Monterey é uma cidadezinha completamente alheia à realidade do mundo. Os habitantes e sua classe social privilegiada não tem muito com o que se preocupar e acabam criando drama por pequenas coisas ou então redimensionando a atenção e tentando atuar por uma causa (como Abigail e Bonnie antes da morte de Perry) desesperadamente.

Os americanos, em geral, não se preocupam com o que a ciência tem a dizer sobre o aquecimento global. Os impactos causados pela população vão contra as políticas de outros países, como os da união europeia que criam políticas para preservação ambiental. Então, problemas como o aquecimento global não são prioridade para pessoas como Renata Klein. Ainda mais quando sua posição social e financeira está em risco iminente.

É engraçado pensar que um assunto pode causar tanto impacto no estado mental de uma criança. O que aconteceu com Amabella, de acordo com a pedagogia Waldorf, não é nenhum absurdo. Apesar de não ser tão relevante para a trama, a Amabella é uma clássica criança criada no estilo Waldorf, e em sua idade ainda pensa que o mundo é lindo como Renata disse que é e a notícia devastadora de que o ser humano está destruindo o mundo, foi paralisante pra garotinha.

Com a crise de ansiedade de Amabella, logo transformada com exagero em coma pelos Klein, gerou uma das cenas mais engraçadas da temporada; coisa que Renata é especialista desde a primeira temporada. No hospital, a dinâmica de Renata e Gordon é o tipo de humor necessário pra quebrar um pouco toda a situação dramática envolvendo a morte de Perry. No entanto os familiares das cinco de Monterey estão percebendo o que se passa e começando a agir, como é o caso de Gordon e Nathan. Além de, claro, Mary Louise continuando a bisbilhotar.

A crise na escola é muito clássica da classe média, a reação exagerada acerca da questão do “fim do mundo” remete muito ao início da série, antes da morte de Perry. É evidente que o roteiro quer balancear o mistério sobre o que acontecerá com as envolvidas na noite do baile Audrey/Elvis e suas vidas pré-baile. E essa é a abordagem exata para continuar desenvolvendo todos os personagens.

Em outro mundo parece que está Jane, como se estivesse em uma realidade paralela. Até que Mary Louise revolve incomodá-la e ser detestável ao tentar justificar ou desmentir os feitos de Perry. E isso sobre também para Celeste, que tem que ficar constantemente reafirmando que o marido não era doce e bondoso como quando garotinho (se é que era mesmo).

Tanto Jane quanto Celeste possuem sequelas enormes deixada por Perry. Jane não suporta ser tocada por um homem sem prévio aviso, a violação a leva de volta para o momento em que foi estuprada. E a questão levantada com Mary Louise é realmente um bem necessário, a mentalidade sobre o estupro ainda é totalmente ligada aos absurdos como: “mas o que você fez para ele fazer isso?”, “quem tomou a iniciativa?” ou até mesmo “ela pediu por isso”.

Quando a Celeste, ela continua presa ao Perry e esse misto de saudade, horror e culpa é exatamente o que ela sentia quando ele ainda estava vivo. É evidente que a viuvez traria consequências vívidas para Celeste e o modo em que estão tratando sua história é muito bem arranjado, realmente dá pra falar que esse comportamento é compatível com tudo que mostraram da personagem até agora.

Outro grande ponto central do episódio foi Maddie. O descuido de Abigail foi infeliz, mas como ela mesma disse, o problema não foi esse descuido e sim o que ela fez. Apesar de Ed ter ficado um tanto irritante, as repercussões estão interessantes e podemos ver mais a terapeuta de Celeste, que é realmente muito sensata e consegue ser muito incisiva para a evolução dos personagens.

Apesar de parecer que não aconteceu muito nesse episódio, a impressão foi só momentânea. A beleza de Big Little Lies é que o enredo não precisa ser agitado e nem utilizar lugares diversos para que pareça que alguma coisa “ande”. Com tão pouco conseguem desenvolver as dinâmicas entre os personagens e as personalidades formidavelmente. A sutileza no episódio foi a de que nenhuma das cinco de Monterey está bem com a morte de Perry, o remorso parece corroer cada uma delas e aos poucos as pessoas começam a perceber isso. Agora, até que ponto tudo continuará em segredo? Parece que Perry é uma ameaça tão viva quanto antes.

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Cinco de Monterey #M: o discurso de Maddie na escola teve um timing sensacional, é uma coisa que você realmente imagina ela fazendo;

Cinco de Monterey #C: o conflito por sentir falta de Perry e por estar bem por ter se livrado do abuso é uma coisa que pode complicar muito Celeste. O desfecho para essa situação será, no mínimo, curioso;

Cinco de Monterey #R: o que falar sobre Renata? É muito difícil escolher uma coisa, só é possível falar que ela é maravilhosa e sem defeitos, um verdadeiro ícone;

Cinco de Monterey #J: o novo relacionamento de Jane está sendo interessante, não achei que ia ser um plot agradável e me enganei bastante;

Cinco de Monterey #B: a mãe de Bonnie parece uma figura um tanto esquisita e talvez isso resulte em problemas com Skye. Todavia, quando a avó começou a cantar para Skye, Bonnie pareceu querer “despertar” um pouquinho.

REVISÃO GERAL
Nota:
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big-little-lies-2x03-the-end-of-the-worldA beleza de Big Little Lies é que o enredo não precisa ser agitado e nem utilizar lugares diversos para que pareça que alguma coisa “ande”.