O último capítulo depois da metade.

O Big Brother Brasil 14 começou sua existência dizendo-se turbo. A afirmação partia da ilusão de intensidade dos acontecimentos, quando na verdade estávamos sendo engolidos por uma avalanche de informações que não ajudavam a provocar envolvimento. O BBB Turbo desperdiçou participantes e fez de seu prólogo uma confusão de objetivos. Quando enfim veio a rotina, ela nos apresentou um primeiro ato todo focado nas mesquinhezas do time feminino, decidido a tornar Letícia a serpente do Eden. Esse primeiro ato encerrou-se com a saída dela e na esperança de grandes transformações, confiamos no segundo como uma redenção… Redenção que não veio. Angela tomou à frente com seu jogo de aniquilações internas e acabamos presos no mesmo tipo de narrativa.

Talvez estejamos diante de um divisor de águas… Estranho, vale dizer. Quando chegamos perto do ato final, somos avisados de que o BBB14 vai ser molestado com novos participantes a essa altura do jogo. Boninho avisou em seu twitter que oito ex-competidores vão voltar para formar duplas com os que já estão na casa, sugerindo um sistema de mentoria parecido com o que já se viu em edições internacionais. Esse tipo de twist costuma forçar o jogo intelectual, mas colocado assim no meio do caminho soa mais pavor e medo do que estratégia. Se isso se confirmar, o BBB14 pode entrar na história como a edição mais esquisita do programa, que se bifurcou aos dois meses de existência, abrindo passagem para uma dinâmica completamente nova.

Essa talvez seja a salvação de Aline, vale dizer. A sétima semana do programa coroou as mesmas hipocrisias de sempre, corroborando  o jogo covarde de Angela, que no pé que a coisa está, nunca mais vai parar de agir como a pessoa mais traída da todos os tempos. Aline fez por merecer, não podemos deixar de dizer isso. Ainda que o voto em Angela tenha sido um movimento de defesa totalmente legítimo, bulir com maniqueísmos nesse programa pode ser bastante perigoso. Pra ganhar, você precisa ser forte na casa e querido fora dela, o que com a postura de Aline, é difícil antever.

Na semana passada eu parecia prever que a edição se voltaria para as duas… Fiz um review todo comentando a participação delas, metaforizando em cima das inclinações dramáticas de ambas, mas sem arriscar dizer que haveria um antagonismo. Agora, pensando bem, duas “atrizes” dispostas a tomar as rédeas do jogo não poderiam estar do mesmo lado. Foi só Angela investir no casal com Marcelo num momento em que havia prometido prioridade à Aline, para deflagrar o novo capítulo de “pior-pessoa-do-mundo”, típico das duas. Nenhuma é inocente, entretanto.

Angela não tem nenhum apreço por Marcelo. Implicância minha? Não. Tirando um apático “ele beija bem”, ela passou o tempo todo dizendo pra quem quisesse ouvir que o moço não era o tipo dela sob nenhum aspecto, colocando as “qualidades” dele em contextos cínicos que parecem, na verdade, ridicularizá-lo. Essa foi a primeira coisa que ela mais fez durante a semana… A segunda foi fazer a caveira de Aline, ainda que ela mesma tenha prometido à amiga levá-la na maldita “cápsula da discórdia”. Em nenhum momento Angela percebeu que estava fazendo com Aline o mesmo que Letícia fez com ela, preterindo-a por causa de um homem, e manteve-se na sua insuportável pose de “sempre tenho razão”. 

Aline – que eu admiro cada vez mais pelo compromisso com o programa – fez o que eu não esperava e contra-atacou com mãos de ferro. Ao invés de apenas bancar a vítima, foi com tudo pra cima de Angela, votando nela com uma justificativa totalmente fria e racional: duas pessoas votariam na advogada e falaram sobre isso, um voto a mais é uma boa chance a menos de cair na matemática do paredão. E BOOM!! O problema é que Aline se atrapalha no seu medo de ser julgada e mete os pés pelas mãos. Quando viu Angela no paredão, negou descaradamente ter votado nela para “ganhar tempo” e pensar sobre o que fazer, mas já era tarde demais. Ela tinha feito exatamente aquilo que Angela queria: confirmar que ali no programa, a advogada era  “traída” por todos os seus amigos. Como esse tipo de jogo totalmente legítimo é visto com moralismos aqui fora e lá dentro, Aline virou o demônio em pessoa, se tornando ela a Letícia da vez (quem diria) e passando a ser rejeitada e crucificada por conta de “algo que fez à Angela”. 

Como Tatiele ganhou a liderança, o voto em Fran já era certo e merecido. Se não bastasse o chororô de sempre, Fran e Diego aproveitaram a semana pra continuar reforçando as pessoas maravilhosas que eles são. Ao ganharem o monstro de Slim, resolveram aproveitar o tema e agir com uma dose cretina de monstruosidade. Absolutamente infantis, imaturos e egoístas, nenhum dos dois entendia que aquele era um processo natural de se estar ali e que se não tinham vivido ainda, era JUSTO que vivessem. O choro de Fran não era tristeza, era raiva, mimo, descontrole diante da incapacidade de controlar a situação. Teria que dormir mal por alguns dias e não podia fazer nada a respeito. 

O resultado desse paredão seria ruim em qualquer instância. Se Angela saísse Fran ia transmitir pra casa o reforço da soberania do casal FranGo e se Angela ficasse, todos iam entender isso como a pá de cal derradeira na já maltratada Aline. Ficamos, enfim, com a segunda opção, numa eliminação que além de reforçar o poder que Angela tem no programa, também mostrou que Diego só tem apreço verdadeiro por uma coisa ali dentro: seus cigarros. Não é uma questão de sofrer mortalmente e teatralmente por um amante que sai, mas de expressar o mínimo de tristeza por uma companhia que perdeu. 

Se o retorno dos ex-participantes for consumado, a review da próxima semana será o início de uma nova e estranha era. Sendo assim, esse pode ser o último ranking, do último capítulo depois da metade. 

1 – Aline: Se existe uma coisa que quero muito é quebrar o ciclo narrativo de Angela. Aline poderia conseguir se fosse só mais esperta, mas já admiro muito o quanto ela se envolve e se arrisca.

2 – Angela: Volta pra cá porque não tem como negar o poder dessa moça. Além disso, tudo sempre trabalha a favor dela.

3 – Poly: Das plantas, a melhor. 

 

1 – Marcelo: Meu pavor em vê-lo vencedor só aumenta. Torço muito para que o casal com Angela o desbanque desse coitadismo tão perigoso.

2 – Diego: Ouvi alguém dizer que ele tem bons insights do jogo, mas sinceramente? Isso ainda não serviu pra me convencer.

3 – Slim: Das plantas, a pior.

Artigo anteriorMr. Selfridge | Série é renovada para a 3ª temporada pelo ITV
Próximo artigoCougar Town 5×08/09: Mistery Of Love/Too Much Ain’t Enough