Não basta a coroa, é preciso aprovação total.

A sexta temporada da Drag Race tem muitos dos mais icônicos momentos da história do show; e um deles diz respeito à relação de Joslyn Fox com seu grande ídolo, Courtney Act. Grande admiradora do trabalho de Act, Joslyn começou a temporada animada com a possível interação entre elas, mas foi obrigada a amargar uma dura realidade: a de que Courtney não sentia o mesmo. Pouco a pouco, a busca pela aprovação do ídolo se tornou uma busca pela desconexão. Joslyn precisou aceitar que não obteria a recíproca e que não poderia confiar em uma colega que não respeitava sua arte. Ela nunca confrontou Courtney de maneira agressiva, mas a mágoa esteve ali rondando o set.

O caso de Vivienne e Divina é mais grave justamente porque essa agressividade passou a existir. E precisamos confessar, a temporada UK estava precisando de algumas pequenas doses desse ingrediente interpessoal. Mesmo que o talento e a competência sejam o mais importante, nenhum reality show tem vida saudável sem um pouco de drama. As meninas britânicas tinham potencial para grandes demonstrações de talento, mas vinham diplomáticas demais na distribuição de shades. Elas têm um ritmo diferente, sabemos disso. Mas, mágoa é mágoa em qualquer lugar do mundo e a de Divina com Vivienne é notória.

Diferente do que aconteceu entre Joslyn e Courtney, não há uma relação direta de ídolo e fã. Mesmo assim, é perceptível que Divina se importa com a opinião de Vivienne porque tem admiração por ela. Vivienne ascendeu como a favorita, recebeu muitos elogios, se tornou uma referência dentro da competição. E o mais importante: isso era esperado dela. Divina tinha mais para provar e quando provou, esperou que o reconhecimento viesse. De todas. A questão é que a personalidade de Vivienne está inebriada de si mesma e o que ela sabe sobre Divina fora da corrida, ficou à frente de qualquer progresso. No confronto, Vivienne preferiu manter sua antipática austeridade e seguiu diminuindo os feitos da colega.

Holy Water 

Com apenas cinco meninas, Ru apresentou desafios clássicos das temporadas americanas: o jogo da memória de cuecas e a produção de um comercial. Os dois funcionaram. Aparentemente, a produção parece ter encontrado um norte a partir do meio da temporada, adequando melhor a edição de imagens e se aproximando do que conhecemos do programa. O humor das participantes ainda não é tão detectável, mas a especificidade do desafio serviu para nos aproximar da sagacidade delas. Ou talvez tenha sido apenas a presença de Katya, que apareceu para dar conselhos de empoderamento. Katya, como bem disse Ru, é realeza. Não existe nenhum contexto em que ela  seja menos que maravilhosa.

Coincidentemente (ou não), a presença de Katya se correlacionava com a confissão de Vivienne sobre ter sido viciada em drogas. O momento foi importante para o programa como um todo, mas serviu também para humanizar a participante e mostrar certa fragilidade. Essa primeira edição UK não tem uma vilã objetiva como Phi Phi, Roxxxy Season 5, Vixen ou Silky; mas, The Vivienne é uma candidata viável para flertar com a posição. Foi bacana ver a sala de edição dando atenção para essa faceta dela, já que até agora sua pretensão e esnobismo foram as únicas que passaram pelo crivo dos recortes.

Também foi uma semana importante para Cheryl, que também conheceu um ídolo (olha aí tudo se correlacionando) e que teve a sorte de não ter seu ideal destruído. A web também chegou a ficar alvoroçada com a pequena rusga entre Michelle e Cheryl (a cantora), mas as duas já começaram a abafar os rumores. Cheryl (a participante) teve muita sorte, porque seu inevitável bottom aconteceu na semana em que ela dominava a música do lipsync completamente. Confesso que torci para ver Baga na posição só porque ela veio com aquela postura bizarra de não ter aprendido a letra. Mas, não podemos dizer que não foi um bottom justo. Justa também foi a eliminação. Blue é muitíssimo querida, mas o nível de Divina, Vivienne e Baga está anos luz à frente.

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Ainda acho que um double safe está para surgir e talvez o desafio makeover seja o ideal para o ato de misericórdia. Aliás, se há uma chance da temporada UK cair no gosto do público de vez é no desafio makeover. Assim como a mágoa é mágoa em qualquer lugar, o amor também é. Espero que a próxima review seja o reflexo direto de todo o afeto que os makeovers podem produzir.

REVISÃO GERAL
Nota:
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rupauls-drag-race-uk-1x06-thirsty-werkAinda acho que um double safe está para surgir e talvez o desafio makeover seja o ideal para o ato de misericórdia. Aliás, se há uma chance da temporada UK cair no gosto do público de vez é no desafio makeover.