Mr. Mercedes segue desenvolvendo seus principais personagens. Depois de o roteiro valorizar bastante o background de Brady, finalmente tivemos um flashback de Bill que não fosse para nos mostrar ele com Olivia. Ainda, o roteiro nos apresenta uma importante personagem, fechando assim o núcleo principal que irá compor o restante da temporada.
Embora o desejo fosse de que este episódio trouxesse mais algum tipo de aproximação entre Bill e Brady – se não um contato direto, como no episódio passado, ao menos um avanço significativo nas investigações – esse respiro foi importante para orquestrar o que ainda está por vir. Também pudemos nos aprofundar um pouco mais no drama de Bill e Debora e na mente enlouquecida de Brady. Aliás, a cena do restaurante, com o massacre mental do vilão foi uma das melhores de toda a série. O sangue talvez estivesse um pouco falso demais, tirando um pouco o realismo da cena, mas entendo que como ela se passa na cabeça do personagem ela deve ser mais poética do que realista. E o que foi o Brady abrindo a barriga de sua mãe e arrancando de dentro o caminhãozinho de Gerald? Além de muito bem executada tecnicamente, nos dá uma dimensão da psique desse personagem.
Além disso, tivemos também importantes flashbacks de Bill e seu conturbado relacionamento com sua filha. Faltava um pouco de desenvolvimento do protagonista, nos mostrar de onde ele veio para entendermos onde ele se encontra no momento presente da história. Embora houvessem dicas e insinuações de seu passado, isso ainda não havia sido mostrado. Acho um pouco tardio esse desenvolvimento, ainda mais quando pensamos que ele é “só” o protagonista da série, mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca. O mais importante aqui é o quanto o roteiro deixa claro a posição dos pais diante do problema da filha, e humaniza as decisões tomadas por Bill, o que é de fundamental importância para nos fazer torcer pelo personagem.

Outra personagem que recebeu um melhor tratamento do roteiro neste episódio foi Debora. Tentando largar seu vício e saindo despreocupadamente com uma bomba no carro, tivemos um melhor aprofundamento nas ações da personagem, tirando ela do marasmo de ficar trancada naquela casa. O relacionamento disfuncional entre ela e Brady é explorado com eficiência, principalmente quando notamos o nível de manipulação que ele pode chegar ao não deixar sua mãe sair de seu status quo. Aqui há uma interessante inversão na gangorra, já que normalmente a figura materna aparece em situação de comando quando se trata do relacionamento entre os dois. Debora está talvez em seu momento mais fragilizado desde o início da série, e a interpretação de Kelly Lynch dá todas as nuances da personagem, da esperança ingênua em conseguir o emprego de volta no salão, passando pela decepção e humilhação com Chaz até a volta ao fundo do poço.
Falando em interpretação, gostei de como foi apresentada Holly, prima de Janey, e Justine
Lupe se saiu bem nessa primeira impressão que ficou no episódio. Difícil dizer se ela vai
sustentar a personagem assim até o final, mas já dá um certo alívio. Não vou me ater muito a ela ainda, para não correr o risco de dar spoilers para quem ainda não leu o livro, mas sua participação deve ser cada vez maior daqui para a frente.
Apostando mais no desenvolvimento dos personagens e adicionando camadas ao protagonista e aos coadjuvantes, Mr. Mercedes prepara o terreno para seu grand finale, inserindo, agora sim, todas as peças no tabuleiro. Esperemos que a série não decepcione.
Em tempo 1: Notaram a cameo do titio Stephen King no episódio? Se não, uma dica: ele era um dos funcionários do restaurante, morto na imaginação fértil (e macabra) de Brady.
Em tempo 2: Eu não quero ser implicante, mas o que diabos Ida ainda está fazendo nessa
série? Ô personagem que não acrescenta em nada.
> NARCOS – 3ª Temporada (sem spoilers) | SM Play #67
















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