O All Stars 5 está acabando pautado em talento, mas reforçando a fraqueza de sua nova dinâmica.
Já disse a vocês em vários outros textos que acho o All Stars incrível justamente porque ele é um terreno de experiências. Adoro a loucura, a imprevisibilidade, a forma insana com a qual tudo se movimenta a favor do drama e do jogo. Experimentar nesse cenário é importante e é mais importante ainda deixar em aberto o direito de manipular essas experiências. Quando essa temporada começou, Ru disse que as antigas regras estavam suspensas “para sempre”, o que é uma imensa cilada, já que muito do que aconteceu esse ano (sobretudo com os lipsyncs) precisa de revisão. Ao final desse texto falaremos mais disso. Por hora, vamos do começo.
Depois da mensagem provocativa de India no ateliê, o clima ainda era de desconfiança. Alexis se salvou da eliminação, mas não se salvou do escrutínio. O fato é que todo mundo estava com medo de dizer em voz alta que não acreditava nela, quando sabemos que elas não acreditavam. A eliminação de India teve pouco a ver com a treta e muito mais a ver com a realização de que depois de quatro bottoms, já era hora de dizer adeus. Alexis não escapou porque convenceu, ela só escapou porque havia alguém pior do que ela. Isso ficou muito claro e comprovado quando esse episódio 6, bastante regular, terminou.
Digo regular porque enquanto o tempo de ateliê foi bastante interessante, o desafio em si não me empolgou. Vou ser bem honesto a respeito de uma coisa: saber que não teremos Ruvenge me desanimou bastante. Foi uma decisão esquisita, considerando o tanto de drama que as voltas de Derrick, India e da própria Alexis poderiam provocar (mesmo que o retorno no final seja garantido, não é a mesma coisa). É como se faltasse alguma coisa para que esse All Stars fosse o All Stars. Termos somente oito episódios também não ajudou muito. O desafio com material não-convencional é ótimo, mas aquela coisa de inventar personagem pro churrasco da família RuPaul não teve o apelo que eu esperava.
Mas, ver Juju querendo encontrar a carta que India não deixou para ela foi engraçado. Já a carta que India deixou para Alexis foi, no mínimo, intrigante. A emoção dia, contudo, não ficou por conta desses recadinhos fofos. A passagem de Ru pelo ateliê foi emocionalmente brutal. Já amamos Shea porque ela é incrível como artista e como pessoa. Vê-la chorar daquele jeito é de cortar o coração. Além disso, nada me conforta mais do que Ru sendo vulnerável, chorando, se envolvendo. Então, logo depois de sermos destruídos por Shea, lá veio Jujubee terminar o serviço. Sua história de vitória sobre velhos hábitos auto-destrutivos precisa ser contada naquela sala, onde o estilo de vida louco e noturno muitas vezes é bastante glamourizado.

Cracker estava realmente linda e foi quem usou melhor os materiais não-convencionais. Ela, Jujubee e Shea são uma trindade especial nessa temporada, mesmo em suas falhas e defeitos. Não à toa, Cracker e Jujube fizeram questão de agradecer pela ajuda de Shea, o que só me fez lembrar o papelão lamentável de Bebe no episódio em que não mencionou a ajuda de Aja. Achei, sinceramente, que Blair tinha o look menos interessante da noite e a teria eliminado. Para mim ela era o bottom; e vamos deixar outra coisa clara aqui: colocar todo mundo no bottom é inadmissível. É outra das mudanças dessa temporada que não ajudam o jogo a fluir como fluiu nos outros anos. Se você trabalha bem você pode não ganhar, mas se salva. Esse cenário atual aniquila o sucesso das meninas de forma negativamente injusta.

Me deu mais vontade ainda de eliminar Blair depois da carteirada do “ah, mas Cracker é minha amiga”. Cracker, aliás, nos fez perder a respiração quando fingiu que ia pegar o batom de Shea. Esse momento de humor reafirma as qualidades da participante. Mas, vencer de Roxxxy seria realmente muito difícil (aliás, incrível como ver Roxxxy agora só me faz pensar em coisas boas sobre ela… sim, o All Stars tem poderes). Aquela canção de Ariana demanda uma energia erótica que Cracker ainda não sabe canalizar. Roxxxy fez um novo ruveal, sacudiu tudo e venceu. O batom de Alexis foi anunciado e continuo achando que não foi a decisão certa.
Stand Up
Cracker começou de novo fazendo a gente perder a respiração ao sugerir que tinha escolhido outro nome. De fato, havia outro nome que merecia estar na maioria daqueles batons e era o de Blair. Não porque não gostemos de Blair, pelo contrário. Blair voltou segura, forte; e isso merece todo nosso respeito. Mas, Alexis teve uma passagem mais competente e mesmo que seja considerada uma drag “old school”, ela sempre faz tudo de modo muito polido, correto. O Top 4 com Alexis pareceria um pouco mais coerente com as posições das outras meninas. Cracker, Shea e Jujubee deram um show e enquanto Alexis esteve no bottom duas vezes sem nenhum merecimento, Blair já não poderia dizer a mesma coisa.
O desafio do StandUp é um daqueles que a gente gosta muito. É sempre bom ver as meninas jogando um shade nos jurados e nas colegas. E como sempre, a ordem das apresentações era decidida por quem ganhava um desafio anterior. Cracker fez exatamente o que eu esperava dela: foi sincera ao dizer “sim, eu vou complicar a vida de vocês”. Estava certíssima. Isso não é querer ferrar ninguém, é dançar conforme a música, é agir como um braço momentâneo da produção, já que quem for bom mesmo, não vai ser atingido por isso. A prova é que Shea, que ficou tão insegura, acabou indo muito bem, enquanto Blair, que arrasou no ensaio, não aguentou a pressão da plateia ao vivo. Shea é uma drag que não se intimida, independente do contexto. Blair ainda não tem essa maturidade.

Jane Krakowski é maravilhosa, incrível, não há outra definição possível para essa deusa da comédia que já me enlouquecia em Ally McBeal, zilênios atrás. O que eu não entendi foi porque as reações de Jujubee, Blair e Cracker foram mostradas e a de Shea, não. Mas, novamente a experiência da derrota para Sasha Velour na nona temporada apareceu como ponto de tensão e fragilidade para ela. E não, isso não é estranho. Precisamos nos lembrar que a nona temporada foi a primeira a fazer a batalha de lipsyncs e muita gente – incluindo Shea – achou que aquela era só uma firula da final, que a vencedora estava decidida e nada mudaria isso. Shea – e todos nós – tínhamos certeza que a vitória seria dela. O trauma foi grande e foi coerente com o tamanho das expectativas traídas nessa situação.
Em geral, o desafio foi frio. A apresentação de Blair, virando as páginas do caderninho, foi tão gelada que isso talvez tenha afetado o resto todo. Decorar as falas ajuda muito no ritmo, o que deu a Shea mais um ponto. A passarela também não teve um tema dos meus preferidos, mas valeu por ver Cracker chamando Jujubee de Vivacious. Cracker venceu e mostrou que jogar é sim muito importante e muito válido, sobretudo se for sem dissimulações. Com dissimulações também tá valendo, mas muita gente não entende ainda a dinâmica de um reality show em que uma competição está envolvida. Outra grande jogada teria sido eliminar Shea, mas provavelmente nem Naomi Smalls teria coragem de fazer isso. Blair era a única opção. Aquela apresentação foi mesmo hedionda.

Mais hediondo que isso só o lipsync. Aqui nós vamos reforçar uma coisa: a ideia da participação da Lipsync Assassin NÃO DEU CERTO. O All Stars tinha duelos incríveis justamente porque as duas meninas lutavam para vencer o direito de eliminar e para ganhar o dinheiro. Com a Assassin em jogo, não tem sentido. Alyssa e Kennedy deram a vitória para as oponentes de forma consciente e isso pode acontecer nas temporadas seguintes TODAS as semanas, depois que as ex-participantes negociarem entre elas para não tirarem de quem está no All Stars vigente, a chance de embolsar a grana. É uma regra maluca, estúpida e que resulta em dublagens toscas como essa. A música não ajudava em nada, mas mesmo que fosse Madonna, Kennedy não iria se esforçar.
Blair foi embora e o episódio terminou com RuPaul atendendo uma ligação fake em que algum twist era informado para essa semana. Já sabemos que as meninas voltam, mas é possível que a ligação tenha a ver com a forma como a vencedora será escolhida, o que pode tirar o sono de Shea novamente. Dessa vez, Cracker e Jujubee estão muito próximas dela no que diz respeito ao desempenho e é provável que seja esse último desafio aquele que vai “desempatar”. Eu mesmo ainda não sei o que pensar. Gostaria que Shea vencesse porque seria como uma correção no curso de uma vitória dada como certa lá na Season 9. Mas, Cracker arrebentou e Juju renasceu – em vários sentidos.
Enfim, a verdade será conhecida em breve. E vocês? Vocês são TeamShea, TeamCracker ou TeamJujubee?

RuNotes: O quão chocados vocês ficaram ao saber que entre um desafio e uma passarela, as meninas tem 30 minutos pra se trocarem?
RuNotes 2: Jujubee e Shea tiveram um momento intenso no Untucked. Nenhuma delas queria eliminar Blair, mas era necessário eliminar Blair.















