Paredão entre Babu, Rafa e Pyong coloca o coreano na posição mais frágil da semana e podemos estar dizendo adeus à maior das rixas da vigésima edição.

Um machista, temperamental, agressivo, grosseiro, disputa uma posição de favoritismo com um assediador, arrogante, articulador e dissimulado. Prior e Pyong protagonizam uma das grandes rixas da história do Big Brother. Mas, entre a defesa do jogo passional e a defesa do jogo calculista, quem deve sair vitorioso no BBB20? Talvez nenhum deles, de fato. Mas, mesmo que no último mês de programa as dinâmicas de favoritismo mudem, ninguém pode negar que a rixa entre Prior e Pyong ajudou a moldar parte da narrativa dessa edição, polarizando a casa e refletindo, também, a maneira como o público passou a se relacionar com o programa.

O mais curioso, contudo, é que além de estarmos vivendo um BBB onde tudo se transforma constantemente, nenhuma das duas partes dessa rivalidade está livre de julgamentos muito severos. A defesa de qualquer um deles pode parecer uma permissão a um de seus comportamentos condenáveis. A história dos dois oscila entre o amor e ódio desde o primeiro paredão.

Pyong Lee

Líder das “Fadas Sensatas”.

Mágico e Hipnólogo

Integrante do VIP.

O jogo não começou fácil para Pyong. Alvo na primeira semana, recebeu votos de mais da metade da casa e foi isolado, ensaiando uma narrativa que acabou indo para seu maior inimigo. Sua entrada no programa, no grupo VIP, já foi controversa. Para entrar no BBB, deixou a mulher prestes a parir e assumiu, imediatamente, a posição de jogador declarado. Com seu figurino preto emblemático e observações sobre a engrenagem do programa que revelavam seu cálculo prático constante, Pyong já entrou sendo um dos mais bem sucedidos famosos do elenco. E um dos mais questionáveis também.

Pyong Lee

Após o primeiro paredão, reverteu o quadro, reaproximando-se de uma parte da casa constituída por mulheres que percebiam, cada dia mais, que o grupo formado pelos meninos assumia posturas machistas execráveis. Ao se aproximar delas, Pyong tomou para si o escudo do discurso social vigente, apenas para dias depois assediar Marcela numa das festas, caindo em desgraça. Aqui fora, a internet se empenhava em lotar a Cancelvânia, mandando para lá o coreano, colocando-o no mesmo balaio de decepções onde estavam os rapazes, entre eles, Felipe Prior. Voltar do paredão e unir-se ao discurso das meninas fortaleceu Pyong, lhe deu confiança e foi aí que sua personalidade vaidosa começou a aparecer.

Ouvindo conversas, se esgueirando em portas, disfarçando as tentativas de manipulação com afetos superficiais, Pyong nunca escondeu, contudo, que sua missão era jogar; jogar em primeiro lugar. A aliança com as meninas garantia os números e diminuía as chances de paredão. Mas, em seu eterno egocentrismo, Pyong não conseguia evitar o desafio ao oponente e como um pavão subestimava os adversários deliberadamente.

Curiosamente, a dissimulação para jogar calculadamente e que sempre foi a grande vantagem do hipnólogo também se tornou sua kriptonita. O episódio do assédio e a constante inferiorização do adversário foram depondo contra ele, revertendo  o quadro mais uma vez: Movido para a bolha da rejeição, Pyong nem desconfia de que fez as escolhas erradas e criou um monstro. Prior é só um dos frutos de sua vaidade.

Felipe Prior

O Estranho no Ninho

Arquiteto e parceiro do Babu

Membro do Grupo Pipoca

Chumbo, Petrix, Hadson, Lucas… Um por um, os membros da Confraria dos Machos do BBB20 foram sendo retirados de circulação. Os comentários machistas, o plano para desestabilizar as mulheres induzindo-as ao erro, a malediscência dos comentários… Prior, mais por limitações intelectuais do que por escolha, ouvia, concordava e ria. Talvez por isso ele tenha sobrado e caído na narrativa que remete ao clássico do Big Brother: o excluído. O primeiro vencedor da história do programa, Kleber BamBam, cavou sua vitória sendo o primeiro participante a jogar com a exclusão, a vitimização, transformando os participantes que viram seus exageros, em algozes, monstros que não demonstravam compaixão.

A diferença é que Prior está longe da passividade de BamBam. Até a entrada de Daniel e o envolvimento com Marcela, o reinado dela, com sua sensatez e visão panorâmica de jogo, impedia qualquer movimento mais efetivo. Mas, ao passo em que o namoro com Daniel a transformava num compêndio de incoerências, a brecha para as críticas gritadas de Prior ia se abrindo. Babu, geneticamente incapaz de observar calado qualquer tipo de opressão, rebelou-se logo em seguida e a aproximação com Felipe foi trazendo à tona o conforto para posicionamentos duvidosos, escudados pela certeza de que ambos, Felipe e Prior, eram mensageiros de uma “verdade” que percorria o país: a militância não é autêntica.

A dinâmica foi imediatamente invertida. Enquanto Babu estava enquadrado entre elas, o racismo estrutural estava hibernado. Quando ele passou a poder gritar, elas devolveram com escárnio. Ivy, Marcela e Gizelly revelaram-se capengas no próprio discurso de justiça e igualdade. E lá estava Prior, com mais espaço para esbravejar a fragilidade do grupo rival, ganhando mais seguidores de sua personalidade “verdadeira”. Autêntico sim, justo jamais. Grosseiro, mal educado e tão prepotente quanto Pyong, Prior é como aquele valentão da escola, que vai rir de você no meio do grupo de amigos e talvez até te parar no corredor para te intimidar com cara de lutador de vale tudo. Só porque ele pode, só porque ele quer. Afinal, se ele grita com a própria mãe, não vai gritar contigo?

Em sua boca mora a ideia de que todos “jogam sujo”, mesmo que ele mesmo faça tudo aquilo que julga errado nos outros. O problema, contudo, é que ele cutuca a soberania privilegiada do grupo rival, fazendo o espectador do sofá (que não acompanha detalhes da internet) acreditar estar fazendo justiça mantendo-o na casa. Paula, a racista do ano passado, venceu assim.

Siameses Egocentristas 

Ao colocar Pyong no paredão do último domingo, Felipe Prior deu a sua justificativa preferida desde que sua rivalidade com o ilusionista começou. Ele jogou na roda a arrogância do adversário, sua certeza de vitória. Pyong, por outro lado, torcia durante a prova bate-e-volta para que Babu vencesse afim de que fossem juntos, porque segundo o coreano, ele fica e elimina o ator. Ainda que diferentes, Prior e Pyong são siameses egocentristas, grudados pela vaidade. Um deles pode sair vencedor essa semana, já que as pesquisas revelam uma vantagem grande pela permanência de Babu e Rafa. Se Pyong realmente sair, a dinâmica do jogo se revira inteira, com Prior canonizado e o grupo de Marcela tendo o primeiro grande sinal de que estão longe do favoritismo.

A trajetória de Prior e os recentes comentários homofóbicos de Babu (chamando Daniel e Pyong de viadinhos) só reforçam a venda nos olhos. A mesma que Prior sempre teve e que Babu revelou ter quando se aproximou dele. Para um homem que sabe o que é opressão, xingamentos homofóbicos saídos de sua boca soam como algo em comum com Marcela e as fadas não tão  sensatas assim. O BBB20 tem isso… Ninguém está a salvo.

Fica a esperança em Rafa, Thelma e Manu, que finalmente acordaram para as evidências de que Marcela, Daniel, Gizelly e Ivy cavaram a pior das reputações. Rafa e Thelma, principalmente, parecem ilesas em meio a tantos equívocos. Mas, vejam só, também não fazem parte dessa dinâmica inesperada do BBB20. Nessa edição, os favoritos são construídos a partir do erro e em seus equívocos constantes não são dignos da preferência de ninguém.  

Artigo anteriorSurvivor Winners At War 40×05: The Buddy System on Steroids
Próximo artigoWestworld Temporada 3 Episódio 1 | Bem-vindo ao novo mundo! | Comentários ao vivo!