Tédio, confusão, superficialidade e clichês.
Eu estive escrevendo as primeiras impressões de algumas séries que vêm estreando nas últimas semanas. O engraçado é que algumas delas são tão semelhantes que foi preciso pensar duas vezes para ter certeza de que não estava confundindo as coisas. Que a televisão segue fórmulas eu já sabia, mas se for para comparar os últimos pilotos que assisti, chego à conclusão de que a televisão parece estar virando uma fábrica de salsichas enlatadas, onde todo produto sai igualzinho, com o mesmo sabor e a mesma aparência. Que tédio.
O piloto de Reckless grita “EU SOU SEXY”, mas não é. Tentar demais inevitavelmente deixa as coisas mais desinteressantes, certo? Seria Reckless uma tentativa da CBS de uma nova The Good Wife? Você tem uma dinâmica de disputa entre dois personagens advogados, você tem a mulher independente que ainda assim é meio insegura. Você tem uma trama central e procedurais secundários. Mas você não tem o poder narrativo e audiovisual de The Good Wife. No fim, deve até ser injusto fazer essa comparação, porque Reckless precisa evoluir um milhão de vezes para chegar aos pés da queridinha da TV aberta. The Good Wife sim é uma serie sensual e adulta, mas conseguiu se tornar isso por mérito, não por uma tentativa forçada que foi aceita pelo público. Acho que no fundo, ninguém quer comprar Reckless, independente do preço.
Se logo no piloto um caso procedural já invade a tela, fica bastante claro que essa será a maneira da série testar as habilidades de Jamie e Roy como advogados, mas tenta ir além e coloca um caso de possível abuso sexual em cena para uma duração mais prolongada, através de mais de um episódio. E se a série tenta ser espertinha em seus diálogos, acaba sendo superficial ao lidar com um assunto tão sério e delicado como um estupro. Reckless é primordialmente o desperdício de uma atriz como Georgina Haig (interprete de Lee Anne), que fez bonito em Fringe. A personagem não é ruim (aliás, é a melhor coisa do episódio), mas podia estar em uma série bem melhor.
Se por um lado Reckless é um (meio) desperdício de Georgina Haig, por outro, aproveita muito bem Shawn Hatosy (que interpreta Terry). O ator que antes fazia em Southland um personagem (quase sempre) guiado pela justiça e pela ética, agora apresenta um detetive mesquinho e tirano, que não respeita ninguém e age de forma duvidosa para conseguir o que quer. Se Vic (The Shield) ou os próprios personagens de Southland às vezes tinham um desvio de conduta, compensavam no trabalho policial de qualidade. Em Reckless, Terry é simplesmente uma pessoa ruim, que ainda não foi capaz de mostrar seu lado bom.
Reckless não parece ser uma série tão ruim assim, mas é muito menos do que tenta mostrar. Às vezes a pretensão de ser grandiosa acaba fazendo com que o episódio se torne plástico. Não existe vergonha em ser mais ou menos, em um mundo com tanta série ruim de verdade.













