Se por um lado, a cada novo episódio, a família Barber se encontra mais abalada e próxima do fundo do poço, por outro eles encontram mais motivações para se aproximarem um do outro. Em seus dois novos episódios, Em Defesa de Jacob volta a instigar o espectador – e seus personagens – com um mistério cada vez mais ambíguo e complexo.

Citando nossos amigos do Derivado Cast, a série estrelada por Chris Evans, Michelle Dockery e Jaeden Martell continua com suas pistas indo de um lado para o outro – quase como uma partida de tênis –, fazendo com que a suspeita nunca fique em um personagem por tempo o bastante para fecharmos uma única teoria. Permite, assim, que o público perambule pelas próprias dúvidas, tema pelo jovem Jacob e desconfie de cada informação lhe apresentada em cena.

Ao mesmo tempo em que estamos acostumados com séries e filmes onde um dos protagonistas é falsamente acusado de um crime, também não nos é estranho quando um deles se prova culpado no final. A partir disso, Em Defesa de Jacob sabe muito bem explorar tal nuance complexa das narrativas contemporâneas, abrindo um leque extremamente diverso de possibilidades e dúvidas que, certamente, permearão até o oitavo e último episódio.

Nos novos episódios, vemos novamente uma reflexão acerca da possibilidade do jornalismo se tornar uma arma imoral nas mãos de alguém de má fé: Laurie é enganada e acaba, acidentalmente, dando um depoimento para alguém que ganharia em cima do seu sofrível desabafo. Mas não foi tal acontecimento que a colocou no fundo do poço: ela, a figura da mãe perfeita, certamente é quem mais está quebrando com as repercussões do caso, e vemos isso desde o início da minissérie.

Mais do que seu marido, mais do que a advogada e mais do que os próprios espectadores, Laurie é a que mais se mantém confusa diante da culpa do filho. Já disse diversas vezes que não acredita que ele tenha cometido o crime, mas seu subconsciente não a deixa se safar com uma visão tão simplista da situação. Sem emprego e sem amigas, a inevitável solidão se mistura com as dúvidas e a fazem entrar em colapso, fazendo com que se mostre, mais uma vez, a personagem mais profunda e complexa de toda a trama. Dockery sabe trazer, com maestria, todo o poder de cena necessário para viver Laurie Barber, valendo ressaltar a cena do supermercado, onde pela primeira vez em muito tempo se permite viver sua vida e se soltar, mas acaba sendo puxada de volta da pior forma possível para o caos que permeia a vida da família, pois na visão pública, Laurie nada mais é do que a mãe de um monstro, só e somente, tendo seu próprio direito a um mínimo de humanidade contestado cena após cena.

Outros acontecimentos marcam bastante o desenrolar do mistério, como o encontro com o personagem Matthew e a reviravolta por trás de Derek, antigo melhor amigo do jovem Jacob. É evidente que ambos os personagens ainda terão papéis de extrema importância no desenrolar dos casos, tendo suas pistas apresentadas pouco a pouco, aumentando o anseio por respostas. Além disso, vale ressaltar que as revelações trazidas por Sarah – em relação a Derek – não só serviram para colocar mais uma pessoa na lista de suspeitos, mas também nos mostrar um pouco mais da personalidade garoto Barber: a partir dos desfechos dos segredos da jovem amiga, Jacob mostra pela primeira vez um lado que contraria a ideia de “bom menino”, alcançando as noções hipócritas de babaquice e escrotidão que tanto julgava errado. E assim a partida de tênis continua: quando mais um suspeito é adicionado à lista, mais um motivo surge para questionarmos a moralidade de Jacob Barber, o acusado.

O quinto episódio, ainda, traz outros dois pontos que se destacam em meio ao turbilhão de teorias e mistérios: a revelação de Jacob no boliche e, indiretamente ligado a isso, a visita de Andy a seu pai no presídio. O personagem de Chris Evans, contra sua vontade inicial, vai parar o presídio convencer seu pai, que não vê desde pequeno, a fazer um teste de DNA que poderia ajudar na defesa de Jacob: se for provado que o garoto tem o gene assassino, proveniente do avô, sua pena seria reduzida. Assim, entra na história o ilustre J. K. Simmons, interpretando um homem vil, mas que traz uma dose de sarcasmo um tanto calorosa à narrativa.

Se o garoto herdou ou não tal gene de seu avô acaba se tornando quase uma evidencia confirmada na série junto à revelação de Laurie sobre a festa do boliche – ou seria Jacob quase esmagando a cabeça de outra criança apenas um acontecimento isolado? Ainda assim, se herdou ou não, ainda não significaria que, de fato, matou o colega de classe, o que torna toda a relação “Who done it” ainda mais complexa e, de certa forma, cada vez mais brilhante.

Em Defesa de Jacob permeia por um caminho conflituoso, fazendo o espectador duvidar das próprias opiniões e, ao mesmo tempo, desejar cada vez mais por respostas. Um crime cruel, sem dúvidas, foi cometido, mas um crime quase tão baixo e ordinário está sendo feito: a destruição das vidas de Andy, Laurie e Jacob pela mais pura e vil opinião pública. Porém, assim como na vida dos Barber, o caos que perambula em meio às ideias e teorias não vai embora tão cedo, caros leitores, pois acabamos de passar da metade da temporada, e com certeza teremos mais revelações, pistas e dúvidas nestas três próximas semanas.

REVISÃO GERAL
Nota:
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defending-jacob-1x04-05-damage-control-visitorsNovos episódios de "Em Defesa de Jacob" continuam mistério conflituoso e instigante