Os episódios 3×21 e 3×22, Alliance e All Good Things…, respectivamente, foram os responsáveis pela finalização da trajetória da série Shadowhunters. Inspirada na série literária ‘Os Instrumentos Mortais’, de Cassandra Clare, Shadowhunters (Freeform) estreou no dia 12 de janeiro de 2016, tendo Ed Decter como seu desenvolvedor e Todd Slavkin e Darren Swimmer como seus produtores executivos. Após três temporadas incompletas, em 4 de junho de 2018, a Freeform anunciou o cancelamento da série, provocando revolta e comoção entre os Shadowfans, mas a emissora prometeu aos fãs um fechamento digno para o show. Será que esse fechamento realmente foi digno? Será que esse final atendeu as nossas expectativas? Ou será que não foi nada do que esperávamos? Vamos a minha última crítica dessa série que me trouxe um misto indescritível de emoções durante a sua trajetória.

Shadowhunters/Brigada Socorrista do Instituto

Em linhas gerais, Alliance foi um episódio de transição, onde os principais plots abertos foram fechados para que All Good Things… pudesse celebrar a diversidade, à família, o amor e a aceitação no Mundo de Sombras. Para início de conversa, Jonathan entrou em fase de transformação, deixando de lado a sua humanidade, permitindo que a sua face bestial pudesse eclodir. Nesse processo lento de metamorfose ele encontrou com a Rainha Seelie Amara, não só disposta a guiá-lo, como também empenhada em promover a sua metamorfose. Do outro lado, Clary em conversa com Jace deixou transparecer a sua angústia diante das atitudes tomadas por ela enquanto estava possuída pelo seu lado obscuro. Já no loft de Magnus, Alec e Maryse debatiam sobre a status atual do feiticeiro. Maryse insinuou que Alec deveria tirar um tempo para vivenciar a experiência do luto, Alec rebateu afirmando que Magnus estava vivo, em Edom e que ainda tinha um casamento para planejar. Como dito por Jace, Alec é forte e se mostrou disposto a ir até as últimas consequências para salvar o seu noivo aprisionado em Edom. Já na outra dimensão, Magnus recebeu a inesperada visita de Lilith, ainda enfraquecida pelo ataque sofrido recentemente, a Mãe de Todos os Demônios queria formatar um acordo unilateral com Magnus propondo que o feiticeiro permitisse a sua partida de Edom através de uma pequena brecha na fenda fechada por ele no episódio anterior. Magnus foi rigoroso com Lilith, mostrou firmeza e devolveu o ataque sofrido à altura, deixando transparecer que em Edom o seu poder é fortificado.

Tivemos uma pequena pausa nesse arco de Edom para ver Maia, Simon e os lobos remanescentes fazendo uma homenagem a Jordan, morto no episódio passado. Foi um momento bem emocional e simbólico, o achei até mais poderoso que o próprio momento da morte do Praetor. Claro que senti falta de Luke durante essa singela homenagem. Mas tudo isso serviu de pano de fundo para que Maia se perdoasse, quisesse seguir em frente e alertasse Simon diante das suas próprias decisões futuras sobre Izzy. O Diurno foi ao encontro da caçadora disposto a abrir o seu coração e o que vimos a seguir foi o primeiro beijo Sizzy desse show – finalmente!!! A cena foi bonita e delicada, não fosse o on fire da caçadora poderíamos ver em looping infinito essa sequência. Paralelo a esses acontecimentos, Luke decidiu usar o soro de cura nele mesmo, o que me deixou bem surpresa. Sempre o achei bem confortável com a sua condição lupina, ele sempre demostrou já ter superado o impacto de ter perdido o status de Shadowhunter ao ter se transformado em lobo (achei estranho ele ter retornado para a condição de um Shadowhunter após o uso do soro, como também achei estranho o Isaiah sem barba). No loft de Magnus, um incansável Alec, tentava descobrir o que levaria um réptil a escrever em seu cercado um pedido de socorro. Claro que ele pediu a ajuda de Catarina para verificar o estranho animal. Senti falta de uma pequena cena mostrando a recondução de Lorenzo para a sua forma humana, acho que poderia ter rendido ótimas gargalhadas.

O plot do Fogo Celestial no organismo de Izzy resultou na formação da Brigada Socorrista do Instituto (cunhei o termo) que tinha o intuito de salvar Magnus de Edom. O desespero de Alec a essa altura já era tão desmedido que o arqueiro considerou a possibilidade de ser transformado em vampiro por Simon para poder ter passe livre para entrar em Edom por causa do sangue demoníaco. A partir daí as coisas começaram a ficar muito estranhas nesse episódio, sei que o arco do Fogo Celestial nos livros é destinado a Jace, mas compreendo que as liberdades criativas estão ai para serem amplamente usadas, dito isso, eu só não entendo porque, já que desprezaram Izzy durante todas as temporadas desse show, agora em sua reta final decidiram dar a ela um protagonismo que caberia unicamente a Clary nesse momento de conclusão. Em uma espécie de manobra compensatória, Izzy foi investida de um poder desmedido, capaz de eliminar Lilith e fazer Edom sucumbir em ruinas. Outro ponto curioso (talvez a montagem do episódio não tenho colaborado na sequência da situação) é o fato de que Meliorn após ter ajudado Izzy a adentrar os pórticos de Edom teve uma espécie de dor na consciência a ponto de procurar a turma do Instituto para reportar o acontecimento. Mas estranho ainda foi ele ter se deixado recrutar para compor a Brigada Socorrista do Instituto se emparelhando através de uma runa com Jace, caçador que ele acusou em episódios passados de ter colaborado no sequestro da sua rainha.  Eu até entendo a participação de Lorenzo nisso tudo. Além dele ter sido salvo por Alec de passar um avida rastejante até os seus últimos dias, o feiticeiro já havia cedido anteriormente ao ajudar o arqueiro na cura de Magnus. No fundo, bem lá no fundo, eu percebi que Lorenzo cultiva uma espécie de inveja de tudo que Magnus conquistou durante a sua vida, estando no topo das suas prioridades o prestígio gozado pelo rival e a sua solida relação construída com Alec. Isso ficou muito evidente quando ele recebeu das mãos de Magnus o convite para seu casamento e, meio emocionado, ele confessou que nunca teve uma família, mas admitiu que os amigos que Magnus conquistou e o homem pelo qual Magnus se apaixonou são uma família diferente do usual, porém, são uma família preciosa. Uma família não precisa ser aquela que você nasceu. Famílias podem ser criadas. 

Shadowhunters/Jace, Meliorn e Izzy

Voltando para a história da Brigada Socorrista do Instituto e a sua incursão para Edom, os roteiristas tiraram coelho da cartola ao criarem a trama da runa parabatai temporária, talvez Meliorn tenha sido adicionado a esse squad por conta das ausências de Luke e Maia (representantes dos lobos) durante essas gravações. Achei esse troca de poderes bem engraçada e gostei de os roteiristas terem tratado essa situação de forma descontraída, usando signos já conhecidos, como o portal interdimensional construído por Lorenzo. Falando no Alto Feiticeiro, gostei do apoio emocional que ele deu a Alec em Edom, apesar da sua costumeira arrogância. Adorei ver Jace condicionado a só falar a verdade para Meliorn e Izzy, da mesma forma que gostei do tempo de tela dividido entre Clary e Simon, meio que me lembrou a primeira temporada, quando ela era mais próxima do amigo. O reencontro de Alec e Magnus foi bem bonito, o feiticeiro ficou um pouco abatido após escutar de Lilith que ele havia sido abandonado pelos amigos, mas a voz de Alec soou como algo ilusório ou alucinatório, um abraço foi o suficiente para o feiticeiro perceber que era real, que seu noivo estava ali, novamente em seus braços. Alec lhe deu uma prova de amor inconteste ao ponderar a possibilidade de permanecer em Edom ao lado de Magnus. Tudo isso durou um átimo de segundo, logo foram atacados por Lilith e, como já disse, uma poderosa Izzy mandou a vilã para o inferno – Ops! Ela já estava lá, no inferno! Depois de todas essas peripécias, inclusive a trama Deus ex machina da divisão do Fogo Celestial entre os presentes, Magnus abriu um portal e todos retornaram para a dimensão absoluta em segurança.

No dia seguinte, a conversa de Alec e Magnus sobre o planejamento do casamento apresentou um discurso que sempre permeou as linhas escritas pelos roteiristas de Shadowhunter. Alec, de forma sútil, lembrou a Magnus que um casamento entre eles, sob o teto da Clave seria uma importante mensagem para pessoas como eles, dois homens, dos seres de clãs distintos, um feiticeiro e um Shadowhunter. Sempre gostei desse posicionamento afirmativo do show, Shadowhunters nunca negou as origens dos seus personagens, muito menos a singularidade das suas relações. Izzy sempre foi a síntese dessa afirmação, ao se relacionar a priori com Meliorn, um Seelie; depois com Raphael, um vampiro; depois com Dr. Charles, um mundano e, por fim, com Simon, um vampiro diurno. Outros relacionamentos, não tão longevos ou marcantes, também celebraram essa mescla (Simon e Maia; Simon e Clary; Jace e Maia…). Durante a festa do casamento Malec, um novo potencial casal estava se formando, Lorenzo e Undehill, que eu nem sabia que se chamava Andrew. De volta ao começo, um feiticeiro e um Shadowhunter, só que sob novas regras em uma Clave renovada, graças a Alec e Magnus.

A Rainha Seelie Amara indo para os finalmente com Jonathan. Socorro, que é isso fada?! Ao menos Lola, que faz a rainha menina apareceu antes de ser aniquilada por Jonathan. Admito que gostava dessa rainha manipuladora mirim. Ao contrário do meu sentimento pela Rainha Seelie a minha relação com Kat sempre foi muito intensa, ela entregou algumas cenas muito emocionais e acima da média do que ele apresentou durante toda a sua jornada nesse show. A cena de Clary com a sua mãe (nunca perdoei a morte de Jocelyn) foi muito bonita e deu a personagem a possibilidade de mais uma vez se reunir com a sua mãe. Igualmente interessante foi a sequência dela com Jonathan, levando-se em consideração que o antagonista perdeu muito da sua força ‘vilanesca’ e que a sua ascenção demoníaca não acrescentou muita coisa durante essa temporada 3B, não achei a sua capacidade demoníaca tão assustadora quanto deveria ter sido. Suas motivações eram muito pífias e insonsas. Falaram alguns números alarmantes da matança disseminada por Jonathan, mas como só vimos meia dúzias de pessoas morrendo, ficou tudo no campo do imaginário. Mas adorei o encontro dele com Clary e achei a sua morte pelas mãos da irmã (pelas suas asas na verdade) bem poética. Ter usado essa runa desencadeou a perda das memórias de Clary, mas entendo que a garota era a única em posição de se aproximar o suficiente de Jonathan para acabar com a sua sede de destruição. Obrigada, Kat e Dom!

‘O amor que tenho por você é um amor que não conhece limites. Em tempos de alegria e também de tristeza, na doença e na saúde, eu vou te amar como amo a mim mesmo e protegê-lo acima de tudo. Vou compartilhar com você os meus verdadeiros sentimentos e quando você falar eu irei escutar. Eu vou te levantar quando você cair. E, quando você voar, vou ajudá-lo a atingir as alturas. Eu sou e sempre serei o seu amado marido!’ – Magnus Lightwood-Bane

Na saga literária, Magnus teve muitos relacionamentos ao longo da sua extensa vida, Axel, Etta, Camille, Richard, Kitty, Imassu, sem falar no seu afeto por Will Herondale, no entanto, ter conhecido e se apaixonado pelo jovem caçador Alec Lightwood mudou a sua perspectiva sobre o amor. Alec mudou a forma de Magnus entender o amor, a ponto de ambos, eventualmente, acabarem se casando e adotando duas crianças, Rafael Lightwood-Bane e Max Lightwood-Bane.  A mensagem que um personagem como Magnus Bane passa, seja na saga literária ou na adaptação televisiva, é poderosa e ultrapassa o âmbito da mera ficção ou da fantasia. Por isso me surpreendo quando vejo pessoas insinuando que o melhor final para Alec e Magnus seria uma morte honrosa? Mas, afinal, qual a honra em matar no final da história dois personagens multidimensionais e tão representativos quanto Magnus e Alec? A própria Cassandra Clare em entrevista falou sobre o final dado a Magnus nos livros: porque matar no final um personagem que não é hétero e branco? Mais uma vez, a mensagem aqui seria terrível. E tem uma enorme falta de personagens grandes não-héteros e não-brancos na ficção. Magnus, de muitas maneiras, existe como um personagem que é uma celebração de si mesmo, confortável em sua pele, e matá-lo seria não só um golpe pessoal aos personagens, como um golpe à visão de mundo das séries. Cassie completa o seu pensamento falando também sobre o motivo de não concordar com a morte de Alec no final da história: Você gostaria de participar da alegoria de matar seu personagem gay? Não, eu não gostaria! Eu não gostaria que minha série de livros fosse uma daquelas que diz mais uma vez que o papel dos adolescentes gays na vida é morrer, de preferência por pessoas ‘corretas’ e heterossexuais. Então, não, definitivamente não! Não se pode criar dois personagens como esses para depois simplesmente matá-los como recurso dramático catártico. Mas, catártico mesmo foi acompanhar o desenvolvimento de um personagem incrível como o feiticeiro Magnus Bane ao longo dessas três temporadas de Shadowhunters. Apesar das diversas incoerências praticadas pelos roteiristas desse show com esse personagem, o legado deixado por Magnus para uma geração inteira é inquestionável, tanto para centenas de milhares de jovens de origem asiática que sequer sonhavam em ver um rosto como o deles em uma série de fantasia sendo celebrado, festado e sendo tratado com status de padrão de beleza desejável, quanto para a comunidade LGBTQ+ que viu em cena durante três temporadas a representação cuidadosa de um personagem, benevolente, empático e bissexual em um relacionamento saudável e estável.  Obrigada, Harry!

‘E quando um dia as pessoas olharem para trás para mim e o que minha vida significou, não quero que digam ‘Alec Lightwood lutou na Guerra Maligna’ ou até mesmo ‘Alec Lightwood foi cônsul uma vez.’ Eu quero que eles pensem: ‘Alec Lightwood amou tanto um homem que ele mudou o mundo por ele.’ – Alexander Gideon Lightwood-Bane [Rainha do Ar e da Escuridão]

Alec Lightwood sempre foi compassivo, inseguro, ciumento, objetivo nas questões profissionais, corajoso, atencioso, porém, nunca admitiu ou aceitou a sua sexualidade até conhecer Magnus, seu primeiro e único grande amor. Acompanhar o crescimento de Alec, tanto na saga literária quanto na adaptação televisiva foi uma experiencia bastante emocional. Gosto de acreditar que Alec cresceu mais rapidamente movido pela força do amor recíproco que sente por Magnus. O tratamento dado a Alec durante a terceira temporada de Shadowhunters permitiu que o personagem nos mostrasse outras camadas, ainda embotadas na sua carapaça de líder do Instituto. Ter que fazer escolhas difíceis e ter perdido Magnus foram situações extremas que colocaram Alec em uma posição que ainda não o tínhamos visto e isso foi muito importante para compreendermos que por debaixo daquela máscara austera e compenetrada havia um homem disposto a tudo para obter ao seu lado o amor da sua vida. Esse tipo de representação, do jovem gay que está se descobrindo e buscando aceitação, foi muito bem trabalhado tanto nos livros quanto na obra televisiva e ter um personagem com Alec em cena, nos mostra que ainda é possível acreditar no amor, que ainda é possível acreditar na mudança daqueles que nos são caros ao coração (Maryse) e que finais felizes foram feitos para todos, independente da sua, origem, classe social ou orientação sexual. Obrigada, Matt!

O que poderia ter sido diferente no final de Shadowhunters:

O casamento Malec, foi empurrado para o limite dos acontecimentos, com o advento do cancelamento da série, não se tinha mais tempo hábil para cozinhar essa situação em fogo brando. Como falaram Todd e Darren, produtores executivos de Shadowhunters, o casamento Malec não era coisa para uma cena, deveria ter sido um evento de um episódio inteiro. Adoraria ter visto os preparativos da recepção, seria muito encantador ver a reação dos personagens recebendo os convites, mais interessante ainda seria adentrar no centro nervoso do Instituto e vislumbrar a mudança revolucionária, a quebra de paradigmas e de regras acontecendo diante dos olhos de todos. O casamento foi lindo, emblemático e portador de uma mensagem poderosa sobre aceitação, no entanto, a agenda conturbada de filmagem do telefilme excluiu daquela cena alguns personagens importantes e algumas falas que eu considero bem oportunas. Por exemplo, uma pena que Isaiah e Alisha não estavam disponíveis para gravarem a cena do casamento Malec por conta de incompatibilidade de agenda, queria muito ver Luke sendo introduzido formalmente como namorado de Maryse em um momento que toda a família Lightwood estava reunida, como também, gostaria muito de ver Maia se confraternizando com os presentes representando oficialmente o clã dos lobos. Senti falta de um momento mais particular entre Maryse e Robert, onde talvez ambos reconhecessem que são pessoas diferentes agora e que o passado ficou para trás. Faltou uma conversa entre Magnus e Jace, rememorando aquele momento lá atrás em 2×08 quando Jace questionou o feiticeiro sobre seus sentimentos em relação a Alec, seu irmão e parabatai. Esse seria o momento ideal para Jace reconhecer o enorme bem que Magnus fez e faz para Alec e, por essa razão, ele não só mostraria gratidão, como simbolicamente ‘liberaria’ o irmão para que a partir de agora o feiticeiro passasse a cuidar dele e amá-lo pelo que ele é. Achei aquela rápida conversa entre Alec e Jace bem importante, apesar de Izzy ter se mostrado mais próxima do arqueiro que seu próprio parabatai, gostei de ver Alec comunicando oficialmente para o irmão que estaria se mudando para o loft de Magnus. Sei que eles se esforçaram para reunir o maior número possível de personagens nessa cena e sou grata por isso, afinal, uma celebração ao amor como esse casamento necessitava de todas essas testemunhas, mas também acredito que esse casamento deveria ter sido o palco para tantos outros acontecimentos. É uma pena que a série tenha sido cancelada e, por esse motivo, muito do que poderia ter sido movimentado enquanto narrativa dentro desse recorte ficou por conta da nossa imaginação.

Um outro aspecto a ser considerado é sobre a forma apressada com que Sizzy foi construído para entregar a sua base de fã aquilo que se buscava desde a estreia desse show. Pelo que sei, Izzy seria beijada por Simon e entraria em combustão por causa do Fogo Celestial no final da terceira temporada. Durante a quarta temporada veríamos Simon e a turma do Instituto buscando uma cura para a caçadora, todavia, novamente por causa do cancelamento da série, todo o arco envolvendo esse casal foi criado, desenvolvido e concluído em pouquíssimos episódios. Me atrevo a dizer que a morosidade dos roteiristas e total descaso com a personagem motivaram esse desleixo durante essas três temporadas, daí foram surpreendidos por um final precoce e tentaram remediar essa situação. Conseguiram? Sim e não! Sim eles entregaram um final bem bonitinho, romântico e leve para o casal. Não, eles nos empurraram goela abaixo uma paixão repentina e instantânea, pouco crível! Da mesma forma eles foram descuidados e apressadas na construção do plot do emparelhamento parabatai entre Izzy e Clary, que por sinal ficou só na promessa, já que a caçadora perdeu as suas memórias e nunca aconteceu o tal juramento ou a cerimônia de vínculo. Lamento imensamente que Izzy não tenha encontrado o merecido espaço nessa série, mas parabenizo Eme pelo bom trabalho desenvolvido durante essas três temporadas.

Os roteiristas tinham o plano de entregar na quarta temporada um casamento Clace, como tiveram que avançar a história, foi criado o plot da perda das memórias como subterfúgio escapista para precipitar os acontecimentos, no entanto, a lacuna criada pelo vão de um ano distante do Mundo de Sobras me deixa curiosa sobre como Clary passou os seus dias, viveu e deu conta de se tornar uma artista sem o amparo da sua mãe, de Luke ou de Simon. Teria sido bem interessante acompanhar Clary tendo que administrar a culpa do sobrevivente, após ter matado bem lá atrás o seu pai e por último o seu próprio irmão e por ter se deixado dominar pelo seu lado mais sombrio. Jace, que também passou por algum tipo de subjugação teria sido a pessoa ideal para ajudar Clary a passar por esse calvário. Aliás, o monólogo de Jace para Clary foi o segundo texto mais bonito desse personagem nessa série, na minha opinião, é claro! O texto mais bonito de Jace, ainda na minha opinião, é o juramento parabatai que ele faz para Alec no episódio 2×03. A passagem de tempo já era um recurso esperado por todos, ela deu a exata dimensão do posicionamento de cada personagem. Magnus como um prospero feiticeiro, Alec como Inquisidor, Luke e Maryse estabelecidos; Izzy como Diretora do Instituto, enfim, cada qual vivendo a sua vida. Mas o sabor agridoce disso tudo, para alguns, foi a perda das memórias de Clary. Sei que seu reencontro com Jace deu um fio de esperança para todos, mas independente de todas as criticas tecidas sobre as frivolidades da personagem e a limitação da sua interprete, fiquei com o coração apertado só de pensar que Jace amargou uma profunda solidão por um ano, apenas observando Clary de longe e sem poder se aproximar. O reencontro deles foi bem bonito, mas também muito triste. Não sei até que ponto ter mantido essa decisão, que seria um cliffhanger para uma futura quarta temporada foi acertada para um casal que teve tantos altos e baixos durante toda a trajetória.

Todd e Darren, em uma entrevista, mostraram interesse na produção de algum conteúdo ligado a esse universo, mas apontaram a dificuldade por não possuírem os direitos da história e por não possuírem mais os cenários, adereços e figurinos do show, tudo foi vendido, desmontado ou leiloado.

Todd Slavkin – ‘Eu não acho que seja impossível fazer um filme no futuro. Onde você poderia reunir todo mundo por algumas semanas e fazer uma coisa de duas horas, ou de quatro horas, ou de seis episódios. Talvez com o mesmo elenco, mas você nunca sabe. Coisa estranha acontece no mundo da TV de hoje.’

Aline e Helen também ficaram só na promessa. As achei fofas juntas e percebi que ambas, além de possuírem uma boa química em cena, poderiam ter nos apresentado uma boa história de amor, saudável e afirmativa. Como o casal foi introduzido tardiamente, não houve tempo suficiente para deixar a narrativa fluir com naturalidade. Tanto é que achei bem estranho as duas já estarem aos beijos na festa do casamento, levando em consideração que o casal Malec só teve o primeiro beijo em 1×12, que o casal Clace só teve o first time em 3×13 e que Sizzy só teve o first kiss nesse finale. Sem falar que as duas já estavam falando sobre roupas para usar em um futuro casamento delas. Como assim, gente? Perdi alguma coisa? Se tivesse mais um episódio, levando em consideração o quanto o menino Max cresceu, seria ele a se casar.

Apesar de todas essas observações, foi um final glorioso, atendeu a maior parte das expectativas, foi bem no modo Shadowhunter de fazer as coisas perfeitamente imperfeitas, foi uma carta aberta à família, a todo tipo de família e ao amor incondicional.

> GAME OF THRONES: Ataque Surpresa!

Bem, pessoal, minha imensa gratidão a todos e todas que acompanharam junto comigo essa jornada adentro do Mundo de Sombras. Finalizo aqui no SM mais um projeto, triste pela finalização abrupta de Shadowhunters, porém, contente por termos conseguido ao menos uma finalização para as histórias dos nossos personagens preferidos. Sou muito grata pelo carinho que vocês sempre me trataram, pelo espaço respeitoso criado aqui nos comentários das resenhas e pela fidelidade de muitos de vocês durante essa jornada. Nos encontraremos em outras críticas ou em textos de outras séries, mas o que realmente importa é que uma importante mensagem de amor, amizade e lealdade foi passada ao longo dessas três temporadas desse show. Em momentos, como o aqui e o agora, onde o ódio, a intolerância, o preconceito e o desamor teimam em querer emergir das sombras, façamos como os nossos amigos caçadores e os sobrenaturais, combatamos essas forças com a maior arma de todas, a força do amor!

This Is The Hunt!

Aku Cinta Kamu

Ave Atque Vale

REVISÃO GERAL
Nota:
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