Se você não confia em mim, eu, também, não posso confiar em você.” – ALENCAR, Carolina. 

É com essa frase da Dr.ª Carolina que eu dou partida a review desse episódio triste, muito triste, por sinal. Foi um dos melhores episódios da temporada, perdendo apenas para o do acidente com o ônibus (Episódio 5: 2×05), na minha humilde opinião. Na semana passada, eu peguei spoiler de uma das cenas sem querer, afinal, quando a gente escreve sobre uma determinada série, acabamos fazendo diversas pesquisas para incluir nos textos e, de certa forma, aprofundar nos detalhes. Para a minha sorte ou azar, não sei, fiquei sabendo da morte do Dr. Samuel. Na hora eu levei um susto, pois eu não imaginava que iria chegar a esse patamar de maldade, em relação à Renata, nossa assassina de plantão. Todavia, antes de chegar nessa parte, voltemos no começo:

Dr. Evandro apresenta sintomas da sua abstinência, já que agora, finalmente, parou de tomar os comprimidos. Não está sendo nada fácil para ele, uma vez que é muita pressão em cima dele. Pelo menos, o médico tem ajuda não só de Carolina, mas de todos os colegas de trabalho, como o Dr. Décio, muito carinhoso e atencioso para com o amigo. Em meio a isso, ele ainda teve forças para atender os pacientes da vez, com todas as cirurgias muito bem feitas. Engraçado que essa semana, apesar da aparição dos casos dos pacientes, nenhum deles teve um destaque maior: tivemos o Evanildo (Hugo Germando de Malhação: Vidas Brasileiras), que levou uma facada, depois de uma briga na rua; a mãe, Mara (Elisa Pinheiro de Detetives do Prédio Azul), que teve um dedo amputado, por conta de um rojão de fogos de artifício, devido à irresponsabilidade de Nivaldo (Thales Coutinho de Carga Pesada), pai da criança – pobre garoto, chamado Ian (Isaac Pires), ainda teve o tímpano danificado – e, por fim, Dona Letícia (Suzana Faini de A Favorita), senhora já idosa, que sofre de Alzheimer, pensando, coitada, que seu falecido marido ainda estivesse internado no Macedão. Ainda bem que sua irmã Celina (Regina Sampaio de Avenida Brasil) foi encontrada e conseguiu levá-la pra casa.

Já o Dr. Henrique, no episódio passado, mostrou, de certa forma, uma melhora para com os pacientes, né?! Apesar de ter jogado a responsabilidade de contar sobre a situação de uma paciente à família para a Drª. Carolina, ele tem melhorado e muito. Todavia, eis que essa semana, ele nos solta o seguinte comentário: “Depois a Síria que está em guerra!”, durante a cirurgia de recuperação de uma mão. O que me confortou foi o olhar de fuzilamento que Carolina fez pra ele depois de ouvir isso. Amei, na verdade! Eu não sei se a criatura disse tal frase, desnecessária, pela falta de materiais básicos para os procedimentos médicos ou por conta do motivo pelo qual a paciente se encontrava naquele estado. Ao meu ver, na altura do campeonato, isso não importa mais, pois o grande salvador da pátria será o Dr. Henrique, eu espero. Ele ficou bem ressabiado com a morte do Dr. Samuel, fazendo muitos olhares desconfiados em direção à Renata. Tomara que esse embuste se torne um personagem querido, salvando todo mundo no próximo episódio ou antes do término da temporada, não é mesmo?! As coisas não andam tranquilas em Sob Pressão, infelizmente.

Na outra parte da história, sobre a trama da Corrupção suja do hospital, tivemos o Dr. Samuel confrontando Renata. Na primeira tentativa, ele chega na sala dela com a gravação e a diretora do hospital fica em estado de choque. A ingênua achou que o médico seria bobo de cair no papinho de aposentadoria. E olha que ela insistiu, viu! Renata falou sobre a exoneração, argumentou sobre a aposentadoria bastante significativa que ele iria receber e, tentando pegar o ponto fraco dele, Renata fala sobre a visita que Samuel poderia fazer à filha, pois, pelo que deu a entender, ela reside fora da cidade do Rio de Janeiro. Como não consegue nada a seu favor, a bruaca corre pra conversar com Roberto e é intimada a tomar medidas drásticas para salvar não só a própria pele, mas como a de muita gente envolvida no esquema. Posteriormente, temos a segunda conversa dos dois e, mais uma vez, o Dr. Samuel se recusa a esconder tudo e defende com carne e unha o hospital e a todos os colegas de trabalho, para o desespero da gestora. Ele passa mal, desmaia e é socorrido por Carolina e Evandro! Claro que por negligência de Renata, né?! Não pela falta de medo em aplicar a agulha na barriga dele, afinal, ela pensou duas vezes antes de não fazer o procedimento, mas sim, por maldade. Credo!

De repente, quando menos esperamos ela decide, literalmente, tomar uma atitude desesperadora e o mata com uma simples troca de remédios: de bicarbonato de sódio para cloreto de sódio. Eu não sei vocês, mas fiquei muito aflito ao vê-la, além de zanzar pelos corredores, desligando as câmeras de monitoramento do hospital e matutando tudo. Foi um plano premeditado! Não é possível que foi perfeito. Alguma coisa saiu fora do normal, gente! Tem que ter um buraco no meio do caminho, por favor. Eu estava torcendo muito para que a enfermeira Jaqueline chegasse na hora em que Renata estivesse trocando os medicamentos, afinal, enfermeiras costumam checar os pacientes, não é mesmo?! Ainda mais que ele estava na UTI. E olha que a Unidade de Terapia Intensiva nem estava pronta para receber pacientes. Depois de deixar tudo finalizado, para que alguém caísse em seu plano, Renata leva até a torre do computador de mesa para casa. Pelo visto, ela não queria deixar nenhum rastro de culpa, afinal, mais cedo, ela, também, pegou o celular do ex-diretor do hospital do bolso do jaleco dele. Qual é o nível de ranço que nós temos por ela, hein?! Existe uma nomenclatura acima de máximo?!

Em meio a isso tudo, Carolina foi a felizarda e a escolhida pela vida (mentira, pelos roteiristas) para checar como estava Samuel pela madrugada. Ela confere tudo e aplica a solução trocada por Renata. Segundos depois, Samuel começa a ter uma parada cardíaca e acaba falecendo, mesmo com a tentativa de salvamento de Evandro e companhia. Fiquei de queixo no chão. Não era possível uma coisa daquelas! Ninguém estava esperando. Com isso, Carolina é acusada, injustamente, de ter matado o Dr. Samuel, mas ela conferiu os nomes dos fracos e, mesmo sendo sincera ao extremo, Evandro grita e fica revoltado com a sua amada. Lembrei daquele episódio de Chaves, no qual todos da vila chamam ele de ladrão. É de cortar o coração! E foi a mesma coisa com essa médica tão humana! Vê lá gente?! Carolina querer matar o Dr. Samuel?! Aposto que nem uma formiguinha indefesa no chão ela pisa em cima, que dirá o ex-chefe dela. Aqui é importante lembrar que qualquer um poderia ter cometido esse erro, principalmente, o Dr. Evandro, que está em período de abstinência, doido da Silva para voltar a tomar os comprimidos. Além disso, o conteúdo dentro dos frascos era incolor/transparente, ou seja, a única verificação era o nome por fora.

A cena foi muito tensa, regada de emoção e fortes atuações. Julio Andrade é um excelente ator e merece toda a admiração do mundo, pois ele se entregou, realmente, ao personagem e não foi só ele quem chorou rios e rios, não. Dá pra contabilizar a quantidade de lágrimas escorridas nos nossos olhos?! Foi bastante, é claro. Pra deixar tudo mais triste ainda, tivemos a saída do Dr. Samuel do hospital – local onde ele trabalhou por mais de 30 anos – dentro do caixão, recebendo uma homenagem linda, regada de um salve de palmas. A Rede Globo quis nos desistradar na noite do dia 04 de dezembro, só pode! Dr. Samuel era muito respeitado e querido naquele ambiente e, com certeza, será lembrado com muito carinho. Já vejo muitas homenagens, futuramente, quando descobrirem que ele estava tentando revelar as falcatruas da intragável Renata.

Para terminar o episódio, quando a gente acha que tudo tinha acabado, temos a primeira DR (Discussão de Relacionamento) do nosso casal. Evandro está bem chateado com o ocorrido e não acredita em sua esposa. Mas ela acreditou, fielmente, nele quando o bonitão disse que tinha parado de tomar os remédios, né?! Quão egoísta, ou melhor, egocêntrico, ele foi?! Ao extremo! Poxa, Carolina faz de tudo para ele e quando ela precisa de ajuda, Evandro tira o corpo fora e só taca pedra na coitada. Ô meu querido, ela não precisava de proteção quando o senhorito estava a mentir, não. Ela precisa de proteção é agora, pois vai ser acusada por todos pelo ocorrido, como os pacientes, colegas de trabalho e, até mesmo, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Vamos lembrar que Evandro já esteve presente em um júri, sendo acusado de algo que não fez, não é mesmo?! A partir daí, ele pode tirar as próprias conclusões daquilo que a doutora está sentido. Quando ela coloca o anel de aliança na mão dele e diz aquela frase do início dessa review, o coração de todo mundo cortou. Qual será o futuro de #Cavandro?! Será o fim do relacionamento?! O futuro a Deus pertence, porém, nesse caso, pertence aos roteiristas. Por favor, não separem os dois! Nós amamos eles together! <3

Assim como Guimarães Rosa fez em sua famosa obra, Grande Sertão: Veredas, ao iniciar a história com um Travessão e terminar com a palavra Travessia, deixo aqui um comentário da atriz Marjorie Estiano em relação à Sob Pressão, já que no começo, quem disse a frase, foi a sua personagem. Cada uma sendo, respectivamente, o Travessão e a Travessia da minha review. Gostaram do meu trocadilho?! Tentei filosofar um pouco, rs. Olhem só:

Sob Pressão é o DNA do Brasil, é nossa. Ela nos representa social, política e culturalmente. Nos defeitos e nas qualidades. É contraditória, humana, violenta, bem-humorada, espiritualizada, guerreira, simples e sofisticada.” – ESTIANO, Marjorie.

p.s.01: Renata chorou lágrimas de crocodilo e aparentou estar arrependida, porém é tarde demais. Não adianta abrir a sombrinha depois que a chuva passa, viu, querida;

p.s.02: Apesar de toda a maldade, Renata disse algo bem significativo para nós brasileiros, ao alfinetar a Reforma Trabalhista, que pretende aposentar os contribuintes do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) bem com mais idade. Algo a refletir, com certeza;

p.s.03: Da última vez que Evandro esnobou uma pessoa ela morreu e foi a Dona Dercília. Vocês se lembram?! Ela queria relatar umas dores no peito e ele não a deu ouvidos. Agora, Samuel queria alertar sobre Renata e acaba sendo assassinado. Desse jeito fica difícil mesmo de confiar em ti, Dr. Evandro. Carolina fez certo em lhe entregar o anel. Vamos ver se agora tu reflitas suas atitudes, meu caro;

p.s.04: Já a recepcionista do hospital, Rosa (Josie Antello de Os Caras de Pau), é um amorzinho de pessoa. Toda atenciosa para com as pessoas e prestativa em tudo que faz. Como assim eu não havia comentado dela aqui nas reviews?! Que feio, hein, Arthur?!;

p.s.05: Sobre o tema da Corrupção, abordado nessa temporada, a atriz Marjorie Estiano deu o seu pitaco: “A luz vai estar sobre a corrupção, mostrando que quando alguém rouba de um lado, muitos morrem do outro. Isso dá a dimensão do quanto todos nós estamos contribuindo para o problema e do quanto podemos e devemos participar da solução”, relata. Muito bacana esse pensamento crítico dela;

p.s.06: Por falar nela, Estiano deu outra declaração, bastante concisa, para o tema Corrupção, dizendo que o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral – preso por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e outros – foi uma das inspirações para o esquema da Renata. “Ele foi o roteirista”, brinca, de certa forma, a atriz;

p.s.07: Vocês se recordam do meu pedido ao Vídeo Show, para que mostrassem os bastidores de Sob Pressão, principalmente, no que diz respeito às cenas de cirurgia?! Então, enquanto isso não é possível, Marjorie (eu prometo ser a terceira e última vez que falo dela nesse post, #juro), conta como foi conhecer o corpo humano. “Arrebatador” foi a palavra escolhida por ela. Tem sangue cenográfico, órgãos humanos de mentira, seringas e bisturis. Confira mais curiosidades clicando aqui;

p.s.08: Há quem se engane por achar que só o elenco dá as suas opiniões sobre a série. Lucas Paraizo (Justiça), um dos autores, disse que ao escrever sobre doenças, eles acabam tendo que inventar patologias e uma delas é a corrupção endêmica. “A corrupção na saúde mata muito, mata silenciosamente”, afirma ele. Os autores não querem se posicionar sobre os temas abordados, pois o objetivo principal deles é levar o público a refletir e tomar as próprias conclusões;

p.s.09: Outro diretor boníssimo está sendo Andrucha Waddington (Eu Tu Eles), desenvolvendo um texto que agrada grande parte dos telespectadores. Sobre o trabalho de montar os episódios, ele diz o seguinte: “Muitas vezes os roteiristas pegam uma história que ouviram falar e aí acontece [na vida real] uma coisa exatamente igual. Mas a gente gravou muito antes. O noticiário é que dá spoiler”, brinca o autor. Isso porque foi mostrado, no Episódio 4 (2×04), o caso da paciente com silicone implantado, em uma clínica ilegal, lembrando a história do médico Denis Furtado, conhecido, popularmente, como Dr. Bumbum;

p.s.10: RIP (Requiescat in Pace ou, simplesmente, Descanse em Paz), Dr. Samuel. Homem honesto, íntegro e humilde. Lutou até o último minuto de vida pelo hospital, pelos pacientes e pela vida. Sentiremos muito a falta do senhor. O ator Stepan Nercessian (Chacrinha, o Eterno Guerreiro) comentou a morte de seu personagem: “É como se significasse a morte de um período romântico também”, afirmou. Esse trágico desfecho, para ele, representou um divisor de águas para a trama. #Luto;

p.s.11: O nosso casal, #Cavandro, comentou o rompimento. Para Julio Andrade, que interpreta o médico Evandro, os dois ainda precisam se encontrar e se conhecer como pessoas. Confira mais detalhes no site oficial do seriado;

p.s.12: Serviço de Utilidade Pública da Semana: Alimentação Saudável, Atividade Física e Controle do Peso previnem o Diabetes. Na dúvida, procure um Profissional de Saúde.

REVISÃO GERAL
Nota:
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sob-pressao-2x09-episodio-9Toda semana, sem falta, Sob Pressão nos entrega uma belíssima história. Sem defeito, sem rodeios, sem enrolação. A qualidade está, com certeza, acima da média e as consequências da morte do Dr. Samuel serão intensas para todos do Macedão nos próximos episódios.