É sempre escuro antes do amanhecer…
Em mais um episódio emocional, Shadowhunters separa o seu casal principal, faz surgir o lado obscuro de Clary, encaminha o casal Sizzy, dá ensejos de um possível retorno de Jordan e Maia e liberta Asmodeus em Nova York.
O episódio The Beast Within contou com a competente direção de Joshua Butler (The Vampire Diaries), que também foi responsável por dirigir o excelente episódio By The Light of Dawn (2×10) mid-season finale da temporada 2A e o também muito bom Salt in the Wound (3×07), episódio centrado na história de Jace e nas desventuras de Maia. Parece que toda vez que Shadowhunters quer dinamizar a sua trama, emocionar o seu público e contar uma história triste, Butler é convocado para dirigir um dos seus episódios. E dessa vez não foi diferente, Butler me fez chorar por várias razões diferentes. É inegável a qualidade desse episódio, posso até não concordar com a narrativa em curso, posso reclamar dos roteiristas ou da incoerência na personalidade de alguns personagens, mas tenho que admitir que o time de writers e o diretor usaram diversos recursos para andar com a trama central sem parecer corrido ou jogado em cena.

Sem mais delongas, vou começar falando de Sizzy, o casal mais esperado e o menos festejado por essa adaptação televisiva. Shadowhunters centrou a sua narrativa no desenvolvimento do casal Malec, colocando Alec como protagonista da série e Magnus como protagonista do seu relacionamento, por conta dessa decisão, não se investiu tempo de tela na formação do casal Sizzy e, como já falei em outros textos, a série preferiu fazer outros emparelhamentos aleatórios envolvendo esses dois personagens, daí é natural que a essa altura dos acontecimentos não estejamos tão empolgados quanto poderíamos estar diante da possibilidade da existência desse novo casal na série. Slavkin deixou o público em polvorosa ao dizer bem lá atrás que “esta seria a temporada de Sizzy”, mas ao mesmo tempo pediu paciência para que a história fosse desenvolvida. Haja paciência para esperar Sizzy acontecer, meu amigo! Mas parece que finalmente a coisa engatou e agora Sizzy é praticamente real e palpável. Adorei que trouxeram a atriz Holly Deveaux, a Rebecca Lewis, irmã de Simon, de volta para esse show. Além de divertida, ela acabou sendo o contraponto necessário para dar o empurrãozinho que Simon precisava para enxergar Izzy com outros olhos. O cenário não poderia ser mais oportuno que uma noite de Halloween com vários demônios Drevak soltos pelas ruas. Becky caiu como luva nessa história, ela meio que fez o papel do telespectador fazendo todas as perguntas idiotas que nós faríamos para Simon se estivéssemos conversando com ele, porém, ela se mostrou muito intuitiva ao perceber a fagulha incandescente entre o irmão e a caçadora. Juro que pensei que veríamos o first kiss Sizzy nesse episódio, mas ainda não foi dessa vez! Apesar de tardio, o plot de Simon e Izzy agora está ficando mais interessante, mesmo sabendo que essa versão televisiva jamais alcançará todo o potencial da versão original desse casal. Ainda no ambiente da noite de Halloween tivemos Jordan e Maia nos atualizando sobre os últimos acontecimentos envolvendo ambos e a alcateia. Maia deixou claro que já perdoou o ex-Praetor por tê-la abandonado após a sua transformação e tudo se encaminha para um possível retorno do casal. Seria interessante vê-la como alfa da matilha, tendo Jordan ao seu lado como beta ajudando-a a reconstituir o clã dos lobos de Nova York. Creio que eles precisarão se reagrupar o mais rápido possível, já que a Rainha Seelie revelou que possui a Espada Estrela da Manhã e que pretende eliminar Jonathan, ou seja, a guerra pode começar a qualquer momento. Aliás, cadê Lilith?

Correndo por fora tivemos um dos plots mais importantes do episódio, a crescente escuridão interna de Clary ascendendo. Desde o seu embate com Aline, percebi que Clary já não era mais a mesma pessoa, parecia estar alternando. Izzy elaborou uma fórmula a partir dos fragmentos da Gloriosa com a intenção de separar Clary de Jonathan, até Luke apareceu para dar o seu apoio para a filha, mas tudo foi em vão, ambos os irmãos continuaram conectados através da Runa Demoníaca. A caçada aos Demônios Drevaks soltos pelas ruas serviu para mostrar para Alec e para Izzy que o lado sombrio de Clary estava aflorando mais rápido do que supunham. Ela defendeu Jonathan, o colocando como vítima das circunstâncias após Izzy chama-lo de monstro. Essa é a versão de Clary que eu mais gosto. Prefiro Kat bancando a malvada trevosa que a donzela meiga e, agora que a sua ascenção aconteceu, creio que veremos mais cenas interessantes com ela. Sei que sempre reclamo da fraca atuação de Kat e do pífio desenvolvimento do casal Clace, contudo, não me senti incomodada com a atuação dela nesse episodio e até gostei das cenas do casal Clace. Lamento profundamente que essa adaptação televisiva não tenha conseguido acertar com o seu casal de protagonistas, eles nos arrastaram para cenas insonsas e desinteressantes envolvendo Jace e Clary ao longo de três temporadas, quando na verdade o que queríamos era apenas um casal com química. Não responsabilizo somente Kat e o seu fraco desempenho como elemento comprometedor desse shipp, creio que boa parte da responsabilidade fica a cargo dos roteiristas, que nunca fizeram um plot interessante para esse casal. Como disse anteriormente, o próprio Jace é bem submisso a esse relacionamento, não tem uma história própria e nunca foi bem desenvolvido, todos esses fatores colocaram o personagem em um patamar bem abaixo do esperado. Deixando de lado todos esses apontamentos, eu gostei muito do encontro de Clary com Jonathan e Jace na dimensão onírica, além de muito bonito, o encontro nos deu uma clara noção de o quanto Clary está vinculada ao irmão. A jovem caçadora, após ascender para o lado sombrio, atacou Jace, matou Lanaia e libertou Jonathan. Creio que veremos cenas bem interessantes com essa dark Clary. Embora saiba que Jace não irá desistir da caçadora de forma alguma, tenho certeza que Jonathan, com seu amor doentio, perseverará para manter a irmã ao seu lado. Vai ser bem interessante acompanhar essa dinâmica envolvendo esses três personagens.
Maryse, a Mamma Lightwood, tem sido um capítulo à parte nessa história toda, ela passou por muitas situações, foi traída pelo marido, perdeu o seu prestígio e as suas runas, mas se reinventou. Maryse é uma personagem que eu tenho gostado muito de acompanhar dentro desse show e vê-la passando tempo de qualidade com Magnus e lhe ofertando aconselhamento sobre a sua transição foi algo que aqueceu meu coração. Como essa mulher mudou, como ele passou a entender o coração do filho e, consequentemente, o coração do genro. Dizer para Magnus que ele faz parte da família foi algo muito bonito, mesmo sabendo como tudo isso acabaria um pouco mais tarde, percebi que Maryse se nivelou a Magnus ao falar sobre a perda de identidade passada pelo feiticeiro, algo que aconteceu com ela algum tempo atrás. Ao revelar em primeira mão para Magnus o seu envolvimento com Luke, Maryse deixou claro que confia no namorado do filho, por outro lado, Magnus mostrou uma intimidade com a sogra que eu jamais imaginei que veria nesse show. Parabéns a Nicola por ter feito uma cena tão bonita e tocante com Harry.

Do outro lado do episódio, Asmodeus, graças a um subterfúgio manipulativo, está livre, caminhando fora de Edom, tal qual Lilith. Não é segredo para ninguém que o príncipe do inferno tem a intenção de transformar Magnus em seu sucessor. Acredito que, ao retirar a magia do filho, Asmodeus esperava que Magnus, não suportando a perda da sua essência, lhe procurasse para um novo acordo, onde ele poderia oferecer a restituição dos poderes do filho em troca da sua lealdade. Como Magnus, apesar de todo o sofrimento, não o procurou, ele viu no desespero de Alec a chance de quebrar Magnus em tantos pedaços quanto possível a ponto de o feiticeiro aceitar a sua ajuda, mesmo considerando-o um pai doentio e desprezível. O encontro de Alec com Asmodeus através da feiticeira Vera foi no mínimo sinistro, por isso, eu sabia que não pararia por ali. Canalizar um Demônio Maior não é qualquer coisa e, consequentemente, a feiticeira Vera pagou um preço muito alto, perdeu a sua vida. Acho intrigante a forma como esses demônios amam os seus filhos. Vejam o amor estranho que Lilith devota a Jonathan e observem a forma como Asmodeus diz amar Magnus, é tudo muito extremo e tóxico demais. O sogro de Alec foi taxativo, disse que arqueiro enfraquece Magnus e o impede de desenvolver o seu potencial ao máximo. O Demônio classificou Alec como amante de Magnus na tentativa de diminui-lo, o alertou para a possibilidade de um ressentimento futuro por parte do filho, que, segundo ele, se tornou vulnerável ao lado do namorado. Ele foi mais longe ainda, disse que Alec seria a morte de Magnus e a única forma que Alec salvar a vida de Magnus seria magoando-o, partindo o seu coração.

Há algum tempo atrás, enquanto jogava em um bar, Alec disse para Magnus que não ia a lugar algum e depois o beijou selando um acordo, mas tudo o que vimos em The Beast Within foi o contrário do acordo selado com um beijo, vimos o arqueiro indo para outro lugar, bem distante do coração de Magnus. Bem, meus amigos e minhas amigas, continuo achando que Alec está se movendo rápido demais nessa relação e tomando decisões unilaterais, precipitadas e impensadas. Acho que falta/faltou diálogo antes (agora também) entre Alec e Magnus. Tomar uma decisão tão importante quanto a de convocar Asmodeus, Príncipe do Inferno, para fazer um trato que vai resultar no final de um relacionamento com o homem que até ontem era o seu mundo não foi a atitude mais acertada da parte de Alec. Ok, percebi, enquanto Alec conversava com Izzy, que ele sente que tem uma dívida de gratidão com Magnus pelo fato de o feiticeiro ter sacrificado a sua magia para mantê-lo com a alma integra, mas a lógica dele é muito rasteira quando ele supõe que Magnus já amou outras pessoas antes dele e, ao recuperar a sua magia, poderá voltar a amar uma outra pessoa. No entanto, ele subestima o tipo de amor puro e incondicional que Magnus sente por ele, da mesma forma que subestima o amor raro que ele mesmo, um Nephilim, passou a sentir uma única vez na vida ao conhecer Magnus. É de um grande primarismo da parte de Alec acreditar que Magnus, um homem quebrado, que perdeu a sua magia, perdeu o seu emprego e perdeu a sua casa, vai conseguir superar a dor da perda de um grande amor. Entendi a linha de raciocínio de Alec, mas fiquei bem chateada com essa decisão unilateral, vertical e mentirosa adotada por ele. Alec já teve problemas com Magnus no passado por lhe ocultar informações importantes, mas parece que ainda não aprendeu que ser transparente ainda é a maior e melhor estratégia dentro de um relacionamento – as vezes até esqueço o quão jovem Alec ainda é. Em minha opinião, um erro nessa cena é que essa conversa deveria ter sido com Jace, o seu parabatai, e não com Izzy. Adoro a relação de Alec e Izzy, mas creio que o show perdeu a chance de criar um belo momento entre esses dois parabatais, que andam muito afastados. Senti esse afastamento muito claramente quando Alec conversou com Jace na rua, fez conjecturas e levantou hipóteses, mas desconversou quando foi questionado sobre o fato de Magnus não estar usado o anel da família Lightwood. Contudo, o que Jace falou foi muito importante, ele já se viu apartado de Clary uma vez, quando acreditava que a caçadora estava morta e seu sofrimento foi de cortar o coração, a dor da perda quase o enlouqueceu. Algo que Alec deveria ter considerado antes de ter cruzado a tênue linha da falta de bom senso.
> GAME OF THRONES: REENCONTROS E REVELAÇÕES (Comentários do episódio 8×01)!
Havia dito no texto anterior que iriam arrastar o casal Malec para o fundo do poço, nos fazendo crer que o passado foi melhor que o presente, realmente eu estava certa, a cena em que Alec termina com Magnus foi terrível e sofrida demais, confesso que chorei. Alec não é um bom mentiroso, por isso, ele se utilizou de situações que estão permeando o seu relacionamento atualmente para justificar a sua necessidade de terminar com Magnus. Foi uma estratégia terrível e covarde. Usar a depressão de Magnus como desculpa para dar um tempo na relação ao invés de contar a verdade sobre a proposta de Asmodeus foi uma má escolha e não sei se lá na frente essa decisão não vai voltar para assombrar esses dois. Magnus teve o seu coração partido por alguém que jurou que não iria a lugar algum, Alec! A partir daquele momento Alec já não conseguia mais olhar nos olhos de Magnus, por outro lado, enquanto suplicava para o namorado ficar, o feiticeiro tinhas as mãos trêmulas e a voz embargada pelo choro que não tardaria a cair. Os beijos foram sofridos, apesar de doces e singelos. Nada, nem o apelo sincero de Magnus, fez Alec mudar de ideia. A porta bateu, a música parou, a solidão entrou. É sempre escuro antes do amanhecer…
Até o próximo episódio!













![Shadowhunters 3×21/22: Alliance/All Good Things… [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2019/05/Shadowhunters-3x21-218x150.jpg)
