O sexto episódio do segundo ano de Sob Pressão não foi tão intenso igual aos dois últimos, mas não deixou de ser marcante, afinal, a série em si já é bem memorável, não é mesmo?!

Tudo começa com uma pequena quebra de expectativas: Drª. Carolina está em um cemitério visitando o túmulo não de seu pai, que morrera recentemente, mas sim de sua falecida mãe. Ela ainda está muito abalada com tudo o que está acontecendo em sua vida e, claro, a médica tem seus momentos de reflexão. É de aplaudir, o apoio emocional que Evandro oferece a sua amada, mostrando que o amor sempre vence as barreiras impostas pela vida. Quão fofo foi ele dizendo: “Você tem a mim!”?! Contudo, o questionamento mais significativo partiu de Carolina: “Como um cara tem coragem de abusar da própria filha?!” Eis aqui uma pergunta sem resposta! Não tem explicação para uma atitude monstruosa igual a essa, pois só nos resta adjetivar, com todos os nomes horripilantes possíveis da face da Terra, um cara idiota igual o José Luiz. Não sei vocês, mas a sensação é de um nó na garganta. Sem comentários pra indignação!

Já no núcleo dos pacientes da semana, tivemos a presença de dois, uma idosa e uma criança. A primeira, Dona Leda, uma senhora que está prestes a se casar com o seu futuro marido, Seu Fernão, dá entrada ao hospital e, o que era pra ser uma simples cirurgia na vesícula, virou algo complicadíssimo, intitulado Derrame Pericárdico, um acúmulo anormal de fluido entre as membranas que envolvem o coração. O engraçado é que o salvador da pátria da vez não foi Evandro, como de costume, mas o residente da casa, Dr. Charles. Fiquei muito agradecido com isso, pois os roteiristas ouviram os meus pedidos e deram um destaque maior para o personagem. Só senti falta da vida pessoal dele, mas caminhando devagar que a gente chega lá, certo?!

Desde a descoberta da necessidade da cirurgia até o abraço apertado em Seu Fernão, nós sentimos na pele o que Charles sentiu: desespero, angústia, aflição, felicidade, realização e, principalmente, medo, já que qualquer fatalidade, ele colocaria a vida de Dona Leda em risco. A produção soube trabalhar muito bem as cenas: de um lado, Evandro preso na ação policial, junto à bateria descarregada do celular; do outro, a agonia da perfuração que Charles teve que realizar, sem a ajuda de um bom afastador, pois o que tinha era grande demais… Em fim, foi tudo muito bem esquematizado, como sempre. Já brinquei aqui sobre o Tiro da Jojo Todynho há duas semanas, e ele veio de novo, só que no escuro, com essa cirurgia! O grito de Charles do lado de fora, na rua, foi de liberdade. Foi uma conquista e tanta para o profissional, que tem muito potencial para se tornar um excelente médico. “O garoto é bom”, já disse o Dr. Samuel. Com a sua humildade e carinho, com certeza, ele irá voar longe, muito longe, aliás. Parabéns, Dr. Charles!

Por outro lado, conhecemos, também, a história do garotinho Jonathan, que é acometido por muitas fraturas, após cair de uma árvore na escola. Criança espoleta (ainda se usa essa palavra, será?!). Dr. Rafael e Dr.ª Carolina tratam logo de socorrer o menino, que estava acompanhado do pai desesperado. Nesse ponto, eu enfatizo as mensagens subliminares (feitas com sabedoria pela produção), que deram a entender que Jonathan sofria agressão doméstica e o relato, de ser um acidente no brinquedo da escola, era mentira. Não foi só a Drª. Carolina que desconfiou! Que atire a primeira pedra quem não pensou que o pai batia no filho, pois além do olhar, tivemos dois destaques: o comportamento de repugnância da criança para com ele e os diversos hematomas no corpo de Jonathan. Foi tensa a cena em que Carolina solta o verbo, acusando o moço de ter batido no próprio filho. Entretanto, tudo cai por terra quando o celular do guri é encontrado. A médica tenta se desculpar de todo o mal entendido, mas o pai se recusa e ainda a  chama de louca. Ele deve ter se sentido muito envergonhado e humilhado, não resta dúvida.

Concomitantemente a esses aspectos, não podemos esquecer de acentuar aquilo dito no começo dessa review: Drª. Carolina sofreu e ainda sofre muito com a morte do pai. Ela, pelo fato de desconfiar de tudo e de todos, acabou gerando uma confusão com muitos constrangimentos. Esse episódio serviu para mostrar que ela é a vítima, uma vítima que precisa de ajuda. Tudo está na cabeça dela e não deve ser nada fácil tentar esquecer todos os abusos sofridos e, além disso, matutar se a própria mãe sabia ou não sobre isso e não fazia nada a respeito. A cena final de Evandro e Carolina juntos foi muito marcante. Duvido muito que ele, também, quis se cortar. A mensagem deixada foi a de que ele está lá por ela e para ela, ou seja, para qualquer dificuldade, para qualquer momento. Tenho certeza de que com a ajuda de Evandro, ela irá melhorar. Tomara que Carolina descanse, procure ajuda psiquiátrica (É minha gente! Médicos também ficam doentes) e fique bem, sem mais sofrimento. Melhoras, Drª. Carolina! Volte a ser luz em nossas vidas! Estamos na torcida por ti!

Por falar no Dr. Evandro, hoje a temática para com ele foi bem diferente. Confesso que eu também me senti incomodado com as cenas daquela feira médica para gringos. A nossa realidade é outra! Não vai ser um aparelho em 3D que irá resolver a precariedade do hospital. Contudo, comprar alguns equipamentos para reabrir o CTI (Centro de Terapia Intensiva) irá amenizar um pouco a situação. Outrossim, nos é apresentado o famoso empresário Sérgio Menezes, responsável pela doação dos novos utensílios hospitalares. Me surpreendi com a Renata, ao saber que a parceria seria a longo prazo. Está com medinho agora, querida?! Pra ganhar mais money a senhora não ficou, não, né?! Essa politicagem ainda vai dar o que falar, com a absoluta certeza. Esse Roberto não é flor que se cheire, muito menos o empresário. Já deu ruim pra Renata, será?! Só espero que não sobre para os médicos e pacientes, por favor!

p.s.1: A veracidade das cenas, principalmente do sangue mostrado tanto nas cirurgias quanto nos pacientes é de encher os olhos. Muito real! Podia rolar um making-off mostrando os bastidores, né?! Queremos, sim!;

p.s.2: Evandro ainda persiste em tomar remédios. Cumé que o senhorito pretende ajudar a sua amada, sendo que você, também, necessita de ajuda?!;

p.s.3: Esses momentos de reflexão sobre a vida, ao longo de todo o episódio foi bem bacana, seja pela Carolina, seja pelo Charles;

p.s.4: Mais uma vez o Dr. Henrique ficou de escanteio e fazer chute no gol que é bom, nadica de nada. Espero que ele ainda solte as suas asinhas;

p.s.5: A audiência do seriado segue estável, na casa dos 20 pontos no Ibope, sendo um valor significativo para a faixa de horário em que é exibido. Um sucesso desses, bicho!;

p.s.6: Marjorie Estiano deu uma entrevista recheado de detalhes sobre o episódio passado. O acidente do ônibus deixou-a bastante cansada. “(…) meu corpo inteiro doía muito, parecia que tinha sido atropelada”, relatou a atriz (…)”, relatou a atriz. Clique aqui e confira o restante!;

p.s.7: Por falar na atriz, no último sábado, dia 10 de novembro, ela foi uma das convidadas do programa Altas Horas, do Serginho Groisman, na Rede Globo. Rolou detalhes de sua vida, de sua personalidade e, claro, de Sob Pressão. Confira e se divirta;

p.s.8: Serviço de Utilidade Púbica da Semana: Uma pessoa que machuca a si mesma precisa de ajuda. Não julgue, acolha!

PALAVRA FINAL: Sob Pressão continua retratando temas fortes da nossa contemporaneidade. Tenho certeza de que muitos telespectadores sentem na pele aquilo que os personagens sentem. Só uma série como essa, de qualidade, consegue tal maestria.

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