio.
A principal questão em relação a ela, na minha opinião, é o quanto os outros estão certos de “subestimar” Michele e o quanto ela pode fazer na frente do júri. No mundo real, sem edição, eu acredito que seria um que gostaria de arrastá-la até ao final ao invés de se arriscar levando pessoas como Aubry, Cydney ou Tai. Para mim, ela não fez nada mais do que vários finalistas fracassados como vimos em One World, Caramoran ou San Juan Del Sur, mas não sei se o júri pensa da mesma forma do que eu. Michele, com certeza, já tem o voto de Julia e pode ainda abocanhar também o de Nick, uma vez que os dois estão namorando hoje em dia, o que mostra que ele, provavelmente, já gostava dela. Assim, alguns votos por recalque contra quem controlou o jogo podem tranquilamente dar a vitória para Michele, algo que acontecia muito no passado e é muito mais raro hoje em dia, que o jogo mais incisivo costuma coroar o vencedor. De qualquer forma, eu sempre defendi que não importa os motivos do júri, ele sempre irá realizar a “justiça” do jogo. O júri é um fator fundamental na dinâmica de Survivor e a minha opinião pouco importa frente à opinião de quem está no júri, que conheceu os finalistas pessoalmente, foi eliminado por eles diretamente ou indiretamente e deveria ser convencido de votar no melhor. Não é porque odeio Michele que tirarei os seus méritos numa possível vitória. A pessoa que vence sempre vai ser aquela que jogou melhor no contexto da temporada, contra aquele grupo de participantes e a gente já sabe que não existe uma fórmula de sucesso. Não adianta o Barcelona dar um show de futebol se ele não fizer gols e vencer de acordo com a justiça do futebol, que é o placar. Em Survivor a justiça se faz através de quem consegue chegar no final sem ser eliminado e ainda conquista a maioria dos votos do júri. Só isso importa para uma vitória ser justa.
Além de ser um episódio mais calmo e sem um grande blindside ou mudança de poder na tribo, “It’s a ‘Me’ Game, Not a ‘We’ Game” eliminou uma das maiores surpresas do ótimo elenco de Kaôh Rōng. Minha querida Julinha foi uma grata surpresa e fez um jogo muito superior à sua idade. Não lembro de alguém que começou a temporada com 18 anos ter a maturidade e a personalidade para ser dona do próprio jogo como Julia foi. Entre erros e acertos, ela jogou para ganhar e não deve ter arrependimentos. Deu o seu melhor em todos os momentos. Fazer jogo duplo é muito difícil e quem joga Lobo no Telegram sabe do que eu estou falando. Dou muito mais valor para uma perdedora que procurou o jogo a todo momento do que a um possível vencedor que apenas sobreviveu sem nos empolgar ou sem mostrar nenhuma novidade. Nas primeiras impressões, Michele e Julia foram absolutamente as duas que geraram em mim a menor expectativa. Uma sambou na minha cara e calou a minha boca e a outra foi justamente o que eu esperava. Julinha mora no meu coração por ser uma fofa capaz de abraçar seu lado jogadora e até mesmo vilã, consagrando quotes como “As soon as Tai’s gone we are eating Mark”.
A ideia de votar em Tai para se livrar dele ou do idol seria algo muito bom para o jogo de Michele, mas a interação de Cydney com Jason e Julia deixou muito na cara que nada sairia dali. Cydney não tinha motivo nenhum para confiar na dupla que estava em risco e abalar a sua aliança com Aubry, Tai e Joe não me parece algo inteligente. Para Michele, poderia ser interessante porque se livrando de Tai ela poderia entrar num possível F3 com Aubry, Joe ou Cydney ou ainda arriscar, forçando um empate 3×3 e levar Julia e Jason para a final. Não é apenas a minha implicância falando, Cydney foi quem tomou a decisão e foi a jogadora do episódio, simplesmente porque manteve a condição de poder estabelecida anteriormente e ainda reconquistou a lealdade de Michele. Nada muito extraordinário, mas o que foi melhor num episódio mais calmo.
Especulações para o próximo episódio:
A promo exibida ao final do episódio parece ter entregado demais. Assim, quero dividir com vocês o que eu acho que irá acontecer. As minhas ideias são baseadas na promo e não em spoilers. Entretanto, se eu estiver certo, ela pode estragar um pouco a surpresa. Estou bem convencido de que no próximo episódio Aubry terá que escolher entre Cydney e Michele, provavelmente porque Jason vai ganhar o challenge. Só de Aubry aparecer chorando na promo, já tenho certeza que ela não será eliminada, mas terá que tomar uma decisão difícil. Com Jason imune e Tai com um idol, o alvo ficaria obviamente entre Michele e Cydney e acredito que uma das duas será a eliminada. Meu palpite é que, infelizmente, Cydney irá para o júri, mas torço para mais um episódio cheio de reviravoltas e surpresas. #TeamAubry #TeamCydney
Ranking da Semana
1- Aubry. Está no controle de tudo e manipula Joe e Tai como bem entende. Somando o seu voto ao dos dois, sendo que Tai ainda tem um voto extra, é possível dizer que Aubry controla 4 votos, o que já lhe garantiria os números no próximo episódio. Ela ainda tem uma aliança forte (que deve quebrar em breve) com Cydney e um bom relacionamento com Michele. Vi algumas pessoas criticando Aubry por não aconselhar Tai a usar o idol, mas acho que é um pouco de exagero. Tai é uma pessoa que precisa se sentir confortável para se manter leal e induzi-lo ao erro poderia fazê-lo questionar a aliança. Para mim, ela deu uma boa resposta no contexto do Tribal Council, apostando na lealdade, mas deixando a possibilidade de Tai usar o próprio instinto para tomar a decisão. Talvez seja melhor ter um idol nas mãos de Tai do que fazê-lo desperdiçá-lo e vê-lo caindo nas mãos de Jason, Michele ou Cydney. É tudo muito complexo para condená-la por um ato tão pequeno.
2- Cydney. Vem tendo uma edição bem ruim na merge, inconstante demais para quem irá vencer, mas está numa posição confortável e vem tomando boas decisões. Até aqui, podemos questionar duas decisões de Cydney, a traição contra Jason e Scot, que seriam boas pessoas para ir para a final, e o fato de ter dado de bandeja o idol para Jason. Mesmo assim, com exceção de Aubry, Cydney tem um jogo bem superior aos demais. Fico um pouco preocupado se ela teria votos do júri e, infelizmente, acho que ela perderia para Aubry, Tai e Michele.
3- Tai. Não é um bom jogador e vem sendo completamente manipulado por Aubry, mas tem um idol, uma vantagem, é bom nos challenges e tem muito carisma para ganhar votos do júri. Uma ameaça enorme que pode ou não se concretizar dependendo da leitura que o júri vai fazer do seu jogo. Eu, com certeza, valorizaria Tai se ele chegasse na final, o que desde sempre é bem improvável, mas não tenho certeza se os eliminados concordam comigo. A dificuldade de alguém como Tai chegar na final é gigantesca e este feito precisa ser creditado, talvez não com a vitória, mas, pelo menos, com alguns votos.
4- Michele. Já falei muito sobre ela nesta review. Faz um jogo ok e nada mais, porém existe um esforço muito grande por parte da edição em consagrá-la, o que me parece uma possível edição de vencedora. Fico com dó dos editores que tiveram que tirar leite de pedra se este for o caso. Na review passada, muitas pessoas me criticaram por caracterizá-la como planta, alguns inclusive alegando que o jogo não terminou. Concordo que o jogo não terminou e assumo que ela tem chances bem grandes de vencer, o que seria uma boa explicação para a sua edição, mas julgo pelo o que ela fez até agora e foi bem pouco mesmo. Para falar bem, assumo que ela tem uma ótima memória e foi muito bem no challenge, mas prefiro alguém desmemoriado com carisma como a Dory de Procurando Nemo do que uma mémoria tão boa em alguém tão sem graça.
5- Jason. Neste episódio, pagou pelos seus pecados do passado e não conseguiu encontrar muitas brechas para se salvar. Acredito que os challenges sejam a única salvação de Jason e não vejo ele conseguindo escapar por méritos próprios caso perca. Apesar de ser um vilão, eu até que aprendi a gostar dele no decorrer da temporada. Não odeio tanto quanto odiva na época da finada Alecia.
6- Joe. Apenas morra.
PS: Nas últimas reviews, esqueci de divulgar o lounge de discussões de Survivor no Telegram, em que estamos debatendo constantemente a temporada atual e até as antigas. Dados do Ibope já apontam que o Lounge de Survivor nunca fica parado e ainda fazemos um bolão a cada episódio. Novos membros são sempre aceitos. Vem comentar com a gente. É só ter Telegram e usar esse link.














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