Quando Grimm começou, em outubro de 2011, ninguém dava muito por ela. De fato, os primeiros episódios da série pairavam entre histórias comuns e de qualidade mediana. Passo a passo, a série foi construindo sua mitologia e encontrando sua identidade. Especificamente, foi naquele episódio excelente que inseriu Adolf Hitler como um wesen que a série mostrou ao que realmente veio. A partir daí a série só cresceu, e quem foi paciente com aqueles primeiros episódios, se deliciou com aquele final incrível da 1ª temporada e ficou roendo as unhas para a 2ª.

A 2ª temporada facilmente superou a primeira, e depois vieram as excelentes 3ª, 4ª e 5ª. Ao longo desses anos, Grimm se mostrou uma série divertidíssima de acompanhar. Era humor e aventura na dose certa. Uma série que soube brincar com seus roteiros e desenvolver muito bem a maioria de seus personagens, inclusive um protagonista heroico pelo qual sempre torcemos. Uma mitologia que começou com contos de fada, mas foi se abrindo e abarcando as mais diversas e inusitadas possibilidades.

Essa 6ª e última temporada foi um pouquinho inferior às últimas três: por ser a temporada final, e, além disso, reduzida à 13 episódios, esperávamos mais adrenalina, e acabamos tendo uma temporada que começou e terminou de forma alucinante, mas que no meio do caminho apresentou uma calmaria muito grande. O bom é constatar que Grimm acabou na hora certa. A série conseguiu apresentar tudo o que se propôs ao longo dos anos e agora, se despediu com esse final maravilhoso, finalizando com chave de ouro esses seis anos.

Já digo que amei esse capítulo final de Grimm. Foram 42 minutos eletrizantes, emocionantes e muito bem aproveitados. Pela última vez, Grimm nos mostrou que sua cretinice não tem limites. Acreditei na morte de Eve/Juliette, afinal, eu já havia até comentado há algum tempo que pensava que esse seria o final da personagem. Quando Sean morreu, já fiquei cismado. Já a morte de Adalind, mesmo sendo a mais dramática dessas três, não me convenceu. Logo, com Rosalee e Monroe em seguida, ficou claro que haveria um jeito de reverter tudo isso.

Foi uma jogada extremamente ousada e inusitada de Grimm. É bem complicado fazer esses “reboots” em pleno series finale…. Mas foi bem feito e funcionou. Não quero nem ficar me atendo tanto a detalhes de The End como geralmente fazemos nas reviews, mas sim apreciar o todo da obra, que foi extremamente satisfatório.

O Zerstoerer, em conclusão, serviu como um ótimo “último vilão”. Foi, de fato, o mais bem construído, o mais perigoso e (quase) imbatível da série toda. O Zerstoerer serviu como a prova final de como Grimm soube onde queria chegar durante esses seis anos, concluindo a trajetória da série de forma bem amarradinha e sem pontas soltas. Nesses três últimos episódios, tudo ficou muito bem encaixado e coerente. The End, aliás, que continua exatamente do mesmo ponto que o anterior, é desenvolvido com maestria. Cheio de tensão, adrenalina e emoção à todo momento. Simplesmente sensacional.

Se pensávamos que o fator nostalgia ficaria reduzido apenas à flashbacks, tivemos Kelly e Marie de volta, brevemente, porém em um retorno inesquecível. A batalha final de Nick, ao lado de Trubel, e das forças de Kelly e Marie, era aquilo que todo mundo sempre quis ver, mas nem sabia. Uma ótima surpresa para esse final, mas que também não foi feita só porque “era legal”, mas sim porque fazia todo sentido para a conclusão da trama e a destruição do Zerstoerer. Conseguiram explicar até porque Trubel voltou “do nada” para ajudar Nick, e afinal, não era do nada.

Grimm 6x13: The End [Series Final]
Grimm 6×13: The End [Series Final]
Também já está ocorrendo discussões entre os fãs se tudo aquilo aconteceu apenas “na outra dimensão”, se esses acontecimentos dos dois últimos episódios foram uma ilusão do Zerstoerer para Nick entregar a varinha, entre outras coisas. De fato, existe margem para se interpretar de várias formas como tudo foi feito e desfeito, mas como a série acabou, nunca teremos 100% de certeza de tudo que aconteceu. E acredito que, segundo as palavras do Kelly do futuro, essa era realmente a intenção dos roteiristas: “Meu pai nunca soube o que dizer a eles”. A fala de Diana de que Eve/Juliette era uma hexenbiest “de novo” serviu para garantir ao telespectador que tudo aquilo, de uma forma ou outra, tinha realmente acontecido. Porém, acredito que esse pequeno último mistério, é uma forma bacana de manter a série viva na imaginação dos fãs.

Acredito que talvez a única coisa “que faltou” é que teria sido bem legal ter visto um pouco mais dos “20 anos depois”. Especificamente, gostaria muito de ter visto os trigêmeos de Monroe e Rosalee. Isso se torna até irônico, pois de certa forma, o que estou dizendo é que a única coisa “que faltou” é que, na verdade, eu queria um pouquinho mais de Grimm.

Enfim, Nick Burkhardt conseguiu seu final feliz ao lado Adalind, Kelly e até Diana, que em algum momento nesses 20 anos, começou a se referir a ele como “pai”. Monroe e Rosalee, ao que tudo indica, também tiveram uma boa vida com seus trigêmeos. Sean, Hank e Wu provavelmente reestabeleceram a delegacia, e agora, sem chaves que formam mapas ou Zerstoerers, provavelmente tiveram uma vida policial um pouquinho mais normal. O final de Eve/Juliette é o que fica mais incerto, porque inclusive, jamais saberemos se durante os 20 anos, ela preferiu continuar sendo chamada de Eve ou voltou para Juliette.

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A cena final foi um verdadeiro presente, e completamente adorável. Não há duvidas de que Kelly e Diana, sendo filhos de quem são e com os poderes que têm, juntos se tornaram praticamente invencíveis.  E assim, a série que começou se baseando em contos de fadas não poderia acabar de outra forma que não com um final feliz. E para nós, que acompanhamos a trajetória de Nick durante esses seis anos, só há uma certeza: Grimm vai deixar saudades.

REVISÃO GERAL
Nota:
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grimm-6x13-end-series-finalE assim, a série que começou se baseando em contos de fadas não poderia acabar de outra forma que não com um final feliz. E para nós, que acompanhamos a trajetória de Nick durante esses seis anos, só há uma certeza: Grimm vai deixar saudades.