Brooklyn Nine-Nine encerra a sua sólida primeira temporada com um bom episódio e um twist que pode tirar a série de sua zona de conforto.
No ano passado, B99 estreou com a missão de agradar o público americano e sobreviver à forte onda de cancelamentos das séries estreantes, porém, mesmo com uma audiência bem baixa, a comédia conseguiu ir além, se firmando rapidamente, apresentado uma boa melhora a cada episódio e faturando o Globo de Ouro de Melhor Série Cômica. Independente se o prêmio foi justo, o que já foi discutido antes, a verdade é que a série conseguiu agradar a crítica e o público sendo constantemente citada como a melhor estreia de comédia da última fall season. O segredo do sucesso de Brooklyn Nine-Nine está na força de seu elenco e na qualidade de seus personagens. Por mais que todos eles acabem lembrando muito os personagens de Parks and Recreation, a série nos apresentou um esquadrão de polícia muito carismático, divertido e engraçado e o elenco foi capaz de se entrosar bem rapidamente, demarcando o papel de cada personagem na missão de divertir o seu público. B99 está longe de ser apenas a série de Andy Samberg e Andre Braugher, Melissa Fumero, Joe Lo Truglio e Chelsea Peretti conseguem segurar bem o peso da série ao lado do astro consagrado no Satruday Night Live. Sobre Andy, para mim, ele cresceu bastante ao longo da primeira temporada, sabendo ser bem mais contido e menos forçado do que no início e conseguindo representar bem o espírito canalha e bem humorado da série.
Vivemos um momento em que as comédias ficam cada vez mais repetitivas, apostando muito no mais do mesmo, sem se arriscar ou tentar trilhar novos caminhos. Num mundo em que Big Bang Theory e Modern Family são os maiores sucessos de audiência há alguns anos, a tendência é navegar em território seguro e fazer cada vez mais as mesmas piadas que consagraram cada personagem. Em minha opinião, cada personagem de Brooklyn Nine-Nine já se estabeleceu muito bem dentro da série e consegue divertir com as suas características, mas acredito que a série precisa tomar bastante cuidado para não exagerar demais na repetição, desgastando os personagens que por enquanto estão rendendo muito bem. Minha maior preocupação quanto a isto está principalmente em Boyle e Gina, que são aqueles que rendem o maior número de piadas mais facilmente. Se tem uma coisa que me incomodou nestes dois últimos episódios foi a insistência de colocar Boyle em depressão mais uma vez e o grande número de piadas físicas, que funcionam muito bem na série quando bem dosadas. Por outro lado, os roteiristas de Brooklyn Nine-Nine vem tentando combater o mau da repetição mudando as dinâmicas, invertendo as duplas de atores e criando uma historinha maior que evolui toda semana e dá a oportunidade dos personagens crescerem a cada episódio. Com tudo isto em mente, a série trouxe uma grande twist em seu episódio final, que promete mudar um pouco a dinâmica da série propondo novos e até surpreendentes caminhos para Jake.
Mesmo com a certeza de que Peralta não deixaria de ser policial, o episódio final da temporada já começa com tudo, apresentando a sua demissão logo de cara e deixando que as coisas sejam esclarecidas aos poucos. Gosto muito da criação da trama de Jake como infiltrado na máfia e realmente espero que ela dure alguns episódios, uma vez que traz algo de diferente e inovador para a série. Se a comédia realmente seguir este caminho, os roteiristas terão que saber administrar o fato do seu personagem principal não trabalhar mais no mesmo ambiente de que os demais personagens e criar meios de juntar as tramas de forma natural para que aja uma boa interação entre eles. Como uma das principais características da série é brincar com os chavões policiais, a história tem tudo para satirizar grandes clássicos do cinema e da TV, mantendo as ótimas referências que a série traz toda semana.
A mudança brusca na vida de Peralta foi o que faltava para ele fazer o que os fãs mais esperavam, se declarar para Amy. Fiquei meio em dúvida se a série perdeu a oportunidade de criar um grande momento com isto ou se foi acertado abordar os sentimentos que ele tem por ela de forma mais contida e crível. O relacionamento entre eles cresceu de forma bem natural e espontânea e só de Jake ter amadurecido o suficiente para assumir o que sente já foi algo bem grande. B99 acerta em cheio ao enrolar o caso entre eles, fazendo o assunto render por mais algum tempo e não estragando tão cedo uma boa dinâmica de amizade, rivalidade e companheirismo entre os dois personagens.
Outro ponto para o time de roteiristas foi a cena final, que conseguiu quebrar completamente a expectativa do público e promete render momentos muito engraçados de vergonha alheia entre Boyle e Gina. Fiquei surpreso que a série tenha descartado o casamento do personagem de maneira tão repentina, já que acreditava cegamente que o season finale seria focado neste evento. Entretanto, gosto da decisão uma vez que casamentos em séries de comédia com noivos surtando e fugindo do já estão muito batidos e já cansaram bastante.
Com episódios bem divertidos e despretensiosos, Brooklyn Nine-Nine apresentou uma primeira temporada bem boa e engraçada, sendo uma forma leve de pura diversão e entretenimento. Minha parte favorita continua sendo as referências e as tiradas, que nos episódios finais homenagearam Miley Cirus, Friday Night Lights, Taylor Swift e filmes de espionagem. Por outro lado, acredito que os roteiristas ainda não acharam o espaço para Terry Crews, que tem um potencial enorme para divertir o público, e não acertaram no tom da dupla Hitchcock e Scully, que continuam babacas demais e extremamente apelativos. Assim, ainda existe terreno para que a série fique ainda melhor, mantendo sua crescente para apresentar uma segunda temporada ainda melhor.
Que setembro não demore tanto para chegar.















