O homem derruba dois assassinos profissionais de uma vez, mas chega treme de tanto medo da mulher.

Spoilers Abaixo:

Antes de tudo, você, leitor, que parou de assistir Grimm: volte. Volte porque a coisa ficou boa demais. É fato que a série demorou muito para encontrar sua identidade, e também o protagonista, que ficava vagando pelos episódios como um cego num tiroteio. Mas agora a coisa mudou.

Desde o 1×15, ou seja, há quatro episódios, a série vem tomando decisões impressionantes. Mesmo dentro da base procedural, ela está ousando aqui e ali, e finalmente colocando Nick para ralar.

Para começar, a partir do 1×18 temos o jovem Grimm formando um reino. Sim, vocês puderam perceber também que sempre que ele ajuda alguém, este alguém fala para mais alguém, que comenta com mais alguém, que confessa para alguém que Nick é um “Grimm de confiança”. Primeiro eles ficam relutantes, afinal, ou os Grimms saem matando todas as criaturas que veem pela frente, ou saem matando a serviço da Veratt. Mas, mesmo duvidosos, eles geralmente não têm alternativa e acabam cedendo, se tornando então aquele “alguém” que vai falar com mais “alguéns” e dar continuidade ao ciclo.

Evidenciando ainda mais este “reinado”, no 1×19 Nick ajuda toda uma comunidade de Eisbibers, ou ratos, se você preferir. Com o assassinato de um deles, tendo como única testemunha outro deles, a covardia, “qualidade” que os caracterica, fica ainda mais evidente.

Os Eisbibers tinham que pagar para os Hasslich pelo uso das pontes, que estes últimos julgavam ter a posse. O assassinato então ocorreu porque um dos subjugados quis parar com esta “cultura”, mas teve a infelicidade de ser asfixiado num tanque de cimento. Outro Eisbiber, amigo de Bud, presenciou tudo e chamou a polícia. E seguindo seu mais forte instinto, se escondeu em seguida.

Insistência pra lá, Nick dando uma de salvador da pátria pra cá, o Eisbiber resolve testemunhar e colocar Salvatore (David Zayas) na cadeia. Mas antes a coisas fossem mais simples. Salvatore se revelou um Hasslich muito malvado (e não inteligente) e mandou chamar os ceifadores. (Consequentemente, vê-lo sendo surrado porque desconfiavam dele foi muitíssimo agradável).

Depois do sermão de Renard, não achei que Slivitch (Henri Lubatti) ia encarar Portland outra vez. Mas bem como disse o líder dele, o capitão estaria procurando por um, não dois ceifadores. O poblema, caros amigos, é que neste ponto Nick já tinha passado pelo seu treinamento com um professor único do tipo: o senhor Lobo Mau. Ou seja, que se dane o número de ceifadores que Renard estaria procurando. O negócio é quantos ceifadores o Grimm estaria disposto a encarar.

E eis que temos uma das melhores, senão a melhor, sequência de cenas da série. Nick matando aqueles dois, fazendo com que um cortasse a cabeça do outro, vencendo uma luta contra criaturas sobrenaturais tendo assumido totalmente sua identidade Grimm, foi demais. Daí chega Monroe e… corta a segunda cabeça. A gente achava que não podia ficar melhor que isso, e os dois resolvem enviar os “troféus” com um singelo bilhetinho: “manda mais aí pra gente cortar que essas aqui foram fáceis demais”. Alguém sente cheiro de briga comprada?

Quer dizer, briga é o que não falta em Grimm. No 1×18 o ex de Rosalee levou sua briga particular para Portland ao correr de Edgar Waltz (Sebastian Roché), o capataz da organização europeia que controla a comunidade Wensen. O ex-namorado, Ian Harmon (Neil Hopkins), é um “gatinho” assim como ela, o que deixou o lobo Monroe muito enciumado com os dois naquele climão todo, com direito até a se transformarem juntos numa cena mega fofinha.

Ian é o líder da resistência à Veratt, história que é nova para Nick e o deixa embasbacado. Ou melhor, nos deixam embasbacados. A mitologia de Grimm vai além e coloca até os conflitos do mundo atual dentro do contexto Wensen, fazendo de Ian quase um Che Guevara. Só que este Che aqui não foi pego por ninguém. O detetive fingiu que ia prendê-lo, mas terminou o ajudando a escapar. No meio disso, Nick feriu duas vezes sua identidade policial: ao deixar um “criminoso” fugir e ao encobrir um assassinato. Melhor dizendo, ele não feriu coisa nenhuma. Foi aqui que ele escolheu de vez seu caminho de Grimm.

Mas nem mesmo o mais destemido dos homens consegue enfrentar a maior fera da natureza: a mulher. De todas as criaturas que Nick enfrentou e enfrentará, ele pode ter certeza: nenhuma chegará aos pés da invencibilidade de Juliette. Gente, que feitiçaria foi aquela dela o convencendo a chamar Monroe para jantar? Nick nem teve tempo de respirar! Nem teve tempo de achar uma desculpa plausível! Quando viu, já tinha falado “sim, senhora, como quiser”.

E o jantar? Ah, ri demais dos dois se atrapalhando. Pareciam dois irmãos tentando encobrir as trapalhadas que fizeram juntos para a mãe. Não sabiam o que falar, trocavam todas as bolas, se desmentiam em questão de segundos… E Juliette com aquele olho arregalado sem saber o que estava acontecendo. É bem como diz Monroe, este relacionamento deles soa muito, mas muito errado.

Juliette tem que arregalar seus “olhos internos” assim como ela arregalou os externos na mesa de jantar. Chegar em casa e se deparar com milhares de presentes dados por gente desconhecida equivale ao som de um milhão alarmes. Querida, você já “sente” que seu namorado está escondendo algo. Agora vai mesmo acreditar que tudo isso é porque ele fez bem o trabalho dele? Por favor, por favor! Diga que não…

Observações:

– Veratt: Eles ocupam posições de poder em todo lugar. Política, indústria, crime organizado. Tudo que seja corruptível está sujeito à sua influência. Até a polícia. Esses caras fazem a Inquisição Espanhola parecer com a Sociedade Protetora dos Animais. […] Este mundo está à beira da guerra. O tumulto no Oriente Médio, crise na Europa, a ascensão árabe… Tudo está conectado. Agentes do Verrat, trabalhando para as sete casas (sete famílias reais), se infiltraram nos mais altos níveis dos governos. Não é uma batalha recente. Ocorre há séculos. Com esta luta, as famílias reais reconhecem oportunidades para ganhar mais controle.

– Renard pertence a uma destas sete famílias então?

– Tenho que dizer: a cena de Nick levando Ian algemado foi desnecessária. Pra que aquilo? Ele só queria ver Rosalee chorar?

– Assim que termina a reunião com os Eisbibers o orador pede que Nick não corte a cabeça deles ali. Pergunto-me como/o porquê que as criaturas pensam assim. Nick tem força sobre-humana por acaso? Ele mataria, sozinho, todas aquelas pessoas?

– Juliette gostou tanto de Monroe que já avisou que Nick pode ficar com ciúme. A gente ri, claro. Pensa só na cara dela quando souber que o doce Monroe aprecia (aprecia = devora sem dó) um coelhinho cru com pele e tudo.

História que serviu de inspiração:

– 1×18, Cat and Mouse: A inspiração para este episódio veio do conto “Iron Hans”, dos irmãos Grimm. Nele, um rei envia caçadores para uma floresta perigosa e eles nunca retornam. Alguns anos mais tarde, um explorador acompanhado por um cão ouve sobre as “madeiras perigosas” e pede permissão para caçar na floresta, alegando que ele poderia ser capaz de descobrir o destino dos outros caçadores. O homem e seu cachorro são autorizados a entrar, e assim que eles chegam a um lago no meio da floresta, o cão é arrastado sob a água por um braço gigante. O caçador retorna à floresta no dia seguinte com um grupo de homens para esvaziar o lago. Lá, eles encontram um homem com a pele como o ferro. Em “Cat and Mouse” esta história se transformou em um tema ‘caçador de recompensas’, sendo que as histórias não carregam muitas semelhanças. “Cat and Mouse” tem um sentido mais político, explorando os perigos da interação criaturas-humanos, e introduzindo os novos elementos do mundo Grimm, como a Veratt.

– 1×19, Leave It to Beavers: Este episódio foi inspirado em “Three Billy Goats Gruff” (“Três Cabras”), um conto de fadas norueguês. Na história original, três cabras querem atravessar uma ponte para chegar a uns pastos mais verdes. Mas a ponte é tripulada por um troll temível, quem come quem se atreve a atravessar. As duas primeiras cabras enganam o troll com a promessa de uma grande cabra com mais carne em seu caminho, e ele as deixa passar. Mas o terceiro bode é tão grande que ele facilmente lança o troll no córrego com seus chifres e cruza a ponte. “Leave It to Beavers” usou o tema assédio moral a partir do conto de fadas, incentivando os castores a enfrentarem o Hasslich, que é paralelo ao troll na história. Os Eisbibers, tímidos, eram uma combinação perfeita, assim como as cabras, e um alvo fácil para o Hasslich. Mas, como o bode grande na história, os Eisbibers tiveram sua própria arma secreta do seu lado para salvar o dia: Nick!
Criaturas:

– 1×18: Hundjager: São os cruéis executores da Verrat, conhecidos por serem persistentes e perversos.  Existem rumores de que Hundjagers comem suas mães a partir de dentro do útero. Rápidos, inteligentes, frios e calculistas, estes são os últimos Wesen que qualquer um gostaria de ver.

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