“Ele é antigo e eterno. Ele queima no centro do tempo e consegue ver a volta do universo. E… ele é maravilhoso.” 

People assume that time is a strict progression of cause to effect, but actually, from a non-linear, non-subjective viewpoint, it’s more like a big ball of wibbly-wobbly… timey-wimey… stuff

Após a saída um tanto repentina de Christopher Eccleston (Ecclie para os íntimos), quem seria capaz de continuar o bom trabalho que já estava sendo feito com o revival de uma das histórias mais populares do Reino Unido? Uma pessoa se mostrou à altura de tal forma que ficou conhecida como a própria representação autêntica do que seria o místico The Doctor. Essa pessoa chama-se David Tennant e com ele iniciava o reinado do Décimo Doctor.

Uma breve história:

A saída de Eccleston como Nono Doctor sempre esteve envolta em mistérios e boatos. Alguns dizem que ele discordava do encaminhamento criativo de Russel T. Davies e desenvolveu um abuso tamanho que o fez até se recusar a participar das comemorações de 50 anos da série em 2013. Bem, qualquer que tenha sido o problema, o Nono Doctor conquistou seu lugar no coração dos whovians de uma forma gradual e sincera, tanto é que quando o Tennant assumiu seu lugar eu não pude deixar de imediatamente já sentir falta do “Fantastic” mais britânico que eu já tinha ouvido. Ok, não posso mentir que no segundo seguinte já me apaixonei pelo sorriso do David, mas vou deixar meu lado fangirl de lado pelo bem da coerência textual desta análise maníaca.

David Tennant, escocês nascido em 1971, já tinha participado como narrador do primeiro Doctor Who Confidential após o reboot da série em 2005 e como dublador no episódio virtual Scream of the Shalka, exibido em 2003. Aparentemente gostaram da voz do Tennant e o chamaram para participar como Doctor (brincadeira, embora a possibilidade soe absolutamente plausível para mim); ou isso ou o fato de que, em 2005, ele ganhou o prêmio de Melhor Ator no Critics Awards For Theatre, na Escócia. David já tinha sido cotado para viver o Nono Doctor em 2004, e com o anúncio da saída do Ecclie em 2005, a BBC confirmou, em 16 de abril do mesmo ano, que ele seria seu sucessor.

O Doctor de David teve a oportunidade de viajar com 59404943 companions. Durante sua primeira temporada, e segunda após o reboot, ele teve a companhia de Rose Tyler, com a qual protagonizou cenas calientes de beijos e momentos de cortar o coração até do ser mais frio de todos os universos. Quem, me digam QUEM nunca chorou ao assistir Doomsday? O apego do Doctor e do público à Rose foi tão grande que ela voltou no final da quarta temporada e escolheu ficar no universo paralelo do seu pai, Steve Tyler, com uma reencarnação paralela do Décimo Doutor conhecida como TenToo. Durante a fase Rose, o 10th também entrou em contato com a mãe da moça, Jackie Tyler, seu namorado corno Mickey e com a sempre fofa e amada Sarah Jane, companion do Terceiro e do Quarto Doctors que fez uma breve aparição com o lindinho K-9. Algumas personalidades que o Doctor conheceu nessa temporada são a Rainha Victoria e a Madame de Pompadour. Vale lembrar que em Army of Ghosts, penúltimo episódio da segunda temporada, conhecemos Freema Agyeman, que viria a interpretar a próxima companion do Doctor, Martha Jones.

Depois da saída traumática de Rose Tyler, tivemos a primeira participação da minha, a sua, a nossa amadinha Donna Noble no especial de Natal “The Runaway Bride”. O sucesso da moça como companion foi tão grande que ela simplesmente retornou como companheira do Doctor durante toda a quarta temporada e até hoje é uma das mais queridas pelo público. Após esses eventos, o titio Russell aparentemente estava muito abalado e tomou umas vinte cachaças antes de decidir o perfil da próxima companion, estabelecendo que ela TAMBÉM teria um interesse romântico no Doctor. Sério: pra que isso, jovem? A nova companion, Martha Jones, não era pra ser uma das mais odiadas, simplesmente porque ela passou a terceira temporada inteira salvando o Doctor dos mais arriscados perigos e tudo que ganhou foi um “tchauzinho” na porta da TARDIS ao final da temporada. Houve uma época em que a terceira temporada era a minha preferida e eu amo tudo que a Martha fez pelo Doctor: ela é uma diva da qual sou fã. O maior problema da coisa toda é que decidiram colocar uma mulher dando em cima do 10th após ele se separar de sua amada por toda a eternidade. Nem eu gostava dela a princípio, mas depois percebi que a moça era forte e corajosa de um jeito que eu nem vi a Rose sendo nos últimos episódios. Tá certo que ela era “certinha” demais também, mas a mulher era médica, gente: ela tinha que ser metódica. Então uma das maiores injustiças da cultura whovian é odiar a Martha, pois ela simplesmente foi o que toda companion deve ser: pura bravura. Vale comentar que foi na terceira temporada também que tivemos a participação do icônico William Shakespeare, vimos a primeira aparição do Master na nova série e nos assustamos pela primeira vez com os Weeping Angels, em um dos melhores episódios de Doctor Who: Blink (3×10).

Após a saída da Martha, que obviamente não ficou pra ver seu coraçãozinho ser ainda mais partido por um Doctor que mal falava direito com ela (pegou mal, 10th), tivemos a participação especial de Kylie Minogue no especial de Natal de 2007. Mais uma vez se utilizaram do corpinho escultural do Tennant para colocá-lo como interesse romântico de mais uma companion, mas pelo menos isso tudo rendeu uma das falas mais FREAKIN’ BADASS da história do Décimo Doctor:

I’m the Doctor. I’m a Time Lord. I’m from the planet Gallifrey in the Constellation of Kasterborous. I’m 903 years old and I’m the man who is gonna save your lives and all 6 billion people on the planet below. You got a problem with that?

A personagem de Kylie, Astrid Peth, morreu ao final do episódio, deixando o já abalado Time Lord ainda mais deprimido. Após tantos problemas com companions, finalmente retornou a diva, a musa, a deusa: Donna Noble. De longe ela é uma das companions preferidas dos whovians e não é pra menos: além de ela ser badass, irônica, estressada e rabugenta, o roteiro ainda teve a decência de deixá-la apenas e somente como amiguinha do Doctor. Mais pra irmã, na verdade, pois David Tennant e Catherine Tate tinham uma química fenomenal que passou da série para os palcos e para vídeos épicos como este. Na quarta temporada já vemos o 10th se preparando para sua morte, o que tornou a companhia da Donna particularmente mais especial, visto que ele precisava de um ombro amigo e nada mais. A season finale da temporada teve cenas históricas como o Décimo Doctor pelado na TARDIS e sua mão regenerando numa versão alternativa dele, Donna regenerando numa versão alternativa dela e a quebra do recorde de maior número de companions dentro da TARDIS ao mesmo tempo: Rose Tyler, Jackie Tyler, Mickey Smith, Captain Jack Harkness, Donna Noble, Martha Jones e Sarah Jane Smith (UFA), sem contar um pequeno intertexto com Torchwood que nos permitiu ver os companheiros do Captain Jack no spin-off: Gwen Cooper e Ianto Jones. Em resumo: foi uma parada muito doida e sinistra que terminou com uma das cenas mais tristes de Doctor Who: a saída de Donna. Não é à toa que o 10th estava meio perturbado nos especiais após a quarta temporada, afinal, a partida de Donna foi traumática, nos fazendo chorar copiosamente que nem seu avô, Wilfred.

Os especiais de 2009 foram elaborados com o objetivo de preparar psicológica e emocionalmente o coração dos whovians que já sabiam que ficariam sem a presença de David Tennant dali pra frente. O especial “The Next Doctor” contou com ninguém mais, ninguém menos que David O Governador Morrissey como um cara doidão no século XIX que achava que era o Doctor. Sim, caros amigos, o Governador psicopata de The Walking Dead já achou que era nosso amado e mentalmente saudável (?) Doctor, e esse sem dúvida é um dos meus especiais favoritos. É nele que tem aquela cena em que o 10th relembra suas companions e os motivos pelos quais elas o deixaram. É de cortar o coração. Já o “Planet of the Dead” foi um episódio mais leve com a participação de uma tal Lady Christina de Souza que foi parar num universo paralelo através de um buraco de minhoca em plena Londres. O “The Waters of Mars” foi um episódio bem mais pesado, pois nele foi possível ver toda a degradação emocional pela qual o Décimo Doctor estava passando. Na história mostrada, ele escolhe salvar a Captain Adelaide Brooke visando ao futuro das descobertas que ainda deveriam ser feitas, quebrando sua própria regra de não interferir em momentos fixos no tempo. Foi nesse episódio que ele se autoproclamou “Time Lord Victorious” e percebeu que tinha ido longe demais em sua interferência no Planeta Terra. Nossa, só de ler a sinopse do episódio novamente sinto arrepios. Provavelmente foi o momento em que mais senti medo do 10th, ao mesmo tempo em que podemos claramente sentir que seu fim está próximo.

O último especial, “The End of Time”, foi dividido em duas partes, tendo seu final em 1º de janeiro de 2010. Teve Wilfred (o avô querido da Donna), Master e até Time Lords, que não apareciam em cena desde 1986. Ao final do episódio, o Master morre em lugar do Doctor e quando nosso amado 10th já está comemorando por ainda estar vivo, ele percebe que Wilfred está preso em uma câmara que só será aberta caso ele mesmo entre e receba altíssimas doses de radiação. Os dois corações do Doctor falam mais forte e ele finalmente entra na câmara, libertando Wilfred e, assim, selando seu destino. O processo de regeneração se inicia e Russell T. Davies começa a quebrar nosso único coração aos pouquinhos mostrando as visitas do 10th para se despedir dos seus companheiros daquela vida: Martha e Mickey (que agora são casados!!!), o filho de Sarah Jane (Luke Smith),  Captain Jack, Donna e, finalmente, Rose, três meses antes de conhecer o Nono Doctor. Como se isso já não fosse o bastante para nos deixar em frangalhos, titio Russel decidiu que as últimas palavras do Décimo Doutor seriam: “EU. NÃO. QUERO. IR.”. Sério: QUEM FAZ ISSO? Quem deixa tão absurdamente claro que o Tennant precisou sair não porque ele ou o público queria, e sim simplesmente porque… Era a hora? Até hoje acho que foi maldade, pois só de reler a descrição da cena meus olhos encheram de lágrimas. É fato que jamais superarei a partida do Tennant ao som de Vale Decem.

Após esse momento milimetricamente elaborado pra destruir qualquer ser humano com o mínimo de dignidade na face da Terra, entra em cena o Décimo Primeiro Doctor de Matt Smith reclamando por ainda não ser ruivo e gritando “GERONIMOOOO” dentro de uma TARDIS em queda livre, mas isso já é assunto para o próximo post.

Características:

A décima encarnação do Doctor é conhecida pela sua alegria, seu non-sense e seu sorriso encantador. David Tennant tinha uma maneira leve e divertida de interpretar o Doctor, que sempre buscava soluções brilhantes para os problemas em que se encontrava. O Décimo Doctor também é conhecido pelo seu amor pelos humanos, aspecto que o fez regenerar ao final dos especiais já mencionados. Acho que podemos dizer que ele também foi o Doctor com mais sex appeal, pois o 10th sempre acabava dando umas beijocas nas novinhas que encontrava pelo tempo e espaço. Não sei dizer se isso foi algo positivo ou negativo para o legado dele (eu, como fangirl assumida, não gosto de tanta mulher beijando meu Tennant), mas não podemos negar que ele tinha consciência da sua beleza e do quão era foxy (e do quanto seu cabelo é o maior hair porn do século).

Mas como nem tudo são flores e Doctor bom é Doctor amargurado, o 10th tinha seu lado mais sombrio, que se revelou principalmente após a quarta temporada e a saída traumática da Donna. Também percebemos uma grande impaciência de sua parte com a Martha, o que eu acho particularmente horrível, pois ela fazia tudo por ele e não recebia nem um “valeus” como retribuição. No especial The End of Time vemos um Doctor cansado de fugir de seu destino e ainda inconformado com sua morte iminente, então a carga emocional do 10th foi bastante pesada nesse momento. Em The Day of the Doctor, Momento-Rose o definiu como “aquele que se arrepende” e acho que essa é a melhor descrição do lado sombrio do Décimo Doctor: um Time Lord que nunca conseguiu esquecer suas ações durante a Guerra do Tempo.

Aparência:

Eu ADORO o estilo do Décimo Doctor. Sempre curti essa combinação de terno e gravata com All Star e como se o sorriso do Tennant já não fosse suficiente para eu me apaixonar por ele, o homem ainda usa esse vestuário absolutamente perfeito. A cor do terno alternava entre azul e marrom (meu favorito!), a gravata alternava entre vermelha e marrom e o All Star dividia seu tempo entre vermelho e bege. No The Day of the Doctor, vemos o 10th em um belo terno listrado marrom com uma camisa azul claro, uma gravata florida (talvez um prenúncio do colar havaiano que ele usaria em The End of Time) e um All Star básico begezinho. Vale destacar o smoking que ele utiliza em Voyage of the Damned, sem dúvida um dos momentos mais belos do Doctor.

O uniforme do Décimo Doctor contava ainda com um sobretudo marrom gigante que eu, particularmente, não curtia muito. Ele eventualmente utilizava óculos de grau (e ficava ainda mais perfeito) e não podemos nos esquecer dos óculos 3D que ele usou em Doomsday e se tornaram símbolo do 10th até hoje. A sonic screwdriver dele era igual à do 9th e certamente mais simples e básica que a do 11th: possuía apenas uma luzinha azul na ponta.

Aparições pós regeneração:

O Décimo Doctor apareceu algumas vezes na série após o fatídico “I don’t wanna go”, sempre como a memória de regenerações passadas. Havia muita expectativa de que David Tennant participasse de alguma coisa relativa aos 50 anos de Doctor Who em 2013 e obviamente que ele não perdeu a oportunidade de reviver o 10th Doctor em um dos episódios mais importantes da série: The Day of the Doctor, no qual ele novamente prestou um papel de extrema importância para a mitologia da série (e ajudou todas as fangirls a matar as saudades, claro). Vale comentar que o especial de 50 anos se situa entre os eventos de “The Waters of Mars” e “The End of Time”. Vale comentar também que, antes da regeneração, o Décimo Doctor fez uma aparição especial no spin-off The Sarah Jane Adventures, salvando a doce Sarah Jane de um casamento que era só cilada.

O Décimo Doctor de David Tennant é considerando o Melhor Doctor (ou o Doctor Favorito) por muitos. Recentemente ele ganhou a classificação de “Doctor Favorito da Nação” de acordo com uma votação da Radio Times, seguido por Matt Smith (11th) e Tom Baker (4th). É fato que ele é o preferido de muitos whovians (tipo eu!), mas sempre vale lembrar que o Doctor é um só, logo, todas as suas regenerações merecem muito amor sempre! <3

E falando em The Day of The Doctor, aqui no SM tem post sobre o especial pra todos os gostos! Confiram a nossa review do episódio, a crônica sobre as vantagens de ser whovian e a cobertura especial da bagunça dos whovians no Shopping Santa Cruz, em São Paulo. Allons-y!

Allons-y1: David Tennant é casado com Georgia Moffett, atriz que interpretou a filha do Décimo Doctor em “The Doctor’s Daughter” e filha de Peter Davison, que deu vida ao Quinto Doctor, ídolo de David Tennant na infância e grande inspiração para que seguisse a carreira de ator. Ou seja: David conseguiu realizar seu sonho de ser o Doctor e ter sua própria TARDIS, além de ser fã do ator cuja filha atualmente é sua esposa mas um dia já foi sua filha. Sério: EXISTE VIDA MAIS LEGAL DO QUE A DE DAVID TENNANT? #TodosOsWhoviansQuerem

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