Quando Castlevania estreou em Julho de 2017, as adaptações de games ainda eram uma incógnita e muitas fracassaram. Porém, de uns tempos pra cá, várias obras obtiveram sucesso comercial e boa aceitação dos fãs. Detetive Pikachu, Sonic e The Witcher (visualmente baseado no design do jogo) são alguns exemplos de adaptações que deram certo. Há o vindouro remake de Dragon Quest (Fly, O Pequeno Guerreiro aqui no Brasil nos anos 90), Devil May Cry, o filme de Mario, enfim, os videogames ainda parecem ser a aposta de inspiração para obras audiovisuais.

Cá estamos em 2020, Castlevania em sua terceira temporada e apresenta algumas melhoras em sua construção, expansão de seu universo, mas a distribuição de história ao longo da temporada ainda é um problema que a série não consegue vencer.

Primeiramente, vamos falar daqueles que vieram das temporadas anteriores e carregam consigo o protagonismo. Trevor Belmont e Sypha Belnades aparecem como os protagonistas principais, mas apenas em teoria, pois a trama envolvendo os dois é uma das mais desinteressantes. Não é de todo ruim: a revelação final do Juiz guardar segredos terríveis, as batalhas envolvendo ambos são lindas, principalmente pela exploração dos poderes de Sypha, porém, até chegar nesse final é tudo muito monótono. Os diálogos entre eles são desinteressantes, o humor não tem graça e a falta de um objetivo maior para eles é visível. Quando a temporada acaba, a impressão episódica (ou até mesmo filler) é muito forte.

Alucard é o que mais sofre dessa falta de propósito na temporada. O personagem vive em um luto, tédio e solidão terríveis, até que repentinamente sua rotina é alterada por Taka e Sumi, fugitivos dos vampiros japoneses. A história entre os três personagens é interessante somente quando aborda o passado desses novatos, o que eles tiveram que fazer até chegar ali, mas a reviravolta é extremamente abrupta e desmotivada. Provavelmente eles só serviram para trazer alguma amargura a mais para a já trágica história do filho de Drácula, talvez algum tipo de vilanismo para ele, mas de qualquer modo, é uma história muito fraca.

Falando no personagem que começou tudo isso, Drácula não ressuscitou, como acontece a cada jogo da franquia. Porém, pistas são dadas de que isso vai acontecer. Ele aparece no portal aberto pelos monges e, se existem pessoas interessadas na volta do vampiro, certamente há outras que conseguirão trazê-lo de volta eventualmente. Talvez Isaac esteja no caminho para isso acontecer, mas por enquanto, o vampiro não está presente fisicamente na história. É notável, porém, que sua ausência é sentida e seus planos são sempre comentados em diversas tramas, como na envolvendo Hector e as vampiras austríacas.

Carmilla também fica a desejar nesta temporada. Ela apareceu pouquíssimo e fica de escanteio durante toda a história. Do seu Conselho, é a vampira Lenore quem rouba a cena. Ela conquista a confiança do escravizado e jogado à morte Hector e surpreendente consegue que o rapaz forje monstros para o exército das irmãs. Provavelmente veremos melhor das outras irmãs na próxima temporada (caso a renovação aconteça).

Lenore é um dos destaques da terceira temporada de Castlevania.

Castlevania consegue distribuir histórias entre seus vários núcleos, porém, nunca eles se conectam de alguma forma e alguns personagens ficam descaradamente sem ter o que fazer, como Alucard e Carmilla. A edição da série consegue balancear tudo isso alternando sempre entre cada trama, porém, nem todas conseguem segurar bem a tensão. Um exemplo disso é um diálogo forte que Isaac tem com um monstro encarnado à beira da fogueira que não serve de muita coisa depois. A temporada tem 10 episódios, alguns com pouco mais de meia hora, outros com 20 minutos. Enquanto alguns tem cenas boas, como quando Lenore interage com Hector, outras são muito desinteressantes, como as brincadeiras entre Sypha e Trevor ou a subtrama arrastada de Isaac (porém, com um final explosivo e sensacional). A impressão que dá é que uns 2 episódios poderiam muito bem ter sido enxugados.

Por fim, Castlevania consegue expandir seu universo, mostra um pouco do mundo pós-Drácula, dá a cada personagem um objetivo e personagens secundários a cada trama, mas tem pouco desenvolvimento de cada um e não consegue tornar cada núcleo igualmente interessante. O fim cheio de ação é muito criativo e bonito de acompanhar, mas o caminho até ali é ainda um pouco tortuoso. Após mais um ano irregular, acho improvável a série se encontrar e entregar alguma temporada mais bem moldada. Não aconteceu até agora e não empolga em continuar acompanhando sempre em busca de algo realmente relevante.

REVISÃO GERAL
Nota:
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critica-em-sua-3a-temporada-castlevania-expande-o-universo-mas-tem-pouco-desenvolvimentoCastlevania consegue distribuir histórias entre seus vários núcleos, porém, nunca eles se conectam de alguma forma e alguns personagens ficam descaradamente sem ter o que fazer, como Alucard e Carmilla.