Survivor Everything but Game Changers.

Com um episódio duplo retratando a merge, ficou constatado que Survivor Game Changers perdeu bastante do seu fôlego depois da saída de Sandra. Não é como se estivesse tudo perfeito e com a eliminação da rainha tudo tenha ido ao chão. Na minha opinião, a temporada ainda não conseguiu ter uma identidade própria e teve um começo excelente sendo refém do retorno de uma lenda. Os participantes ainda não se livraram dos estigmas do passado e parece que estamos ainda no pré game. O jogo já não estava tão dinâmico como em Millennials Vs. Gen X ou Second Chance, mas havia uma retornante fazendo a alegria do público. Tanto que no episódio da eliminação de Sandra a preocupação com o restante da temporada já era uma realidade. Tivemos nostalgia, excitação, mas não uma nova história empolgante para chamar de nossa. A temporada estava apostando muito no passado, mas sem nos dar uma perspectiva de futuro. Nenhum dos participantes nem de longe faz um jogo para se equiparar com o que Sandra, Tony ou Cirie fizeram no passado.

Os jogadores até aqui foram extremamente conservadores e passaram longe de demonstrar toda aquela capacidade de fazer Big Moves, que supostamente teria trazido todos eles de volta ao programa. Eu nunca fui de reclamar muito do retorno de jogadores que não foram Game Changers no passado. Sempre fui um defensor de assistir às temporadas All-Stars com a mente aberta e julgar os participantes individualmente por cada temporada. Não tenho problemas com o passado dos Game Changers e sim com o presente mesmo. É claro que o passado ruim afeta muito o jogo, uma vez que dificulta muito a reação daqueles jogadores que realmente fizeram Big Moves e mudaram o jogo anteriormente, mas o que vem enfraquecendo Game Changers é a falta de agir no presente.

Depois de 9 eliminações, podemos afirmar que o que predominou até aqui foi lealdade as tribos iniciais e caça aos jogadores de maior expressão. Assim, apesar de fazer inegavelmente um bom jogo, aqueles que estão no topo não empolgam como algumas figuras emergentes em seu retorno. Não temos um Boston Rob, uma Parvati ou uma Kelley Wentoworth, alguém que reescreve de verdade a sua história e se torna uma lenda do reality. É impressionante que após a Swap da temporada de Millennials Vs. Gen X os eliminados em cada uma das tribos estavam na maioria. Já na temporada com os chamados Game Changers, a covardia é o que está predominando.

Game Changer foi a capacidade de Chris e David ao eliminar Cece vislumbrando números na merge, o que funcionou muito para eles. Game Changer foi a decisão de Adam de dar um Blindside em Figgy, encontrando em Jessica e Ken importantíssimos aliados. Game Changer foi a ousadia de Jay ao trair Michaela, mesmo que tenha sido uma jogada arriscada demais e um tanto quanto precipitada. Eu não quero que os Game Changers façam jogadas burras para garantir o meu entretenimento (thanks JT) ou que prejudiquem eles no jogo. O que eu estou enxergando é uma grande quantidade de jogadores passivos, apegados às regras de Survivor nas suas primeiras temporadas e sem a capacidade de enxergar oportunidades no jogo. Não quero ver numa temporada intitulada Game Changers um participante achando que vai permanecer porque é um provedor e pesca muitos peixes. O que eu gostaria de ter visto é um jogador que consegue enxergar a sua atual posição no jogo e se aproveitar dos menos favorecidos para ir mais longe. Ficou muito claro neste episódio que as saídas de Sandra e Jeff Varner foram muito ruins para uma boa parte dos jogadores, porém eles preferiram se esconder a fazer um Big Move.

A produção, que foi justamente quem achou pertinente fazer um novo All-Stars depois de somente duas temporadas e de selecionar estas pessoas para jogar, tem seus truques para entregar a temporada prometida pelo público, mas nem todos estão dando tão certo. A principal arma utilizada pela CBS para transformar o seu elenco em Game Changers são as twists e vantagens inseridas no jogo. Muitas vezes os jogadores não conseguem fazer fogo, então a produção lhes fornece uma pederneira. Outras tantas eles não são capazes de conseguir alimento, o que faz a produção dar em forma de recompensa um kit para a pesca. Em Game Changers, o que mais vimos até aqui foi uma grande queima de estoque de idols, vantagens e twists, tudo para encorajar os Big Moves tão prometidos. São poucas temporadas como Pearls Islands que os jogadores são capazes de movimentar freneticamente o jogo sem o auxílio de qualquer ferramenta. A estratégia é mais do que acertada. Não estou criticando a produção, muito pelo contrário. Entretanto, por azar, todas estas oportunidades caíram nas mãos justamente do mesmo grupo de participantes. Sierra, Tai, Debbie e Troyzan (este último um pouco menos por ser da tribo Mana) tiveram um começo bem facilitado pela má reputação no jogo e ainda monopolizaram as vantagens e idols. Assim, o que deveria tornar a temporada mais imprevisível, saiu pela culatra e pode resultar num restante de merge bem monótono, principalmente porque este grupo não tem muito porque mudar as coisas e ir com jogadores como Cirie ou Aubry.

Se Sandra é Duas Vezes Campeã, Hali Tem o Honroso Título de Duas Vezes Primeira Membro do Júri

Survivor Game Changers 34x07: There's a New Sheriff in Town
Survivor Game Changers 34×07: There’s a New Sheriff in Town

Eu fui um defensor de Hali durante Worlds Apart e vi com bons olhos o seu retorno, afinal ela realmente parecia promissora. Entretanto, promissora ela ainda é, mas até quando? Como dizia Muricy Ramalho desesperado para um dos jogadores jovens do time do Santos: “Não dá para ser promessa para sempre. Uma hora você tem que acontecer de verdade”. Não, eu não desgostei de Hali em Game Changers, muito pelo contrário. Eu estava gostando muito da sua participação, mas a sua trajetória foi bem semelhante a sua primeira chance. Hali foi fofa, engraçada, deu bons argumentos, mostrou uma personalidade interessante e rendeu muitos Gifs, porém simplesmente não aconteceu como jogadora. Falta alguma coisa para ela de fato ser uma alguém que faça história no reality ou pelo menos que vá longe. Talvez, ela seja como Maia de The Good Fight e falte um pouso de firmeza para colocar o seu jogo em prática.

O pior é que, na minha opinião, a saída de Hali só comprova o quanto a temporada parece já ter eliminado seus melhores jogadores. Nada que eu tenha visto nem game Changers mostra que Hali era uma ameaça a alguém e eu realmente concordo com todos os argumentos utilizados por ela na tentativa de ficar. Minha frustração não é apenas com os jogadores que continuaram no jogo, mas também com a própria Hali, que tinha um contexto bem favorável e não conseguiu se manter no jogo. Contudo, o principal sentimento é mesmo o de que faltou um bom jogador para se aproveitar de Hali.

Durante a primeira parte do episódio duplo, vimos muito Cirie (MINHA CIRIE TÁ VIVAAAAAA) nos contar a respeito de uma espécie de guerra fria entre dois lados: grupo de Sierra e Brad Culpepper Vs. grupo de Cirie e Andrea. Até por isso, Cirie fez importantes esforços para manter Michaela, que pode ser uma importante aliada nesta guerra. Entretanto, não vejo porque nenhum dos lados resolveu não agir já na merge, já desenhando a linha na areia e porque não utilizou Hali para ter mais segurança de vitória na primeira batalha. Cirie mostrou um pouco das suas habilidades como jogadora, principalmente nos momentos em que pudemos vê-la aconselhando Michaela. Contudo, Hali e Michaela estavam em posições muito semelhantes e com a divisão de votos estava bem fácil assegurar os números para o seu lado já de cara. Sierra, inclusive, estava pedindo por um blindside e simplesmente não foi atendida. Andrea disse com todas as letras: “Nós temos que atacar Sierra e Brad antes que eles nos ataquem”. Zeke complementou: “Todos enxergam Hali e Michaela como potenciais soldados para o seu exército e a ideia é se certificar que o inimigo tenha um soldado a menos”. A melhor forma de fazer isso seria usar tanto Michaela quanto Hali contra o outro lado, escancarando logo os lados e saindo na frente. Entretanto, a passividade reinou e um dos lados já parece ter se arrependido.

Vi algumas pessoas confusas acerca do voto de Cirie em Michaela, mas, para mim, ficou bastante claro que todos com exceção de Miachela e Hali dividiram os votos entre as duas. Não importava em quem de fato Cirie votasse, ela salvou Michaela com a sua maior habilidades, as palavras. Foi convencendo os outros com a sutileza e a persuasão dos velhos tempos que Cirie selou o destino de Hali e manteve a sua aliança com Michaela, a mais linda da temporada.

Nova Temporada Velhos Erros

Survivor Game Changers 34x07: There's a New Sheriff in Town
Survivor Game Changers 34×07: There’s a New Sheriff in Town

Em Millennials Vs. Gen X, Zeke fez alguns péssimos moves traindo os seus principais aliados e se unindo com aqueles com quem tinha menos confiança construída. A jogada contra David saiu pela culatra e Zeke logo foi eliminado. Em Game Changers, ele deveria tentar corrigir esta ansiedade de se voltar contra aqueles que estão do seu lado, mas está cometendo os mesmo erros. Em entrevistas, David e Adam disseram que Zeke nunca se contentava em conversar apenas com os seus aliados e fazia questão de falar com todos sem a sutileza necessária no jogo. É como se ele fosse o melhor amigo de todos e ao mesmo tempo amigo de ninguém. Se comprometer com algumas pessoas é fundamental e até mesmo alguém como Russel ou Tony fizeram isso no passado. Zeke levou informações contra Andrea e Cirie para Debbie, que queria fazer um Big Move, mas que deixou claro que não precisava de Zeke para isso. Debbie pode ser louca e egocêntrica em 90% do tempo, mas ao mesmo tempo ela é inteligente e sabe avaliar que jamais pode confiar em alguém como Zeke.

Zeke quer ser o Sole Survivor no dia 28, mas o vencedor só precisa ser o Sole Survivor no dia 39. Não há necessidade de mandar em tudo e querer ditar tanto o jogo só o afasta da vitória. Sierra disse num confessional que Zeke era muito próximo de Andrea e Cirie e que conversa com ela como se ela fosse burra. Assim, Sierra foi bem inteligente e resolveu contar os planos de Zeke para Cirie, fazendo o lado contrário ao seu se voltar contra Zeke. Sierra já estava satisfeita em tirar Zeke, mas foi Debbie quem realmente tomou conta do jogo e percebeu a oportunidade de tirar Ozzy. Se tem uma nova xerife na cidade, o nome dela é Debbie. Sim, ela é louca e a cada semana nunca sabemos se ela vai ser inteligente ou descontrolada. Contudo, Debbie às vezes é uma grande jogadora e sabe usar a sua imagem de louca a seu favor. Apesar de ser muito diferente de Sandra em temos de personalidade, Debbie é quem mais bebe na fonte de fazer os outros jogadores a subestimar para tomar proveito da situação. A cada episódio fica mais difícil imaginar uma final sem Debbie e Tai e eu não tenho tanta certeza se ela perderia de Troyzan ou Sierra numa final. Continuo achando que Culpepper é o grande favorito, mas por mais maluco que possa parecer eu não consigo descartar uma vitória de Debbie.

Survivor Game Changers 34x07: There's a New Sheriff in Town
Survivor Game Changers 34×07: There’s a New Sheriff in Town

Ozzy pareceu um tanto mais maduro e contido em relação a suas participações anteriores. Ele até me surpreendeu conseguindo superar o seu trauma com Cirie e sendo capaz de trabalhar com ela, algo que o beneficiava no jogo. Entretanto, o seu principal defeito sempre foi a arrogância e ela estava mais do que estampada no último challenge. Se tratando da temporada de número 13, Ozzy tinha tudo para ter vencido Cook Islands, uma vez que chegou ao final não sendo vitorioso em apenas um dos desafios de imunidade da temporada. Entretanto, ele perdeu por um voto justamente por ser uma pessoa arrogante e por ter ao seu lado alguém muito mais inteligente e hábil com as palavras. A temporada atual chama Game Changers e é muita ingenuidade achar que a posição de provedor iria ser o suficiente para leva-lo mais longe. Assim, que Sandra foi eliminada eu disse que foi algo muito ruim para o jogo de Ozzy. Enquanto ela estivesse no programa, Ozzy não seria o alvo. Sem dizer que ela seria fiel ao plano de levá-lo para o final.

Quem acabou sendo decisivo para a eliminação de Ozzy foi Sarah, mas eu discordo bastante do seu embasamento para a decisão. Sarah disse que poderia ir com qualquer um dos lados e resolveu ir com aquele que iria votar em quem ela quer ver fora. Se eu estivesse no jogo faria exatamente o contrário. O meu foco não seria em quem vai sair as long as it’s not me, mas em quem permanece na maioria. Mais importante do que eliminar ameaças é manter uma maioria confiável e neste aspecto Sarah não parece estar no núcleo da aliança com Sierra e Brad. Ela possui boas chances de vencer, uma vez que está numa boa posição, não é vista como ameaça e tem uma ótima edição, mas não estaria numa posição de controle em qualquer uma das alianças.

> Dicas de 5 Séries Nerds!

Vamos torcer para a que a temporada se recupere porque este episódio duplo foi uma grande decepção.

Ranking da Temporada

1- Brad Culpepper. Além de estar na melhor posição possível, está conseguindo não ter o seu nome especulado para a eliminação. Acredito que em algum momento ele vai ter que tirar Sierra antes que ela faça isso com ele. Estar numa aliança com Debbie e Tai é muito perigoso porque todos devem querer levá-los para o final. Assim, só sobra uma vaga para outra pessoa.

2- Sarah. Sinto fala de Kass mandando Sarah para casa, não vou mentir. Ela tem boas chances de vencer e a edição focou muito no seu ponto de vista em relação ao fato de Zeke ser transexual.

3- Debbie. Colocar Debbie em terceiro lugar é bem perigoso, uma vez que ela oscila muito entre a genialidade e a total falta de noção. Ela é um dos principais personagens da temporada e estou flertando com a ideia dela ter chance de vencer.

4- Sierra. Engraçado que ela esteja mais na pauta para a eliminação do que Brad. Sierra faz um bom jogo. O problema é que eu não consigo enxergar a possibilidade dela transformar o jogo a seu favor. Acredito que ela vai ficar presa nesta aliança e quando tentar usar Debbie contra Culpepper acabará eliminada.

5- Troyzan. Está bem planta, mas numa posição tranquila.

6- Cirie. Cresceu no jogo ao manter Michaela e ao se articular. Muito difícil descobrir as motivações de Cirie ao votar em Sierra. Ela disse no voto que queria apimentar a coisa, mas não temos certeza se ela sabia que o plano do seu lado daria errado ou se pensou que o seu voto não faria diferença para a eliminação de Zeke. A temporada deu uma desendada, mas é inegável que ver Cirie ativa é BOM, BOM, BOM, BOM, BOM.

7- Tai. Tem 2 idols e venceu Ozzy. Tai vai bem no sentido de manter a alegria. Ele precisa evitar a bad trip do seu jogo em Kaoh Rong e vem fazendo isso bem.

8- Aubry. Vem ganhando mais destaque na edição, mas é muito difícil imaginar que ela consiga se colocar bem no jogo. Se aliou a Ozzy e o que aconteceu? Eliminado.

9- Michaela. Amei a sua parceira com Cirie e é muito legal ver duas mulheres negras se unindo na merge. Algo muito louco precisa acontecer e virar o jogo de cabeça para baixo para Michaela sair da sua péssima posição. Michaela, Andrea e Cirie é a minha final dos sonhos.

10- Andrea. Estou morrendo de medo de Andrea sair na próxima semana. Eu amo esta mulher. Vem muito bem nos challenges e amei seu desabafo no voto.

11- Zeke. Stop trying to make Zeke happen. It’s not going to happen, Gretchen. É impressionante como Zeke quer ser o melhor amigo de todos e acaba não sendo de ninguém. Ele desperdiçou a chance de ter Varner do seu lado, que se voltou contra ele, e agora fez o mesmo com Andrea e Cirie. Foi a exata mesma coisa que já tinha feito com David e Hannah na temporada passada. Não acho que ele vai sair tão cedo, mas ficou numa posição muito difícil e ninguém confia nele.

REVISÃO GERAL
Nota:
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