Previsivelmente “bonitinho”.
O Series Finale da série não deixa, de certa maneira, de surpreender, entregando para o público um encerramento tradicional e desejado desde a primeira temporada.
É isso aí admiradoras e admiradores de Hank Moody: quem diria que o personagem terminaria sua longa jornada tentando se redimir, guardadas as devidas proporções, é claro. De certa forma foi isso que Grace entregou.
Claro que Hank sempre será Hank: incorrigível e vivendo uma vida eternamente bagunçada, como ele próprio declarou em sua carta para Karen. Resta ao casal aproveitar ao máximo os bons e futuros momentos dessa conturbada e divertida relação.
Moody tratou de acertar algumas arestas nesse seu último ano de vida, nas telas pelos menos. Apreciei bastante a dinâmica entre ele e Levon. Foi divertidamente gostoso acompanhá-los em cena, especialmente nessa finale. A química entre os atores é incrível, quase superando a bizarrice (sempre bem-vinda, por sinal!) de seus respectivos personagens.
O momento top bromance foi quando Charlie pediu para dormir com o melhor amigo. Foi fantástico! Hank também tentou consertar as coisas com Julia, redirecionando-a ao caminho de Rath, culminando em mais um dos diversos atos de “heroísmo” bastante altruísta do personagem no episódio.
A participação de Becca, ainda que em sonho, foi também incrível! Como a atriz interpreta confortavelmente a personagem, ainda mais tendo acesso a um texto muitíssimo bem escrito.
Californication também teve direito a um final deveras novelesco. Gostei que Charlie e Marcy ficaram juntos, morando na antiga casa de Hank, ainda que tenham embolsado um milhão de dólares de Stu. Apesar de estar torcendo para que a transação fosse, de fato, consumada, compreendi e aceitei a resolução delineada pelo roteiro. Foi satisfatória.
A cereja no topo do bolo novela foi a cena no avião, com a declaração de Hank lida para que todos a ouvissem, o que achei muito bem-vindo. Ainda que tenha desconstruído abruptamente as últimas evoluções e decisões da personagem de Karen, seria bobagem lutar contra algo que sabíamos que seria a decisão final dos roteiristas.
Mas não se enganem. Não interpretem esse final como “e eles viveram felizes para sempre”. Karen e Becca ainda terão que lidar com muitas confusões futuras que Hank ainda aprontará que, infelizmente, terão de ficar apenas em nossas mentes. Ainda que talvez a série tenha passado além de seu tempo ideal de tela, certamente fará falta acompanhar as desventuras e peripécias de Moody, Karen, Runkle e Marcy: o quarteto fantástico.
E assim foi a jornada de Hank: como a vida, cheia de altos e baixos, com mais erros do que acertos e a consequente repetição dos mesmos erros. Ainda que a estrada do personagem possa ter sido adversa para a maioria, quem somos nós para julgá-lo e/ou até mesmo condená-lo, além de tão humanos e falhos quanto ele ?! Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra.
Californication se despede com um final tradicional e previsível sim, mas que não deixa de ser nostálgico, “bonitinho” ou “fofo”, nos relembrando da traumática (não é o caso, felizmente, aqui) síndrome de Lost.













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