O mundo tem voltado os olhos para os games. O cinema, apesar de recentes tentativas divisoras de opiniões, como Assassin’s Creed e Warcraft, tem tentado acertar o alvo. Teremos um novo Tomb Raider e um vindouro Uncharted. Porém, no mundo das séries as coisas também não estão paradas. Com as vindouras séries de The Witcher e de Assassin’s Creed, temos em Castlevania, a abertura desse novo leque de possibilidades.
Inspirado em Castlevania III: Dracula’s Curse, a nova série animada da Netflix possui 4 episódios de 24 minutos. Situada em 1476, ela aborda os motivos de Drácula lançar sua maldição sobre a região de Wallachia, na atual Romênia e como Trevor Belmont, o último de sua família caçadora de monstros, decide bater de frente com o clássico vampiro.

Eu joguei bem pouco de Castlevania ao longo de minha vida, então achei que seria interessante cair de cabeça na série sem muito conhecimento prévio para evitar comparações com o material base. O roteiro é bastante instigante: baseado na transição da Baixa Idade Média para a Idade Moderna, ele se utiliza de elementos reais, como a perseguição às bruxas, a presença forte da Igreja Católica no cotidiano das pessoas e o fortalecimento das cidades e do comércio como sustentação para uma trama fantasiosa. Entretanto, apesar de ser uma animação, a fantasia não é nada bobinha: ela flerta com o terror e não há economia em sangue e mortes brutais.
Quem busca uma história frenética, cheia de ação e super movimentada, talvez fique um pouco decepcionado. Tudo se desenrola com bastante cautela, nos mostrando toda a motivação do vilão, depois conhecemos o protagonista, seu passado e sua relutância em lutar. Conhecemos mais sobre os Oradores e a representante deles que tem mais importância no desenrolar da temporada, Sypha Belnades. Nos acréscimos do segundo tempo, temos a apresentação do filho de Drácula, Alucard, completando o trio da equipe que enfrentará o vilão e seu exército de monstros na(s) próxima(s) temporada(s).

Porém, nem tudo são flores. Muitos diálogos são excessivamente expositivos e poderiam ser sintetizados em cenas entre os personagens para haver um enriquecimento maior de suas personalidades ou simplesmente insinuações poderiam ter sido feitas. Por exemplo, ninguém duvidou que Drácula ficaria enfurecido com a morte da esposa, mas era necessário ele ficar repetindo que estava fazendo tudo devido a esse fato? Trevor também martela em nossa cabeça o quanto sua família foi perseguida e o quanto ele não liga pras coisas sempre que ele pode. São situações repetitivas que agregam pouco e poderiam ser substituídas.
Por ser um produto da Netflix e que possui todos os episódios disponibilizados simultaneamente, Castlevania não é tão prejudicada pela divisão em quatro partes dessa primeira temporada, mas poderia muito bem ser condensada em um filme de 100 minutos. Com o anúncio de que a segunda temporada terá o dobro de episódios, talvez nem todos consigam ver a tudo em uma levada só e, com isso, a experiência pode ser prejudicada futuramente.
Todos os pontos negativos podem ser justificados por abaixo orçamento ou precaução em não queimar tramas que se sustentariam em temporadas inteiras. Portanto, esse primeiro ano merece ser visto como um piloto, propriamente dito. Não há uma história com começo, meio e fim, não há desenvolvimento de personagens e não há recompensa para o espectador após o término do quarto episódio. É apenas uma grande introdução de uma história muito maior. Isso é bastante frustrante.
> Minha Série Vs. Sua Série feat. Aline Diniz
Com um visual bem trabalhado, um pano de fundo bem consistente para as motivações de todos os personagens, Castlevania monta sem pressa a batalha que virá na segunda temporada. Por isso, peca na entrega de uma temporada completa, sendo nada mais do que um grande piloto que frustra quem busca por uma história fechadinha em si. A série possui vários diálogos repetitivos e pouca ação. Quem sabe ela não consiga entregar uma segunda temporada que arrume os pontos fracos desta. Até lá, temos que nos contentar com um produto de grande potencial, mas que por enquanto é apenas contido.






















