Um mundo de verdades discutíveis.
Se existe um lugar onde tudo que vale é o que se diz, esse lugar é Nova York. O centro da formação de opinião a respeito do que é artístico, célebre, relevante. Quando Nova York diz, se torna verdade, ainda que a verdade parta de fundações frágeis. Nova York determina o que será considerado pelo mundo como uma “tendência”, com tudo que essa expressão tem de… Tendenciosa. O que pensar de um artista, o que pensar de uma pessoa, o que pensar de uma filosofia.
Pensando assim, fica fácil entender o que levou Weaver a agir como um completo idiota. Seu comportamento cretino não tem justificativa, mas tem uma origem. O que importa, contudo, não é a perspectiva do “escritor” e sim de Carrie, que continua sendo levada a compreender a dinâmica social da cidade de Nova York, preparando-se para um futuro em que ela será o olhar panorâmico. Não podemos esquecer que quando virar uma cronista, Carrie vai usar suas próprias experiências – e dos amigos – para fortalecer sua obra. Isso, em certa instância, é parecido com o que Weaver faz com suas peças.
The Carrie Diaries só melhora a cada semana e eu sinto como se o cancelamento fosse me deprimir por semanas. Eles continuam se aperfeiçoando na tentativa de aplicar temáticas aos enredos e sempre faz com que esses enredos se aproximem da consciência que a protagonista terá, em determinado ponto, de que seu trabalho é falar sobre a engrenagem interpessoal da sociedade. Em I Heard A Rumor, Carrie passou de vítima a algoz, percebendo as vantagens e desvantagens de lidar com a ética da informação.
A série também continua a mergulhar lindamente no universo dos anos 80. O pager apareceu em todo o seu esplendor de relevância, prenunciando a nossa escravidão eletrônica e tornando as pessoas absolutamente dependentes. Havia um paradoxo ali também, com todos sendo necessários para o inútil e ignorado em suas qualidades. Foi bom ver Bennet e Walt agindo no episódio como mais do que namorados e principalmente, com a homossexualidade do amigo de Carrie sendo insinuada para a mãe dele de uma forma sutil e elegante.
Enquanto o mundo de Bradshaw era sacudido pelo espírito de porco de Weaver, o outro lado da questão se arranjava pelas mãos de Maggie e Sebastian. Ainda que deteste a reconciliação dele com Carrie, preciso admitir que voltei a simpatizar com o moço. Muito disso se deve à forma tão bacana com a qual a amizade entre ele e Maggie se desenvolveu. Maggie, aliás, com sua vibe meio Rizo, continua se mostrando uma personagem interessantíssima. Chega a ser trágico que o plot de sua gravidez tenha terminado de uma forma que tira dela o direito de viver o sonho de ser mãe, o único que ela chegou a proferir em voz alta desde que a série começou.
A postura de Sebastian com relação à paternidade do bebê foi corretíssima. Todo esse enredo se desenvolveu com muita segurança e a forma como ele encostou em Carrie também provocou uma síntese muito interessante. Ao perceber que ele tomou pra si uma reputação que não lhe pertencia, Carrie agiu na contramão da ética, sendo egoísta e se preocupando não com ele e Maggie, mas com si mesma. O deslize faz com que ela perceba rapidamente que a opinião das pessoas não afeta a realidade e que mesmo no mundo lúdico de Nova York, existe uma possibilidade de altruísmo na mentira. Então, Carrie resolver aplicar prática na teoria, livrando Weaver do rumor negativo e se jogando na fogueira.
Não consigo mesmo entender a decisão de reviver Carrian (ou Sarrie). Claro que existe toda a obrigação de tentar manter o interior sendo relevante, mas não vejo essa relação como condizente com o crescimento da protagonista. Penso que com a iminência do cancelamento, os roteiristas talvez devessem se apressar e explorar Nova York mais que nunca. O melhor de The Carrie Diaries é sua construção do futuro, ainda que ela mesma – a série – não tenha mais futuro algum.
Page One: Mouse e seus plots aleatórios. 30 segundos de Donna em cena foram 10 vezes mais interessantes.
Page Two: Samantha continua sendo um símbolo vivo da efemeridade de Nova York. Deliciosa.
Page Three: “Sempre quis ir para Paris”, diz Carrie. E nesse momento, todo fã de Sex and the City, se arrepia.






















