Jane tomando as rédeas da sua vida…

Drop Dead Diva está chegando à reta final e tudo se encaminha para um grand finale libertador – esta seria a palavra certa. E quem vai dizer que as atitudes de Jane estão erradas? Quem seria capaz de pensar assim depois de tudo que já aconteceu? De toda a sua transformação? Deb não era a pessoa mais inteligente do mundo, mas tinha um frescor, um otimismo, um bom humor com a vida – seu sorriso iluminava o caminho das pessoas que estavam ao seu lado, assim como acontece com Stacy. Ao voltar no corpo de Jane, ela ganhou uma inteligência, uma disciplina, uma maturidade que a transformou em uma pessoa diferente – uma pessoa melhor. Mas ao mesmo tempo – se analisarmos seus passos – desde o seu retorno, ela sempre manteve certos cuidados para que seus atos não tivessem graves consequências na vida das pessoas que ama. Mas existe um momento que é preciso chutar o balde, não é mesmo? Quem nunca se sentiu assim?

Antes de continuar falando de Jane, é preciso falar de Grayson e suas atitudes pra lá de egoístas neste momento. Tudo bem que nossa super-advogada não está nem um pouco preocupada com Owen, Kim, o escritório ou qualquer outra coisa – mas ele precisa usar o anel de formatura e ir ver seus e-mails? Sim, imaginamos que não seja nada fácil estar no corpo de outra pessoa, mas poderia ser mais discreto, não é mesmo? E algo ficou muito claro, o espírito de bom vivant de Ian tomou conta da cabeça de Grayson – e isso não pode ser alguma coisa realmente boa. O que vai acontecer agora?

Seguindo a ótima dinâmica de Drop Dead Diva, tivemos mais uma vez Kim sendo o alivio cômico do episódio com Hank e seu “Voador da Meia Noite” – nos proporcionando muitas risadas e uma ótima reflexão. Hank é um personagem emblemático da série, pois suas participações sempre foram engraçadas e interessantes – em “Hero” isso não foi diferente. O tema do super-herói no meio da noite nos faz refletir o quanto seria bom se existissem muito mais “Voadores da Meia Noite” por aí dispostos a fazer o bem sem esperar nada em troca. O mundo passa por uma transformação onde – infelizmente – pensamos cada vez menos no outro e cada vez mais em nós mesmos – até quando? O que determina um herói? Seria mesmo uma máscara e um colant? Espero que todos possam verdadeiramente refletir sobre isso. E não posso deixar de registar o quanto Kim se tornou um personagem adorável.

Voltando então a Jane e suas atitudes libertadoras, precisamos sim, entende-las e aceita-las, pois nada mais justo que ela queira ser feliz já que teve uma terceira chance para isso. Sim, ela morreu, voltou, recuperou o seu grande amor e depois ele morreu e quando ela achou que tinha perdido tudo, ele também voltou. Não é uma terceira chance? Já pensou se todos nós tivéssemos tantas chances para fazer o certo e encontrar a felicidade? Talvez tudo se tornasse mais fácil, mas não tenho certeza se por este motivo perderia a graça.

Drop Dead Diva é uma grande brincadeira sobre a vida e a morte – as duas únicas certezas que realmente possuímos todos os dias ao abrir os olhos pela manhã. Acredito que 99% das pessoas têm medo da morte, medo do que pode ou não ter logo em seguida. A brincadeira sobre voltar à vida no corpo de outra pessoa nos deve fazer lembrar que na verdade, poucas vezes na vida temos uma segunda ou terceira chance – pois a vida é o AGORA, o passado é aprendizado e o futuro uma utopia. O que nos move a sermos pessoas melhores é a esperança de realizar, de amar, de sorrir e de se afirmar como alguém especial, interessante e adorável. O ser humano não nasceu para viver sozinho, por mais que muitas vezes isso não pareça uma verdade. Drop Dead Diva nos faz refletir sobre a esperança de ser uma pessoa melhor, de evoluir, mesmo que não saibamos quanto tempo realmente temos.

Estamos chegando à reta final de uma série que deixará eternas saudades, não só pelas risadas, pela dinâmica inteligente ou por seu ótimo elenco. Drop Dead Diva deixará um imenso vazio para aqueles que gostam de assistir a produções que nos fazem pensar e refletir sobre a vida, sobre o outro, sobre nós mesmos. A televisão pode não ser apenas entretenimento, às vezes ela pode ter um peso maior, pois um texto bem escrito, uma frase bem colocada pode ser o que você precisava ouvir naquele momento e ninguém a sua volta estava conseguindo lhe falar. Com certeza, não são muitos os roteiros com este poder, mas Mr. Berman conseguiu. Nostalgia, saudades e uma profunda tristeza tomam conta de todos que aprenderam a amar esta série – nos resta apenas esperar um grand finale inesquecível e realmente libertador!

PS. Kim já deu um pé na bunda de Dave, mesmo?

PS. Teri, por favor volte!!!

PS. Senti falta de Stacy neste episódio!

PS. Impossível não estar triste…

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