“Me pediram para escrever como é a minha rotina. Antes de me mandarem embora do trampo do mercado, eu fazia umas vinte entregas por dia. Eu pegava a minha moto e saia cortando os carros, tirando o fino, levando sacola pra toda a cidade. Já entreguei em quebrada, em bairro de boy, com sol, co chuva, com vento balançando na minha moto… Mas eu nunca deixei ninguém na mão.
Toda primeira semana do mês, eu chegava atrasado na escola. Parece que o povo recebe pagamento, já vai direto no mercado. Os professores ficavam de cara, achando que eu não queria nada com o estudo, mas eu gosto da escola e reclamo. Mas eu gosto: da escola e da minha moto.
Quando chego em casa, pego meu filho no colo e a minha esposa pergunta das aulas. Antes, ela queria saber das entregas de motoboy, mas aí, me mandaram embora. Então, agora, ela só pergunta da escola. Eu acho que ela tem orgulho de mim.” –
PEREIRA, Maicon Douglas.
O episódio começa com a personagem Valquíria (Georgette Fadel de O Banquete) saindo do Centro Penitenciário Feminino de Itaquera, em São Paulo (SP), pois ela terminou a sua pena em regime fechado. Contudo, pelo que assistimos, a ex-detenta está em condicional, ou seja, apesar de poder frequentar a Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, no turno da noite, por meio do programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), Valquíria está sendo monitorada por uma tornozeleira eletrônica.
Enquanto isso, a professora de Língua Portuguesa, Lúcia, continua tendo pensamentos relacionados ao seu filho e ao seu recém falecido aluno, Maicon Douglas, que foi assassinado na porta da instituição em que leciona, no episódio antecessor. A situação não está nada fácil para com a Lúcia, não é mesmo?! O trauma impera em sua vida e, pelo visto, ela não só pensa, mas, também, sonha com tudo o que ocorrera nos últimos tempos.
Para piorar a situação, Jaci decide aumentar a segurança da escola, ao mandar aumentar as grades de proteção da escola. Uma situação apavorante para qualquer frequentador do espaço, vamos combinar. Valquíria saiu de uma prisão para ficar em outra? E a liberdade dos alunos e dos professores? É claro que a segurança física de todos é imprescindível, mas precisava disso tudo, será? A violência urbana sempre foi uma das piores consequências da desigualdade social no Brasil e não poderia ser deixada de lado em Segunda Chamada. Tal fato, leva a gente para a seguinte reflexão: é justo ficarmos presos, enquanto os bandidos estão soltos nas ruas? Não seria bem melhor, se houvesse uma ressocialização dos detentos na sociedade de forma efetiva, como está ocorrendo para com Valquíria, ao invés de grande e de cercas elétricas nos muros? Fiquemos com esses questionamentos.

Já a professora Sônia, de História, não está nada bem, de novo. A nova da vez é em relação ao seu filho Júlio (Eduardo Valenta), que se envolveu em uma briga no futebol. Após receber a notícia do embuste de seu marido, o Carlos, por meio de uma foto, Sônia resolve tomar mais comprimidos tarja preta, na tentativa de se acalmar. Todavia, eles haviam se acabado e ela logo trata de procurar Giraia, seu fornecedor, mas não obtém sucesso com o pedido de mais uma quantidade de comprimidos. Aqui a situação problema se foca em Wallace, coitado, porque o jovem rapaz é acusado de portar os remédios que haviam sido esquecidos no banheiro, por Giraia. Foi bonita a atitude de Marco André, em tentar salvar a pele do aluno inocente, ao dizer que era ele o consumidor do produto, né?! Quem não gostou nada disso foi Sônia, que acaba confessando ao futuro namorado e, quem sabe um dia, marido, que ela era a consumidora. Seria bastante injusto, se Wallace fosse condenado por uma prática que ele não cometeu, ainda mais sendo um ato ilícito. Quando tudo se esclareceu, Sônia desabafa com Marco André sobre a sua real situação: os remédios servem como um escape. Vamos torcer para que a vida dela mude para melhor, a partir de agora, afinal, neste episódio, o nosso novo shippe – #Marconia – se beijou duas vezes. Credo, que delícia! Os dois merecem ser felizes! E, em dezembro, queremos casamento, por favor!
Voltando a falar de Valquíria, a nova aluna é atacada de diversas formas. A primeira é relacionada ao burburinho entre as colegas de sala, ao fazerem fofoca sobre os reais motivos de ela ter sido presa, questionando, até mesmo, a professora Eliete. Um bando de bisbilhoteiras de plantão, obviamente, representadas. Cuidar da própria vida, pelo visto, ninguém quer, né?! Somado a isso, ela sofre preconceito por Joelma, no refeitório, ao ser acusada, injustamente, de ter roubado o celular da jovem. Sem contar, as agressões, desde verbais até físicas. Ainda bem que Eliete chegou a tempo, mas, infelizmente, ela, também, tem um ato bastante preconceituoso, ao tentar vasculhar os pertences de Valquíria, enquanto estavam no banheiro. Que coisa feia, hein, professora de Matemática?! Não confia em seus alunos, não?! Pelo menos, Eliete não só pediu desculpas, como fez um belo de um discurso na sala de aula, ao defender a ex-detenta, que merece uma redenção, uma segunda chance em sua vida. Por conta disso, Aline confessa que o celular estava em sua mochila, provavelmente, colocado, sem querer, durante o momento “salão de beleza” das meninas no início do episódio. Joelma, por outro lado, permanece calada, não se desculpando com a colega. Intragável essa personagem, hein?! Custava se redimir? Já não basta arrumar confusão com os venezuelanos, ela tem que se estranhar com Valquíria, também?! Ah, por favor: essa, sim, é uma aluna que deveria sumir da escola e não Gislaine, aluna que era super dedicada com os estudos. Uma pena!

Outra história marcante que tivemos em cena foi a de Lúcia tentando, da sua maneira, conviver com o luto, tanto pela perda de Maicon Douglas quanto a perda de seu filho Marcelo. Ela queria, porque queria, corrigir a redação de seu aluno. Essa mesma, leitor, que abriu os trabalhos do meu texto lá em cima. De fato, Lúcia não estava bem. A coitada, ainda, resolve ir à casa dele para conversar com a viúva Fátima (Alice Carvalho de Septo) e conhecer o filho doente, chamado Miguel. Foi bonito de se ver a professora querendo ajudar, de certa forma, afinal, ela se sente culpada pelo que aconteceu, uma vez que foi Lúcia quem deixou Maicon Douglas fugir pela janela, na semana passada. Como de costume, Jaci quem vai salvar a sua amada e a pede para devolver a criança nos braços de Fátima. Quando os dois estão andando, indo embora, o diretor resolve suspendê-la das atividades escolares, pois Lúcia não está em condições de dar aula. Por um lado, Jaci está com razão, mas eu acho que vocês, leitores, vão de concordar com a minha humilde opinião: que cara chato, né?! Nossa… As palavras dele para com ela são de extremo machismo. Lúcia está desolada, sem esperança e precisa de ajuda e não de um embuste. Melhore, Jaci, pois está feia as suas atitudes!
Por falar no pai de Leonardo, temos Sônia tentando se justificar para com ele sobre o seu consumo de remédio de tarja preta. De fato, ele não tem, absolutamente, nada a ver com que está acontecendo na vida da professora. Ela tem que resolver isso logo, pois está afetando, tanto a sua vida pessoal quanto profissional. Larga do seu marido e assume, de uma vez, o namoro com Marco André! Se bem que não houve o pedido de nenhuma das partes. Mas eu tenho certeza de que todos irão amar a novidade, aposto!
Enfim, o episódio dessa semana foi um pouco mais morno, em relação aos demais apresentados até agora. Longe de ter tirado a qualidade da série, mas a gente conseguiu dar uma leve respirada na trama. A palavra de hoje é tristeza!

PAUTAS ESCOLARES:
p.s.01: Esse sentimento de culpa que está sendo alimentado por Lúcia, provavelmente, será abordado até o final da temporada. Ela sente que deveria ter dado uma segunda chance para Maicon Douglas. Que dor no coração que ela deve estar sentindo, provavelmente. Estamos torcendo para que você, na medida do possível, fique bem, Lúcia;
p.s.02: Devo destacar aqui a incoerência lembrada pelos leitores Caio Vinícius Viana Lima e Amanda Moreira, em relação ao esquecimento, por parte da produção, sobre a história da Rita, na review passada. Como o aluno Maicon Douglas mereceu uma repercussão pra ele e ela, não?! Será que é por causa de que a temática dela não estava, diretamente, relacionada com Lúcia, a protagonista? Estranhamos e não gostamos disso. Muito obrigado por me ajudarem com os textos, leitores;
p.s.03: Entrevista I: O ator Artur Volpi, intérprete do personagem Marcelo, filho de Lúcia, concedeu uma entrevista ao site OFuxico, do portal Terra. Para ele, o convite em participar de Segunda Chamada foi inesperado. “(…) Fui procurado por produtores de elenco da Globo e fiz testes para o personagem, acabei sendo escolhido depois de algumas etapas”, revelou o ator, que é mais conhecido por ter trabalhados em musicais. Ademais, Arthur disse que se preparou bastante para viver o personagem, lendo livros e assistindo filmes que abordam sobre educação;
p.s.04: Entrevista II: Quem, também, deu uma entrevista foi a atriz Ingrid Gaigher, que incorpora a aluna Aline, ao falar com a equipe do Próximo Capítulo, do site Correio Braziliense. Ela destacou a importância da série para o país, que são abordados nos episódios. “Penso que temas como o sucateamento da educação, o preconceito, a exclusão, entre vários outros, são discutidos na série. Na verdade, são antigos, mas ganharam espaço nesse momento pela urgência de serem discutidos”, afirmou a atriz que, também, pode ser vista em Carcereiros. Ademais, ela falou sobre o futuro de sua personagem na trama. Não deixe de conferir essa leitura prá lá de interessante;
p.s.05: Entrevista III: Já Débora Bloch (Avenida Brasil), a protagonista de Segunda Chamada, falou, sobre a série, no jornal Extra, da Globo. Em 17 perguntas, ela diz várias curiosidades, tanto da sua vida pessoal quanto da vida profissional, como o fato de não se expor nas redes sociais, por achar “cafona”, e o seriado ter sido gravado durante seis meses. “A minha personagem é uma professora muito comprometida com a educação. E ela se envolve demais com os alunos, para além da escola. Ela se mete com os problemas pessoais deles e, isso, acaba lhe causando problemas. Ao mesmo tempo, Lúcia tem uma história pessoal trágica. Ela perdeu um filho adolescente, que era aluno da escola. E ela carrega essa imensa dor”, destacou Débora;

p.s.06: Entrevista IV: Quem, também, concedeu as suas opiniões foram Carla Faour (Além do Horizonte) e Julia Spadaccini (Amorteamo), as criadoras de Segunda Chamada, na aba TV e Famosos, do portal UOL. Elas, segundo a publicação, ‘não tem a pretensão de “resolver a educação” no país e enaltecem a combinação de entretenimento com relevância social’. Ambas, não esperavam essa repercussão positiva, mas sabiam que tinham uma enorme responsabilidade sobre as temáticas abordadas. “A resposta do público era uma incógnita. Professores estão se sentindo representados, e vemos que o público estava preparado para esse tipo de discussão. Está sendo muito revelador. Carolina Maria de Jesus é uma escola de periferia com uma precariedade muito grande, mas vemos que o público consegue reconhecer que ali tem uma representatividade do ensino público noturno”, afirmou Carla;
p.s.07: Ainda nessa publicação, as duas contam curiosidades sobre o processo de construção da história. De acordo com o texto, de Felipe Pinheiro, elas fizeram uma longa pesquisa em escolas públicas da periferia para escreverem as tramas e que, apesar desse laboratório, todos os personagens são fictícios. Elas queriam que os personagens dialogassem com a realidade, na verdade. “Vimos a história de um morador de rua que tinha conseguido fazer faculdade e levamos para a série, que é o personagem [Senhor Sílvio] do José Dumont. A Dona Jurema, também, interpretada por Teca Pereira. O tempo inteiro ouvimos os professores falarem de mulheres mais velhas que eram proibidas pelos maridos de estudar”, contou Julia. Por fim, os autores falaram sobre o episódio do aborto, em que a personagem Rita, interpretada pela atriz Nanda Costa (Segundo Sol), acabou morrendo no hospital. Elas não quiserem levantar nenhuma bandeira em prol do aborto, e sim levarem o público à reflexão;
p.s.08: Entrevista V: Por fim, quem soltou o verbo e contou um pouco de sua vida foi a intérprete de Joelma, a atriz Ariane Souza, de 32 anos de idade, também, para o jornal Extra, da Globo. À princípio, a sua família gostaria que ela fizesse Direito, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), mas, depois, se acostumaram com a formação dela em Artes Cênicas. “Com o tempo, o pessoal de casa foi vendo que eu estava decidida sobre o meu futuro como artista. Aí, eles desistiram de querer me ver como uma advogada”, relatou. Ela conta detalhes quando trabalhou na novela Velho Chico. Confira, clicando aqui;
p.s.09: No quesito Audiência, Segunda Chamada obteve 22,5 pontos no Ibope, na Grande São Paulo (capital), de acordo com o site Notícias da TV, do UOL. Esse valor é um ponto a mais, em relação ao da semana passada, e a série continua na casa dos 20 pontos;
p.s.10: Como de costume, o próximo episódio, o oitavo, da primeira temporada, já está disponível no Globoplay, o serviço de streaming da Rede Globo. Nesse episódio, teremos a adição de Caio Blat (Deus Salve o Rei), na trama, que irá substituir Lúcia na escola, sendo Paulo, professor que se envolveu, amorosamente, com Marcelo, antes da morte do jovem. Imperdível, não é mesmo?! Não vamos perder por nada!














![Segunda Chamada 2×06: Episódio 06 [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2021/10/capa-2-218x150.jpg)
