Bem-vindo, Alex.

Spoilers Abaixo:

 A duração dos episódios de ‘A Menina Sem Qualidades’ é inversamente proporcional à expectativa que nasce para o próximo capítulo. É assim que, em doses homeopáticas, o universo paralelo de Ana nos vai sendo apresentado. Ou melhor, nos atrai para o centro de sua grande teia.

 Da mesma forma, a chegada de Alex causa um misto de atração inexplicável e curiosidade. Ana é conquistada pelo discurso (e olhos) do garoto sem qualidades, e igualmente sem defeitos, e somos apresentados a Alex, brilhantemente interpretado por Rodrigo Padolfo. Alex é o elemento que muda o rumo de tudo.

 Enquanto isso, a trama da série continuou de forma sutil ao explorar um Olavo estranhamente chateado pela gozada da festa de aniversário. O personagem se mostra distante da menina a qual sentiu tanta identificação e, apesar das dúvidas, insiste em protegê-la. Ele funciona na trama como um contraponto ingênuo à manipulação de Alex.  Um acerto maravilhoso. Nesse contexto, o prazer de Ana em não formar opinião, apenas falar alguma coisa que soa mais bonita do que outra, explicita que o que a move é sua curiosidade.

 Assim, o interesse pelo filho de libanês com mãe brasileira foi além da troca de olhares na classe, do ‘oi’ mudo, da prosa a respeito do triângulo XYZ dedicada a Selma. Prova disso é o exemplar de ‘O Homem Sem Qualidades’ para ocupar as horas livres de Ana. O livro mostra visualmente o quanto a menina está interessada no garoto desinteressado pela vida.

 Esse desinteresse, no entanto, é a grande estratégia de Alex para penetrar centros de poder e destruir regas estabelecidas. O episódio acerta ao apresentar um personagem manipulador e, em paralelo, estabelecer discussões político-filosóficas que só reforçam a energia gravitacional do garoto. Afinal, quem diria que Greenpeace, A Sociedade do Anel e Al-Quaeda fazem parte do mesmo saco? Tudo vai depender do ponto de vista.

 É com um novo olhar que o novo interesse amoroso de Ana entra em pauta, ainda que Selma não tenha sido esquecida. E, de quebra, aparece como um fio condutor das tramas futuras. A própria protagonista define de forma clara, crua, e um tanto fria, o que pode ser a tal estranha atração: “Não é amor. É um pedido de anexação’.

 Por fim, a série apresentou mais um episódio excelente, repleto de cenas silenciosas intercaladas por trilhas sedutoras e diálogos tão lúcidos a ponto de causar tontura. É tanta poesia que fica difícil não ser encantado pelo olhar de Felipe Hirsch sobre essa história. Foi um episódio hipnotizante e pertinente com a chegada de Alex, igualmente persuasivo e de presença marcante. Tudo indica que sua mão permanecerá em nossos ombros durante a viagem. E se até aqui tem sido prazerosa, que a fumaça transcendente dos cigarros de Ana nos leve.

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