Muito mais que um assassinato.

Spoilers Abaixo:

The Bridge é a nova série do FX, remake de Bron, série dinamarquesa, mas agora, situada na fronteira dos Estados Unidos com o México. A trama faz com que os caminhos de Sonya Cross (Diane Kruger) e Marco Ruiz (Demián Bichir) se cruzem, devido a um cadáver encontrado exatamente na fronteira entre os dois países. Caso que se desenvolve em algo mais profundo e delicado, depois de ser descoberto que o corpo na fronteira pertencia na verdade a duas pessoas, da cintura pra cima, a uma juíza americana, e as pernas, a uma jovem de Juárez. Fazendo com que o caso passe a ser investigado tanto pelo lado americano, quanto pelo mexicano, em colaboração.

O piloto de The Bridge foi tudo que eu imaginei que seria, esperei por essa série desde sua primeira notícia no deadline, e admito ser um apaixonado pela cultura mexicana e pela fronteira e sul dos Estados Unidos. Acredito que esse ambiente é simplesmente perfeito para situar uma série com os elementos de The Bridge. E o que me deixou mais feliz e certo de um futuro promissor, é que o caso do assassinato não é a única coisa que será tratada pela série.

Os dois personagens principais apresentados no piloto se completam. Sonya tem sérios problemas de relacionamento e poucas habilidades sociais (por possuir a Síndrome de Asperger), é interessante analisar que em nenhum momento do piloto o roteiro explica o problema da personagem, mas é fácil perceber que ela não é “uma pessoa normal”, Sonya precisa ser constantemente “incentivada” a ser mais sociável, pelo seu chefe, mentor e figura paterna, o tenente Hank. É possível perceber essa relação de confiança principalmente quando ele dá ombradas leves nela, por algum motivo que eu ainda não entendi. Por outro lado, Marco é extremamente carismático e caloroso, criando um contraponto e uma dinâmica bastante funcional entre os dois. Marco é ao mesmo tempo um pouco sombrio, parece incomodado com alguma coisa, e se Sonya sofre de problemas psicológicos, ele sofre de problemas físicos, visto a maneira como caminha e como respira. É impossível não comparar The Bridge ao menos um pouquinho com The Killing, as interações entre os protagonistas são sensacionais nas duas séries, mas The Bridge vai muito além disso. Atrás da superfície de um crime que será resolvido em colaboração entre as duas polícias, existe a questão da política de imigração que nenhuma outra série ousou abordar em suas tramas, cartel de drogas, prostituição e a falta de atenção que uma das cidades mais perigosas do mundo (Juárez) recebe de seus vizinhos (El Paso), como dito na mensagem que encerra o episódio.

The Bridge consegue dizer muito em seus detalhes, como na constante inquietação e grande fluxo de carros na ponte da fronteira, nos segredos que longas extensões de deserto podem guardar, nas reações de Marco ao comportamento estranho de Sonya ou até em uma das peculiaridades da protagonista, que usa fones de ouvido branco constantemente. É fácil de acreditar que situações e personagens como esses existam na vida real, pois a representação criada pela série é extremamente verossímil e satisfatória. Agora é preciso esperar o desenvolvimento dos fatos para conseguir entender melhor as tramas, como a da viúva do rancho ou do misterioso sequestrador de mulheres.

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