Irmãos e Irmãs.

Estamos nos direcionando para o final de temporada, com poucos episódios faltando para completar o quinto ano. Apesar da monotonia de um ou outro, o resultado está sendo impecável. Pode-se perceber que algumas storylines estão sendo esticadas ao máximo, como o caso do projeto do photoshoot de Sarah e Hank, enquanto outras estão apenas começando a serem explorados agora, como a vida atual de Drew, e outras despertaram a curiosidade mas logo foram abafadas, como a abertura da escola de autismo de Kristina e Adam.

A história da venda da casa consegue entrar em duas dessas três categorias. Nos instigaram com ela logo no início da temporada, com Camille abrindo o jogo para Zeek sobre a sua infelicidade e planos futuros. Acredito que pegou todos desprevenidos, e apesar de sua ida para Itália tê-la ausentado em inúmeros episódios, parece Camille nem saiu de Berkeley. Se o tempo passa rápido na vida real, em Parenthood também, e cá estamos novamente, aproximadamente seis meses depois, com a real possibilidade de nos despedirmos da casa.

Sempre fui contra a venda da casa, e apesar de termos visto uma Camille receosa quando a realidade bateu à porta, não consigo mentir e dizer que isso não significaria uma ótima oportunidade para a série seguir em frente, em direção a novos horizontes, deixando para trás a sua zona de conforto. Teríamos a sensação de estarmos indo em frente, avançando, e isso é indispensável para qualquer série de longa duração. Seria extremamente decepcionante se a venda se concretizar e Parenthood ser encerrada ao final da temporada, e conseqüentemente, perdendo todas as possibilidades a serem exploradas nessa vida pós-casa para Zeek e Camille.

Por mais que seus pais viveram por quarenta e quatro anos no mesmo endereço, Sarah se mudou constantemente desde o seu retorno em Berkeley. Sem contar as suas inúmeras mudanças pré-série, apenas nesses últimos quatro anos desde que a produção está no ar, Sarah já morou com os seus pais, no apartamento de Mark e agora em seu próprio espaço, sendo essas as suas moradias que me lembro de cabeça. Assim como a prolongada história do photoshoot, essa amizade/flerte entre ela e Hank nos ronda há muito tempo, desde o término dos dois no final da temporada passada, e finalmente, com uma ajuda do Dr. Pelikan, o fotógrafo conseguiu dizer para Sarah que estava exausto dessa zona tênue, que para ele ainda não era concreto para qual lado iria.

Neste episódio ficou claro que Sarah precisa de novos amigos urgente e que também já está decidida que um futuro amoroso com Hank não é algo que lhe interessa, assim como Joel por Julia e leitores, lhes pergunto: qual é dos músicos sempre tocarem violão vestindo camisa xadrez de flanela? Com a maconha e o álcool dos dois últimos episódios, Drew praticamente já é um artista. Adicione mágoa, traição e dois rompimentos dolorosos, o universitário já pode se mudar para Los Angeles e tentar uma carreira artística, que falando nisso, sinto que algo nessa área está por vir. O diretor e os roteiristas estavam dando muito foco com Drew tocando o violão, e Amber ao seu lado, o ajudando. Ter tios donos de uma gravadora com certeza também é uma mão na roda, mas não imagino o todo acanhado Drew em frente de uma platéia, mas se alguém me disse-se antes que ele “viveria a vida” tão intensamente igual ele está fazendo, iria dizer que estava enganado, mas a beleza da vida não são as surpresas?

Outra relação entre dois irmãos que foi em direção oposta à afeição de Amber e Drew, mas que também brilharam com destreza, foram Sydney e Victor. A caçula colocou pra fora tudo que estava entalado, e mais uma vez, seu irmão foi o alvo de sua angústia e tristeza. Quase bati palmas com a atitude de Julia em tirar Sydney à força da mesa de jantar e levá-la para o quarto. Na verdade, seria extremamente interessante se a série tivesse ido além, e ver como teria sido abordado uma mãe bater em seu filho, entretanto, acredito que esse tipo de repercussão não é algo que os produtores e a NBC gostaria de lidar nesse momento. Analisando pelo lado da pequena, não é totalmente sem fundamento o seu argumento, afinal, os problemas em Julia&Joel Perfect Land apenas surgiram com a chegada de Victor  e os seus conflitos em relação a adoção, e logo depois, os problemas conjugais entre seus pais. Todavia, por outro lado, é claro que Victor não tem culpa de nada, e Sydney conseguiu se transformar da garota mimada que é para uma pessoa maldosa. E que falando nisso..

Crianças podem ser extremamente maldosas. Justo dizer que elas não tem maldade, mas os pequenos podem extrapolar no bullying com os seus colegas quando estão inspirados, por mais que não tenham consciência do estrago que fazem. A adolescência é a próxima fase, unindo a infantilidade provinda da infância com a falta de maturidade que ainda está por vir na vida adulta, e aproveitando essa fase, Parenthood está fazendo o retrato do bullying, e vai além ao apoiar-se em um adolescente com Asperger. Essa arrancada para um nível mais profundo traz um drama inquestionável para Max, sua mãe, seu pai, seus familiares e para a série. Neste episódio, Parenthood destrinchou esse tema como nunca havia feito antes, e fomos fundo na percepção de Max sobre ele mesmo e seus colegas. Foi uma cena extremamente delicada e bem construída, deixando qualquer telespectador comovido com a sua situação.

A história de Max não foi contada em apenas alguns minutos, como ocorre com os filmes, estamos vendo a sua trajetória, com os seus sofrimentos e conquistas, há mais de 85 episódios. “The Offer” é o número 86° e foi o máximo de emoção e profundidade já abordado em relação ao seu Asperger. Episódios anteriores também tiveram uma forte carga emocional, entretanto, este derivou-se totalmente da percepção de um Max melancólico e magoado se abrindo para Kristina, Adam, e para nós. São aquelas típicas cenas que nos deixam com o sentimento de empatia e com vontade de entrar no meio da cena e querer ajudar os personagens.

Parenthood consegue retratar relações de irmãos e irmãs, pais e filhos, amigos, namorados, sogros e genros, marido e mulher, chefe e subordinado, tios e sobrinhos, avós e netos sem forçaram encima de nós a sua veridicidade. Retratam que somos todos indivíduos morando em um mesmo mundo interligado, que compartilhamos as nossa vidas com nossos entes queridos mas também dividimos um mesmo espaço com estranhos,  e que não importa quem somos e o que queremos ser, todos temos os nossos problemas, nossas alegrias, nossas famílias, nossos amigos, e que independentemente das naturezas das nossas relações com os demais, somos todos irmãos e irmãs em um mesmo ambiente,  co-existindo, em que um depende e precisa do outro, mesmo sem estarmos ciente disso.

Parenthood registrou 4.22 milhões de telespectadores e 1.3 na demo, empatando no segundo lugar de audiência com a exibição da partida de basquete NCAA Basketball entre o Arizona State e Texas na CBS, que substituiu Elementary. No mesmo horário, Scandal liderou com 2.9.

P.S. Roteiristas perspicazes com as piadinhas! Hank dizer que tem um Braverman em cada esquina foi muito sagaz!

P.S. Inúmeras frases são pensadas e digitadas em todos os scripts, entretanto, tem algumas que se sobressaem, e esse foi o caso em duas cenas. A primeira foi com Drew, em um tom cômico, e a segunda com Max, em um tom mais dramático, com sentenças que marcaram e que valem à pena serem frisadas. Frases que te fazem pensar e lhes passam o sentimento de estranheza da vida.

Drew Holt: “I`m sad [about Amy and]. I wanna smoke weed and write bad songs

Max Braverman:  “I think I am a freak. I try to understand them, but I can`t

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