Com vocês, o primeiro Snatch Game da Drag Race UK.
O Snatch Game talvez seja o momento mais controverso da estrutura da Drag Race. Sejamos francos, RuPaul superestima imensamente o quadro, que realmente serve para testar o comprometimento e o talento de interpretação das meninas (além do improviso). Mas, esse mesmo quadro também remonta a um tipo de game show ultrapassado que aqui no Brasil só o Silvio Santos ainda faz. Tanto que Ru tentou emplacar um similar a sério e não deu em nada. O Snatch Game não teria graça nenhuma se não fosse pelas celebridades imitadas pelas participantes. Ele ganha vias de interesse até mesmo quando elas não acertam, porque Alyssa não sabendo nada de Katy Perry e Roxxxy não sabendo nada de Alaska não deixa de ser engraçado.
A versão UK me preocupava não só porque seria a primeira, mas porque o humor britânico que estamos acompanhando no show não é dos mais exuberantes. O medo era também ver um monte de celebridades britânicas que não nos alcançam – o que sempre acontece quando as meninas das temporadas US escolhem personalidades de reality show. Pra nossa sorte, não foi isso que aconteceu e a primeira edição do Snatch UK deu certo. Havia um grande número de “celebridades perdidas”, mas Alaska, Jinkx e Dela já tinham feito escolhas não muito populares que funcionaram porque foram bem executadas.

Não posso deixar de pensar em qual personagem Vinegar teria escolhido, mas sua saída foi correta e necessária. Do jeito que ela ia, ser afundaria cada vez mais num poço sem volta de dúvidas. É mais ou menos o que acontece com Sum também. Até o momento, havia três participantes muito fortes: The Vivienne, Baga e Divina. Agora, depois do desastre promovido por Divina no Snatch, Baga e Vivienne ganharam certa vantagem. A coisa toda já começou a subir à cabeça de Vivienne, mas é impossível não reconhecer o nível de competência que ela tem apresentado. Sua personificação de Donald Trump foi melhor que a de qualquer um que eu tenha visto, incluindo a já ótima do Alec Baldwin.
Depois de todos esses anos, algumas escolhas ainda parecem insanas e personificar Julia Child continua sendo uma delas (junto com Gaga e Beyonce). Gemma Colins foi uma das outras escolhas duvidosas. The Vivienne chegou ao apogeu com Donald Trump (o Presidente, kind of). Assim como Trinity exagerou sua versão de Caitlin Jenner, Baga também caricaturou ao extremo a figura de Margareth Thatcher. Mary Berry e Rue ficaram naquele limbo das migalhas de atenção (Ru gostou de Blue, mas aquelas eram referências muito específicas) e o tal de Sir David foi outro completo desastre. Se for pra fazer um homem tem que haver excelência, como Dela e Kennedy tiveram em suas respectivas temporadas. O primeiro Snatch Game da temporada UK foi bem sucedido justamente porque Vivienne e Baga não foram menos que excelentes.

O desfile foi bem forte. Blue estava incrível com aquele olho pintando no rosto e a roupa de Divina ajudou-a muito a causar uma impressão melhor. The Vivienne estava mais uma vez muito polida, mesmo com a roupa meio larga. O detalhe do nariz foi espetacular. Baga estava surpreendentemente interessante na passarela e por isso, a vitória dupla da noite foi bastante justa. Já o lipsync de Sum e Crystal foi como tem sido os lipsyncs até agora: meio bagunçados, sem um raciocínio criativo, sem uma história sendo contada. Qualquer uma das duas poderia ter saído porque nenhuma delas foi memorável. Mas, saiu Sum, que já andava fazendo hora extra faz bastante tempo.
Girl Groups
Sem dúvida houve um mal entendido de planejamento na temporada e Geri acabou no episódio do Snatch ao invés de no episódio dos grupos femininos que se desfazem quando alguém vai embora. A presença dela nesse episódio faria muito mais sentido, mas enfim… Com poucas meninas o desafio da “leitura” acabou vindo já no episódio 5, quando elas são apenas 6 no ateliê. E como era de se esperar, a sessão de gongo foi um pouco fria, quase como se o sotaque britânico fosse à prova de humor. Havia algumas coisas interessantes, inteligentes, mas depois do Reading Challenge do All Stars 2, ficou difícil para qualquer uma.
O episódio correu bem, sem maiores picos, o que também é um problema da versão UK: Não existem tensões. Geralmente, o momento de gravar com o produtor que vai fazer as faixas é tomado de certa desconfiança e energia negativa. Na Drag Race UK tudo é extremamente controlado. Até quando elas são passivo-agressivas, é com controle. Então, lá vamos nós de novo prestar atenção ao trabalho, mais do que aos bastidores, o que deveria ser, obviamente, a coisa natural a ser feita. Estranhamente, ser apenas profissional não parece ser o suficiente para nossos corações.
Contudo, o que se diz no ateliê sobre a vida segue sendo igual, não importa de onde vieram aquelas pessoas. O depoimento de Divina sobre como é tratada nas escolas em que trabalha foi muito inspirador e comovente. As dores são as mesmas dores, não importa qual a geografia. As salas de aula hoje em dia estão tomadas de um desinteresse pelo que não é digital, mas bem perto dos celulares existem corações que ainda podem ser acessados. É muito importante que o respeito à diversidade e ao próximo seja ensinado junto com conteúdos, não importando o nível de polarização da sociedade.

Surpreendentemente, tanto a apresentação quanto o desfile foram muito bons. Ainda que o grupo de The Vivienne não tivesse ido bem, a gravação delas ficou ótima. Foi bom ver The Vivienne baixando a bola, com aquela cara feia de “eu não devia estar aqui”. Fiquei comovido com Baga e ela, de repente, ganhou uma camada nova pra mim. Sua roupa estava mais uma vez ousada. Mas, ninguém supera o look DESLUMBRANTE de Divina. E que música boa. Terminei de ver o episódio e fui direto para o Spotify. A última vez que isso aconteceu foi com os mashups de Bitch Perfect, lá na oitava temporada.
A vitória tripla do grupo de Baga pesou as possibilidades para as outras, mas Vivienne precisava dessa. Era evidente que Crystal não tinha chances, sobretudo depois que arrancou o chapeu e tinha aquela linha de peruca horrorosa por baixo. Foi um episódio importante não só porque mostrou um pouco mais do que ela são capazes de fazer, mas porque reajustou as expectativas. Agora é Baga quem está na linha de frente. Com apenas 5 meninas na corrida, prevejo um double save vindo de algum lugar ou mesmo o retorno de alguma participante. Sabemos que essa será uma temporada menor, mas se ela também for ter um desafio de makeover, há meninas de menos para que ele seja representativo.
Quando essa review dupla sair, o episódio 6 já terá ido ao ar. Aí então falaremos sobre até onde a edição só nos enganou ou a briga entre Vivienne e Divina realmente aconteceu. Precisamos de sangue nessa temporada. Não dá pra ser Drag Race sem esse elemento vermelho fustigante. Até lá.














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