Fargo despertou a curiosidade de muita gente quando foi anunciada. Uma comédia de humor negro, adaptação televisiva do filme homônimo dos irmãos Coen, possuía no elenco nomes de peso que chamavam a atenção, como Martin Freeman (bombando na época graças à Sherlock) e Billy Bob Thorton, por exemplo. Depois de uma excelente temporada de estreia, a segunda não deixou em nada a desejar e trouxe ótimas surpresas, além de elementos ufólogos tiradas de O Homem que Não Estava Lá, também dos irmãos, tendo sido um dos principais destaques do ano de 2015. Com isso, as expectativas não poderiam estar mais altas com o demorado retorno da série, e a principal dúvida (e preocupação) era se ela conseguiria manter o ótimo nível das temporadas predecessoras.
Claro que apenas um episódio é pouco para definir a qualidade de uma temporada inteira que ainda está por vir, mas as premieres de Fargo costumam ser um ótimo indício do que veremos pela frente. Assim como a temporada passada, The Law of Vacant Places abre com uma cena aparentemente aleatória, que deverá ser explicada mais para frente e fazer sentido dentro da trama. Aqui, temos um flashback da Alemanha Oriental em 1988, com um caso que aparenta ser de identidades trocadas. Corta-se para o presente na história, somos apresentados aos principais personagens que deverão compor a temporada, algumas tramas paralelas, uma morte devido a um mal-entendido (como é característico da obra) e pronto, temos nosso episódio.
De imediato não há como não elogiar a excelente atuação de Ewan McGregor, interpretando os irmãos Ray e Emitt. Na temporada passada eu havia chamado bastante a atenção para o ótimo trabalho de maquiagem nos personagens, e é algo que não há como não ser notado aqui. Além de visualmente diferenciar (e muito) os personagens, imprime uma identidade própria para cada um deles. Porém esse mérito não é só por conta da maquiagem, o ator conseguiria diferenciar os personagens mesmo que não houvesse esse recurso (juro que se eu não tivesse lido que o ator interpretaria dois personagens eu não teria reconhecido ser a mesma pessoa). Para quem gosta de avaliar o trabalho dos atores, a temporada promete muito nesse sentido. Além dele, outros personagens, ainda que mais secundários, já demonstram um bom trabalho. Levei um tempo para reconhecer David Thewlis, e ele está deliciosamente caricato. Espero ver mais de seu personagem creepy. Quem também me divertiu bastante foi Maurice, o drogado lesado que Ray contrata para roubar um selo. Mary Elisabeth Winsted também introduziu bem sua personagem, que deverá ter bastante destaque. Carrie Coon me causou uma primeira impressão já melhor que Molly na primeira temporada, mesmo com menos tempo de tela.
Se por um lado a produção parece ter acertado em cheio no casting da temporada, por outro, de nada adianta se não tivermos uma boa história para acompanhar, afinal, é isso o que nós, espectadores, queremos. Como eu disse, apenas um episódio ainda é muito pouco para julgar esse quesito, mas as marcas registradas da série já estão presentes. Violência explícita, sangue e muita, mas muita neve presentes nessa premiere. Tramas paralelas que em algum momento deverão se cruzar, mal-entendidos causando mortes e investigação da polícia local também já deram as caras. Tudo isso acaba gerando um sentimento conflitante: a repetição de elementos é necessária para gerar unidade necessária em uma série que a cada temporada se reinventa, mas também nos deixa preocupados se não veremos nada de novo. Dado o histórico que a série possui, confiamos que o roteiro achará jeitos (sim, no plural) de nos surpreender. E vamos falar a verdade: quando se trata de Fargo, é isso mesmo o que queremos ver. Já faz parte da identidade da obra.
![Fargo 3x01: The Law of Vacant Places [Season Premiere]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/04/Fargo-3x01.jpg)
Apresentando um episódio que não revela muito da trama, mas nos estabelece nessa nova história, introduzindo de maneira orgânica os novos personagens, Fargo dá a largada para sua terceira temporada. Esperemos que seja tão prazeroso acompanhar este novo capítulo da Verdadeira História do Crime do Oeste Americano quanto aos capítulos anteriores.
Em tempo 1: Eu não sabia o quanto estava com saudades do “Esta é uma história real. Os eventos retratados ocorreram em Minessota…”
Em tempo 2: As duas primeiras temporadas estavam profundamente conectadas. Aparentemente, esta temporada não terá relação com as anteriores, mas não descarto um plot twist a este respeito.
















