American Horror Story: ReCoven.
Uma das grandes expectativas com relação a Coven quando ela foi anunciada foi provocada pelos próprios teasers que foram divulgados pelo FX. Essa temporada foi, de fato, a que jogou com o marketing de forma incisiva pela primeira vez. Os teasers se revelaram, mais tarde, licenças impressionistas que se relacionavam com a história de formas nada óbvias; o que significava que ver um monte de meninas chegando na escola não era exatamente o mesmo que presenciar tal evento. No final das contas, o número de bruxas na trama – e na casa – era bem restrito. Na finale isso se justificou quando Cordelia abriu para o mundo a respeito do clã. Mas, agora, de verdade, estamos vendo um monte de aspectos dramatúrgicos de Coven se corrigindo.
Os comentários das reviews anteriores revelaram alguns insatisfeitos com o que tenho dito a respeito do passado de críticas de Coven. Tenho feito as reviews da série desde o primeiro ano e posso dizer sem nenhuma dúvida que exatamente por ter vindo depois de Asylum, Coven passou por maus bocados e foi responsável por ter desacreditado a audiência nos anos seguintes. A necromancia (vertente que lida com a magia da ressuscitação dos mortos) serviu como escudo para explicar os constantes retornos de personagens que nunca morriam. Além disso, alguns plots ficavam na superficialidade e frustravam justamente por serem bons o suficiente para merecerem mais.
O mais curioso é que ao mesmo tempo em que estamos vendo o mesmo ciclo de retornos de personagens mortos, isso não afeta negativamente a audiência como afetou antes. Com mais planejamento e uma melhor carpintaria, o texto se apoia de um modo mais coerente com o que propôs desde o começo. Assim, os retornos fazem sentido. A sensação de satisfação aumenta porque estamos finalmente vendo o clã agindo por um bem comum, indo atrás de aliadas, concretizando planos diretos e específicos que não se perdem entre um episódio e outro. Isso tudo aumenta a força desse crossover e a nossa experiência acaba sendo cada vez mais incrível.
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Traitor foi um episódio que serviu para terminar algumas explicações importantes. Dinah, como todos esperávamos, revelou-se a herdeira de Marie Laveau, fazendo seus feitiços por dinheiro, sendo eles tão assustadores quanto os da própria Rainha Vudu. É sempre interessante ver como a cultura se bifurca segundo a interpretação dos roteiristas – o que eles fazem bem corretamente. As bruxas lideradas pela Suprema elegantizam seus poderes, enquanto as bruxas da arte vudu não se colocam em posição de superioridade e simplificam sua relação com essas habilidades. Dinah ainda não aconteceu como esperávamos, mas ela tem seu papel na condução dos eventos.
E por falar em papel, tudo está bem encaixadinho. Joan Collins voltou numa ótima sequência de horror, bem Murphy; e finalmente expôs seus poderes. Aqui temos um dado importante: o de que aparentemente todos os moradores do bunker estavam ali propositadamente. Até então, apenas Mallory, Coco e Dinah faziam parte do segredo, mas pelo visto era só aparentemente. Quem também voltou com seu papel bem definido foi Papa Legba, que pode não ter fechado um acordo com Cordelia, mas nos trouxe Nan para matarmos a saudade do trabalho lindo de Jamie Brewer.

Até mesmo o ainda hilário poder de Coco serviu para evidenciar a possibilidade de que Mallory seja a próxima suprema. O roteiro foi seguindo do jeito certinho, com a volta de Myrtle sendo explicada, com a farsa dos feiticeiros sendo percebida e com o retorno de Cheyenne servindo como arauto da “traidora”, que já esperávamos ser a personagem de Kathy Bates, o que não deixa de ser uma perspectiva muito interessante. Ainda não tínhamos visto uma das bruxas ser tratada dessa maneira. A morte dos conspiradores pelo fogo fechou lindamente o episódio e Kathy praguejando sua lealdade a Lúcifer acabou sendo tão divertido quanto perturbador.
> A Maldição da Residência Hill – QUASE MORRI DE MEDO!!
Com poucos episódios para o fim, essas doses cavalares do universo de Coven foram extremamente bem estabelecidas no que Apocalypse construiu até aqui. Temos uma história central, antagonistas claros, motivações coesas, explicações coerentes… É uma redenção que agrada aos haters de Coven e um plus que sacramenta o amor dos lovers. O melhor disso tudo: temos uma reta final clareada e com poucas chances de erro. A grande sacada é que de um jeito ou de outro o mundo precisa se resolver. Estamos diante da finale mais importante da história do show e isso é simplesmente maravilhoso.















