Chegar em sete temporadas é uma tarefa um tanto quanto difícil. E Brooklyn Nine-Nine conseguiu chegar em seu sétimo ano, sendo esta a segunda temporada pelo canal americano NBC – o mesmo de Will & Grace e The Good Place.
Conhecida pelos seus fortes ganchos entre uma temporada e outra, os famosos cliffhangers – dessa vez vimos a continuação da ponta que ficou solta na temporada anterior – o capitão Raymond Holt (Andre Braugher) sendo rebaixado por Madeline Wuntch (Kyra Sedgwick) para fazer apenas patrulha nas ruas.
Com isso, vemos como o time da 99ª delegacia do Brooklyn terão que lidar sem o seu principal líder no comando. É sempre bom quando uma sitcom promove uma troca de posições que mexem na dinâmica da série. Holt estando em uma escala abaixo de todos os seus funcionários – incluindo os detetives, é um show a parte. É divertido ver o dilema que Jake Peralta (Andy Samberg) tem quanto precisa dar ordens em seu antigo boss.

Falando em Jake Peralta, seu relacionamento com a Sargento Amy Santiago (Melissa Fumero) vai muito bem, obrigado. É legal essa relação de casal no trabalho – sobretudo quando ela está em um cargo acima do dele e isso não o afeta nem um pouco. A questão que estava pegando para os fãs, de fato era que pouco víamos do relacionamento dos dois fora da delegacia desde o casamento no final da quinta temporada.
Durante a San Diego Comic Con de 2019, o criador da série Dan Goor prometeu que veríamos mais de PeralTiago em cena. E bem, ele cumpriu. E com maestria. Jake e Amy decidem dar um passo a mais no relacionamento e ter um filho.
Quem viu a sexta temporada deve se lembrar que os dois tiveram uma discussão em um dos episódios, afinal de contas, ela tinha medo de não conseguir ser mãe a tempo enquanto ele não tinha a menor pretensão de ser pai. Foi um dos momentos mais sérios e tristes para os fãs do casal.
Felizmente isso tudo foi resolvido e Jake se mostrou mais maduro – apenas nessa questão, ok? – e decidiu que queria sim ter um filho com Amy. E, SPOILER: Amy consegue engravidar.
Mas se você acompanha a vida de Jake Peralta sabe que ele tem sérios problemas familiares, principalmente com seu pai. Como seguir em frente com esse medo? E se ele for um pai ruim, como seu pai, avô, bisavô e por aí segue…
Por isso, em um dos episódios mais fofos da temporada, Jake discute com seu pai Roger Peralta (Bradley Whitford) e seu avô Walter Peralta (Martin Mull) a relação entre eles e tenta consertar tudo, pois não quer que seu futuro filho sofra da maldição dos Peralta.

Andy Samberg é muito carismático e o mérito de Jake Peralta ter se tornado tão popular com os fãs da série se deve muito a ele. Claro que o roteiro e construção do personagem ajudam muito – engraçado, puro, simpático, bom marido – mas sem ele, talvez o personagem não fosse tão grande quanto é.
Aliás, falando em atuação, sempre temos grandes estrelas passando pela série. É o caso de Martin Mull (Roseanne, Arrested Development) como o avô de Jake ou J.K. Simmons vencedor do Óscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2015, pelo filme Whiplash.
Todo o elenco manda bem, mas sem sombra de dúvidas, Melissa Fumero deitou e rolou nessa temporada. Grávida de seu segundo filho, a atriz dá um show nos seus momentos de surtos, alegrias, medo e ponderamento. Ela soube dar o tom necessário para a personagem em cada uma das situações e foi uma delícia acompanhar Amy Santiago nessa temporada.

Apesar de estar em seu cargo de Sargento há algum tempo, nunca tivemos muitas oportunidades de vê-la no comando, e quando isso acontece na sétima temporada, ela dá um show.
Nessa temporada, as tramas paralelas também foram divertidas. Rosa Díaz (Stephanie Beatriz) está cada vez mais divertida com suas caras e bocas de braba ao mesmo passo que não foi ignorado a evolução da personagem com relação aos seus sentimentos e ela se mostra cada vez mais como uma amiga muito fiel, sobretudo para Amy.
Charles Boyle (Joe Lo Truglio) segue sensacional com as coisas que mais importam pra ele: Nikolaj, a delegacia e Jake Peralta. Ele é o maior shipper do casal peraltiago que existe na terra e essa temporada só confirma o que todos já tínhamos certeza, o quão fiel ele é a seu amigo.
O Tenente Terry chega a assumir a delegacia por um bom tempo, e é impossível não sentir a presença e o carisma de Terry Crews no personagem que rende em um dos episódios um dos momentos mais icônicos da série: uma rebolada junto ao Capitão Holt.
Muitos fãs tinham medo que com a saída de Gina Linetti (Chelsea Peretti) a série poderia perder a mão e não saber colocar um personagem a altura no lugar.

De fato, não há ninguém substituindo Gina na delegacia, mas as participações de Hitchcock (Dirk Blocker) e Scully (Joel McKinnon Miller) aumentaram. Apesar de continuarem sendo os velhos comilões, preguiçosos a dupla rendeu bons momentos na temporada e por algumas vezes chegaram até a salvar o dia.
Essa temporada de Brooklyn Nine-Nine foi como uma carta de amor à própria série: tivemos episódios de mistério, reviravoltas, o bom e velho Doug Judy (ele as vezes dá uma sumida, mas tá sempre por aí, não é mesmo?) e claro: a volta do Jimmy Jabs Game e uma bela saída para o tradicional assalto de Halloween.
Quando ia ao ar na Fox, Brooklyn Nine Nine estreava geralmente em setembro e ia até o mês de maio, mais ou menos. Esse calendário pegava a semana de Halloween e tínhamos o tradicional assalto de Halloween que elegia “the best detective slash genious” da delegacia.
Na NBC, a série começa em janeiro, quase três meses depois do Halloween. Como incluir o já tradicional episódio sem que pareça nonsense? Pois bem! O assalto encontrou tantos problemas pelo caminho que começou no Halloween de 2019 e só foi ser concluído de fato na páscoa de 2020. Dessa vez, os policiais precisavam recolher as joias do infinito e mantê-las até à meia-noite.
A sétima temporada de Brooklyn Nine-Nine foi a mais curta de todas. Tem apenas 13 episódios. O criador da série Dan Goor disse que prefere assim. Não sentiu necessidade de adicionar mais episódios, como a sexta que ganhou mais cinco episódios, totalizando dezoito.
Na minha opinião, esse número curto de episódios tem um lado bom e o ruim. O bom é que não há espaço ou tempo para ser desperdiçado. A história precisa acontecer e com um número reduzido de episódios a equipe pode se dedicar melhor a cada um deles. O lado ruim é que foi tão proveitoso, que de fato fica aquela sensação de quero mais!

E sim, teremos mais. A oitava temporada já foi confirmada pela NBC e está prevista para estreia em janeiro de 2021.
A sétima temporada de Brooklyn Nine-Nine conseguiu se sair bem com tantas dificuldades. No sétimo ano é difícil se reinventar e não cair em certos vícios, mas a equipe soube contornar muito bem e dar à série um frescor que a transforma, sem dúvidas, na melhor série de comédia da atualidade.
Seja por suas piadas sem grandes problemáticas ou por um elenco fenomenal que sabe rir de si mesmo, a sensação que fica é que B99 precisa durar por muito tempo ainda.
NINE-NINE!















![Os Melhores Episódios de 2019 | Primeiro Semestre [20-11]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2020/04/TOP-20-11-218x150.png)