A longa trilha em direção à felicidade.

O conceito mais conhecido e desejado de toda a nossa humanidade é com certeza a felicidade. Se perguntarmos o que significa a felicidade para 500 pessoas diferentes, corremos o risco até de ouvir 500 respostas diferentes. Todos nós vivemos em busca da felicidade, mas nem todos nós sabemos como chegar até ela. Dizem que leva muitos anos, até uma vida inteira e a o conhecimento pessoal sempre nos coloca no caminho para essa busca interminável.

Quanto mais nos aproximamos dos personagens de Nashville, mais identificamos quais são as suas rupturas, que os afastam do que acreditam ser sua felicidade. No último episódio Juliette foi conduzida mais uma vez à boca do povo. Juju não é a pessoa mais agradável e virtuosa do mundo, mas acredito que a maior parte do público de Nashville tenha uma simpatia e esteja sempre torcendo pelo seu bem. A maior fraqueza de Juliette é a falta de amor. Esse problema é um trauma de infância, que se arrastou e se alastrou da pior forma possível, a medida de Juliette crescia e acreditava não poder contar com ninguém. Hoje ela ainda é assim, porém é rica e poderosa. Juliette está descobrindo o amor, e consequentemente o lado ruim.

Podemos perceber com clareza que o sentimento que ela sustenta por Avery é muito diferente de todos os relacionamentos que ela já teve e surgiu por motivos diferentes, mas os mais puros possíveis. Bom mesmo é gostar de uma pessoa pelo bem que ela te faz, e esse tipo de sentimento, Juliette nunca havia sentido. Tudo seria perfeito se já não houvesse outra, e pior, essa outra não seria qualquer uma. Percebam, Nashville irá dividir muitas opiniões e corações a partir de agora. De um lado teremos Juliette, desesperada por um acolhimento, tentando descobrir sua vida, quase uma pessoa por si mesma. Do outro lado teremos Scarlett, a mulher doce e amorosa que Avery se arrependeu de perder. Avery e Scarlett têm história, têm sentimento. Acredito que Avery tenha se sentido balançado por entender os sentimentos de Juliette, mas não acredito que ele a ame dessa forma. Parece mais que ele se sinta mal por não correspondê-la. Pelo menos por enquanto. Será difícil escolher um lado, se você não for um fã incondicional de uma das duas. Acho que vai ser aquele tipo de situação que a cada cena estaremos torcendo por alguém. Neste episódio, por exemplo, fiquei com muita peninha de Juliette, ainda mais pelo que já havia acontecido, mas também tenho muito simpatia pelo casal Avery e Scarlett. Pois é, Juju. Infelizmente ninguém é obrigado a nos amar. Quem te viu quem te vê, Avery. De rejeitado e esquecido na primeira temporada para galã disputado e amigo de todo elenco na segunda. Os roteiros dão volta.

O que também deu uma bela volta foi a relação entre Scarlett e Zoey. Claro que dormir com o ex-namorado da melhor amiga não é uma atitude digna de aplausos, e Zoey sabe disso. Por outro lado, entendemos que o sentimento que os dois possuem é genuíno e, embora os dois tenham errado em esconder por tanto tempo, acredito que mereçam viver o sentimento. A vida seguiu, seria muito bom que Scarlett conseguisse viver com isso e abençoá-los. Zoey correu atrás, pediu, insistiu e Scarlett parece irredutível. A amizade é sim uma via de mão dupla, e caso as duas pessoas entendam que o que vale mais a pena é a amizade, ela deveria se manter. Zoey não parece mais determinada a correr atrás e só receber as costas de Scarlett como resposta, ou quando essa toma atitude, ouvir apenas acusações. Scarlett quer resolver a situação, mas não consegue passar por cima do que aconteceu. Infelizmente não há perdão sem que toda mágoa seja retirada do coração e uma borracha passada em todos os erros e decepções, não o perdão sincero. Não adianta querer consertar e ficar jogando as coisas na cara. Zoey e Gunnar estão correndo atrás da sua felicidade. Scarlett está perdida no caminho em todos os sentidos.

Outro personagem que resolveu dar uma chance a felicidade foi Deacon. Gosto mais dele nos dois últimos episódios que em toda a série. Deacon parou de ser um “ex-bêbado” que lamentava pelas perdas de sua vida vazia. Deacon agora tem uma filha e decidiu sair da sombra do sucesso dos outros. Ele agora quer viver e também merece isso. Uma coisa que sabemos também sobre a felicidade é que ela pode gerar um efeito contrário em outras pessoas. Ted tem um ciúme incontrolável de Deacon que chega ao ponto do ridículo. O problema de Ted é que ele não consegue ser respeitado por admiração. Ele tem poder, mas não é uma pessoa equilibrada. Deacon também está muito longe de ser, mas pelo menos tenta usar o limão para fazer a limonada, e o que aconteceu neste episódio foi uma clara demonstração que não adianta tentar fazer o mal para quem não está disposto a receber. Pelo contrário, quando se faz o mal, ele sempre volta para assombrar. Neste caso, voltou em forma de uma bala, que atingiu Peggy. Fiquei muito curiosa para saber o que realmente impulsionou essa tragédia. Ted é um político, com certeza muitas pessoas possuem motivos, certos ou não, para não gostar de um político, mas podemos nos surpreender com um motivo torpe para o crime. Será Lamar movendo os pauzinhos de trás das grades? Lembrando que Lamar acha que Ted é o responsável por sua prisão.

Embora Ted seja insensato e esteja vivendo uma crise emocional, por um momento, parecia feliz em estar construindo uma nova família. Deacon também está com uma nova mulher e tocando para frente. Senti neste episódio que Rayna foi atingida pelos pensamentos que assombram uma pessoa que vê os exs dispensados vivendo sem ela. Rayna também tem os seus affairs, mas ela sente falta de alguém que a apoie e a passe segurança dentro de casa. Uma mulher sempre se preocupa mais com quem vai levar para casa, como será a convivência com os filhos, e embora Rayna esteja saindo com Luke, tudo dá a entender que ele não a passa a segurança que ela precisa até o momento. Rayna está vivendo um inferno na Edgehill, e as medidas para fugir serão tão arriscadas que quase não valerão a pena. Caso não dê certo, nem sabemos o que será de Rayna. Ela tentou dividir seus problemas com Deacom e Ted, mas os dois pareciam estar desligados o suficiente de sua vida e percebemos que a rainha do Country não está conseguindo voltar ao caminho da felicidade. Tandy não é uma pessoa que podemos confiar e estou sempre com pé atrás com suas intenções. Será que ela quer mesmo ajudar Rayna ou tem algo aí?

Até aqui falei bastante dos vários tipos de problemas e felicidades que observamos na série, mas não do mais importante. Lá na introdução deste humilde texto, o conhecimento pessoal foi citado e temos um exemplo vivo desta situação aqui mesmo, em Nashville. Will entrou criando muitas expectativas. Uma a cada momento. Primeiro achamos que ele era um arruaceiro, radical e galã que iria mexer com Scarlett. Depois vimos que ele queria mesmo Gunnar. Descobrimos sua opção, mas em certos momentos, dava pra acreditar que Will seria capaz de fingir eternamente, desde que conseguisse a fama e fortuna que procurava. Não era mais segredo que Will tinha dificuldade de aceitação, mas pela primeira vez estamos conhecendo tão a fundo esse seu lado atormentado. Will finalmente se rendeu a sua vontade de estar com Brent, provavelmente de novo. Esse poderia ser um passo de libertação. Will poderia encarar isso como uma reação ao sofrimento da fachada que vive, mas ele não consegue enxergar as coisas dessa forma. Will sofre muito por ser quem é e não existe felicidade sem aceitação pessoal. Não há nada de errado em assumir o que é e não se importar com a opinião dos outros, desde que você não esteja fazendo nada de ruim. E Will não está. Fiquei muito impressionada com a atitude de tentar acabar com a vida por isso. O suicídio geralmente é uma maneira errada que as pessoas encontram de tentar dar um fim aos seus problemas. Normalmente ele vem acompanhado de sérios distúrbios emocionais e exige um tratamento psicológico urgente, Will já deve ter chegado ao ponto da depressão. A ideia de ele deixar a trama seria muito ruim. Gosto do personagem Will e torço muito para a sua libertação e sucesso. Consequência da felicidade de Will seria a derrota de Layla, uma insuportável de primeira. Layla é quase uma Juliette novinha, mas ao contrário de seu exemplo, ela não possui o mesmo carisma com o público.

Layla quer derrubar Juliette porque também é egocêntrica e invejosa, porém ela é nova demais e não tem a mesma classe para fazer artimanhas perigosas. A rasteira que a vida vai aplicar sozinha será implacável e se a verdade sobre Will chegar a público, Layla também terá motivos para ser comida viva pelos tabloides, além de ter despertado a desconfiança de Jeff. Não precisamos nem comentar a rivalidade criada com Juliette. Torço para que Juju descubra o que ela fez e caia pra dentro na briga. Não gosto de Layla, mas até gosto das respostas desaforadas que ela dá a Juliette. Juju deve pensar: “Mas que abusada! Quando você veio com o seu milho, minha pipoca já estava pronta”.

Feliz é quem sabe o que quer? Vimos neste episódio que alguém descobriu o que quer, mas não pode ter. Alguém sabe o que quer, mas não quer querer. Alguéns sabem o que querem e vão arriscar tudo por isso. Alguém descobriu o que quer e não tem medo de tentar. Alguém acha que sabe o que quer, mas vai se dar mal por isso. Saber o que queremos já é um grande passo, o próximo é descobrir como chegar lá. Nos últimos dias recebemos a grata notícia da indicação de Hayden Panettiere ao Globo de Ouro por melhor atriz coadjuvante. Não concordo com a categoria, acho que Hayden é tão protagonista quanto Connie, mas acho digníssimo o reconhecimento por seu papel impecável na série. Hayden merece muito e, embora não seja uma das favoritas ao premio, ficamos felizes em saber que a série pode ser respeitada por sua qualidade indiscutível. Nashville entra em hiatus e só voltará em Janeiro. O episódio foi digno de aguçar a nossa curiosidade e perturbar nossa ansiedade até lá. Nos vemos em 2014!

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