A eterna confusão entre ser honesta e ser grosseira é o que permeia boa parte das tensões na corrida das drags.
Ser drag é mais que ser artista, é também uma questão de atitude. O humor ácido, provocativo e alguma dose de honestidade brutal fazem parte das competências de uma “rainha”. Todos nós sabemos disso e sabemos também que esse é o caminho ideal para conquistar ou repudiar a audiência. Bianca Del Rio, na sexta temporada, conseguiu a resposta perfeita do público. Já outras como Phi Phi, Raven, Ginger, entre outras, dividiram as opiniões e tiveram que lidar com a rejeição de grande parte das pessoas. É limítrofe mesmo, difícil de identificar sem ter sensibilidade, mas é necessário por ser belo também. A inteligência de uma drag é medida em tudo e por isso a corrida é um dos melhores programas que temos na televisão dos dias de hoje.
Talento desculpa muita coisa, enfim. Quando o shade é muito pesado, o talento de quem joga pode amenizar o impacto. Aqui estamos falando de Gia Gunn, que por histórico não tem NADA a oferecer para a arte drag ou mesmo para os livros de registro da competição. Ela é uma bolsa gigante e uma personalidade desagradável, apenas. Em sua temporada – a sexta – ela saiu cedo e sem ter absolutamente nenhum momento de grandeza. Ela não tem looks inesquecíveis (talvez o da première do All Stars seja), não tem performances inesquecíveis e sua imagem para o casting da corrida é jocosa, nonsense, baseada em opiniões que ela tem sobre si mesma que quase nunca correspondem à verdade.
Gia é corajosa, devemos admitir… Ela não tem medo do que vão pensar dela quando sai com sua metralhadora giratória de insultos que muitas vezes ela atira sem que a “vítima” saiba que estão por vir. Assim como Phi Phi ela escolhe um alvo e vai minando sua segurança com comentários negativos que envolvem talento e com conversas tensas que visam provocar desestabilização. Há duas diferenças, contudo. Phi Phi dissimula e escolhe alvos fortes, Gia não faz a “boa moça” e tenta chutar cachorro morto. Ambas falham em inteligência emocional e ambas culpam o resto do mundo por não compreendê-las. Mas, falta autoconhecimento e, sobretudo, caráter. A insegurança que comanda Gia vem dessa busca pelo olhar interno (algo que ela ao menos está encontrando). Se houvesse menos ataque e mais reflexão, o resultado seria diferente.
Farrah Moaning
Não foi uma semana boa para a pequena Farrah Moan, coitada. Gia tinha um problema com ela que não ficou claro para ninguém e aparentemente Farrah fez com ela o que acusou Valentina de ter feito: não ter respondido suas mensagens. E é bem curioso, porque foram Gia e Valentina quem ditaram o destino da colega nos desafios da semana. De certa forma, Gia e Farrah também dividem a mesma incapacidade de perceberem como são apenas um look. Nenhuma das duas estuda, nenhuma das duas investe em arte como as grandes competidoras investem. Farrah é linda, tira ótimas fotos, mas também não tem mais nada a oferecer.

E lá vamos nós, com Ru dando um tempinho de tela extra para Stacy, que no final das contas também não foi nada relevante para a performance dos grupos. Gia e Farrah não iriam bem mesmo, já sabíamos disso, mas foi surpreendente ver Manila tão intimidada, cantando para dentro, tão apagada. Contudo, quando Gia foi encher os pacovás de Farrah novamente, Manila demonstrou sensatez ao admitir que a perseguição contra Shangela na terceira temporada foi puro bullying; e um bullying que só fortaleceu o alvo, uma vez que Shangela é uma das drags mais bem sucedidas da história do show. Quem assiste realities sabe que o foco em atingir outros ao invés de enaltecer a si mesma é o melhor caminho para o fracasso.
Também foi bom ver Gia sendo só uma propaganda. Ela saiu de seu posto, foi incomodar Farrah enquanto ela se maquiava e acabou sendo silenciada. Talvez a força de Farrah nesse momento tenha sido seu grande destaque. Gia acabou sendo escorraçada tanto por Farrah quanto pelas outras. O resultado que veio em seguida não foi favorável para Farrah, mas de forma alguma representa uma vitória para Gia. A senhorita Gunn não foi nem 5% da competidora feroz que vive proclamando ser. De fato, ela não é uma boa pessoa. Assim como Phi Phi, ela rende ótimos episódios, cheios de entretenimento, mas ela não é uma boa pessoa.
Nonsense Bottom
As decisões de Ru nessa semana tiveram um pouco mais de sentido. O top entre Valentina e Monet foi correto. Existe uma coisa em Valentina que não dá pra entender… Uma luz, um troço que capta, não tem jeito. O bottom entre Farrah e Monique também era coerente. Monique não vê os próprios erros (tanto que continua achando que arrancar peruca melhora a dublagem), tem um futuro brilhante sendo… Milk. Mas, ela ainda é melhor que Farrah. A grande pergunta é se Valentina teria coragem de eliminar a “amiga”, com quem ela tinha acabado de remendar as coisas. É aí, então, que Valentina ganha mais pontos, já que não colocou a amizade em primeiro plano, o que manteve Roxxxy na corrida do All Stars 2, por exemplo, até a final. Valentina, aliás, teve sua redenção numa dublagem. Não decepcionou. Ela sempre aposta no sexy, mas nesse caso era cabível. Deu um show, esmagando Monet, que já tinha escolhido o look errado (datado e incoerente com a contemporaneidade da música).

Farrah foi embora perturbada por Gia (que a incomodou até quando ela defendia sua permanência) e perturbada pela decisão de Valentina, que era correta, mas emocionalmente dura. Farrah realmente não tinha aproveitado a oportunidade de se pôr a prova novamente e entregou um trabalho tão medíocre quanto o da primeira vez. Ela merecia ir, mas foi inesperado e proveitoso ver que Valentina teve coragem de mandar.
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Sendo assim, a segunda retardatária sai na segunda semana. Gia, Monique e Monet devem ser as próximas (não estou lendo spoilers, não me digam, rsrs). Espero apenas que a galera compreenda que o All Stars é um território de experiências e que os resultados não são o objetivo da jornada e sim todos as curvas no decorrer dela. São essas curvas que nos deleitam e que nos ofertam o que de melhor existe no entretenimento. Quando a vontade de reclamar dos resultados se esvai, o que ganha a cena é o puro prazer de ver as peças se movendo loucamente, num tabuleiro cintilante de que explode em jogos práticos e interpessoais. O All Stars é um laboratório delicioso. E ele precisa continuar assim.















