This is hilarious!”

– BITCH, Natalie Ortiz

Entendido como uma “reação complexa a uma ameaça perceptível à uma relação valiosa ou à sua qualidade”, o ciúme envolve sempre três sujeitos: aquele que o sente, a pessoa de quem se sente ciúmes e o responsável pelo desencadeamento desse sentimento. Natalie, como não poderia deixar de ser, se encaixa, perfeitamente, na terceira definição e, como se não bastasse beijar o ex da irmã – provocando um sorriso constante, involuntário e provocativo em Dominic, que o dominou em todas as cenas que interagia com April, sinal claro de uma vingança que, se planejada, não poderia ser melhor – Natalie resolve publicar inúmeras selfies fazendo duck face com Beth, em lugares que April já não frequenta há meses e que, pelo menos por enquanto, não possui disposição para ir, fazendo surgir aquele gostinho amargo de impotência e incapacidade de poder proporcionar, na mesma medida, aquilo que o outro consegue e pode fazer.

Se não estive em remissão e fragilizada por todas as consequências da doença que está enfrentando, poderia apostar que April não teria a mesma reação ao se deparar com o furacão Natalie arrastando e chamando para si todas as pessoas que a rodeiam, não somente porque ela poderia ter ido à Pure com Beth, mas também porque não combina com a maturidade e personalidade da personagem esse tipo de atitude. Não tem como controlar as pessoas que, inesperadamente, surgem na vida de nossos amigos e familiares, e a constância disso nos faz aprender, na marra, que não somos proprietários ou únicos na vida de ninguém, isto é, pelo menos em números, porque qualitativamente cada um é singular e importante de algum jeito para nós, e é isso que importa. April, insisto, sabe disso, mas o momento não permitiu que ela se expressasse neste sentido, sobretudo após aquele discurso comovente da personagem que superou o câncer, mas que não soube contornar o afastamento, que imagino ser natural, dos seus amigos.  Na verdade, mesmo se não soubéssemos que April estava tentado forjar uma situação, toda aquela animação e bebedeira soou tão inverossímil nela que, se me contassem que ela nunca havia ido à uma balada, eu acreditaria tranquilamente, pois conhecemos muito pouco da April A.L (antes da leucemia).

Natalie, a autora da frase-título dessa review, reagiu a tudo isso do jeito mais Natalie possível: gargalhando. É um despretensiosismo perigoso que, ao mesmo tempo em que facilita suas interações com as outras pessoas, a deixa um pouco distante dos sentimentos e opiniões alheias, ou seja, é como se ela ignorasse, pela simplicidade com que ela conduz suas questões pessoais, a complexidade e a teia de emoções que regem outras pessoas. O que a absolve é a certeza de que ela não faz por mal, não faz para provocar, não quer ser a nova “melhor amiga” de Beth, tampouco tem qualquer interesse em Dominic (ainda!), ela quer é conhecer novas pessoas e se divertir com elas, e não importa se o significado de diversão para Natalie ser diferente do meu, do seu ou do de April, quem se arriscar e se enveredar por esse furacão, terá sempre uma boa companhia, com direito a doses free de tequila, já que ela é muito bem relacionada com a categoria dos bartenders, e decotes profundos que te livrarão de longas filas.

A discussão de April e Beth funcionou como estopim para o poço de ciúmes em que April se afundou, e todas as inverdades ditas ali, seja da parte do April que não possuía qualquer controle das palavras que usou, seja de Beth que apenas reagia, machucada, ao desabafo de April, apenas serviram para estabilizar a relação entre as duas que, mais cedo ou mais tarde, não iria conseguir se sustentar, sobretudo porque Beth se colocou em uma posição protetora, na qual sua felicidade dependia da de April, e enquanto ela se sentisse nesse campo minado, abrindo mão das próprias vontades, não haveria espaço para aquela conversa sincera que vimos no fim do episódio, e uma simples ida à balada permaneceria como sendo algo a se esconder.

Por fim, destaco o desenvolvimento, mesmo que mínimo, do plot de Brenna, que, embora permaneça naquela inconclusão eterna com Greer (a passividade da personagem em aceitar a proibição imposta pelos pais é maçante e não importa a sua sensatez e responsabilidade exacerbadas, se espera outra atitude de alguém que diz querer muito estar com Brenna), finalmente saiu do ponto morto. Falo em desenvolvimento porque espero, de verdade, que o fato de Greer faltar à aula seja apenas um prenúncio simbólico de que ela irá se mexer e enfrentar essa restrição sem fundamentos que os pais a impuseram.

Enfim, Chasing Life apresentou um episódio redondinho, superior aos dois últimos e, apesar de não saber o que se esperar do próximo, sei que, provavelmente, Natalie estará envolvida em alguma situação-problema que surgirá e isto, por si só, já é garantia de bons momentos.

P.S: #NatalieemBostonparasempre

P.S.2: Qual a real qualificação profissional de Leo? Fiquei curioso em saber após o desastre no primeiro dia de trabalho.

P.S.3: É o fim de Regina George?

Artigo anteriorPrimeiras Impressões: The Casual Vacancy
Próximo artigoJustified 6×04: The Trash and The Snake