De um lado a nobreza da renúncia e do outro a renúncia a ela.

É bem coisa de participante do BBB trabalhar as suas noções dentro da casa de acordo com o que faça melhor às vistas do público aqui fora. Tudo mundo que tem empatia natural e consciência humana quer parecer bom. Mesmo que o ódio ou a inveja também sejam sentimentos inerentes ao fato de estar vivo, ninguém normal quer abraçar isso sem tentar, no mínimo, equilibrar as coisas. Todas as vezes que alguém viveu a experiência da transgressão completamente, foi eliminado. O melhor (segundo a cartilha da possível vitória) é fazer uma forcinha pra demonstrar generosidade e culpa. Nada melhor para um BBB do que demonstrar culpa.

Mariza entrou no programa meio decidida a provocar a piedade do público. Deu sinais disso desde o início, quando tentou jogar a carta da exclusão, do deslocamento. Claro que ele existe para uma mulher da idade dela, mas poucas vezes na história do show essa exclusão deliberada aconteceu de verdade. Geralmente a carapuça do perseguido ou do isolado são colocadas pelos próprios vitimizados. Aliás, essa é palavra para falar de Mariza… Se tem uma coisa que ela gosta de fazer é de se aproveitar de seu coitadismo e depois culpar as pessoas por terem-na manipulado. Mas, não sejamos tolos… Essa foi a semana do coitadismo frustrado e o melhor, sem que precisássemos mover uma palha pra isso.

Depois que Fran saiu parecia que íamos cair no marasmo absoluto. É uma sensação normal de quando perdemos um bom jogador. Basta que chegue a liderança para que tudo volte a tentar se realinhar. E como Fernando tinha sido o grande rival de Fran na primeira semana, estávamos todos esperando para saber se a próxima virada partiria dele. Não foi exatamente assim que aconteceu, mas já podemos dizer que jogo bonito como o que se viu nessa segunda semana, poucas vezes se viu na trajetória do show.

A “Nobreza” de Fernando 

Desde que chegou ao BBB que o moço bonito das tatuagens virou uma espécie de satélite das atenções femininas. Algumas mulheres são assim…. Buscam ávidas por sensibilidades que estejam instaladas em portes físicos abrutalhados, afinal, essa seria uma combinação perfeita. O grandalhão sensível vira logo “a melhor pessoa da casa” e como ele é muito esperto, também sabe que formar casal garante o relaxante exercício do edredom e a atenção das caprichetes, que já esperam doidas para subir hashtags de torcida. Ele, então, tinha a admiração de quase todas as moças. Eliminou a que não caiu na dele e ficou lá, desfrutando da namorada Aline, da paixão declarada de Amanda e da amizade incondicional de Angélica. O problema foi essa última, enfim…

Não foi só Fran que viu Fernando com olhos mais atentos, Angélica também. Aí, logo depois de ganhar o anjo, a moça resolveu fazer um teste com seu melhor amigo, para saber de verdade onde estava sua lealdade. E foi simples, bastou combinar com Tamires e Amanda, que as duas espalhariam pela casa que o anjo seria dado para outra pessoa que não as melhores amigas da enfermeira. Assim, elas diriam que para se protegerem, votariam em Aline. Não demorou pra própria Aline descobrir que estava ameaçada e contar tudo pra seu namorado. Fernando, que de fato não tem alianças de amizade verdadeiras COM NINGUÉM, viu nisso a desculpa perfeita para eliminar Angélica (que não é manipulável), fazendo parecer para o público que fazia isso para proteger a namorada. Quer gesto mais nobre do que proteger “seu amor”? E ele foi certeiro nessa decisão, sem saber que o que Angélica queria era descobrir se ele iria até ela pedir o anjo para Aline, traçar outro plano que não prejudicasse as duas, ou se ele iria tramar para eliminá-la.

Deu segunda opção… Marco, que não gostou do monstro que ganhou de Angélica, tentava articular um paredão com ela e encontrou em Fernando a opção perfeita. Os dois se uniram. Angélica manteve seu anjo para a melhor amiga Amanda e esperou… Fernando e os comparsas votaram todos na enfermeira e ela empatou com Adrilles. O líder Rafael (que deu surpreendentes motivações justas para emparedar Douglas), salvou-a e depois sorteou a carinha que teria o direito de descobrir um voto dos colegas. Saiu Angélica, ela escolheu Fernando e ele teve que admitir que votara nela, confirmando fazer parte do complô. A expressão de triunfo da moça ao perceber que seu plano tinha funcionado foi coisa linda de se ver. No jardim, ao tentar remendar seu fracasso, Fernando ouviu dela, calado, a seguinte pérola:

… se você não tivesse o tempo todo colado em Aline, saberia o que está acontecendo e não teria colocado no meu c*. Você não veio aqui para arrumar uma mulher, você veio aqui para ganhar”

E assim, ele foi aniquilado numa jogada épica.

A “Renúncia de Adrilles” 

Ter coragem para levar adiante seus desafetos não é para todos e Adrilles se atrapalhou todo na sua missão de demonstrar o quão bonzinho ele era. Depois de passar uma semana inteira chateado com Mariza (e com razão) porque ela tinha contado a todos sobre as conversas privadas deles, o poeta teve sua verdadeira chance de demonstrar comprometimento… E desperdiçou. O grupo “Tá com Nada”, que poderia dar uma imunidade para alguém entre eles, ficou mudo na hora de escolher e ele bradou aos quatro ventos que por uma questão de proximidade, daria para Mariza. O resto da casa, próximo dele, ouviu, e reagiu. Mariza era a primeira opção de vários e sem poderem votar nela, votaram nele.

Adrilles fez como manda o figurino e saiu com um discurso pronto de “eu resolvi dar uma segunda chance a ela e renunciei, me colocando no paredão”. Ninguém comprou, claro. Tamires foi uma das mais eloqüentes nesse sentido. Mas acho que o artista não imaginou que seu gesto não seria louvado, ao menos não pela beneficiária dele. O problema é que Mariza não consegue fazer a linha vítima por muito tempo e logo deixa o sangue subir. Assim que ouviu o moço falar que cedeu a imunidade a ela, reagiu com sua ingratidão cega de sempre e impediu que Adrilles fizesse a linha mártir por mais tempo.

Depois da briga ficou aquela sensação de que nenhuma renúncia tem os efeitos pretendidos justamente porque essa galera está lutando contra o direito dos outros de pintarem um jogo de inocência. Eles não liberam ninguém para fazer o coitado e essa é uma grande razão pela qual essa edição pode ser uma grande surpresa para todos nós. Não existe nobreza ou renúncia no BBB. Só existe o ângulo certo pra câmera mais próxima.

milhao

Angélica: Zerou a máquina deixando Fernando de calça arriada. Ele não tinha como sair daquela situação sem parecer escroto com algum lado.

Tamires: Se articulou com Angélica, recusou o coitadismo de Mariza e Adrilles e se posicionou o tempo todo.

Marco: Foi ele quem na verdade armou contra Angélica, mas apesar de seus investimentos pesados, nada respingou nele quando as reações começaram a vir.

miseria

Aline: Porque ninguém pode ganhar o BBB dizendo só uhm-hum…

Mariza: Entre a louca e a coitada, ela só consegue ser perdida. Mariza não tem jogo, ela atira pra onde acha que deve.

Luan: Agora que Douglas saiu, ele pode ser o próximo. By the way, Douglas foi tarde e ninguém vai sentir falta.

Pra quem quiser, clique nesse link e assista o ótimo programa de segunda-feira, que resumiu bem as viradas dessa semana. Não podemos colar o player porque o uploader impede justamente para que ele não seja excluído.

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