
Comédia e drama na medida certa.
Spoilers Abaixo:
É com imensa alegria que escrevo sobre umas das séries mais queridas e bem feitas da atualidade. Drop Dead Diva passou por um momento delicado e chegou a ser cancelada pela Lifetime, mas depois de muita indignação dos fãs – pois a série ainda havia deixado um gancho para a próxima temporada – tivemos a notícia da própria emissora sobre o descancelamento – total alegria, né?
Drop Dead Diva é uma série que transita entre a comédia e o drama de forma muito inteligente. A história principal é um “clichêzão” – a alma que entra no corpo de outra pessoa – baseado nos filmes “Sexta-feira muito louca” e o “Céu pode esperar” – que poderia muito bem ter sido um tiro no pé, mas acabou dando certo. Josh Berman nos oferece um roteiro com a visível intenção de proporcionar momentos de reflexão – tendo como mote principal as mais variadas discussões sobre os relacionamentos do ser humano e tudo – quando digo tudo, é TUDO mesmo – que se pode fazer em prol de algum tipo de sentimento, seja ele qual for.
A série é dividida em diversos bons momentos entre o drama e a comédia, e o que mais me surpreende em quase todos os seus episódios até hoje é a excelente regularidade e fluência das histórias sem grandes furos, apenas alguns defeitinhos aqui e ali, bem esporádicos. Temos quase sempre três grandes divisões dentro dos episódios – o tribunal e no geral, suas histórias consistentes, demonstrando como a Lei é cheia de nuances e como o trabalho de um bom advogado exige inteligência e ótimas estratégias, os dramas e confusões sentimentais de Jane-Deb e as trapalhadas maravilhosas de Stacy e Teri – que dão um tom especial ao timing de comédia da série.
É impossível falar de Drop Dead Diva sem elogiar o excelente elenco e sua ótima química em cena – destoando apenas quando Jackson Hurst participa, já que o personagem sem sal de Grayson também não ajuda muito. Destaque absoluto para Brooke Elliott que é uma atriz muito completa e talentosa, constituindo este seu personagem praticamente “duplo” de forma cativante e dando o tom exato ao andamento da série. Também não posso deixar passar o excelente trabalho de Margaret Cho e April Bowlby que são comediantes natas e nos presenteiam quase sempre com muitas e muitas gargalhadas.
Nestas últimas quatro temporadas a série debateu muitos e muitos temas, nos apresentou um número significativo de excelentes episódios e principalmente nos deu a chance de criar uma identificação com Jane-Deb que nos faz sempre torcer por ela. No começo da série todos torciam para que Jane realmente conseguisse conquistar Grayson – apesar deste personagem não cativar ninguém –, mas no momento que Owen surgiu, passou a existir uma divisão nas opiniões sobre quem deveria ser o par romântico de Jane. E nesta quinta temporada seguimos nesta mesma discussão. Na última season finale, além do dramático triângulo amoroso, tivemos a entrada da verdadeira Jane na história, o que promete realmente apimentar a série.
Quando comecei a assistir “Back From the Dead” tinha certeza absoluta que a verdadeira Jane estaria no corpo de Owen e fui realmente pega de surpresa quando descobri a ótima sacada do roteiro a colocando no corpo de uma loira-gostosa como a Deb original. Na verdade, deu a entender – pelo menos neste começo de temporada – que o mote principal da discussão de Mr. Berman será justamente o quanto a aparência é mesmo fundamental ou não na vida de uma pessoa, já que tivemos a saída de Luke – confesso que nenhum anjo da guarda será tão querido e cativante como Ben Feldman com seu Fred – e a entrada de Paul que é bem divertido, trazendo à tona a discussão sobre a beleza. Este episódio teve bastante “chororô” de Jane por ter feito toda a “prezepada” no dia do seu casamento e dois casos interessantes nos dando uma dose bem grande de ensinamentos jurídicos – e mais uma vez foi muito fofo ver Jane ajudando Teri em um caso no tribunal, ainda mais envolvendo uma criança.
Enfim, foi uma season premiere bem interessante, nos dando uma pincelada do que se pode esperar desta temporada. Drop Dead Diva continua com a mesma qualidade técnica, um ótimo roteiro e sua química afinada de elenco. Este episódio criou ótimas expectativas, já que Jane esta aí para infernizar a vida de Deb que continua vivendo o seu intenso triângulo amoroso, já que Grayson vai lutar por ela e ela está lutando por Owen. E nunca podemos esquecer de Stacy que sempre guarda excelentes histórias para nós. Foi um ótimo começo para uma série que chegou a ser cancelada.
PS. Teri continua sendo a pessoa mais eficiente do mundo e desfez com o todo o casamento rapidinho… hahaha… Só não resistiu e roubou o bolo com cobertura de licor de framboesa…hahaha… Mas ela merece né?
PS. Adorei a referência de Stacy para Downton Abbey.
PS. Eu realmente sinto falta de Fred na série.
PS. Stacy está cada vez melhor com seus conselhos para Jane – esta amizade é com certeza uma das melhores coisas da série – mas senti falta da Stacy “palhaça” neste episódio.
PS. Adorei a participação da Juíza Sanders dando uma de mãe da Jane.
PS. Gosto muito da humanização que o roteiro tem feito com a personagem da Kim, demonstrando um excelente crescimento na série.
PS. Deu para notar um certo corte de orçamentos, já que Parker não participou do episódio e também achei estranho a mãe de Jane não aparecer novamente, já que a filha acabou não se casando.















