Daniel, uma grata surpresa nos Tira-teimas.
Nem eu imaginei que haveria chance de escrever a frase acima algum dia, mas é a mais pura verdade. Reclamamos do feedback dos técnicos quando precisamos reclamar, mas, na novíssima (ao menos no Brasil) fase dos Tira-teimas, que já aconteceram ao vivo, é necessário também elogiar quando precisamos elogiar. E Daniel acabou me surpreendendo pelo feedback técnico e interessantíssimo que deu aos cantores da primeira noite da terceira etapa do The Voice Brasil quando tinha a oportunidade de falar sobre eles.
Daniel avaliou nervosismo, avaliou afinação, avaliou carisma, presença e técnica vocal. Sim, ele não só fez tudo isso, como o fez com uma precisão rara no reality brasileiro. Teria a incrível Luíza Possi se revelado uma ótima influência para o até então monossilábico técnico? Não sei, mas seja lá o que estiver acontecendo, é muito bom para o programa.
Abro um parêntese para explicar que, na semana passada, não pude ver o programa na TV, mas pude escrever a review usando os vídeos disponibilizados no próprio site do The Voice, na Globo.com. Aliás, decidi não embedar os vídeos do YouTube nas reviews nesta etapa pelo simples motivo de que aqueles que vemos fora da própria Globo.com geralmente têm uma qualidade bastante baixa. Recomendo, no lugar disso, assistir às apresentações no próprio site do programa, em altíssima qualidade, clicando aqui.
Assim, vendo os vídeos pelo site, escrevi meus textos sobre cada Tira-teima antes de assistir ou mesmo de saber sobre o resultado final, e ver Daniel dizendo exatamente as mesmas coisas que eu havia notado e pontuado em minhas anotações poderia ser uma injeção de autoestima se eu já não tivesse confiança no que escrevo para vocês. Muito mais do que isso, encarei os comentários do técnico sertanejo como uma ótima surpresa, que me faz acreditar muito mais no envolvimento de Daniel com o programa.
Falando um pouco sobre a etapa em si, confesso que achei tudo muito melhor do que eu imaginava. Os Tira-teimas correspondem, na versão gringa, aos Knockouts, etapa que foi inserida na terceira temporada do The Voice norte-americano e que viajou pelo mundo, até chegar ao Brasil. Porém, Boninho optou por manter 9 participantes em cada time e fazer Tira-teimas da mesma forma como eles aconteceram no The Voice UK: em vez de duplas, trios, com dois sendo eliminados e apenas um seguindo na competição. O diferencial da nossa edição é que só aqui essa etapa acontece ao vivo, o que eu considerei um ganho para o programa, porque há o bônus de o público poder interferir nos resultados desde já – e eu quero mais é aproveitar, já que este é o único The Voice em que temos direito a voto. O candidato menos votado de cada trio era automaticamente eliminado, sem direito a Peguei (sim, Boninho decidiu tacar um Peguei extra nessa fase na última hora depois que viu que isso foi feito nos EUA nesta temporada). Entre os dois restantes, um deles era salvo pelo técnico e o outro ficava disponível para ser roubado.
O que me incomoda nesse “Peguei” extra é a mesma coisa que me incomodou na temporada passada: a sensação de falta de planejamento. Pode não ser agora, mas em algum momento teremos eliminações a rodo no The Voice Brasil, e esse momento está apenas sendo adiado. Eu prefiro que saiam muitos no início, quando ainda não me apeguei aos candidatos, do que no fim, quando eu já gosto de vários deles, então esses adiamentos me incomodam um pouco.
No mais, devo dizer que Miá Mello é muito simpática, mas não sabe ABSOLUTAMENTE NADA sobre os candidatos (nem mesmo seus nomes!) e isso ficou completamente perceptível. Deu saudade da Dani Suzuki. Mas fiquei muito feliz, mas muito feliz mesmo, por ver cenas dos técnicos ensaiando com seus pupilos este ano, ao contrário do ano passado, em que isso nunca foi mostrado e me deu a certeza de que o processo de coaching era feito apenas por e-mail. Agora, sim, estamos falando de The Voice, estamos falando de técnicos, de pessoas que se envolvem e ajudam seus candidatos a crescerem!
Falando em crescerem, é hora de irmos para as apresentações em si, que nos deram gratas surpresas em termos de show musical, mas pouquíssimas em termos de resultados (algo que infelizmente continuou acontecendo até mesmo quando cantores que não tinham nenhum favoritismo se superaram e superaram a concorrência). Seguem:
Tira-teima 1: Team Lulu – Luana Camarah (Sweet Child O’Mine – Guns ‘n’ Roses) x Luciana Balby (Jorge Maravilha – Chico Buarque) x Rully Anne (Elevador – Ana Carolina)

Assim que Lulu escolheu esse trio, já ficou muito claro quem ele queria salvar – reparem até na maneira como ele pronunciou cada nome, é uma denúncia muito óbvia da futura escolhida. Isso me lembrou uma das coisas que mais me incomoda no The Voice Brasil: a performance do dia não entra muito na conta, já que os votos são feitos na correria. Sobre as performances em si, houve basicamente dois sentimentos ao longo desse tira-teima: um de decepção, outro de uma surpresa extremamente positiva. Decepção com Luana Camarah, que mandou uma performance que poderia até ser mais do mesmo (como foi) se não tivesse sido entregue de uma maneira completamente sem brilho. Mesmo com a sensação de correria que permeia o The Voice Brasil, Luana não conseguiu prender minha atenção com sua apresentação, que pra mim passou muito longe do furacão que é essa música e do monstro que é Axl Rose. Por outro lado, Luciana Balby, contra quem torci muito durante as batalhas, subiu no palco e entregou uma performance simplesmente magnífica, cheia de energia, de personalidade, de carisma. Uma performance de alguém que claramente lutava para permanecer ali, por mais que certamente soubesse que isso não aconteceria. O falsete particularmente me encantou, mas toda a apresentação me deixou muito feliz, animado, e torcendo muito por ela (mesmo sabendo que seria uma torcida em vão). Rully Anne foi apenas ok, e, mesmo com a decepção de Luana, eu ainda prefiro uma performance que desperta sentimento do que uma morna como foi a da última a se apresentar. Por incrível que pareça, gostei do feedback de Daniel, e, dentro do pouco que ele costuma dizer, foi direto ao ponto e traduziu perfeitamente o que eu pensei sobre Luciana: a melhor do trio.
Eliminada pelo público: Luciana Balby, mostrando que a apresentação do dia não conta para absolutamente nada.
Salva pelo técnico: Luana Camarah.
Peguei: Rully Anne (Team Milk, que saiu torrando seu único Save logo de cara e desperdiçou completamente o recurso).
Tira-teima 2: Team Lulu – Carina Mennitto (Chain Of Fools – Aretha Franklin) x Nando Motta (Dois Rios – Skank) x Pedro Lima (I’ll Be There – Jackson 5)

Agora, sim, podemos falar sobre alguém que fez jus ao favoritismo que vem ganhando quase de graça do público e da edição. Não há nem como comparar a apresentação de Pedro Lima com as demais. A voz nem é tão incrível assim, principalmente pra quem já viu essa música sendo interpretada em realities americanos (aliás, “I’ll Be There” é daquelas músicas que a gente NUNCA quer ver em reality). Não é difícil notar que faltou controle em alguns momentos, mas Pedro canta com uma intensidade, com um sentimento, com uma vontade, que acaba obrigando o espectador a se render. Principalmente quando a concorrência é tão menos interessante. O belíssimo timbre de Nando é sempre bom de ouvir, o tipo da voz limpa que acaricia os nossos tímpanos, mas faltou a ele justamente um pouco mais de entrega, de consciência de que estamos em uma competição. Carina Mennitto entrou nesse Tira-teima como minha favorita e em dois minutos me fez torcer para que ela fosse a primeira eliminada antes mesmo de eu assistir às demais apresentações. Sua “Chain Of Fools” foi completamente apática, com uma dicção terrível, uma das coisas mais distantes de Aretha Franklin que eu já vi na vida. Assim, embora Nando tenha feito um bom trabalho, minha torcida por Pedro era gritante. Estou um pouco incomodado com o quanto o programa reforça a imagem de pobrinho de Pedro, mas, enquanto ele fizer apresentações que honrem o favoritismo e tenha mérito pra prosseguir, estarei em paz com isso.
Eliminada pelo público: Carina Mennitto.
Salvo pelo técnico: Pedro Lima.
Tira-teima 3: Team Brown – Nene Oliveira (Mutante – Rita Lee) x Raíza Rae (O Vento – Jota Quest) x Rodrigo Castellani (Maybe I’m Amazed – Paul McCartney)

Esse foi o primeiro embate que chegou a me deixar com alguma dúvida, tanto em relação a minha preferência como em relação à escolha do técnico. Mas Nene Oliveira nada teve a ver com ela. Sua performance completamente genérica de “Mutante” pode até ter sido bem executada, mas não chegou nem perto de me tocar. A dúvida aqui foi entre Rodrigo Castellani, que já havia mandado absurdamente bem em sua batalha contra Dom Paulinho, e Raíza Rae, que foi uma grata surpresa nesse Tira-teima. Nosso Digão soltou a voz e mostrou aquela vontade e intensidade de que falei mais cedo, com momento em que usou uma voz mais rasgada e extremamente interessante. Mas escolher uma música internacional é uma faca de dois gumes. Qualquer um que já viu “Maybe I’m Amazed” ser interpretada lá fora (e isso significa qualquer um que já viu alguma temporada de algum reality americano), a não ser que tenha dado muito azar, viu algo no mínimo um pouco melhor do que o que Rodrigo apresentou, e essa comparação tira o brilho do trabalho dele. Já Raíza, que escolheu um caminho mais sutil e intimista, foi absolutamente linda sem dar margem a esse tipo de comparação. Já deu pra notar que tenho uma quedinha (ou talvez uma queda livre) por belos agudos e falsetes, e por isso o fim da performance da menina ganhou meu coração e até ganharia um votinho, confesso.
Eliminada pelo público: Nene Oliveira.
Salvo pelo técnico: Rodrigo Castellani, mostrando que o discurso de Brown sobre ter um time com repertório 100% brasileiro eram só palavras vazias. E, sim, estou INDIGNADO com a eliminação de Raíza Rae depois dessa performance.
Tira-teima 4: Team Milk – Bruna Góes (Wake Me Up – Avicii) x Júlia Tazzi (Puro Êxtase – Barão Vermelho) x Sam Alves (Pais e Filhos – Legião Urbana)

Impagável a CARA de Bruna Góes ao se deparar com o anúncio de Sam Alves em seu trio. Não podemos culpa-la. Bruna vinha se destacando na competição, e é absolutamente impossível compreender por que Claudinha fez a burrada de colocá-la para enfrentar o cantor tão cedo. A meu ver, essa responsabilidade acabou deixando Bruna nervosa, pois não a senti muito à vontade no palco, e isso se refletiu em seus vocais, especialmente nos graves. Adorei a escolha antenada de repertório, adorei o arranjo mais clássico do primeiro hit de Avicii – ficou a cara da cantora! – mas não consegui ver grandes méritos na apresentação de Bruna em si. Júlia, por outro lado, foi exatamente o inverso. Não levava fé nenhuma na cantora, e acabei me encantando com seu carisma, sua energia, e principalmente seus vocais. Os agudos que ela segurou não são pra qualquer um e ficaram perfeitos na música! Aí veio Sam. Ah, Sam, não consigo ser objetivo quando se trata desse cara. Finalmente o rapaz decidiu cantar música brasileira, que era algo que eu havia comentado que ele precisaria fazer assim que assisti à sua audição. E o fez com a mesma maestria que faz com músicas americanas, carregando a bandeira e a mensagem da Legião com muita dignidade e sendo o Sam do qual já viramos fãs, e agora com muito menos firulas e com uma voz muito mais limpa, mas tão bela quanto aquela que vimos em todas as suas apresentações anteriores. Go, Sam! #Samurais
Depois de uma intervenção, no mínimo, interessante de Gabriel , O Pensador e Lulu Santos, com um dos maiores sucessos do rapper que não apenas é uma metáfora que defende a maconha como também tem palavrões que não foram censurados pela Globo (muito amor pelo novo horário do The Voice Brasil!), voltamos aos resultados, e mais uma vez tivemos um feedback preciosíssimo de Daniel, que pontuou o nervosismo e os problemas vocais de Bruna e os agudos sensacionais de Júlia.
Eliminada pelo público: Bruna Góes (muito triste, mas ela realmente foi a pior dos três).
Salvo pela técnica: Sam Alves.
Tira-teima 5: Team Milk – Guto Santanna (Não Vá Embora – Marisa Monte) x Khrystal (A Carne – Seu Jorge) x Maylssonn (Condição – Lulu Santos)

Eita mulé arretada essa Khrystal! Falou que ia entrar com e peixeira e entrou mesmo! Quando esse furacão do Nordeste começou a cantar, imediatamente passou a ter 100% da minha atenção, nada mais importava. A mensagem da canção de Seu Jorge foi muito bem passada, e acredito que ninguém conseguiu representar o Brasil e a música brasileira de maneira tão perfeita e tão interessante quanto Khrystal conseguiu nessa apresentação. Perfeita! Maylssonn fez uma apresentação belíssima e até mais interessante tecnicamente, mas foi desfavorecido pela ordem das performances: pra mim, nada mais importava depois de Khrystal. Muito menos o pobre Guto, que fez uma apresentação completamente esquecível e, a meu ver, deveria ter sido o primeiro eliminado.
Eliminado pelo público: Maylssonn.
Salva pela técnica: Khrystal (uhul!).
Tira-teima 6: Team Daniel – Ana Lonardi (Para Ver As Meninas – Paulinho da Viola) x Cecília Militão (Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) – O Rappa) x Samya Nalany (Quase Um Segundo – Os Paralamas do Sucesso)

Sinceramente? Procurei defeitos nas apresentações das três cantoras e não encontrei, mas, ainda assim, depois da apresentação de Cecília Militão, nada mais importou. Ana e Samya fizeram trabalhos respeitáveis (principalmente a primeira, que eu considero bem mais carismática no palco), mas Cecília é uma força da natureza que não pode ser ignorada. Cecília se jogou na performance, se descabelou toda e fez por merecer a última vaga da noite sem dúvida alguma.
Eliminada pelo público: Samya Nalany.
Salva pelo técnico: Cecília Militão.
Assim, encerramos a primeira noite de Tira-teimas, que eu confesso ter curtido bem mais do que imaginava. Até agora, foi o meu episódio favorito da temporada. Antes de me despedir, vamos àquela rápida passada pelos times:
Team Milk: Sam Alves, Khrystal, Rully Anne.
O time de Claudinha já está quase completo, e não poderia estar em uma posição diferente da primeira, já que meus dois favoritos absolutos da noite estão aqui. Sam e Khrystal são excelentes, e só lamento não poder ver ambos até a final do programa. A eles, muito provavelmente se juntará Gabby Moura, que também não é uma voz qualquer e ajudará a consagrar o Team Milk como o melhor da próxima etapa, com folga e sem sombra de dúvida.
Team Daniel: Cecília Militão.
Daniel só tem Cecília, o que acaba fazendo com que a média de seu time seja elevadíssima e lhe proporcionando a segunda colocação. Vale lembrar que Rubens Daniel (meu favorito dessa equipe) e Marcela Bueno também estão no time e têm tudo para fortalecer ainda mais o nosso técnico sertanejo.
Team Lulu: Pedro Lima, Luana Camarah.
O Team Lulu já esteve mais forte, mas gosto muito de Pedro e acho que Luana ainda terá oportunidades para mostrar a que veio. Dom Paulinho certamente se juntará aos dois no terceiro Tira-teima, formando um time de altíssimo apelo popular, e para vários gostos. Por isso, é impossível dizer que o Team Lulu está fora do páreo. Muito pelo contrário.
Team Brown: Rodrigo Castellani.
O Team Brown começou devagar, e, por mais que eu goste de Rodrigo Castellani, não o vejo como alguém capaz de passar da próxima etapa em que estiver sujeito à eliminação. Mas, no caso dessa equipe, o melhor com certeza ficou para o final, e é daqui que eu quero que saiam os “Pegueis” de Lulu e Daniel, porque gostaria muito de ver Bruna Barreto, Lucy Alves e, principalmente, Heverton Castro e Marcos Lessa seguindo na competição.
É isso, pessoal! Na semana que vem, a Flávia estará de volta para a segunda parte dos Tira-teimas, e na seguinte o Jeferson inaugura a última fase da temporada. Aguardo vocês no Top 12, ou 8, sei lá, com essas mudanças de regras a gente nunca sabe quantos restarão a cada semana. Até lá!
















