Desde a primeira temporada, Jane the Virgin vem assumindo as raízes de sua obra de origem, injetando os artifícios básicos da telenovela mexicana com uma metalinguagem e autocritica inerente ao show da CW. Sempre tivemos um modelo a ser seguido nas temporadas, com um vilão movimentando o arco principal (ou diversos arcos paralelos) para que em algum momento Jane superasse não só o inimigo como suas próprias inseguranças e evoluísse e levasse todos os outros personagens nesse mesmo processo. Claro que em alguns momentos a narrativa se utilizou de um vilão metafórico ou não presente para dar andamento a esse processo evolutivo, jogando assim ao destino (ou acaso) a responsabilidade de dar continuidade aos meandros da trama. Foi assim com a morte de Michael e foi assim novamente nesse episódio, que deixa um anticlimático gosto na garganta para a finale da temporada na semana que vem.

Os personagens estavam muito acomodados nessa maré de boa sorte e foi necessário encarar a realidade mais uma vez para que as coisas fossem colocadas em perspectiva. Isso fica bem claro com Xo e Alba. Enquanto a filha vai lidando com a mortalidade nua e crua de sua condição atual, a mãe vai lutando com a impotência frente ao mesmo fato. É comum e até esperado que em alguma fase do processo você se entregue ao pessimismo e é comum também que este mesmo pessimismo acabe mostrando um lado necessário no preparo para o que pode acontecer a qualquer momento. A presença de Donna (Amy Brenneman, a eterna Laurie Garvey de “The Leftovers”) apesar de breve foi poderosa. E também marcante por tocar num ponto até então bem romantizado da trama: a morte. Nem sempre ela é rocambolesca ou dramática. As vezes é inesperada e sem sentido. E isso foi um ponto belamente retratado aqui.

O casal principal vai lidando com problemas até irrelevantes em comparação, já que o “mar de rosas” em que o casal vive não sofre nenhuma desavença há um bom tempo. Matelio até tentou, mas nem o desfalque nos planos da compra do apartamento do casal atrapalhou por muito tempo a harmonia familiar. E sem esse senso de ameaça que era presente até a metade da temporada, tudo fica um tanto quanto estranho, até enfadonho comparado ao que já aconteceu na narrativa cheia de reviravoltas. Isso acaba refletindo também na trama de Petra e da outra Jane. Usar novamente Magda como ameaça para a felicidade da filha é uma cartada demasiado cansativa. É como se fosse necessário que a personagem nunca fosse feliz o suficiente e que ao estabiliza-la num plot seguro, soluções irreais são usadas para arrastar a nossa loira favorita novamente para o poço das más escolhas e atitudes impensadas.
A escolha de novamente utilizar Rose como a engrenagem movendo a trama da finale é, assim como escolher Magda para sempre atazanar Petra, um passo já conhecido e, de certo modo, cansativo. Ao sempre se apoiar nesses personagens como muletas de vilania e tapa-buracos narrativo, a série começa a demonstrar sinais de desgaste visíveis. Nem toda trama foi feita para durar a eternidade e nem todos os movimentos novelísticos são capazes de salvar algo que tem um prazo de validade se assomando no horizonte. É melhor acabar com qualidade do que estragar algo que um dia sinônimo de qualidade. Até a semana que vem com a finale da temporada!
PS 1: Essa temporada vai ser composta de 17 episódios e não os habituais 22. Isso se dá por que Jennie Ulman está trabalhando no reboot de Charmed e também da política de ampliação dos horários de exibição nesse ano do canal (que vai acrescentar séries também aos domingos).
PS 2: Ri demais da dupla Rogelio e River. A quantidade de tiradas, metalinguagem e alopração que Brooke Shields e Jaime Camil utilizaram eu não via há um bom tempo na série. Coroando tudo com o combo “brownie de maconha + telenovela”: hilário!
PS 3: O capacete que Xo usa no tratamento faz uma referência com o que Matelio precisou usar quando nasceu.













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