Em um dos episódios passados desta temporada de “Jane the Virgin”, a série se utilizou da metalinguagem que é marca característica do show para exemplificar os pontos principais de um roteiro, num espelhamento interessante da situação da própria protagonista. Uma narrativa tem uma resolução final, mas também tem os conflitos que precisarão ser ultrapassados para chegar no “felizes para sempre”. Uma boa trama é aquela que consegue equilibrar seus pontos principais, para não tornar as coisas fáceis demais e também apresentar um desafio que estimule o espectador a continuar até o encerramento.
No quesito cliffhanger a série já está careca de acertar, mesmo quando estes não são tão chocantes assim. Mas no quesito conflitos… Os roteiristas estão perdendo a mão e transformando essa última temporada do show em uma sucessão de conflitos que já poderiam ter sido resolvidos, mas são esticados até o limite do aceitável. Ao definir o episódio 100 como um ponto final a série deu um prazo para que todas as resoluções fossem acertadas, mas o grande problema é que elas não estão sendo bem desenvolvidas.

Comparado ao episódio anterior, aqui houve um salto considerável de qualidade. As relações entre os personagens voltaram a ser bem trabalhadas e cada vez mais o caminho para que Jane fique sozinha está sendo pavimentado. Foi interessante ver ela assumindo as rédeas de sua vida e resolvendo sair da casa da avó para encontrar um lar só seu. A ajuda de Petra nesse plot foi uma das melhores coisas da série e assim como o “recado” deixado anteriormente, ela sempre consegue melhorar qualquer plot em que é incluída, mesmo que ela mesmo esteja lidando com o termino com JR.
Outro ponto que corrobora para a afirmação do paragrafo anterior é a relação que Jane está construindo com Rafael. Parece que (momentaneamente) ela não está mais forçando situações além da criação do Matelio. É a maturidade com a qual ela sempre deveria ter tido desde que a situação da volta de Michael aconteceu. Desse plot foi que saiu uma importante mensagem sobre papeis de gênero e a questão das relações tradicionais e modernas. Após o casamento, Jorge virou o típico “boy lixo” e saiu tomando espaço da casa até então controlada pelas mulheres. A visão de Jane para com as atitudes da avó (de aceitar tudo) foram confrontadas por Alba de modo bem certeiro. Ela sempre fez a mesma coisa para a filha e neta, agora ela só fazia pelo homem que ama. Assim, mesmo que ela tenha dado suas razões, Jorge não deixa de ter ficado bem folgado. A questão da masculinidade tóxica trabalhada de modo inteligente.

Agora, o plot do câncer de Xo finalmente ganhou sua resolução. Ela livre da doença, agora pode voltar a rotina que mantinha antes de sua descoberta. O próximo episódio poderia ser um respiro antes do mergulho na reta final da série, mas a inclusão da paixão repentina de River por Rogelio foi tão avulsa que chegou a ser cômica. Literalmente tiraram do nada um interesse romântico e agora nos últimos momentos, temos uma mulher vingativa (sem nenhuma razão para ser) agindo para criar problemas que não precisariam ser criados.
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Construção e destruição. Na tentativa de esticar o máximo necessário o que deveria já ter sido encerrado, “JtV” vai dando círculos em torno de si mesma e com isso cansando o público (e sua imagem) do que antes era seu principal ponto de atração. Até a próxima semana!
PS: Krishna está de volta.













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