Após um gigantesco hiato de cerca de 7 meses, Shadowhunters está de volta para o seu terceiro ano cheia de novidades. Mas antes de falarmos das novidades envolvendo os nossos tão amados Caçadores de Sobras, creio que cabe aqui um precioso informativo para quem já está acostumado a acompanhar as reviews semanais de Vinícius Fernandes aqui no SM. Por questões particulares o meu amigo Vinny não fará mais a cobertura de Shadowhunters. Agradecemos sinceramente a excelente cobertura feita por Vinny ao longo dessas duas temporadas e lhe desejamos boa sorte em suas novas empreitadas. A partir de então passarei a fazer a cobertura dessa deliciosa série, mas para tanto, vamos estabelecer o combinado de que vez ou outra até farei comparações entre a série televisiva e a obra literária, mas a priore, a nossa cobertura terá maior foco mesmo na adaptação televisiva, afinal, comentaremos a série e não os livros.

Agora que já esclarecemos a situação, vamos adentrar nos diversos acontecimentos de On Infernal Ground. Confesso que estava ansiosa pela volta de Shadowhunters e achei torturante ter que esperar 216 dias para ver os meus personagens preferidos outra vez. Mas compreendo que esse hiato imenso está aparentemente relacionado com o período de férias dos atores e da equipe, como também guarda uma relação direta com a promessa de entregar uma temporada mais caprichada nos efeitos especiais e mais detalhista nas questões de figurinos, cenários e ambientações. Mas a grande espera valeu a pena e fomos presenteados com um retorno acima das nossas expectativas.

Shadowhunters/Clary & Jace 
Shadowhunters/Clary & Jace

On Infernal Ground começa pouco tempo após os eventos de Beside Still Water, ainda é possível sentir no Mundo das Sombras as consequências da morte de Valentine e do desaparecimento de Sebastian. A essa altura dos acontecimentos, Clary e Jace finalmente estão juntos como casal – ainda acho que falta uma centelha de química entre os dois atores, apesar de ter achado as cenas Clace bem bonitinhas -, o alto escalão de Alicante concedeu a jovem aprendiz de Caçadora de Sombras, em uma celebração, a Runa Angelical em reconhecimento por seus serviços prestados durante a batalha travada contra Valentine, que resultou na sua morte e pelo fato de supostamente a garota ter impedido o vilão de ter feito o pedido ao anjo Raziel. Agora Clary é oficialmente uma Caçadora das Sombras.

Alguém esqueceu de dizer a Clary que mentira tem pernas curtas e que em algum momento a verdade sobre o pedido feito ao anjo virá à tona provocando consequências desastrosas para ela, para Jace e para Alec. O jovem líder do Instituto nutre intimamente uma desconfiança de que Clary usou o pedido de Raziel para trazer Jace de volta do mundo dos mortos. Já estava aguardando o momento que Alec iria confrontar Clary e falar-lhe sobre o desaparecimento da sua Runa Parabatai durante a batalha travada contra Valentine, maior indicativo de que o seu irmão adotivo realmente morreu, mesmo que momentaneamente. Clary ocultou a verdade e negou para Alec que algo dessa natureza tenha acontecido. Não concordo que Jace oculte uma informação dessas para o seu próprio parabatai, mesmo que ele afirme que é para a proteção do seu irmão, só posso justificar essa atitude por parte do namorado de Clary com o fato do rapaz está fora de si e com a consciência temporariamente obliterada por Lilith.

Shadowhunters/Lilith
Shadowhunters/Lilith

Todo o problema dessa elaborada mentira é que Jace não é mais o mesmo e vem apresentando alterações de humor e de comportamento. O rapaz não consegue mais conciliar o sono, apresenta constantes pesadelos com a figura vingativa de Sebastian e está preso em um contínuo de alucinações que podem levá-lo a ter atitudes agressivas, como a ocorrida durante o treino com a namorada. Jace morreu e renasceu, por isso, não possuí os encantos de proteção que normalmente são dados aos Caçadores de Sombras no ato do nascimento, essa peculiaridade o afastaria das más influências e dos ataques mentais e torturantes que ele vem sofrendo, como também o ajudaria a impedir que o desejo de matar Clary fosse implantado em sua mente. Pela minha experiência com Pet Sematary, The Wlking Dead e Les Revenants, posso assegurar que quem morre deve continuar morto, com certeza nada será como antes para a pessoa que foi trazida de volta a vida e nada de bom sairá dessa situação.

Não faço a mínima ideia de qual solução os roteiristas de Shadowhunters vão encontrar para impedir que o dark Jace domine todo o coraçãozinho do nosso herói, muitas mudanças foram feitas nessa adaptação televisiva nos deixando no escuro quanto a cura dessa “doença” antes que o rapaz sucumba completamente. Iria amar ver Dominic SherWood nos entregando uma atuação mais densa e emocional. Afinal, com a saída de Alan Van Sprang do elenco, já que Valentine finalmente morreu, deposito as minhas fichas na volta de Will Tudor, com o seu vilão soberbo, e na introdução de Anna Hopkins, para elevar o nível de atuação da série com uma Lilith bem malévola.

Por falar em malévola, Lilith é um Demônio Maior, conhecida como a mãe de todos os bruxos e o primeiro de todos os demônios, ela é a ‘mãe’ de Sebastian e pretende trazê-lo de volta a vida a todo custo. O que Lilith tem de bonita, ela tem de malvada, isso fica muito claro para nós quando ela manipula o enfermeiro o forçando a cometer um assassinato em seu nome. A Igreja de Talto, apresentada no episódio, abriga o culto à Lilith, cujo a maior oferta é o sacrifício de crianças para ela. Devemos lembrar que a vilã foi vista passeando na ala infantil do hospital e tenho certeza que seus objetivos não eram científicos ou nobres. A igreja em que a vilã está construindo o seu culto fica localizada em uma das Linhas de Lay, que são províncias das fadas, uma espécie de ponto de convergência entre locais sagrados onde a magia é intensificada.

Shadowhunters/Irmãos Lightwood
Shadowhunters/Irmãos Lightwood

Os irmãos Lightwood foram ao mesmo hospital que outrora Lilith visitou para investigar a morte da esposa do enfermeiro possuído na tentativa de identificar que tipo de demônio teria atacado a moça e se o funcionário tinha apresentado alguma atitude suspeita. Gosto muito de cenas envolvendo os três Lightwood, mas acho que está na hora de ajeitarem a situação de Izzy nessa história toda. A personagem é maravilhosa, ela é o meu animal spirit, no entanto insistem em arrastá-la para tramas insonsas e arcos desnecessários como os plots do vício em yin fen e o do suposto caso amoroso com Raphael. Chega! Está na hora de darem uma história decente para Izzy, já que cada vez mais Sizzy é um sonho distante.

O plot do enfermeiro resultou na épica luta entre Clary e um demônio. A combate foi bem coreofgrafado, Katherine McNamara apresentou segurança e destreza na execução das manobras, coisa impossível de se cogitar na primeira temporada, mas achei muito forçado terem praticamente repetido uma cena de O Exorcista na tentativa de nos fazer sentir medo da criatura. O que foi aquela cabeça girando ao contrário? Muitíssimo desnecessário! Acho até que comprometeu a seriedade da sequência, que estava indo muito bem até certo ponto. Eu só estava esperando que Clary aniquilasse a criatura demoníaca usando as suas duas novas armas, mas claramente fui iludida e no final das contas ela acabou usando mesmo o seu poderzinho básico para eliminar o enviado de Lilith.

No outro extremo desses acontecimentos temos Magnus e Alec, que não foram para Paris como muitos esperavam, aliás, fomos surpreendidos com a notícia de que o feiticeiro perdeu o cargo de Alto Feiticeiro do Brooklyn por conta da sua parceria com a petulante Rainha Seelie. Como assim, produção? Magnus Bane perdeu o cargo??? Vamos fingir que não percebemos essa digressão narrativa e vamos supor que a perda do cargo de Magnus e a ascenção de Lorenzo Rey como novo líder do clã dos feiticeiros foi a forma encontrada pelos roteiristas da série para movimentar um pouco mais a história de Bane, para lhe conceder um pouco mais de autonomia,  para que o personagem não se resuma somente as cenas Malec ou a constante necessidade que os Shadowhunters tem de lhe pedir favores.

Shadowhunters/Magnus & Alec
Shadowhunters/Magnus & Alec

Magnus esteve muito vinculado aos Caçadores nas duas primeiras temporadas, seja pelo seu relacionamento com Alec ou por sempre ter que abrir portais, encontrar soluções magicas e mirabolantes para conter ataques demoníacos ou por sempre ter que curar as enfermidades de diversos seres sobrenaturais. Apesar de Harry Shum ser um bom ator e nos entregar um Magnus Bane coerente dentro da lógica e da licença narrativa escolhida para a versão televisiva de Shadowhunters, sinto que o ator não foi devidamente desafiado ainda e que o seu personagem não teve muita possibilidade de mostrar o seu lado mais poderoso e emocional até agora. Nesse capítulo de estreia de temporada vimos um Magnus em um novo ambiente profissional criado dentro do seu loft, lá foi possível visualizar vários recipientes contendo poções e provisões, bem como livros e outros apetrechos peculiares ao labor do feiticeiro. Gostei de ver Magnus recebendo cliente e trabalhando desvinculado das necessidades e urgências da turma do Instituto. Creio que esse será um bom caminho para desenvolver outras dimensões do personagem e vinculá-lo a outros personagens dentro do seu próprio círculo de feiticeiros.

Um outro ponto a ser considerado ainda falando sobre Magnus Bane, é a necessidade de evolução no seu relacionamento com Alec, já que o ‘eu te amo’ foi dito entre eles. Em Beside Still Water eles fizeram as pazes, reataram a relação e deixaram claro que um não conseguia viver sem o outro. Ok, relacionamentos são trabalhosos e complicados, nós sabemos disso, mas ainda acho estranho que Magnus, no alto da sua experiência secular e depois de tantas idas e vindas, não tenho expressado para Alec em primeira mão a sua frustração por ter perdido o cargo de Alto Feiticeiro do Brooklyn ou tenha omitido do namorado a sua insatisfação perante a possibilidade do rapaz aceitar a oferta de trabalho de Aline Penhallow e partir para Idris. Sei que próximo ao término do episódio a situação foi esclarecida e Alec, de forma madura e consciente, pediu ao feiticeiro que futuramente não lhe ocultasse ou mascarasse os seus sentimentos. O que é uma dicotomia, já que Magnus consegue ser tão transparente, paternal e doce com Raphael, produzindo cenas bonitas e sensíveis, no entanto mostra uma certa frieza e desfaçatez quando tem que expor os seus sentimentos para o próprio namorado.

Sei que ambos estão mais maduros, mais íntimos e próximos, é visível que estão mais à vontade um com o outro, tanto é que Alec foi consultar prioritariamente Magnus sobre a possibilidade de aceitar a proposta de um novo cargo, por isso, acho que a fase das desconfianças e das situações dúbias já passou e não vejo necessidade de mais drama ou briga por essas questões. Especulo que a imortalidade de Magnus ainda vai ser um grande problema para Alec, como também acredito que ambos ainda vão ter que ser firmes e unidos para defender o relacionamento e lutar contra o preconceito dos Shadowhunters em relação aos mundanos. Desejo vida longa e próspera a Malec, meu Shipp Master, com pitadas de drama e aventura, é claro!

Shadowhunters/Simon
Shadowhunters/Simon

Não podemos nos esquecer da alcateia de lobos, agora descoberta por Ollie, parceira de Luke, e não nos esqueçamos de Simon, o vampiro diurno que está sendo chantageado pela Rainha Seelie com propósitos ainda não muito claros. Confesso que tenho pouca paciência para as incursões da parceira de Luke, mas gostei do fato dele ter contado logo a ela toda a verdade sobre a existência das criaturas sobrenaturais. Não via motivos para que essa história se arrastasse por intermináveis episódios. Além de Isaiah Mustafa (Luke), agora temos Alisha Wainwright (Maia) como regular do show, ampliando o tempo de tela do clã dos lobisomens. Gosto da atuação honesta de Alisha e da forma que ela conduz a sua Maia, não sou hater do seu relacionamento com Simon e me sinto tocada pelo drama vivido por ela ao lado de Jordan. Maia e Simon são até bonitinhos juntos – que Izzy não me ouça – e gosto da forma objetiva com que a moça corre atrás da verdade.

Shadowhunters inicia seu terceiro ano com um episódio extremamente consistente e maduro, cria um clima favorável para a introdução de novos personagens e a valorização daqueles já existentes, nos dando indicativos de que finalmente veremos o Mundo das Sombras como ele realmente é. Espero que a temporada toda seja tão ágil, dark e impactante quanto foi essa première, sem barrigadas, sem muitas digressões, com um bom apelo visual e uma boa história para ser contada.

Até a próxima semana, pessoal!

Outras Informações e especulações:

  • Foi somente eu ou mais alguém aí pensou em Harry Poter quando Luke disse a Clary ‘você não escolhe as lâminas, as lâminas escolhem você’?
  • Impressão minha ou eles conseguiram reproduzir Alicante lindamente?
  • Não quero ficar fazendo comparações, mas é sério que Simon recebeu a Marca de Caim das mãos da Rainha Seelie através de Meliorn? Não era Clary que usava o seu dom de criar runas para executar esse feito no intuito de proteger o rapaz? Ok, estamos diante da liberdade criativa!
  • Catarina Loss ainda não foi introduzida dignamente na série. Estou só observando esse absurdo!
  • Jordan Kyle vem aí e será vivido pelo ator Chai Hansen (The 100).
  • O que será que Raphael está aprontando mantendo aquela vampira sedada e em cárcere? Teria alguma relação com a capacidade de caminhar durante o dia adquirida por Simon?
REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorGrey’s Anatomy 14×15/16: Old Scars, Future Hearts/Caught Somewhere in Time
Próximo artigoSurvivor 36×05: A Diamond in the Rough
shadowhunters-3x01-on-infernal-ground-season-premiereShadowhunters inicia seu terceiro ano com um episódio extremamente consistente e maduro, cria um clima favorável para a introdução de novos personagens e a valorização daqueles já existentes, nos dando indicativos de que finalmente veremos o Mundo das Sombras como ele realmente é.