
Os fu (o) didos descontrolados.
Spoilers Abaixo:
Eu sei, eu prometi. Prometi que não ia mais atrasar ou acumular as reviews de House of Lies, mas tal qual o nosso nada querido protagonista, eu menti. Quer dizer, não menti. Não aconteceu deliberadamente, não foi proposital… Mas eu falhei. Me incomoda o fato disso parecer um desleixo de quem não curte a série porque de fato, a série é boa.
Entender as atribuições desse descomprometimento esbarra de leve no entendimento sobre a popularidade da série. Depois do primeiro episódio as palavras mais terríveis sobre a série eram “lixo” e “ridículo”. As mais gentis eram “confusa” e “grosseira”. No meio disso, quem ficou entendeu que ela merecia um pouco mais de boa vontade. E é engraçado porque quando eu vejo o episódio eu adoro, mas depois a escritura do texto fica bloqueada. Com todos esses season finales que eu tive que cobrir, fui suprimido pelas expectativas perante outras série mais vistas, e falhei. Falhei porque o season finale de House of Lies foi ótimo e mesmo que seja para cinco leitores, eu preciso falar.
O penúltimo episódio pode ser entendido como o tremor antes da erupção. A tal fusão de que se vinha falando desde a estreia está prestes a acontecer e Marty procura desesperadamente por uma maneira de impedi-la. Muitas cartas foram lançadas, mas nada parecia dar resultado.
Isso até Norbert dar uma dica para Jeannie sobre o comportamento ético de Skip. É chegada então, a hora de resolver as questões entre ele e Marty, porque é óbvio que a tal dica é usada como uma arma de fogo e embora Skip não tenha cedido inicialmente, a fofoca funciona aos propósitos da equipe e tudo parece consumado.
A cagada na pasta de Marty é um dos momentos mais arrogantes da série, mas também extremamente adequado para a personalidade do mesmo. Ela representa a maneira como Marty leva a vida e as consequências mal cheirosas que esses resíduos deixam pelo caminho. É como se ele dirigisse na direção de um precipício, mas fosse incapaz de desviar o caminho. Tudo de pior se anuncia, mas mesmo assim, Marty não freia.
A aliança profana com Marco (o manda-chuva) não era mesmo sincera, e não que tivéssemos pensado que por um minuto fosse. Mesmo assim, ver a traição escorrendo na cara de Marty teve o impacto pretendido. Com o “sim” para a fusão, Marty segue atrás de vingança, e aí o episódio comete um erro.
Marty não é bonito e muito menos gentil e delicado. Mesmo assim, consegue transar com a filha de Marco sem fazer nenhum esforço. Achei providencial demais. Essa reviravolta foi ousada e adequada aos propósitos dramáticos do episódio, mas não acho que tenha sido verossímil.
Mas o que é a verossimilhança em House of Lies? Sobretudo se pensamos nos recursos estilísticos escolhidos até aqui. No Season Finale, sobretudo, não pouparam esforços em se reafirmarem nesse sentido. Como a vingança seria representada dentro desses moldes? Começamos o último episódio da temporada com Marty “metralhando” todos os presentes da festa de comemoração da fusão.
Recurso aprovado? Não sei se confirmo. O que tinha de interessante tinha de estranho. Era viável dentro do contexto, mas ligeiramente incômodo. Aliás, como tudo que a série faz nessa linha.
De todas as inventividades, se conjuga também o óbvio. O recurso do “tantas horas antes/depois” é um jeito de transmitir tensão e criar expectativa. Acho que funcionou bem, mas não pelo recurso em si e sim pela saída que encontraram para resolver essa iminente bomba atômica.
Aliás, vamos pluralizar essa ideia, porque Marty apostou tudo nessa última chance, e como boa alma vendida ao demônio, não se fez de rogado e se dispôs a tudo. O apocalipse do título é definitivamente o fim para ele. O fim de tudo que ainda o tornava humano… April, Roscoe, o pai… Tudo que precisa de manutenção emocional ficou pelo caminho, enferrujou, quebrou-se de vez.
Junto dele nesse propósito, estava Jeannie. Já vínhamos falando do quanto ela absorvia as piores coisas do chefe, e dessa vez, entregou-se definitivamente ao lado negro da força, abandonando numa cena ótima, sua última relação “humana”. As palavras de Wes foram incríveis, e mesmo reduzida ao “plano B” de um homem, Jeannie ainda saiu se sentindo por cima, mesmo que para o olhar de fora, ela e Marty tenham se tornado a completa escória.
Não gosto da ideia da versão ingênua de Jeannie. Teria ficado mais feliz se a relação dela com Marco tivesse sido um plano de emergência desde o início. O discurso “fui enganada e ludibriada” não combina com ela. Até o último momento, esperei que alguma coisa revelasse o embuste, mas ao que parece, realmente houve um momento em que Jeannie acreditou estar tomando as providências necessárias para subir.
Mesmo assim a expectativa em torno do posicionamento de Jeannie sobre o assédio funcionou. E realmente causou uma comoção bacana no momento de toda a revelação. Assim como funcionou muito bem o descontrole de Marco não perante o cancelamento da fusão, mas perante a notícia de que sua filha transou com Kaan.
A síntese do episódio, aliás, está bem dentro do flerte com a grosseria e escatologia da série: o mundo muda… Por causa de uma vagina. Aí então Marty vai para o céu em mais um recurso visual estranho, para então percebermos que o finale estava todo muito contextualizado e bem distribuído.
A primeira temporada de House of Lies foi um belo conto. Um belo conto sobre um mestre e sua pupila. Sobre como flexibilizar tanto a moral e a ética, até o ponto de não tê-la mais. Um conto sobre a adrenalina da vitória a qualquer preço, porque não há prazer maior do que o prazer da manipulação, da mentira, do alpinismo sobre o outro.
Um conto sobre dois fo (u) didos descontrolados.
No cômodo 1: E Doug e Clyde? Só alívio cômico mesmo. E dos bons. Tem coisa melhor que o momento “coletâneas de Doug”? Do que “as frases de serial killer de Doug”?
No cômodo 2: Quem mais quer o namorado de Monica na próxima temporada?
No cômodo 3: A palavra é Ovofagia.














