Teria na cidade de Gotham espaço para um herói?

Essa é a pergunta que nos fica após outro excelente episódio deste início de Gotham. Pra mim, “Spirit of the Goat” é, ao lado de “Arkham” os dois melhores episódios da série em sua curta jornada… E existem inúmeros fatores que tornam este episódio em algo genial, começando pelo seu protagonista: o Detetive Harvey Bullock.

O cínico parceiro de Gordon jamais me enganou e sempre soube que nunca foi uma pessoa ruim, mas apenas alguém que já viveu em Gotham o tempo suficiente para perder qualquer esperança de mudar a cidade e simplesmente se entregou à corrupção que o cerca. Mas apesar da obviedade da trama, e de um passado um tanto quanto clichê, uma mistura de um caso interessante (com o bandido que deu nome ao episódio) e uma excelente atuação de Donal Logue, apenas nos demonstraram um excelente trabalho que se pode fazer com um clichê quando se trabalha bem um texto.

Já no início do episódio, fomos levados à 10 anos no passado, quando o jovem e sonhador Detetive Bullock mergulhou de cabeça no caso do homem que estava sequestrando jovens ricos de Gotham e matando, sob a justificativa de estar possuído pelo “espírito do bode”, e as consequências da noite em que invadiu o esconderijo do bandido fez com que a mensagem que seu parceiro Dix tentou te dar anteriormente: Gotham não é um lugar para heróis.

Dez anos se passam e vemos Harvey revisitando as mesmas cenas de crime que visitara há 10 anos, mas agora sendo o homem cínico que se tornou e que, definitivamente, não tenta ser um herói.

Acho que o que mais funcionou no episódio foi que Donal Logue conseguiu demonstrar com perfeição, nos pequenos gestos, como aquele caso estava influenciando seu personagem… Sabíamos desde o começo que as atitudes de Bullock não teriam justificativa melhor do que esta e que um trauma no passado apareceria mais cedo ou mais tarde, o que jogava para o intérprete do Detetive toda a responsabilidade de conquistar a simpatia do público, o que ocorreu.

Mas foi ainda mais surpreendente perceber que um episódio protagonizado por Bullock também teve tempo para desenvolver a trama de Gordon consideravelmente, com toda sua história com Barbara e Montoya (e Allen) chegando a um outro nível, com a nova testemunha ocular que permitiu que fosse emitido um mandado de prisão contra Jim.

E o mais interessante foi ver que neste mesmo episódio em que conhecíamos Bullock e descobríamos como o detetive desistiu de seu sonho de fazer algum bem para a cidade, Jim estava prestes a ser preso por não ter desistido deste mesmo sonho. E o que torna tudo ainda mais irônico é que nós, telespectadores, sabemos que apesar de Harvey e Dix terem razão em enxergar a cidade desta forma, Gotham é sim uma cidade onde pode existir um herói, e existirá, provavelmente o melhor de todos os heróis.

Até por esse motivo de querer mostrar ao público como funciona Gotham e como as personalidades de Gordon e Bullock se complementam, a trama envolvendo o vilão do episódio nos trouxe novamente a mesma dinâmica que tivemos com os vilões dos dois últimos episódios: pessoas que, de certa forma, antecedem o Batman e tentam “limpar a cidade”… Se observarmos, desde o Baloonman até a psicóloga Dra. Marks, deste “Spirit of the Goat”, tinham a mesma intenção de fazer heroísmo em prol da cidade…

E não é apenas as intenções que são semelhantes aos três últimos vilões: além de decidirem fazer “o bem” em Gotham, eles também tinham como alvos os mais ricos e proeminentes da cidade, o que demonstra o que até o pequeno Bruce já tinha descoberto: toda a corrupção de Gotham inicia-se com as pessoas mais ricas e importantes da cidade.

Com isso, Gotham demonstra estar muito consciente do caminho que está seguindo, tanto é que tem inúmeros arcos abertos ao mesmo tempo, revezando entre eles a cada semana, mas sempre seguindo com eles em direção a um mesmo caminho…

Como exemplo disso temos, por exemplo, Fish Mooney e sua guerra com Maroni e Falcone, que não apareceram nesta semana, mas voltam com tudo no próximo episódio… E temos um outro grande exemplo que atende pelo nome de Oswald Cobblepot…

Mas com o Pinguim a história é completamente outra… Após ter um enorme destaque em “Arkham”, Oswald foi deixado de segundo plano deliberadamente, pois suas participações sempre têm que ser impactantes, já que Gotham, hoje, é extremamente dependente de Oswald e sua manipulação…

E não foi surpresa nenhuma que em “Spirit of the Goat” Oswald voltasse a ter destaque, ainda mais com Montoya e Allen chegando perto de James que, como bem disse Oswald à sua mãe, é uma pessoa em quem ele confia… É um “amigo”. E com isso ganhamos de presente uma das cenas mais geniais de Gotham em seus seis episódios: o momento final quando Jim é preso e, no meio da confusão na delegacia, Oswald entra para dizer que está vivo.

E com isso, já nem sei mais o que esperar para a próxima semana… Só sei que, a cada semana que passa, gosto ainda mais de Gotham, que já é a estreia que mais me faz aguardar um novo episódio!

Um pouco mais sobre OSWALD CHASTERFIELD COBBLEPOT: Falando no Pinguim, basta vermos a (genial) cena de Oswald com sua mãe para entendermos o quão creepy ele pode ser. E sobre o que ele disse, eu não tenho nenhuma dúvida de que seja verdadeiro: Oswald confia em Jim… Mas Jim deveria confiar em Oswald?

Um pouco mais sobre a MENINA-GATO: Outra trama aberta que está ensaiando um retorno em breve é a que envolve Selina Kyle, que depois da aparição completamente insignificante na semana passada, voltou a aparecer, mas dessa vez com mais utilidade ao visitar a Mansão dos Wayne e roubar algum objeto que não identifiquei de Bruce… Claro que a garota também descobriu sobre a investigação do garoto e pode se tornar muito útil para ele em breve.

Um pouco mais sobre o ÓRFÃO WAYNE: Falando sobre Bruce, ainda que tenha ficado um pouco apagado essa semana, foi dele uma das cenas mais geniais do episódio, quando afirmou para Alfred que não temia ser raptado pelo Espírito do Bode por não ter ninguém que se importaria com o seu sumiço.

Um pouco mais sobre o CHARADA: Quem ganhou mais destaque do que já vinha ganhando foi nosso querido Edward Nygma, que apareceu ainda mais absorto em suas charadas do que nunca…

E entre paqueras com a senhorita Kristin Kringle e momentos de puro deboche, fomos presenteados com a sua emblemática caneca, que foi o maior easter egg de um episódio que não foi tão cheio assim deles…

Não sou muito de ver promos de nenhuma série que assisto, assim como quase nunca leio notícias sobre elas, o que mantém sempre um mistério em torno de grandes acontecimentos… Mas quando temos um cliffhanger como o de “Spirit of the Goat” e teremos um sétimo episódio chamado “Penguin’s Umbrella”, eu abro uma exceção… E olha, achei esse promo absolutamente FODA:

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