Uma ótima temporada marcada por evacuações e a última delas foi o bom senso.
Survivor Kaôh Rōng surpreendeu a todos e entregou uma temporada muito e sólida, mesmo com todos os problemas enfrentados pela produção. A coisa começou meio old school, focando mais no aspecto da sobrevivência do que se tem visto recentemente, e explodiu no aspecto estratégico na merge. A edição foi muito bem equilibrada, ocorreram muitas reviravoltas e o público conheceu grandes personalidades como Debbie, Tai, Cydney e Aubry. A finale fechou a temporada com chave de ouro com uma hora e meia de emoção, mesmo que o resultado tenha sido previsível e o mais controverso dos últimos tempos. Temos muito o que analisar.
O Dracarys sobrou para Cydney

Começar uma finale com Reward Challenge é sempre brochante para mim, mas o episódio cresceu quando Michele, justamente a pessoa que seria facilmente descartada pelos outros três, venceu o último challenge de imunidade da temporada. As coisas aconteceram como já vinham acontecendo há um certo tempo. Ficou claro que do ponto de vista social e estratégico Cydney, Tai e Aubry fariam o F3 com tranquilidade e, com a vitória de Michele, Aubry se tornou o alvo mais óbvio, uma vez que era um tanto quanto fácil perceber que Cydney e Tai seriam fuzilados por grande parte do júri. Entretanto, como eu disse, Aubry continuou exercendo um poder de manipulação enorme sobre Tai e conseguiu fazê-lo provocar um empate, levando a decisão para o desempate numa disputa de fazer fogo.
Achei muito engraçado que em enquanto Aubry e Tai tinham convicção de que seria um empate, Michele, a vencedora da temporada, continuou sem conseguir entender o que acontecia no jogo, dizendo para Cydney que ela não precisava praticar fazer fogo e que elas estavam tranquilas. A passividade never ends. Um momento que mostra que não foi por ter uma visão tão boa do jogo e antecipar qualquer acontecimento que Michele chegou até onde chegou. Este momento também revela, mais uma vez, o quanto Aubry foi capaz de controlar e entender Tai. Enquanto Aubry sempre desconfiou dele, Michele sempre achou que conseguiria manipulá-lo, sem nenhum sucesso. “Me and Tai actually built a relationship and I know he will go with us as long as it’s not his name in the shopping block. He will. I know he will”. Esta frase mostra uma falta de compreensão completa de quem é Tai, que durante toda a temporada tomou decisões baseadas em emoções, seja medo, conforto, segurança ou qualquer outra e foi extremamente imprevisível.
A disputa por fogo nem foi tão emocionante, uma vez que basta lembrar que quem conseguiu fazer fogo para a tribo Brawn no começo da temporada foi a Mental Giant Alecia, depois de muitas horas tentando. Entretanto, a disputa pode ser vista como uma ótima metáfora para todo o jogo de Aubry, que fez tudo certo ao construir uma grande fogueira que do nada desmorona em sua frente e depois é reconstruída. Provar que é capaz de fazer fogo deveria ser algo muito relevante no já impressionante currículo de Aubry, já que muitos do júri, como Julia, Jason, Scot e a própria Cydney não conseguiram o mesmo ao longo da temporada. O desfecho da história foi bem emocionante para mim e não vou negar que algumas lágrimas brotaram em meus olhos ao ver Cydney sendo eliminada.
Cydney sem sombra de dúvida foi uma das grandes personagens e jogadoras da temporada. Além de ser a rainha das caras e bocas e de confessionais cheios de shade, Cydney fez um jogo extremamente agressivo, ao contrário da vencedora. Ela foi capaz de mostrar que é bad ass ao mesmo tempo que guarda dentro de si uma grande emoção e paixão. Apesar de ter realizado algumas jogadas questionáveis, como trair Scot e Jason que ela facilmente venceria numa final, Cydney manteve o seu destino em suas mãos e só não chegou ao fim por conta da vitória de Michele no último challenge. Junto com Aubry, Cydney dominou a estratégia e mesmo antes disso se mostrou observadora, sempre mantendo um plano B. Assim como Jeff disse ao lado da mãe dela, já quero Cydney retornando ao jogo. Acredito que não vai acontecer tão cedo, mas que com o tempo ela deve voltar sim.
Logo após a eliminação de Cydney, mais um momento engraçado da vencedora de Survivor Kaôh Rōng. Enquanto Tai, a pessoa mais sem visão estratégica estava contando os dias para a final e imaginando que teríamos mais uma eliminação antes da finale, Michele estava de olho, estrategicamente, no café da manhã previsto para antes do Final Tribal Council. Se tem algo que eu valorizo no jogo dela é a sua paixão por comida. Ainda sonho com aquele hambúrguer.
Eis que um Jurado foi Eliminado

Como disse na semana passada, a twist de um finalista ganhar o poder de eliminar um membro do júri é um tanto quanto polêmica e algo que é capaz de perturbar a justiça do jogo. Não se enganem com conceitos particulares e subjetivos, estou falando da justiça dos números. Não importa o que eu penso, a justiça do jogo sempre será decidida pelo júri e mexer neste conceito é um tanto quanto arriscado ao meu ver. A Redemption Island já fazia isso, uma vez que alguém poderia chegar na final sem estar envolvido diretamente ou indiretamente na eliminação de todos os membros do júri. Eu realmente acho muito perigoso correr o risco de se alterar o resultado da temporada simplesmente por uma vantagem adquirida em um challenge. Para mim, um adorador do jogo estratégico e social, quanto menos as coisas forem decididas pelo aspecto físico ou por challenges melhor. Quando Aubry e Michele colocavam a última bolinha em suas estruturas, não se tratava apenas de um voto a favor de uma delas. Era um verdadeiro jogo de seis pontos, como chamamos no futebol, em que estava em jogo uma diferença de 2 votos. Se Aubry tivesse vencido, além do voto de Neal a seu favor, ela ainda teria tirado um voto de Michele, provavelmente o de Julia ou Scot.
Entretanto, a execução de uma ideia não tão boa foi brilhante e a twist foi o ponto alto da finale. Logo de cara, Michele disse que deveria tirar Joe, o voto mais certo em Aubry, mas Tai novamente foi capaz de ser mais inteligente do que ela e expôs o plano de tirar Neal, que além de votar em Aubry ainda teria a capacidade de fazer um discurso matador em favor da sua amiga. Gostei muito de como os três discutiram e conspiraram para a eliminação do júri, mesmo que a decisão certa a tomar fosse tão óbvia. Vamos imaginar se Kelly Wiglesworth tivesse o poder de retirar alguém do júri na primeira temporada de Survivor, pensem no que poderia acontecer. Se ela retirasse Sue Hawke do júri, o destino do jogo todo poderia ser completamente diferente e ainda seríamos privados de um momento épico em que Sue destrinchou o significado da disputa de Survivor e ainda feriu gravemente as chances de Kelly vencer. Eu gostei da twist, fico feliz que ela não alterou o resultado do jogo, mas não quero que ela se repita, uma vez que seria uma morte horrível sermos privados de discursos como o de Sue, Eliza, Corinne, Penner, Trish ou Brenda.
O Tribal Council foi bem interessante e achei bizarro que, enquanto os finalistas discutiam quem era mais persuasivo e bons em discurso, Jason e Scot achavam que eram o centro da discussão. Eu nem imaginava que Neal faria um grande estrago nas chances de Michele caso estivesse no Final Tribal Council, mas a sua saída foi triunfal. Amei cada segundo dele xingando Michele e mudei minha opinião, sobre o que ele poderia fazer. “You came to this game thinking you were a badass bitch, but you’re more like a cute little puppy still suckling at the teet. And I don’t think you stand a chance”. Adorei cada segundo e concordaria com cada palavra de Neal, erroneamente, caso a edição de Michele não fosse um claro indicativo da sua vitória.
O Final Tribal Council

Eu sou um grande defensor do sistema do júri e sempre cravei que a decisão é deles. Assim, cada um vota como quiser e ninguém de fora pode questionar o merecimento de quem conquistou os votos de quem realmente importa. Se perguntássemos para os fãs quem deveria vencer, Michele não estaria nem entre os três concorrentes, mas ela não precisava convencer ninguém além do júri que ela é merecedora. As regras são e sempre foram estas e participantes sempre tem a obrigação de adaptar o seu jogo ao o que deve agradar o júri em questão. Pessoas diferentes votam por motivos diferentes. Uma temporada com tanto participante arrogante e cheio de si já era um indicativo que o júri poderia ser rancoroso. Dito isto, qualquer pessoa pode discordar ou não do júri, sem fazer um mimimi de Russel Hantz dizendo que outra pessoa deveria escolher quem ganha. Eu já discordei várias vezes, até mesmo de vitórias de participantes que eu amo. Entretanto, sempre ressaltei que quem venceu mereceu, sempre tem mérito. É até curioso que estou completando 10 temporadas com as reviews e pela primeira vez não concordo com a decisão do júri. Demorou até demais para acontecer. Vamos então analisar cada um dos jurados, seus discursos e suas respostas.
Nick: De todos os membros do júri, Nick era a pessoa que eu estava mais curioso para saber a opinião sobre quem deveria vencer e o porquê. Isto não tem nada a ver com o fato dele e Michele estarem namorando, mas com o fato dele já ter estado no meu papel como quem escreve sobre Survivor. Assim, acredito que ele teria uma visão parecida com a minha se estivesse lá. Infelizmente ele não mostrou opiniões, mas votou em Aubry.
Debbie: Eu amo Debbie e a sua energia positiva. Debbie fez um discurso muito bom, revelando um dos aspectos mais importantes para se votar em alguém, a transformação. Aubry começou o jogo realmente nervosa e sem auto confiança e na merge, quando enfrentou mais dificuldades com a saída de seus principais aliados, mostrou uma evolução enorme e uma confiança invejável. Infelizmente, Debbie tinha um pacto com Aubry e mesmo achando que ela merecia ser a vencedora resolveu votar em Michele por motivos alheios ao jogo da vencedora. Acho extremamente justo o que ela fez. O voto é dela e Dbbie faz o que quiser com ele, mas fica um gosto amargo ver que alguém venceu não pelo o que fez. Digo isso especialmente porque Michele nem tinha consciência de que Aubry receberia tanto recalque do júri, não é como se Aubry tivesse sido arrastada por Michele para a final justamente por ser impopular com o júri. Muito pelo contrário, Michele mesmo estava convencida de que o jogo de Aubry era muito superior em relação ao o seu. Tanto que tentou de tudo para tirá-la e nunca conseguiu.
Julia: Um discurso interessante que revelou pontos fracos e fortes em relação a Michele. Julia fez um bom trabalho ao defender a amiga, mas eu não concordo em nada do que ela disse. Primeiro que, no meu ponto de vista, começar a fazer alguma coisa apenas no F7 é tarde demais. Em segundo lugar, Julia ressaltou uma jogada que nem foi feita por Michele, que não eliminou a sua amiga mais próxima e só votou junto com a maioria num voto decidido por Cydney. Esta “jogada”, além de tudo, não impactou em nada no jogo, uma vez que ela só chegou ao final por conta da evacuação de Joe e por ter vencido o último challenge da temporada.
Joe: Meu Deus, Tai conseguiu tomar uma patada até do Joe quando disse que ele e Aubry tinham “computadores” parecidos e Joe rebateu dizendo que o dele era bem mais lento. Morri de rir.
Jason: A pergunta de Jason para Michele foi muito boa, uma vez que ela não participou da jogada mais importante da temporada. Michele entendeu que não tinha como responder isso muito bem (foi Aubry que fez todo o estrago contra Scot e Jason), então ela enrolou e mudou de assunto pegando carona no discurso de Julia como se o voto dela na amiga tivesse feito alguma diferença. Achei que ela lidou muito bem com esta pergunta dentro das suas possibilidades. Quanto a Tai, acho que ele foi honesto, mas não de uma maneira boa. Ele deveria ter jogado na cara de Jason e Scot o quanto eles foram responsáveis pelo próprio destino ao não ouvi-lo suficiente.
Cydney: Era alguém que eu tinha certeza que votaria com recalque, simplesmente, porque é coerente com o seu estilo de jogo e com a sua personalidade. Achei que não fez muito sentido ela se ressentir contra Aubry, mas já esperava. Ela realmente acha que Aubry deveria votar em Tai, quando a própria Cydney votou em Aubry, que seria eliminada? Para mim, isso não faz o menor sentido e mais uma vez ficou claro que Michele não estava ciente de nada que acontecia no jogo e não deu a chance para Cydney fazer fogo. Michele realmente acho que Aubry seria eliminada.
Scot: De todos do elenco de Kaôh Rōng, Scot é o mais complicada de comentar, uma vez que ele é a pessoa com valores e conceitos mais diferentes dos meus. Scot é alguém extremamente centrado em si mesmo, capaz de achar que fez um jogo honroso quando fez bullying e sabotou o acampamento e que Cydney não, simplesmente porque ela o derrotou. Para mim, isso é um grande sinal de hipocrisia, uma das coisas que mais me irrita em alguém. Na minha visão, ele não votaria jamais em Aubry e Tai, uma vez que ele não é capaz de entender o porquê Tai flipou e escolheu Aubry. Ele não é capaz de ser auto crítico e ver onde errou e muito menos de fazer uma avaliação sem um ar de vingança. De novo, ele tem todo direito de votar como quiser e Aubry e Tai tinham que se virar para conseguir o voto dele.
Quando Você mistura Rupert com Sugar surge alguém como Tai

Tai é o participante de Survivor mais amado em muito tempo. Acredito que nem Joe de Worlds Apart e Second Chance chegue no nível que Tai alcançou. A sua trajetória no jogo é muito curiosa, porque ele saiu de “nunca chegará na final porque seria vitória certa” para “não vai ganhar nenhum voto”. Para começo de conversa, é preciso dizer que Tai é uma pessoa maravilhosa, com uma história fascinante de vida e um apego à natureza muito verdadeiro e bonito. Tai encantou até Sia, mas ele começou a desapontar os outros participantes quando mostrou que também tinha um lado negro. Todos queriam usar Tai como bem entendessem, mas queriam que ele fosse apenas o bonzinho que ama os animais, sem aceitar que ele participasse das decisões do jogo e competir num nível alto. Apesar de eu achá-lo extremamente ruim na oratório, não vejo o seu jogo sendo tão ruim assim e estrategicamente ele é bem superior ao de Michele. Tai simplesmente não nasceu para vencer Survivor e as atitudes que um júri aceitaria em outras pessoas não são aceitas no seu caso. Comparo bastante a sua situação com a de Dawn em Caramoran, uma vez que as pessoas encontraram uma grande distância entre o discurso e as ações no jogo. Curiosamente quem se aproveitou de Dawn em Caramoran foi Cochran, comparado na Reunion com Aubry.
Na primeira vez que Tai pisou no Tribal Council, ele logo explodiu o jogo de Anna, aquela que para mim era a maior ameaça até aquele momento. Scot pensou que seria capaz de manipular Tai a seu favor e se livrar dele assim que bem entendesse, mas não foi capaz de fazer isso muito bem. O fato de Tai também ser um jogador foi fatal para Scot e Jason. Debbie também tentou controlá-lo, mas chegou longe de conseguir, uma vez que não entendeu que o que Tai precisa é se sentir seguro, atuante, querido e respeitado. Michele foi outra que tentou sem sucesso manipular Tai, mas não foi eliminada por sorte, uma vez que Joe foi retirado do jogo, e pela própria competência em vencer o challenge final. Fortes rumores apontam que Tai já estará de volta na temporada 34 e eu espero que ele tenha superado todo o bullying que sofreu no Final Tribal Council. Aqui fora ele é cercado de amor, mas também deve ouvir muitas críticas.
Um dos pontos mais marcantes, para mim, foi ver o quanto o jogo transformou Tai, que era uma pessoa alegre e cheia de vida e passou a ser uma pessoa triste e cabisbaixa. Survivor é um jogo brutal e Tai é bom demais para ele, não conseguindo não se afetar emocionalmente. Outro momento que não podemos deixar de comentar é a sua linda relação com Mark. Eu simplesmente adorei a relação dos dois e a finale trouxe sequências muito bonitas entre eles. Só é bizarro Jeff Probst dizer que Mark foi a primeira ave a sobreviver a Survivor. Qualquer fã sabe que a galinha Glória sobreviveu à Micronesia, mesmo sem ter todo o destaque e fama conquistada por Mark, praticamente um participante da temporada.
Aubry, a mulher por trás da cortina

Não é surpresa para ninguém que sou fã de Aubry, tanto pela sua personalidade, com a qual eu me identifico bastante, quanto pelo seu jogo, que foi simplesmente lindo de se assistir. Aubry começou como a garota nerd fora da sua zona de conforto que surtou por estar com medo de surtar. Sua complicada trajetória, cheia de evacuações, Super Idols e momentos difíceis, a transformou na verdadeira mulher forte e independente da temporada. De nerd neurótica a deusa grega nas palavras de Debbie. Na merge, só deu Aubry, tanto em destaque quanto em peso no jogo.
Se Tai foi a bomba relógio que explodiu na cara de Anna, Debbie, Scot, Jason, Cydney e Michele, Aubry foi a pessoa capaz de neutralizar o seu conteúdo explosivo, usando a bomba em favor próprio. Só por isto, Aubry já teria o meu voto se eu estivesse no júri. Ela manteve o controle do jogo com mãos de ferro, sendo a pessoa mais próxima de Joe, Tai e Cydney durante grande parte do jogo.
Talvez, a frase usada por ela momentos antes do Final Tribal Council possa explicar uma derrota tão difícil de entender. Não tenho certeza se o júri tem noção do que Aubry fez no jogo e como ela fez para conquistar e manter Tai do seu lado. Precisamos lembrar que o júri não tem acesso aos episódios como nós e grande parte deles não pode ver o quanto o jogo social de Aubry era cheio de sutilezas maravilhosas. Os confessionais nos ajudam a entender quem está consciente ou não do que se passa no jogo e os de Aubry eram sempre de muita clareza. Ela enxergava o jogo e os outros participantes como ninguém e explicava para o público o que estava fazendo. Enquanto, muitos diziam ter certeza do que Tai faria, Aubry sempre fez a melhor leitura, estando muito ciente do quão imprevisível ele é. A escolha das palavras no tratamento, principalmente, direcionadas a Tai e Cydney também foi fundamental para manter os aliados ao seu lado e felizes. Não estávamos diante de um júri especialista com sutilezas e, provavelmente, Nick e Neal são os únicos capazes de enxergar o todo do jogo.
É óbvio que Aubry também fez algumas coisas questionáveis, mas nenhum erro fatal. Para mim, alienar Tai das recompensas nem chegaram a feri-la, uma vez que sua manipulação trazia o vietnamita de volta para o seu lado em segundos. O fato dela ter conseguido fazê-lo empatar o voto contra Cydney foi um feito e tanto. Vi gente criticando ela por surtar e chorar, mas não lembro destas mesmas pessoas criticarem Fishbach, que tanto parece com Aubry, durante suas crises em Second Chance. Aliás, comparei Aubry muito com Sophie, mas ela é ainda mais parecida com Stephen e Cochran. Aubry quase fez em uma temporada exatamente o que Cochran fez em duas temporadas.
Outro fator que me faz reconhecer tanto Aubry foi como ela lidou com uma maré de azar gigantesca, sendo capaz de se recuperar da evacuação de seu principal aliado por duas vezes. Mesmo assim, ela esteve do lado certo dos votos em todas as oportunidades na temporada e não correu tantos riscos de acordo com a sua sorte ou falta dela. Ela ainda viu uma twist fazê-la perder Neal pela segunda vez, a prejudicando bastante. Se Aubry tivesse ganhado a vantagem de excluir um membro do júri, quem sabe ela não tirasse Scot e vencesse com os votos de Neal e Jason a seu favor. Jason já pareceu bem indeciso na sua escolha e sem Scot do lado poderia seguir na direção contrária.
Eu não fiquei tão satisfeito com o seu desempenho no Final Tribal Counicl. Para mim, faltou explicar a sua relação com Tai de maneira mais didática, mostrando o quanto isto teve um impacto gigantesco no jogo. Outro problema foi que ela deixou o seu rótulo Brain falar mais alto, sendo muito racional em suas resposta e pouco emocional. Um pouco de treinamento com o professor Todd (Survivor China) poderia mudar bastante o resultado da temporada, uma vez que ela tinha argumentos muito melhores do que a sua adversária para vencer.
Pleopeltis pleopeltifolia ou Michele, a vencedora de Survivor Kaôh Rōng

Eu realmente passei a temporada acreditando que Michele iria me convencer em algum momento. Infelizmente para mim, isto não aconteceu e, felizmente para ela, ela fez algo muito melhor, conquistou o júri. Digo e repito, na minha opinião, Michele foi planta, não fez praticamente nada e venceu contando com a sorte (extremamente necessária para qualquer vencedor, mas poucas vezes em doses tão grandes) e com um júri bem recalcado, que nem soube dar bons argumentos para sustentar a sua vitória.
Não existe a menor necessidade de fazer grandes jogadas e ser agressivo o tempo todo, mas Michele foi passiva quase sempre e ainda fazia uma leitura bem mequetrefe do que acontecia. Sua vitória estava muito na cara, porque jamais alguém tão sem relevância para os episódios ganharia tanto espaço na edição sem explicação. Se Michele não tivesse vencido, por perder o último challenge ou por não conseguir a maioria no final, tenho bastante convicção de que ela apareceria menos do que Joe, uma vez que não fez quase nada e não tem uma personalidade colorida ou marcante.
Passo longe de dizer que foi roubo ou injusto e já falei bastante sobre o que eu acredito ser justo em Survivor, mas depois de pensar um pouco posso afirmar que Michele é a pior vencedora desde Vecepia, que teve uma vitória bem semelhante, mas em tempos em que Survivor era mais parado mesmo. Uma coisa é o prêmio simplesmente cair no colo de alguém na quarta temporada de Survivor, outra coisa bem diferente é esta vitória acontecer nos dias de hoje, em que o mais normal é o júri optar por premiar quem foi mais determinante para os rumos do jogo. Alguns vencedores como Fabio, também não agradaram grande parte do público, mas, por mais chocante que possa parecer, vejo em Fabio uma consciência maior no seu jogo do que em Michele. Enquanto Fabio, dizia várias vezes que sabia que todos o enxergavam como burro e usaria isto em seu benefício, mostrando um auto conhecimento impar, Michele só dizia que era forte, independente e isso nunca foi aplicado no jogo. Comparo também Michele com pessoas menos sortudas que teriam vencido caso tivessem vencido o último challenge mesmo com um jogo bem pobre. Casos como o de Brett em Samoa e Ozzy em South Pacific, quando ele se beneficiou da Redemption Island e quase estragou o formato do jogo, me vieram à cabeça.
Seus méritos foi ter fugido dos holofotes e vencer os challenges nos momentos certos, sem desagradar ninguém do júri. Dado o seu discurso, eu não acredito que Nick deixou de votar em Michele por ressentimento, mas por ver em Aubry um jogo mais consistente mesmo. O social de Michele não era tão bom durante o jogo, ela não conseguiu criar uma relação com Tai por exemplo, mas parece que se transformou no momento em que Tai se virou contra ela. O ódio por Tai, na minha opinião, pode ter sido determinante para a escolha de Michele como vencedora.
Espero que a vitória de Michele não faça novos jogadores buscarem um caminho mais passivo, mas que realce a imprevisibilidade inerente na dinâmica de Survivor. É incrível como qualquer um pode vencer e como as coisas mudam tanto de uma temporada para outra. Survivor não é vencido por quem trai mais ou mente mais, mas por quem consegue fazer um jogo coerente e vendê-lo ao júri. Com planta fazendo fotossíntese ou vencendo, Survivor continua excelente e a vitória de Michele não tira o brilho de uma ótima temporada.
Espero vocês na próxima temporada de Survivor. Odiei o tema e o nome da temporada, Millennials Vs. Gen X. Acho muito arriscado apostar numa twsit tão parecida com a de Nicaragua, uma temporada que a maioria das pessoas considera um desastre total. Mesmo assim é sempre empolgante ter uma nova temporada adiante e poderemos nos surpreender muito, como aconteceu com Blood Vs. Water por exemplo. Já posso adiantar que já amo Mari (tenho muito medo que ela flope) e vejo Taylor com bons olhos para ser uma espécie de novo Malcolm.
Até setembro.
PS: Após um resultado tão polêmico, gostaria de dizer que precisamos estar abertos a opiniões contrárias às nossas. Mais tolerância e menos imposição de ideias. Pode parecer que eu gosto de impor as minhas, mas eu só defendo o que acredito e respeito completamente visões contrárias às minhas. A política brasileira já está um saco de discutir, vamos manter o nível e a diversão das discussões de Survivor. O longe no Telegram continua ativo e pode ser visitado aqui.
Guto Xtino’s confessional: só gostaria de dizer que discordei de tudo o que o Diogo disse a temporada toda, que amei o resultado e achei justíssimo e que já usei todos os meus gifs de samba no Diogo (o que não significa que eu não o compreenda ou que tenha deixado de achar o trabalho dele excepcional e superior a qualquer coisa que qualquer outra pessoa que já escreveu sobre Survivor no Brasil poderia fazer). Infelizmente a correria não me permitiu preparar um texto elaborado com a minha opinião como o Diogo gostaria que eu tivesse feito, mas deixo registrado que, pra mim, por mais picolé de chuchu que seja em termos de carisma e personalidade na hora de agradar a nós, espectadores, Michele fez tranquilamente o melhor jogo de Kaoh Rong: teve consciência daquilo que sabia fazer melhor, entendeu quem eram as pessoas certas para conquistar, ganhou em cima dos erros crassos dos demais jogadores e, como bônus, teve estabilidade mental suficiente para ganhar dois challenges na reta final quando isso era importante pra ela. Isso é uma estratégia muito válida e já feita inúmeras vezes no passado (Amazon, All-Stars e Samoa, estou olhando para vocês e para seus winners merecidíssimos). Ao meu ver, seu fortalecimento na reta final foi justamente o que abrilhantou um pouco a temporada e considero a teoria do júri rancoroso completamente delusional, já que todos os jurados deixaram claro que respeitavam Aubry e ninguém a xingou, além de alguns terem se mostrado tão surpresos quanto nós com a força de Michele no final. Quem estiver de coração aberto a ouvir uma defesa do resultado, basta me procurar no Twitter ou no Telegram. Quem não estiver, me xingue nos comentários, acho justo.
https://telegram.me/joinchat/CcavkgcMDtjJkS8HJUY5cA
Agradeço a todos que acompanharam a minha cobertura. Não vem sendo fácil para mim conciliar as reviews com o trabalho e os estudos, mas dou o meu melhor por vocês e por amar tanto este programa.
Um grande abraço e obrigado por lerem meus textos.






















