“Que otimismo? Como é que você consegue dar uma aula mais próximo do normal, quando a gente não tá falando de uma professora que tá indo embora da escola? É uma mulher que foi assassinada na sala de aula! Tem sangue dela ainda naquela sala, Jaci. Não dá pra ser otimista diante dessa barbaridade que a gente tá vivendo! Não é pra ser otimista!” – Eliete, professora.   

Incomensurável. Essa palavra define o que foi a magnitude da 2ª temporada de Segunda Chamada ao ela ter abordado temáticas que, infelizmente, ainda estão enraizadas na sociedade brasileira, caso do feminicídio. Logo, faço a pergunta que não quer calar: Caras roteiristas – Carla Faour (Carga Pesada) e Júlia Spadaccini (Amorteamo) e equipe, vocês têm ideia da importância da representatividade causada na vida de tantas pessoas? Na estreia da 3ª temporada, eu prometo perguntá-las sobre isso, afinal de contas, embora a série tenha ficado no Top 10 do Globoplay por algumas semanas, ainda é tudo muito recente, já que os “cem milhões de uns, todos os dias”, da programação aberta, ainda não foram presenteados com os inéditos episódios.

Por falar nos telespectadores, se o retorno positivo na primeira temporada veio de alunos e, principalmente, de professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA), conforme foi contado na Coletiva de Imprensa, com certeza a lista de feedbacks para com a atual temporada terão, desde os idosos até os indígenas. Sem contar, obviamente, a fala de mulheres que sofreram violência de seus companheiros e conseguiram se livrar do relacionamento abusivo, mas se viram no sofrimento de Sônia e de Leandro (Leandra). No entanto, parentes de mulheres brutalmente assassinadas vão mandar mensagens falando sobre a tristeza colossal empossada em suas vidas, a qual ainda tem a recorrência da impunidade por parte da justiça brasileira, na maioria dos casos. Por fim, espero que as pessoas em situação de rua possam assistir ao seriado – os da série, por exemplo, mesmo dormindo debaixo de um viaduto, assistiam ao Mais Você (1999-atual), apresentado pela Ana Maria Braga, quando Lúcia chegou para da aula particular à Néia – e, quem sabe, agradecer a equipe de produção por conta dessa representatividade tão impactante e sensível. 

Portanto, Globoplay, assim como eu pedi no episódio antecessor, eu faço de novo o mesmo apelo: converse com cúpula da Rede Globo e peça para que Segunda Chamada seja exibida na TV Aberta o quanto antes, por favor! Todos os grupos representados nestes seis episódios merecem ser vistos e, claro, ouvidos. Além disso, destaco que, por mais que estejamos avançado com a vacinação da Covid-19 na população, a quantidade de produtos inéditos é ínfimo comparado ao período antes da pandemia do novo Coronavírus. Isso significa que precisamos de novos respiros – chega de reprises, socorro! -, embora a realidade nua e crua seja triste e, querendo ou não, um tanto desanimadora. Todavia, quando temos a oportunidade de ver uma “luz no fim do túnel”, tudo muda de figura. Tal afirmação se justifica, porque o público deseja, sim, realismo, na televisão, conforme eu já contei na season premiere da segunda temporada, usando como base uma publicação da colunista Patrícia Kogut, do jornal O Globo. Segundo ela, por mais terrível que seja a retratação – na teledramaturgia brasileira – do que vivemos no cotidiano, quando ela é feita de maneira respeitosa e primorosa, caso de Segunda Chamada, o resultado é a aclamação. “Ninguém discute a qualidade artística de ambas [‘Segunda Chamada’ e ‘Sob Pressão’]. Mas o fato de elas fazerem sucesso hoje mostra que os espectadores estão dispostos a acompanhar tramas que refletem o seu dia a dia, por mais terrível que ele pareça”, escreveu. Então, sem mais delongas, vamos ao último episódio da temporada? Preparem o coração:

Ao som da voz incomparável da cantora francesa Edith Piaf, com Non, Je Ne Regrette Rien(1960), significando “Não, Não Me Arrependo de Nada” – mesma música de fundo durante o assassinato praticado por Carlos no episódio anterior -, acompanhamos o enterro da professora Sônia. É óbvio que, com o embalo da canção, eu me emocionei – de novo – juntamente aos personagens, seja com a descida do caixão, seja ao ver os filhos da professora de História e de Geografia, Júlio (Eduardo Valenta) e Giovana (Giulia Benitte de Turma da Mônica – Laços), tristemente órfãs de mãe. Ambos, agora, vão ficar com a avó paterna, afinal, pelo que deu a entender, Sônia não tinha parentes em São Paulo (SP), já que a sua origem é de Pernambuco. E aqui vale ressaltar o jogo das câmeras, muito bem posicionadas para captar todos os detalhes, como o choro dos presentes e a terra sendo jogada na sepultura. Sem sombras de dúvidas, a maravilhosa Joana Jabace (Diário de um Confinado), a diretora artística, realizou um trabalho primoroso, digno de cinema. Só fiquei na dúvida em qual ano ocorreu o feminicídio, pois, na lápide, a rosa amarela deixada por Júlio tampou a numeração depois de 1980. Se eu não estou enganado, deva ser ainda em 2019, talvez?!

Posteriormente à ida ao cemitério, uns dois/três dias depois, pelo que eu entendi, os trabalhos na fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus – nome escolhido em homenagem à escritora negra, considerada uma das mais importantes no país, com o seu livro “Quarto de Despejo” (1960) – tiveram que voltar à ativa mesmo em uma oceânica consternação de alunos e de funcionários. Por falar no segundo grupo, o anfitrião, o diretor Jaci, resolveu escrever um comunicado sucinto e nada emotivo para falar sobre a morte da Sônia. E adivinhem quem deu a resposta que abriu os trabalhos desta minha review? A magnífica da Eliete, com Thalita Carauta (Zorra Total) em estado de graça na sua atuação. Merece toda a nossa admiração, com certeza! Realmente, o Jaci só “pisa na bola” a cada episódio e não iria me admirar se a professora de Matemática terminasse o relacionamento com ele. Aliás, eu iria adorar, afinal de contas tem um tempão que eu estou aqui, no Série Maníacos, reclamando desses dois juntos, sem química alguma. Confesso que me deu vontade de mandá-lo “para aquele lugar” – sim, é este palavrão mesmo que você, caro leitor, deve estar imaginando aí do outro lado da tela -, pois Jaci é um embuste que não faz absolutamente nada, só atrapalha, na verdade. Será que ele entende a colossal gravidade do crime ocorrido nas instalações do colégio no qual ele administra? Provavelmente, não! Porém, as suas alunas, sim, amém! Já, já chegaremos à belíssima homenagem à Sônia.

Por falar na professora, quando dizemos o seu nome, automaticamente nos vem à mente, Marco André, o grande amor de sua vida. Não é pra menos que as últimas palavras ditas por ela foram “Eu te amo” para o docente de Artes em seu último suspiro de vida. Aí, durante as suas recordações por meio dos seus flashbacks, me deu uma vontade imensa de abraçá-lo forte e tentar ampará-lo, tadinho. Uma dor avassaladora, uma revolta gigantesca e uma vontade imensa por justiça! Não só ele, como, também, todos os outros professores – de menos o Jaci, é óbvio -, se sentiram culpados em não proteger Sônia do ataque brutal, que, inclusive, possuía uma ordem de restrição estipulada pela Justiça, que impedia o ex-marido de chegar perto de sua ex-mulher e de seus dois filhos. Contudo, isso não foi suficiente para cessar as agressões do energúmeno. Logo, será que a “justiça alternativa”, por intermédio dos outros presos em matarem o Carlos é uma solução plausível? Eliete, portanto, aconselhou Dé – apelido só para os íntimos, diga-se de passagem – em transformar essa revolta em luta pelo cumprimento das leis brasileiras, já que matando Carlos, via os colegas de Gero, na prisão, não iria trazer a sua namorada de volta, tampouco o “verme” iria pagar pelo crime. Só o tempo para curar a abundante tristeza de não ter tido o noivado, muito menos a felicidade plena de um possível casamento, meu querido. Entretanto, saiba que você não está sozinho, Dé! Nós, fãs, também sentimos e lamentamos a morte de Sônia, tão querida e tão amada!  

Além do pequeno altar dedicado à professora, contendo mensagens carinhosas e fotos, juntamente às frases em prol de uma justiça, antes do início da primeira aula, Lúcia, Jaci e Eliete leram o discurso escrito pelo diretor:

“Como todos sabem, uma tragédia aconteceu aqui na Escola. Nós perdemos de uma maneira brutal a nossa tão querida professora Sônia. A Escola está em  luto, assim como cada um de nós. Esse é um momento muito difícil. Mas, apesar de toda a dor, nós não podemos parar. Temos certeza que a professora Sônia também gostaria que a gente seguisse em frente.”

Ainda bem que, depois do intervalo, as alunas de Eliete foram teimosas e não seguiram a orientação em deixar a homenagem para um momento oportuno, porque Sônia não merecia somente essa meia dúzia de palavras, não. Desse modo, em uma belíssima e simbólica homenagem, elas foram perspicazes e fortes, trazendo dados tristes sobre a violência doméstica: “1314 mulheres mortas no ano passado; a cada sete minutos, uma mulher é agredida; uma mulher é assassinada a cada nove horas; e a maioria dessas mulheres são mulheres negras…” Destaco, desde a redenção de Antônia, personagem com atos questionáveis nos episódios passados, que iniciou os trabalhos perguntando sobre a porcentagem de aumento dos casos de feminicídio no Brasil até os marmanjos da sala, que choraram e participaram a “plenos pulmões” do momento dedicado à professora assassinada. Inclusive, tivemos a aparição do Marco André e da Lúcia, intensificando ainda mais a emoção. Vocês também ficaram a temporada inteira em prantos de choro? Foi de arrepiar ao ver cada vela acesa e cada nome lembrado:

“A gente não pode se calar! A gente não vai se calar! Ninguém mais vai morrer! Acabou! Chega!…

Essas mulheres têm nome, gente. Elas têm sobrenome. E, por trás de cada nome, tem uma história.

– Antônia: Evelaine Aparecida Ricardo:

– Todas: Presente!

– Jociane: Viviane Vieira do Amaral:
– Todas: Presente!

– Evelyn: Yasmin Costa dos Santos:
– Todas: Presente!

– Maria: Mayara Pereira de Oliveira Fernandes:
– Todas: Presente!

– Néia: Luciana Carolina Petronilho:
– Todas: Presente!

– Antônia: Marielle Franco:
– Todas: Presente!

– Eliete: Sônia Gomes Teixeira: Minha irmã, amiga, mãe amorosa, professora incrível. Professora Sônia, presente! Professora Sônia:
– Todos: Presente! (…)

– Eliete Professora Sônia:
– Todos: Presente! (…)”.

Ao mesmo tempo, conhecemos a comovente história de Leandro, que, na verdade, se chama Leandra. Em meio a tantas falas machistas de seus colegas de sala de aula durante os intervalos, os quais – de forma distorcida e errada, é claro – persistiram em colocar a culpa da morte de Sônia na própria vítima, ele acabou contando a sua verdadeira história à Lúcia depois de ter se machucado em uma briga. Tudo começou quando o seu padrasto a violentou sexualmente e, pra piorar, a sua mãe não acreditou em sua palavra. Desse modo, além de ela ter saído de casa, Leandra mudou o visual e passou a se comportar e a se vestir como Leandro, para se proteger contra ataques violentos de homens inescrupulosos e ter, assim, respeito na rua. Da mesma forma que Thalita Carauta, Tamirys O’Hanna (A Felicidade Delas) também estava benevolente no papel, fazendo-nos emocionar do começo ao fim com o seu choro, com o seu sofrimento na pele do personagem. Leandra mudou a sua vida radicalmente por conta da violência contra mulheres! Não há proteção, não há amparo, e sim inobservância das autoridades competentes do nosso país, em que o medo ganha destaque, enquanto o excesso agressões impera em diversos lares pelo território nacional. Isso precisa acabar! As mulheres têm que ser respeitadas! Não dá mais para suportar tal situação de desamparo, de amargura, de desamor!

Em contrapartida, o fofo do Seu Gilsinho, após ouvir por acaso que a Escola iria fechar as portas para sempre acaba se trancando na Sala da Direção. Nem Hélio, muito menos Lúcia, com a sua autoridade como professora, conseguiram convencê-lo a sair e conversar com mais calma. A solução encontrada, então, foi chamar Levi, o neto, que também tentou convencê-lo e acabou conseguindo, amém. E qual foi a maneira encontrada pelo rapaz? Obviamente, por meio da música, pois seria quase um pecado não podermos ouvir a voz do cantor Moacyr Franco (Ilha de Ferro), não é mesmo?! Logo, no embalo das frases da clássica música Ainda Ontem Chorei de Saudade (1988), composta justamente por Moacyr, o jovem Levi conseguiu amparar o avô, prometendo que a formatura dele teria canudo, retrato, roupa nova, do “jeitinho que o senhor espera que seja”, com a promessa – por parte de Lúcia – que isso tudo iria se concretizar, na prática. Por falar docente, Seu Gilsinho ainda cantou Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer(1971), também escrita originalmente por Franco, ou seja, um deleite para todos nós que somos fãs assíduos deste grande artista completo, que vai do humor ao drama com muita naturalidade.

Caminhando para os últimos minutos do episódio, finalmente Marco André revelou à Maria que ele é o seu filho biológico, em um abraço super gostoso, aliado ao choro e ao toque, ambos em demasia. Me faltam dedos nas mãos para contar quantas vezes eu derramei lágrimas atrás de lágrimas ao longo desta 2ª temporada de Segunda Chamada, viu?! Ali, só os dois, no momento mais esperado por todos, em estado de puro amor, não havia a necessidade de julgamento dos motivos que levaram ela a entregar o filho, no passado, e sim a reconciliação entre mãe e filho: “E se ele [o filho sumido] estiver mais perto do que você  imagina?”. Aliás, o quão feliz o Cleiton ficará depois de saber que Marco André é o seu irmão, hein?! O churrasco já está programado e eu espero ser convidado, por favor, risos. Brincadeiras à parte, está sendo super injusto eu destacar um ou outro personagem, porque o elenco como um todo – entre novatos e veteranos – merece ser enaltecido por estes seis episódios de puro brilhantismo. Cada história, cada drama, cada feição de tristeza e de alegria conseguiram conquistar a nossa empatia do outro lado da tela, não resta a menor dúvida. Vilma Melo (Avenida Brasil), como Maria, e Sílvio Guindane (Bom Dia, Verônica), como Marco André, estavam colossais em suas respectivas interpretações!

No final, tivemos Jaci alertando os professores sobre a situação da escola, a qual está bastante comprometida, não sendo apenas uma simples rachadura no teto, como eles haviam pensado, anteriormente. Segundo dados coletados por Flávia, a engenheira, e por João, ambos funcionários da fiscalização da Secretaria de Educação, existem diversos pontos de infiltração que estão danificando a estrutura física das instalações da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, um “personagem” que, assim como os humanos, também faz parte da trama, apresentando feridas e descaso. Caso essas duas características não sejam resolvidas, a Escola continuará mostrando as suas dificuldades, como a falta de reformas em sua infraestrutura e a diminuição de alimentos para o jantar do turno da noite, em consequência da negligência por parte do Poder Público. Com isso, não só o risco de um desabamento é iminente, como, também, a evasão escolar, caso a Instituição de Ensino (IE) seja realmente fechada, porque a maioria dos estudantes ou trabalha ou mora perto dali. Foi tão difícil conseguir novos estudantes, assim como convencer as pessoas em situação de rua de que ali elas poderiam mudar de vida. Dessa forma, Lúcia decidiu arrancar o cartaz de “Interditado”, já que os trabalhos dos técnicos iniciaram de forma descabida e abusiva, ou seja, sem a participação do corpo docente e discente escolar.

E, diante de tal situação tendenciosa, os alunos – inconformados, é claro – tomam frente e realizam o movimento do “A Escola É Nossa!”, muito forte no Brasil, em 2016, na qual várias escolas e universidades públicas foram ocupadas por estudantes contra um teto que estabelecia limites para os gastos públicos na Educação, juntamente à reforma do Ensino Médio. Na época, o movimento mobilizou 19 estados brasileiros, em torno de 1000 IEs ocupadas, e a aplicação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o famoso ENEM, por exemplo, ficou na probabilidade de não ser aplicada naquele ano, conforme noticiou o telejornal Bom dia Brasil, em outubro de 2016. E o quão orgulhoso eu fiquei com Wallace justamente por ele ter puxado a fila ao dizer que não estava com nenhuma pressa em sair da escola? E olha que ele quase abandonou os estudos por ser cadeirante no quarto episódio, vocês estão lembrando?! A plenos pulmões, então, todos ajoelham no pátio e entoam o lema de que “A Escola É Nossa!” na tentativa de proteger e de não abandonar, jamais, em hipótese alguma, a Escola Estadual Carolina Maria de Jesus. Pasmem: até o pedante do Jaci aderiu ao movimento, gente! E, assim, o episódio termina com um cliffhanger, o famoso gancho, pra lá de simbólico: a possível ocupação da escola!

BALANÇO DA TEMPORADA:

Segunda Chamada – forte e necessária – pode até ter nos entregando pouco episódios comparados à temporada antecessora, mas, com certeza, eles vieram tomados de emoção e de reflexão em diversas pautas pertinentes, relacionadas a diversos grupos: os indígenas, os LGBTQIA+, os idosos, as mulheres e, principalmente, as pessoas em situação de rua, que foram prontamente humanizados, recheados de histórias, de lutas e de sonhos, uma tríade inspiradora. Todos eles vivem à margem da sociedade brasileira, os quais vivem com muitos preconceitos e diversas negações em seus cotidianos. Portanto, colocar todos os personagens no papel de protagonistas de seus próprios dramas é uma reparação importantíssima em apoio àqueles que morrem assassinados todos os dias. Essa realidade degradante é retratada corriqueiramente nos jornais, seja por conta da violência gratuita e inescrupulosa à sangue frio, acometidas em indígenas, em LGBTQIA+ e em mulheres, seja mediante aos maus-tratos, tanto às pessoas em vulnerabilidade nas ruas, que falecem em função do frio exacerbado, quanto aos idosos, muitos açoitados por tapas e por falta de alimentação na casa de seus filhos e, até mesmo, em casas de repouso, pra não dizer asilo.

Logo, em cena, todos ali ganharam voz e vez e eu acredito que, se o número de episódios não tivessem sido reduzidos em virtude da pandemia do novo Coronavírus, com certeza, outros embates seriam retratados. Isso tudo, é óbvio, de forma alguma tirou o brilhantismo da temporada que faz jus ao nome da série, sendo um ano de resistência e de resiliência, isto é, uma Segunda Chamada, uma segunda chance para toda a produção da série. Vocês estão de parabéns! Roteiro, direção, elenco, figurino, cenografia, trilha sonora e tantas outras categorias, que estão irretocáveis, maduras e esplendorosas. Merecem todas as possíveis premiações que vem por aí e, em especial, eu espero que a indicação e a estatueta do Emmy Internacional 2022 estejam na mão de vocês, amém!

Em meio a tantas tragédias, preconceitos e conflitos entre os alunos, todos, de forma unânime conseguiram perceber que o único caminho para uma possível mudança, além da união entre as partes, ou seja, do coletivo, é a educação pública, tão carecida de investimentos. Realidade e ficção chegam a se confundir e, querendo ou não, a se somar, em meio a essa profunda imersão que o telespectador acabou sendo inserido ao longo dos seis episódios. E o resultado disso não poderia ser outro: ocorre – de fato – uma reflexão e uma compaixão transcendental das mazelas apresentadas, pois a esperança nunca é esquecida e o inserimento das pessoas em situação de rua é só o início de uma grande jornada em prol à cidadania! Diante da diversidade cultural e social elucidada no seriado, em uma narrativa orgânica, envolvente e crítica acerca das diversas pautas contemporâneas já citadas, eu repito o que eu já disse aqui, no Série Maníacos: Segunda Chamada é o melhor produto da teledramaturgia brasileira, em 2021. Merece todos os aplausos possíveis, afinal de contas, mais atual que tudo isso, impossível!

Agora, com um “gostinho de quero mais”, resta-nos torcer para que a Sob Pressão da Educação” seja renovada para a 3ª temporada de modo a continuar retratando os dramas e as dificuldades relacionadas à Educação de Jovens e Adultos (EJA). A escola será ocupada? Até quando Valdinei e Tatu poderão continuar residindo no “quartinho” improvisado? Aliás, ele conseguirá adotar o garoto? Eliete terminará de vez com Jaci? Os estudantes vão se formar? Pela força de “todos por um e um por por todos” é inegável que o canudo será levantado com muita alegria por eles e, assim, quem sabe, um dia, a EJA – considerada o patinho feio da educação brasileira – possa se transformar em um “lindo cisne”, de “asas abertas” para acolher e transformar vidas. Nós, fãs da série, estaremos obviamente assistindo e enaltecendo com muito orgulho, seja no Globoplay, seja na TV Aberta!

PAUTAS ESCOLARES:

p.s.01: Homofobia, Acessibilidade, Maternidade, Desigualdade Social, Trabalho Infantil, Analfabetismo, Alcoolismo, Feminicídio, Fome, Racismo, Preconceito, Segregação, Liberdade de Expressão, Alzheimer… Ufa! Foram muitas as temáticas e, de forma incrível, sim, houve espaço para todas elas ao longo da temporada;

p.s.02: De certa forma, Lúcia se sentiu culpada ao ter – de certa forma – aconselhado Sônia em alertar Dora sobre os atos violentos de Carlos, no episódio passado, e, logo em seguida, a sua amiga falece de forma desumana. Não, professora. A culpa é unicamente do “verme” inescrupuloso do Carlos. Sônia, guerreira, deixou um legado: salvou a vida de outra mulher!;

p.s.03: O lenço foi o meu companheiro inseparável ao longo dessa jornada do segundo ano de Segunda Chamada, caros leitores. Quem aí chorou abundantemente, também?!;

p.s.04: Patrícia Kogut deu Nota 10 “para o núcleo de personagem em situação de rua” dizendo que eles “brilham”. Não tem como discordar, não é mesmo?!;

p.s.05: Por gentileza, que aí encontrar a lista completa da trilha sonora da 2ª temporada no Spotify, por exemplo, me manda, hein?!;

p.s.06: Pode-se dizer que as autoras pegaram leve com as pessoas em situação de rua, porque não apareceu nenhum viado em drogas ilícitas, tampouco algum com doença mental. Acredito que isso deva ter sido proposital, já que a grande maioria da sociedade pensa que todos os indivíduos em situação de vulnerabilidade nas ruas possuem as duas características mencionadas;

p.s.07: Por falar no grupo, foi uma pena ver o gigante do ator Flávio Bauraqui (Falas Negras) ter ficado apenas em um mero papel de figuração, provocado – eu imagino – pela diminuição do número de episódios;

p.s.08: Aliás, quem ficou em segundo plano, somente na sugestão, foi o romance entre Lúcia e Hélio. Uai, eu noticiei aqui, no Série Maníacos, que os dois iriam emplacar um polêmico romance entre aluno e professor. Cadê o beijo? Cadê os amassos? Cadê o amor? Olha que o Hélio chamou a professora para tomar café por duas vezes e não teve jeito: o coitado “ficou com Deus”. Favor continuarem com tal plot na próxima remessa de episódios, roteiristas!;

p.s.09: Em meio à espinhosa arte de ensinar, recheada de todos os problemas elencados sobre a EJA, Lúcia continua personificando a esperança que falta na vida de seus alunos, em uma eterna sensibilidade no ato de escutar. É ou não uma magnífica professora?;

p.s.10: Gostaria de agradecer, de todo coração, ao leitor Augusto César, que gentilmente me ajudou a escrever as reviews, de certa forma, assim como as de Sob Pressão, também;

p.s.11: Seguindo essa linha de raciocínio de agradecimentos, gostaria de dizer o meu muito obrigado às criadoras, à produção e ao elenco, que gentilmente me responderam com muito carinho nas redes sociais. Que dia eu iria imaginar em conversar com Júlia Spadaccini e com Carla Faour, ambas autoras do seriado, e, ainda por cima, receber elogios pelos meus textos? Jamais! Fico muito grato e feliz com isso. Espero que a parceria continue para as próximas temporadas, pois a amizade já foi formada!;

p.s.12: Pedido 01: Por falar nisso, por gentileza, desejo que a terceira temporada tenha, no mínimo, uns 20 episódios para compensar a falta dos seis (6) episódios cortados inevitavelmente deste segundo ano, pode ser?!;

p.s.13: Pedido 02: De lembrança, eu quero um uniforme da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, por favor, hein?! Com esse time de professores, com certeza, as pessoas são aguçadas a quererem mudar de vida por meio dos estudos!;

p.s.14: Pedido 03: Além de todas as homenagens já feitas à professora de História e de Geografia, espero que o nome dela fique eternamente na Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, com a nova nomenclatura do espaço cênico intitulado de Teatro Professora Sônia Gomes Teixeira. O que me dizem dessa ideia?;

p.s.15: Pedido 04: Sem querer abusar da boa vontade de vocês, peço só mais um item não menos importante: o retorno dos depoimentos reais de professores e de alunos da EJA, sempre muito emocionantes, lá na primeira temporada, diga-se de passagem;

p.s.16: Questionamento 01: Inclusive, eu estou curioso aqui: alguma escola da EJA, na vida real, acolheu pessoas em situação de rua, como na série, ou foi uma ideia totalmente original de vocês?;

p.s.17: Questionamento 02: Cadê o bonito do Leonardo (Leonardo Bittencourt de A Menina que Matou os Pais), o seu filho, Jaci? Você nem ao menos citou o nome do jovem nos episódios, e olha que ele decidiu voltar aos estudos ainda na 1ª temporada. Será que ele ficou com a mãe? Ainda dá tempo de recuperar, eu acredito, afinal o ano letivo ainda não acabou;

p.s.18: Quem também agradeceu ao elenco e à produção foi a Joana Jabace em suas redes sociais. Em cada publicação, ela enalteceu o trabalho de grande parte do elenco e do pessoal envolvido nos bastidores. Cada frase escrita mostra a força da coletividade para fazer com que desse certo esse trabalho que demorou um ano e meio para ser lançado. Novamente, parabéns a todos! Vocês foram fantásticos! Para quem não sabe, as filmagens foram rodadas 100% em locações da cidade de São Paulo (SP), ou seja, nada foi feito nos Estúdios Globo, por exemplo;

p.s.19: Por fim, gostaria de agradecer imensamente a todos vocês leitores que me acompanharam nessa jornada, desde as diversas notícias até as seis reviews sobre a 2ª temporada de Segunda Chamada. De nada vale ter escrito, sem a presença de vocês, inclusive nas redes sociais! Muito Obrigado! Espero ver todos em 2022, na terceira temporada, hein?! Enquanto isso, ficaremos, é óbvio, com saudades de todos esses personagens cativantes;

Original Globoplay, em parceria com a O2 Filmes, Segunda Chamada é uma série da TV Globo, criada por Carla Faour, Júlia Spadaccini e Jô Bilac (Conselho de Classe), com Maíra Motta (Detetives do Prédio Azul), Giovana Moraes (Tamanho Família), Marco Borges (Cidade Invisível) e Dino Cantelli (Filhos da Pátria) auxiliando no roteiro.

Ademais, o seriado conta com direção artística de Joana Jabace, direção geral de Pedro Amorim (Me Chama de Bruna) e direção de Henrique Sauer (O Outro Lado do Paraíso).

Ainda não há informes de quando os episódios inéditos serão exibidos na TV Aberta. Enquanto isso, o primeiro ano do seriado encontra-se disponível no catálogo do Globoplay.

REVISÃO GERAL
Nota:
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segunda-chamada-2x06-episodio-06-season-finale‘Segunda Chamada’ conseguiu reforçar a importância da educação na vida das pessoas, juntamente ao debate de pautas pertinentes do Brasil, como o feminicídio e a necessidade de acolhimento à população de rua. Viva a Educação! Viva ‘Segunda Chamada’!