Impecabilidade é a palavra que eu defino Sob Pressão até esse episódio, que antecede a metade dessa segunda temporada. Quanta coisa aconteceu, não é mesmo?! Para contar a história de nossos personagens preferidos – com belíssimas atuações – não nos faltou cenas fortes e emocionantes, como é de praxe. Fomos dos pacientes aos médicos! Da corrupção à representatividade! Que tiro foi esse que dá um arraso?, já diz a cantora Jojo Todynho, em sua música, no bom sentido, claro!
Para início de conversa, vamos falar sobre o hospital e seus problemas que, infelizmente, só tendem a aumentar. Solução que é bom, nada! Os nossos pombinhos, Dr. Evandro e Drª. Carolina, chegam para mais um dia de trabalho e se deparam com com uma sala de cirurgia sem energia elétrica. A instalação, provavelmente, está muito antiga, com fios desencapados, aposto. Logo pensei: “Uai, é só pegar um gerador!” Não é a resposta para essa minha doce ilusão. Como afirmou o Dr. Samuel, chefe da casa: eles já saíram do vermelho tem muito tempo. Agora estão no roxo, ou seja, sem dinheiro pra tudo. E essa é a triste realidade de muitos hospitais públicos do país, que necessitam de itens básicos para poderem ter condições de receber e tratar muitos doentes.
Seguindo essa mesma linha de raciocínio, conhecemos, finalmente, a personagem Renata, uma gestora em saúde do setor privado, interpretada pela talentosa atriz Fernanda Torres (Os Normais). Outro rosto bastante conhecido por nós, telespectadores, é o do ator Marcelo Serrado – quem não se lembra do divertido Crô, em Fina Estampa?! -, que incorporou Roberto, outro membro da Secretaria de Saúde do estado do Rio de Janeiro. Ao vê-los realizando a contabilização do que é prioritário no hospital, podemos perceber que ambos são ambiciosos e já queriam tomar frente de tudo. Sem falar que eles “tiraram o corpo fora” quando o Dr. Samuel afirmou, diversas vezes, que a causa desse caos é a falta de verba e eles disseram o contrário, que era falta de gestão. Entretanto, se já não bastasse a troca de ofensas e ameaças implícitas, Roberto entra na sala do Dr. Samuel e diz que Renata deve assumir o seu posto. Quão absurdo foi isso, né?! Ele está a mais de 25 anos trabalhando, não só como médico, mas como gestor e ela chega agora querendo sentar na janela?! Calma aí, querida! Não é assim que as coisas funcionam, não! Mas parece que vai funcionar desse modo, pois Fernanda irá aparecer em mais episódios ao longo desse segundo ano de Sob Pressão. Esse exemplo mostra a troca de favores, muito comum, principalmente, nos interiores do Brasil, no qual um deputado exige a presença de uma pessoa, concomitantemente, com a saída de outra. Corrupção que fala, né?!

Já os casos da semana envolveram dois pacientes: uma moça transexual e um moço baleado por policiais. A primeira, chamada Jamile/Anderson (Gabrielle Joie de Toda Forma de Amor), fugiu de casa, aos 13 anos de idade e agora, aos 17, fez um implante de silicone caseiro nos seios, em uma clínica clandestina. Porém, tudo dera errado, pois a jovem pegou uma infecção que se agravou. Além disso, ela, com a ajuda do Google, começou a tomar hormônios por conta própria, sendo mais uma atitude perigosa. Desde as reviews passadas, venho destacando o perigo que estamos expostos na internet nos dias atuais. É necessário ter muito cuidado, já que podemos cair em golpes, aumentando as chances de uma fatalidade. Cuide-se! Procure ajuda! Não é só a série que presta Serviço de Utilidade Pública, não! O Série Maníacos, também, minha gente!
Caso Jamile tivesse procurado ajuda, não teria passado por tudo isso. Todavia, o maior preconceito para com as pessoas LGBT+ é o familiar, aquele presente dentro de casa: o pai de Jamile, Alexandre (Chico Pelúcio de A Cura), idealizava o filho no Exército e se revolta ao ver que ele é uma jovem mulher. Ela não teve medo de ir à uma clínica realizar o procedimento, mas teve receio de conversar com os os seus pais. Olhem a gravidade do preconceito enraizado nos lares brasileiros! Aqui devo destacar a ignorância dos pais, não só no sentido agressivo da palavra, mas, também, na falta de conhecimento. “Isso é doença, doutor?!”, pergunta Cilene (Inês Peixoto de Além do Tempo), mãe de Jamile, ao Dr. Décio. Isso mostra que a falta de informação é muito presente na vida da população, pois muitos não sabem o significado de alguns nomes que envolvem o mundo LGBT+, como transexual, transgênero, identidade de gênero, transfobia, entre outros. Muitos pensam que tudo é a mesma coisa, mas não é. É importante abrir a mente e buscar entender, como a mãe dela o fez. Quão lindo e emocionante foi ver Dona Cilene entendendo o lado da filha e desejando a sua felicidade?! Quem chorou aí levanta a mão, haha!
Além disso, podemos conhecer um pouco mais sobre a vida pessoal do Dr. Décio. Ele é homossexual, tem 45 anos e ainda não havia contado a sua mãe (Analu Prestes de Hoje é Dia de Maria) sobre isso. Contudo, mãe é mãe! Como dizem por aí: “só muda de endereço”, ou seja, conhece, profundamente, o filho que tem e sabia, desde o princípio, que ele gostava de homens. Tenho certeza de que não foi nada fácil esconder isso dela durante esse tempo todo, mas no final, o amor sempre fala mais alto, certo?! Foi encantadora a conversa dois dois! Me remeteu à Sense8, no qual a mãe de Lito, (Miguel Ángel Silvestre de Narcos), Estella (Dolores Heredia de El Chapo), diz ao filho que ele dançava muito bem para ser um heterossexual, no episódio Especial de Natal (2×01). De uma forma delicada e sem rodeios, ambas aceitam os seus filhos, querendo apenas a felicidade deles. Quem dera se todos pudessem ter essa oportunidade, né?! O mundo seria mais tolerante!
Por fim, o momento mais aguardado da trama: o retorno do pai de Carolina! José Luiz conseguiu um recurso com um juiz pela sua soltura, devido a um bom comportamento na prisão. Não só a médica, mas eu e vocês, com absoluta certeza, ficamos perplexos e horrorizados com a essa situação. Primeiro, pela libertação, posteriormente, pela cara de pau dele em retornar ao hospital e querer algum tipo de contato com a filha. Ele abusou dela quando criança e, na temporada passada, ele foi preso, pois a Drª. Carolina não aguentou mais ficar calada. Ele é um louco doente que merecia ficar preso para o resto da vida. Em meio a isso, vocês devem estar pensando que eu esquecera do segundo paciente, né?! Não mesmo! Deixei pra falar de Joel (Elton Pinheiro), um bandido de 28 anos, agora, pois ele faz parte da história. Ao ouvir o desabafo da médica ao seu amor, Dr. Evandro, Joel trata logo de arrumar um jeito de Carolina se vingar do pai. A priori, ele propõe a ela o serviço, que no caso foi a agressão física, mas é negado. Isso ocorre devido ao fato de Carolina ser uma pessoa evoluída, tanto profissional quanto emocionalmente. Religiosa só cê vendo, ela tem uma paz de espírito muito grande em seu coração, sendo algo belíssimo para um ser humano, ainda mais sendo médica. Porém, Joel acaba não dando ouvidos e manda seus capangas atrás de José Luiz, que leva uma baita surra e é socorrido no Hospital Nossa Senhora das Dores, todo arregaçado.
Já Dr. Evandro, mesmo não sendo um homem religioso, defende com unhas e dentes a sua amada esposa e promete protegê-la de qualquer mal. Tanto é que ele expulsa José do hospital e já pensa em arrumar um advogado contra ele. Todavia, com a entrada de José, tudo muda de figura, não é mesmo?! De estuprador ele passa a ser paciente, gravíssimo, por sinal, e Evandro tenta realizar a cirurgia, mas houveram complicações e muito sangue estava sendo perdido. Enquanto isso, Carolina vai à Capela para rezar e acaba sendo irônico, afinal, ele só a fez sofrer a vida inteira e ela pede à Deus a cura para o paciente. A cirurgia se complicada cada vez mais e a razão passou longe da emoção: a filha de José entra e tenta salvá-lo, mas é tarde demais. Ele acaba morrendo. Confesso que fiquei decepcionado, pois eu queria que ele pagasse por tudo aquilo que ele fez. Foi tudo rápido demais! Mas quem sou eu pra julgar os roteiristas, né?! Pelo menos agora ela não terá mais medo, podendo viver tranquila ao lado de seu esposo.
> A Maldição da Residência Hill – QUASE MORRI DE MEDO!!
p.s.1: Por mais ódio, raiva, nojo e todos os sentimentos ruins que Carolina poderia ter em relação ao pai, ela não desejou, hora nenhuma, a morte dele. Muito menos do jeito que morreu. As cenas de agressão foram fortes e ele era o pai dela, né?!;
p.s.2: Evandro afirma e reafirma que fizera de tudo para tentar socorrê-lo, mas não deu. É a vida! Muitas pessoas sobrevivem e muitas morrem em cirurgias;
p.s.3: Vamos ver se agora Carolina para de se auto mutilar. Dá uma certa gastura de ver o ato e as marcas no corpo dela. Ainda bem que a jovem médica desiste em todas as vezes que ela tenta nesse episódio. Melhoras, doutora!;
p.s.4: A abertura continua sendo bem depois do começo do episódio, mas não deixa de ser linda e emblemática. Tem um tom misterioso e sofrível;
p.s.5: Representatividade importa sim e importa muito! Gabrielle Joie é transexual na vida real e a sua aparição é mais um ponto a favor da Rede Globo! Está de parabéns em mostrar a realidade como ela é;
p.s.6: Cadê o Dr. Henrique, hein?! Bateu o ponto e não voltou mais. Estranhei muito esse sumiço dele. Boa coisa não deve estar fazendo, aposto;
p.s.7: Por falar em médico, estou sentindo que a história dos doutores Charles (Pablo Sanábio de O Astro) e Amir (Orã Figueiredo de O Profeta) estão sendo deixadas de lado. Espero que no decorrer da temporada, eles sejam desenvolvidos. Era muito divertido acompanhar, na primeira temporada, a vida de Amir e suas mulheres;
p.s.8: Em um dos comentários, o leitor Andries Viljoen define Sob Pressão como a “Grey’s Anatomy versão Tupiniquim”. Divertidíssimo!;
p.s.9: Serviço de Utilidade Pública da Semana: A Transfobia atinge toda a sociedade. Disque 100 e denuncie.















