
Battlestar Galactica não é uma série de naves no espaço. Não é nem mesmo uma série sci fi. Ela tem sim elementos de ficção científica, mas eles não a definem. BSG é muito mais do que tudo isso. É uma das melhores séries já produzidas e é inútil tentar rotular uma série assim.
Quem ainda não assistiu Battlestar deve estar pensando que tudo isso não passa de exagero de fã. Eu também pensava assim. Mas, o que eu percebi ainda assistindo a minissérie foi exatamente o contrário: tudo de bom que eu ouvi sobre a série antes de assisti-la, mal começava a descrever a excelente história que eu estava acompanhando.
A premissa é sci fi: os doze planetas que a humanidade habita são destruídos por um ataque nuclear orquestrado pelos Cylons – robôs criados pelo homem que acabaram se rebelando contra seus mestres. Partindo do que em grande parte das ficções científicas é apenas uma ameaça, a trama acompanha a trajetória dos 47.962 sobreviventes desse holocausto. E é aí que entram as naves no espaço, como meio de transporte para a fuga desses sobreviventes.
A partir desse plot a série desenvolve tramas políticas, sociais, religiosas, os dramas pessoais das personagens… Battlestar Galactica explora todas as conseqüências e possibilidades que essa vida confinada em naves traz para a humanidade. Reestruturação do governo, condições de trabalho, crimes de guerra, fome, eleições, aborto, fanatismo religioso, são só alguns dos temas abordados na série.
Um amigo me disse uma vez que a história de Battlestar poderia ser contada em qualquer outro contexto que não o espaço. Ele tinha, e tem toda a razão.
A série é ousada. Na maioria das vezes imprevisível. Todos os seasons finales de Battlestar entrariam para minha lista de melhores finais de temporada de todos os tempos. É difícil explicar, mas as temporadas de BSG acabaram sempre de uma maneira tão magnífica, que a impressão é que está sobrando cliffhanger ali. Parece que em um simples cliffhanger da BSG se escondem mais de um cliffhanger de um season finale comum. Minha cabeça explodiu tantas vezes vendo Battlestar.
Isso sem falar na mitologia da série, construída de forma impecável. Cylons, deuses, religiões, profecias, lendas, sonhos… E tudo se encaixa perfeitamente na história. Em nenhum momento qualquer um desses elementos parece inverossímil dentro do universo de Battlestar Galactica.
Claro que toda essa trama só funciona porque é contada por personagens tão bem construídos que, ás vezes, fica difícil acreditar que eles não são reais. Bem e mal, certo e errado são conceitos tão complexos quanto do lado de cá da tela. Ao longo das quatro temporadas todos os personagens tiveram momentos em que suas ações foram questionáveis. Mais que amar e odiar, eu fui construindo um sentimento de respeito por muitos personagens da série.
Eu sei que é complicado resumir uma série tão boa e tão complexa em palavras, mas se algum detalhe deste texto conseguiu convencer alguém a dar uma chance a Battlestar, eu já estou satisfeita.
PS. Quem for assistir não se esqueça de começar pela minissérie.















